segunda-feira, 17 de junho de 2019

Deus não nos chamou para sermos hipócritas

"Como é feliz aquele a quem o Senhor não atribui culpa e em quem não há hipocrisia!" (Salmos 32:2)

Um dos predicados que Jesus mais usou para (des)qualificar as pessoas durante seu ministério terreno foi “hipócrita”. Era o adjetivo principal que Ele utilizava para se referir aos escribas e fariseus, por exemplo. Nas minhas leituras da Bíblia, acabei atentando para essa palavra e acabei me entregando à reflexão acerca da hipocrisia. E tenho pensado tanto sobre a minha hipocrisia quanto a das pessoas que me cercam. Não se espante de eu dizer “a minha”, porque quando se é honesto consigo mesmo é impossível não reconhecer que todos temos um pouco (ou muito) dela. Uns mais, outros menos, mas todos temos nossa dose desse mal, nem que seja em nome do bom convívio social. Não virar a mão na cara de uma pessoa que você sabe que está mentindo para você e ficar sorrindo para ela não deixa de ser um ato hipócrita, se você parar para pensar. Então, eu e você temos nossa cota de hipocrisia, admitamos. Afinal, não admitir isso seria… hipocrisia.

“Hipocrisia” vem do grego hupokrisía, vocábulo que tem o sentido de “alguém que desempenha um papel”. Ou seja, em resumo, hipocrisia tem a ver com fingimento. É uma coisa meio teatral, quando você finge ser, sentir ou pensar algo que não condiz com a realidade. Mas, mesmo sendo uma característica tão presente no ser humano como qualquer outro pecado, preciso reconhecer que ultimamente tenho visto tanta hipocrisia que chega a gerar em mim uma certa repulsa.

Algo que detectei no trato com pessoas que têm agido de forma hipócrita é que há quatro estágios de reação da sua parte quando você se depara com um ato de hipocrisia perpetrado por alguém que você conhece e com quem se preocupa: 1. Revolta; 2. Exortação; 3. Conformismo; 4. Anestesia (esta geralmente vem acompanhada de um consequente afastamento).

É mais ou menos assim que ocorre quando alguém por quem você se importa embarca num comportamento hipócrita perene: primeiro você se revolta, acha um absurdo. “Como fulano consegue ser tão fingidor?! Como ele aguenta viver assim?!”. Depois vem a fase da exortação, quando você tenta chamar a pessoa à responsabilidade, faz o que está ao seu alcance para que ela abandone seus atos hipócritas e que vão acabar por machucá-la ou machucar terceiros, aconselha, fala, adverte, alerta para os problemas que aquilo causará. Mas, no instante em que você percebe que de nada adiantou admoestar e que a pessoa persiste em sua trajetória de hipocrisia, começa a etapa do conformismo. “É… fulano escolheu ser hipócrita mesmo, fazer o que, né?! Deixa estar”. Por fim, chega a anestesia. É quando você já se esforçou tanto e fez tudo o que estava ao seu alcance para libertar a pessoa com quem você se importa dos grilhões de seu fingimento que literalmente fica exausto. E percebe, enfim, que a pessoa tomou a decisão definitiva: viver a hipocrisia até o fim. É quando você desiste.

Infelizmente, isso acaba despertando em você uma boa dose de asco por tamanho fingimento, a ponto de te deixar meio anestesiado ao fato – talvez como uma casca protetora para proteger você de sentir o sentimento ruim que está sentindo. Se você assistiu ao filme Pink Floyd – The Wall vai entender um pouco do que estou falando: você se torna Comfortably Numb (Confortavelmente Entorpecido). É nessa hora que você larga a mão de quem insiste em pular no abismo e deixa pra lá. Como se dissesse: “Você persiste nessa atitude? Então quer saber? Azar o seu, colha os frutos amargos das suas ações”. Nesse ponto se dá a ruptura e a gente simplesmente sai de cena, entregando o ente querido à própria sorte. “Que Deus o ajude”, é o que resta dizer. E vamos cuidar da vida, esperando só o dia em que chegarão as inevitáveis notícias dos desastres ocorridos por causa daqueles persistentes atos hipócritas (é claro que oramos muito pedindo a Deus que isso não ocorra, mas é como a Bíblia diz: “Quem semeia corrupção na carne colhe corrupção na carne”. É inevitável.). Ou você acha que uma hipocrisia perene não traz infelicidade ao hipócrita? Ou você acha que hipocrisia passa impune?

Todos somos hipócritas, logo, não serei eu a atirar a primeira pedra. Mas há uma grande diferença entre os tipos de pessoas que praticam a hipocrisia: há o hipócrita que percebe suas escorregadas e se corrige e o hipócrita que, por mais que você advirta, persiste em levar adiante seu erro. Só que Deus não nos chamou para sermos hipócritas. E se você percebe que está vivendo atrás de máscaras, sorrindo quando queria chorar, dizendo “sim” quando deveria dizer “não”, fingindo ser quem você não é… meu irmão, tome uma atitude. Por quê?

Porque senão o seu modo de proceder em nada será diferente do modo dos escribas e fariseus que Jesus tanto condenou. E a quem chamou de sepulcros caiados.

"O maior dos enganos do espírito humano, nos dias de Cristo, era que um mero assentimento à verdade constituísse justiça. Em toda experiência humana, o conhecimento teórico da verdade se tem demonstrado insuficiente para a salvação. Não produz os frutos de justiça. (...) Os fariseus pretendiam ser filhos de Abraão e se vangloriavam de possuir os oráculos de Deus; todavia, essas vantagens não os preservavam do egoísmo, da malignidade, da ganância e da mais baixa hipocrisia. (...)

O mesmo perigo existe ainda hoje. Muitos se têm na conta de cristãos simplesmente porque concordam com certos dogmas teológicos. No entanto, não introduziram a verdade na vida prática. Não creram nela nem a amaram; não receberam, portanto, o poder e a graça que advêm mediante a satisfação da verdade. As pessoas podem professar fé na verdade; mas, se ela não os tornar sinceros, bondosos, pacientes, dominados, tomando prazer nas coisas de cima, isso é uma maldição a seu possuidor e, por meio de sua influência, uma maldição ao mundo.

A justiça ensinada por Cristo é conformidade de coração e de vida com a revelada vontade de Deus. Os pecadores só se podem tornar justos à medida que têm fé em Deus e mantêm vital ligação com Ele. Dessa forma, a verdadeira piedade elevará seus pensamentos e enobrecerá a vida. Então, as formas externas da religião se harmonizarão com a interior pureza cristã. Nesse caso, as cerimônias exigidas no serviço de Deus não são ritos destituídos de sentido, como os dos fariseus hipócritas." (Ellen G. White - A Fé Pela Qual eu Vivo, p. 108)

O que o texto acima de Ellen White quer nos dizer é que a tendência de muitos é de achar que por terem o conhecimento da "verdade" isso os torna "verdadeiros"; por terem o conhecimento da Justiça, isso os torna justos; por terem o conhecimento do que é o cristianismo, isso os torna cristãos. Não é assim que acontece. Isso era comum com certa classe de pessoas, nos dias de Cristo, e parece que é mais comum nos dias de hoje!

A única coisa que identifica uma pessoa não é o que ela profere ser, mas o que ela é de fato, ou seja, o que os seus atos dizem que ela é. Coerência é tudo o que Jesus ensinou. Busquemos incansavelmente conhecer a verdade e pratiquemos a verdade que conhecemos, dessa forma não traremos maldição, ou escândalo ao mundo, que já está farto de gente que diz ser o que nunca foi. Antes de tudo, conheça a verdade que é Cristo (João 14:6 e 8:32), e Ele transformará suas atitudes, de forma que a hipocrisia - um dos maiores males que enchem bancos de igrejas e lotam as ruas, praças, faculdades e a sociedade em geral - não se achará em sua vida.

A nossa hipocrisia não engana a Deus. A Bíblia diz em Lucas 16:15: “E ele lhes disse: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece os vossos corações; porque o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação.”

A hipocrisia tem motivos duvidosos. A Bíblia diz em Mateus 6:2: “Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.”

Hipocrisia é conhecer a verdade, mas não obedecer – dizer que Cristo é o Senhor mas não segui-Lo. A Bíblia diz em Mateus 23:13: “Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque fechais aos homens o reino dos céus; pois nem vós entrais, nem aos que entrariam permitis entrar.”

"A advertência foi dada; Deus tem claramente mostrado Seu desprezo por este pecado; e todos os que se dão à hipocrisia, podem estar certos de que estão destruindo a própria alma. A hipocrisia é deveras ofensiva a Deus" (Atos dos Apóstolos, p. 76).

Adaptação de textos de Apenas e Na Contramão

sexta-feira, 14 de junho de 2019

A igreja e a criminalização da homofobia e transfobia

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (13), por 8 votos a 3, permitir a criminalização da homofobia e da transfobia. Os ministros consideraram que atos preconceituosos contra homossexuais e transexuais devem ser enquadrados no crime de racismo.

Conforme a decisão da Corte:

* "praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito" em razão da orientação sexual da pessoa poderá ser considerado crime;

* a pena será de um a três anos, além de multa;

* se houver divulgação ampla de ato homofóbico em meios de comunicação, como publicação em rede social, a pena será de dois a cinco anos, além de multa;

* a aplicação da pena de racismo valerá até o Congresso Nacional aprovar uma lei sobre o tema.

Durante a sessão desta quinta-feira, os ministros fizeram ressalvas sobre manifestações em templos religiosos. Conforme os votos apresentados:

* não será criminalizado: dizer em templo religioso que é contra relações homossexuais;

* será criminalizado: incitar ou induzir em templo religioso a discriminação ou o preconceito.

Sobre o assunto, vejamos o que disse neste excelente texto o palestrante, músico, compositor e poeta adventista Mário Jorge Lima no facebook:

Antes que comecem a ser ditas inverdades e distorções a respeito dessa recente decisão do STF, quero comentá-la de modo bem objetivo e sucinto, sem necessidade de me alongar. Pelo que foi aprovado:

1. Será criminalizado incitar ou induzir em templo religioso a discriminação ou o preconceito.

2. Não será criminalizado pregar, no âmbito de um templo religioso, entendimento contrário a relações homossexuais.

O primeiro ponto acima não contraria o Evangelho, pois este também não incita, não autoriza, não aprova discriminação, acepção, exclusão de pessoas seja por que motivo for. Ao contrário, o Evangelho é inclusivo e prega amor, aceitação, tolerância e respeito entre as pessoas.

O segundo ponto garante a liberdade de opinião e convicções religiosas pessoais. Como dizia Millôr Fernandes, "livre pensar é só pensar".

E apenas acrescentando:

Discriminação e assédio moral significam menosprezar, humilhar, ridicularizar, perseguir, inferiorizar, prejudicar, agredir, inibir, silenciar, excluir do nosso convívio pessoas em função de suas escolhas ou de suas condições de nacionalidade, credo, raça, cor, sexo, idade, situação econômica ou social.

Isso é diferente do direito que toda pessoa tem de manifestar convicções pessoais, princípios ou discordâncias quanto ao tema em tela ou a quaisquer outros aspectos comportamentais e atitudinais.

Dois últimos lembretes:

Tolerância e respeito são vias de mão dupla.

"Amai-vos uns aos outros" continuam sendo palavras atuais. Há muitos anos, eu disse numa das minhas letras, gravadas pelo Grupo Tom de Vida: "O amor entre as pessoas torna o amor de Deus real."

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Lições que o futebol pode ensinar aos cristãos

Não é novidade que o futebol ensina perseverança, determinação, autocontrole, responsabilidade, lealdade, liderança, luta pelo objetivo. Contudo, ele pode ensinar outras lições. Confira:

1. Entre em campo. O objetivo do jogador não é ficar sentado na arquibancada nem no banco de reserva. O cristão não pode ficar na plateia. 

2. Aprenda na prática. Você atinge a “perfeição” não apenas ouvindo preleções, mas tendo experiência no jogo real, transformando cada erro em futuro acerto. 

3. Não reclame da concentração. É preciso ficar longe das distrações do mundo e treinar sério. 

4. Desenvolva habilidade. Para jogar bem, é preciso equilíbrio no controle da bola em alta velocidade, percepção dos melhores caminhos, excelente coordenação e movimentos precisos. 

5. Enfrente a pressão dentro e fora de campo. Cada jogo é uma batalha. A cobrança da imprensa e da torcida é enorme. 

6. Equilibre defesa e ataque. Todos os setores da equipe, da igreja e da vida precisam de atenção. 

7. Assuma riscos. Seja ousado, saia da retranca, vá para o ataque. Jogar é estar aberto a novas emoções. 

8. Combine seriedade e entretenimento. A vida não é só trabalho e disputa. 

9. Ganhe e perca com dignidade. As vitórias e derrotas fazem parte do jogo e da vida. Seja humilde na vitória e gracioso na derrota. Nenhum time é imbatível. 

10. Seja flexível. Procure se adaptar a novas situações, novo ambiente, nova cultura e novas funções, como os jogadores fazem. 

11. Seja um jogador de integridade. Você representa a família, o técnico, o time e o país. Jogue para a glória de Deus!

Assistam também ao vídeo abaixo do prof. Leandro Quadros:

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Dez Mandamentos do Namoro Cristão

"'Eu te Amo!' Quão significativas são essas palavras entre dois jovens! Ainda mais maravilhosas elas se tornam quando nos são ditas por nosso Salvador, que deseja que sejamos felizes e encontremos alegria em nosso relacionamento uns com os outros." (Ellen G. White - Cartas a Jovens Namorados, p. 7)

Namoro é uma fase muito bonita. É a época de conhecer, galantear, cortejar e procurar inspirar amor em alguém. O namoro cristão, tenha a idade que tiver, deve ser uma convivência afetiva preliminar que amadurece e prepara o casal para um possível compromisso mais profundo. O contrário disso, longe dos princípios de Deus, pode resultar em uma experiência nociva e traumática.

Observe alguns princípios que ajudam a manter o seu namoro dentro do ponto de vista de Deus: 

1. Não namore por lazer: namoro não é passatempo e o cristão consciente deve encarar o namoro como uma etapa importante e básica para um relacionamento duradouro e feliz. Casamentos sólidos decorrem de namoros bem ajustados.

2. Não se prenda em um jugo desigual (2Co 6:14-18):
 iniciar um namoro com alguém que não tem temor a Deus e não é uma nova criatura pode resultar em um casamento equivocado. E atenção: mesmo pessoas que frequentam igrejas evangélicas podem não ser verdadeiros convertidos ou não levarem o relacionamento com Deus a sério. 

3. Imponha limites no relacionamento: o namoro moderno, segundo o ponto de vista dos incrédulos, está deformado, e nele, intimidade sexual ou práticas que levam a uma intimidade cada vez maior são normais. Mas o namoro do cristão não deve ser assim, o que nos leva ao próximo mandamento. 

4. Diga não ao sexo: Deus criou o sexo para ser praticado entre duas pessoas que se amam e têm entre si um compromisso permanente. É uma bênção para ser desfrutada plenamente dentro do casamento; fora dele é impureza. 

5. Promova o diálogo e a comunicação: conversar é essencial. Estabeleça uma comunicação constante, franca e direta e não evite conversar sobre qualquer assunto. 

6. Cultive o romantismo: a convivência a dois deve ser marcada por gentileza, cordialidade e romantismo. Isso não é cafona, nem é coisa do passado e traz brilho ao relacionamento. 

7. Mantenha a dignidade e o respeito: o namoro equilibrado tem um tratamento recíproco de dignidade, respeito e valorização. O respeito é imprescindível para um compromisso respeitoso e duradouro. Desrespeito é falta de amor.

8. Pratique a fidelidade: infidelidade no namoro leva à infidelidade no casamento. Fidelidade é elemento imprescindível em qualquer tipo de relacionamento coerente à vontade de Deus, que abomina a leviandade.

9. Assuma publicamente seu relacionamento: uma pessoa madura e coerente com a vontade de Deus não precisa e nem deve lutar contra seus sentimentos ou escondê-los.

10. Forme um triângulo amoroso: namoro realmente cristão só é bom a três: o casal e Deus. Ele deve ser o centro e o objetivo do namoro.


Deixe Deus orientar e consolidar seu namoro. Viva integralmente as bênçãos que Deus tem para você através do namoro. E seja feliz.

"O verdadeiro amor é um princípio elevado e santo, inteiramente diferente em seu caráter daquele amor que se desperta por um impulso e que subitamente morre quando severamente provado. O verdadeiro amor não é uma forte, ardente e impetuosa paixão. Ao contrário, é calmo e profundo em sua natureza. Olha para além das meras exterioridades, sendo atraído pelas qualidades apenas. É sábio e apto a discernir, e sua dedicação é real e permanente. É o amor um dom precioso, que recebemos de Jesus. A afeição pura e santa não é sentimento, mas princípio. Os que são movidos pelo amor verdadeiro, não são irrazoáveis nem cegos. A brandura, a gentileza, a paciência e a longanimidade, o não se ofender facilmente, o sofrer tudo, esperar tudo, tudo suportar — estes são os frutos dados pela preciosa árvore do amor, árvore de origem celeste. Esta árvore, se nutrida, demonstrar-se-á daquelas que estão sempre verdes. Seus ramos não secarão, não lhe murcharão as folhas. É imortal, eterna, continuamente regada pelos orvalhos celestes." (Cartas a Jovens Namorados, p. 21)

terça-feira, 11 de junho de 2019

A parábola do juíz injusto

"Então Jesus contou aos seus discípulos uma parábola, para mostrar-lhes que eles deviam orar sempre e nunca desanimar. Ele disse: Em certa cidade havia um juiz que não temia a Deus nem se importava com os homens. E havia naquela cidade uma viúva que se dirigia continuamente a ele, suplicando-lhe: ‘Faze-me justiça contra o meu adversário’. Por algum tempo ele se recusou. Mas finalmente disse a si mesmo: ‘Embora eu não tema a Deus e nem me importe com os homens, esta viúva está me aborrecendo; vou fazer-lhe justiça para que ela não venha me importunar’. E o Senhor continuou: Ouçam o que diz o juiz injusto. Acaso Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele dia e noite? Continuará fazendo-os esperar? Eu lhes digo: ele lhes fará justiça, e depressa. Contudo, quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra?" (Lucas 18:1-8).

Resumo da parábola 
Duas pessoas fazem parte desta parábola de Jesus: um juiz que não temia a Deus e nem respeitava os homens e uma viúva que implorava por justiça. Essa mulher tinha uma causa justa contra uma pessoa, e ia até aquele juiz para clamar que ele julgasse o seu processo, porém, o homem da lei a ignorava totalmente. No entanto, por causa da insistência daquela viúva e pelo incômodo que esta estava lhe causando, o juiz decidiu que atenderia o seu caso. 

Ellen G. White assim descreve: 

"O juiz que nos é descrito, não tinha respeito ao direito, nem piedade pelos sofredores. A viúva que lhe apresentou sua causa com insistência, foi repelida pertinazmente. Repetidas vezes a ele apelara, porém, só para ser tratada com desprezo e expulsa do tribunal. O juiz sabia que a causa era justa, e poderia havê-la auxiliado imediatamente, mas não o quis. Desejava mostrar seu poder arbitrário, e comprazia-se em deixá-la suplicar e pedir em vão. Todavia ela não quis deixar-se desanimar. Apesar da indiferença e dureza de coração dele, tanto insistiu em sua petição, que o juiz enfim consentiu em atender sua causa. Para preservar sua reputação e evitar tornar pública sua sentença arbitrária e parcial, fez justiça à perseverante mulher" (Parábolas de Jesus, pp. 164-165).

O que podemos aprender? 

1) A importância da oração 
Ao contar essa parábola, Jesus não quis falar propriamente da oração, mas sim sobre um dos mais importantes aspectos da oração: a perseverança. A Bíblia nos fala algumas vezes sobre o poder da perseverança na oração. Veja: "Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração" (Romanos 12:12); "Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos" (Efésios 6:18); "Perseverem na oração, estejam alertas e sempre agradecidos" (Colossenses 4:2). Vejamos o que Ellen White afirma:

"O Senhor diz: 'Invoca-Me no dia da angústia' (Salmos 50:15). Convida-nos a Lhe expormos nossas perplexidades e carências, e nossa necessidade de auxílio divino. Exorta-nos a perseverar na oração. Logo que surjam dificuldades, devemos apresentar-Lhe nossas petições sinceras e francas. Pelas orações insistentes evidenciamos nossa forte confiança em Deus. O senso de nossa necessidade nos induz a orar com fervor, e nosso Pai celestial é movido por nossas súplicas. Não há perigo de que o Senhor despreze as orações de Seu povo. O perigo está em que desanimem na tentação e prova e deixem de perseverar em oração" (Idem, p.172).

Ellen White também aborda outro aspecto interessante:

"A petição da viúva: 'Faze-me justiça contra o meu adversário' (Lucas 18:3), representa a oração dos filhos de Deus. Satanás é o grande adversário. É 'o acusador de nossos irmãos', que os acusa de dia e de noite perante Deus (Apocalipse 12:10). Instantemente trabalha para mal representar e acusar, para enganar e destruir o povo de Deus. Nesta parábola, Cristo ensina os discípulos a pedirem salvação do poder de Satanás e de seus instrumentos" (Idem, p. 166).

2) O rancor não vale a pena 
Por mais que aquela mulher pudesse sentir raiva ou mágoa daquele homem que ela havia processado, em nenhum momento da parábola a viúva pede vingança contra seu adversário, muito menos que aquele juiz o prejudique de alguma forma. Ela somente quer que a justiça seja feita. Isso mostra que nós podemos usar a nossa fé e perseverança para buscar em Deus a solução das nossas causas, mas não podemos pedir que Deus “pese a mão” sobre tal pessoa e a faça pagar por tudo que ela fez de ruim. A Bíblia diz: "Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: "Minha é a vingança; eu retribuirei", diz o Senhor" (Romanos 12:19). Vejamos o que diz Ellen White:

"Na parábola do juiz injusto, mostrou Cristo o que devemos fazer. Cristo, nosso exemplo, nada fez para Se justificar e livrar. Confiou Sua causa a Deus. Assim Seus seguidores não devem acusar nem condenar, ou recorrer à violência, para se livrarem. Se surgem provações que parecem inexplicáveis, não devemos permitir que nossa paz nos seja roubada. Conquanto sejamos tratados injustamente, não demonstremos raiva. Alimentando o espírito de represália, prejudicamo-nos a nós mesmos. Destruímos nossa confiança em Deus e entristecemos o Espírito Santo" (Idem, pp. 171-172).

3) Deus é bom e nos ama 
Para mostrar como o poder de Deus é grande, Jesus ilustrou essa parábola com um representante do cargo mais importante e respeitado pela sociedade e, do outro, uma mulher viúva que, naquela época, era marginalizada e sobrevivia graças às boas ações de algumas pessoas de bom coração. Como aquele homem da lei era cheio de si mesmo, não temia ao Senhor e não respeitava ninguém, ele atendeu a viúva apenas para que ela não o incomodasse mais. Já Deus nos atende por amor! Jesus quer que nós entendamos que, se aquele juiz injusto atendeu o pedido de uma pessoa humilde e sofredora, o Deus Todo-Poderoso, o nosso justo juiz, fará muito mais por nós todos, com o maior prazer do mundo, pois Ele nos ama! Ellen White nos diz:

"Cristo traça aqui um vivo contraste entre o juiz injusto e Deus. O juiz cedeu ao pedido da viúva só por egoísmo e para esquivar-se à contínua importunação. Não sentia por ela compaixão nem piedade; sua indigência lhe era indiferente. Que diversa é a atitude de Deus para com os que O procuram! Os apelos dos necessitados e aflitos são atendidos com infinita misericórdia. O injusto juiz não tinha interesse particular na viúva que o importunava pelo veredicto; porém, para subtrair-se a suas súplicas comoventes, ouviu a petição, e fez-lhe justiça contra o adversário. Deus, porém, ama Seus filhos com infinito amor" (Idem, p. 165).

4. Não confiar em juízes terrestres
Ellen White nos deixa aqui um importante alerta: 

"O caráter do juiz, na parábola, que não temia a Deus nem respeitava os homens, foi apresentado por Cristo para mostrar a espécie de justiça então exercida, e que seria brevemente testemunhada em Seu julgamento. Deseja que, em todo o tempo, os Seus reconheçam quão pouco, no dia da adversidade, podem confiar em governantes e juízes terrestres. Frequentemente o povo eleito de Deus precisa comparecer perante homens que desempenham funções oficiais, e não fazem da Palavra de Deus seu guia e conselheiro, antes seguem seus próprios impulsos não consagrados nem disciplinados" (Idem, p. 167).

5. A perseverança da fé 
No último versículo da parábola, Jesus faz um questionamento que deveria nos deixar envergonhados: "Contudo, quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra?" (Lucas 18:8). Ao fazer essa pergunta, Jesus afirma que muitos de nós deixamos de lado a nossa fé por causa do imediatismo. Queremos tudo “para ontem” e nos esquecemos que temos um Deus que é dono do tempo e de todas as coisas. Nada foge do controle e da soberania dEle. Muitas pessoas perguntam: "Até quando devo ficar orando por uma situação?" E a resposta é: "Até Deus atender!" Quase sempre não entendemos o porquê da "demora" de Deus, mas se perseverarmos até o final, veremos que Ele age no tempo perfeito! Por isso eu te pergunto: "Será que temos a mesma perseverança que aquela viúva teve? Ou será que, ao ouvir o primeiro "não" durante uma provação, abandonaremos a nossa fé e decidiremos resolver as situações com as nossas próprias forças?" 

"Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão. Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Porque, ainda dentro de pouco tempo, Aquele que vem virá e não tardará" (Hebreus 10:35-37). 

"Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba a chuva temporã e serôdia. Sede vós também pacientes, fortalecei o vosso coração; porque já a vinda do Senhor está próxima" (Tiago 5:7 e 8).

Concluo com este texto de Ellen White:

"O mundo tornou-se ousado na transgressão da lei de Deus. Por causa de Sua longa clemência os homens Lhe espezinharam a autoridade. Fortaleceram-se na opressão e crueldade contra Sua herança, dizendo: 'Como o sabe Deus? Ou: Há conhecimento no Altíssimo?' (Salmos 73:11). Há, porém, um limite além do qual não podem passar. Próximo está o tempo em que atingirão o limite prescrito. Mesmo agora quase excederam os termos da longanimidade de Deus, e a medida de Sua graça e misericórdia. O Senhor Se interporá para vindicar Sua própria honra, para livrar Seu povo e reprimir os excessos da injustiça" (Idem, p. 178).

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Você tem algum segredo?

Todos nós possuímos detalhes pessoais que não são revelados a todos, somente algumas pessoas mais íntimas os conhecem. Mas existem outros que somente nós e Deus sabemos. Guardar um segredo não é pecado. O que não podemos é nos aproveitar desta possibilidade para fazer coisas “escondidas” só porque ninguém está vendo. Cuidado com isso! É quando não tem ninguém por perto que somos quem realmente somos. 

Ser um bom cristão enquanto todos estão te olhando é fácil. No trabalho, quando o chefe não está; em casa, quando os seus pais saírem e te deixarem sozinho; ou na escola, quando o professor se distrair na hora da prova. É nessas horas que somos tentados a fazer coisas que desagradam a Deus.

“Ninguém está vendo, não há nenhum problema!” Tolo é quem pensa assim. Não há lugar onde Deus não esteja, nem pensamento que Ele não conheça. Se é Ele a quem mais devemos respeitar, como podemos não nos preocupar? E se tem um medo que todos tem em comum é esse: ser descoberto. Quanto mais permanecemos escondidos em nossos segredos, mais nos aproximamos do mal e de sermos desmascarados.

“Não há nada escondido que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a se tornar reconhecido” (Mateus 10:26).

Precisamos abandonar a falsidade, falar sempre a verdade, arrancar de nossas vidas toda e qualquer hipocrisia. Não é apenas pelo respeito às pessoas ou pelos motivos que os levam a confiar em nós, que seja por amor a Cristo! Sábio é quem teme a Deus e vive no caminho da verdade, pois no dia do juízo todo segredo será revelado e toda hipocrisia será desmascarada. 

Deus sabe e tem um registro de tudo. Ellen White afirmou:

"Deus conhece o fim desde o princípio. Conhece de perto o coração de todos os homens. Lê todo segredo da alma." (A Ciência do Bom Viver, p. 230) 

"Toda má palavra, todo ato egoísta, todo dever não cumprido, e todo pecado secreto, juntamente com toda artificiosa hipocrisia estão escritos nos livros do céu com terrível exatidão." (O Grande Conflito, p. 481)

"Deus tem que ver com todos os nossos atos, pensamentos e sentimentos. Segue-nos, e nos alcança em cada secreto intento. Pela condescendência com o pecado os homens são levados a considerar levianamente a lei de Deus. Muitos escondem dos homens sua transgressão, e se vangloriam de que Deus não será estrito em assinalar a iniquidade. Mas Sua lei é a grande norma de direito, e cada ato da vida deve ser com ela comparado no dia em que Deus trouxer a juízo toda obra, toda coisa secreta, a ver se é boa ou má. Pureza de coração conduzirá a pureza de vida. Toda desculpa para o pecado é inútil. Quem pode pleitear pelo pecador quando Deus testifica contra ele?" (Comentário Bíblico Adventista, vol. 2, p. 1099)

Deus sabe tudo o que fazemos e quais os caminhos que andamos. Não há nada que possamos esconder de Deus ou que Ele não saiba sobre a nossa vida.

“Ó Senhor Deus, Tu me examinas e me conheces. Sabes tudo o que eu faço e, de longe, conheces todos os meus pensamentos. ... Estás em volta de mim, por todos os lados, e me proteges com o Teu poder. ... Para onde posso fugir da Tua presença? ... Eu poderia pedir que a escuridão me escondesse e que em volta de mim a luz virasse noite; mas isso não adiantaria nada porque para Ti a escuridão não é escura, e a noite é tão clara como o dia" (Salmos 139:1-12).

“Deus sabe por onde você anda e vê tudo o que você faz” (Provérbios 5:21).

Nestes versos, vemos os atributos divinos, “onipresença” e “onisciência”. Isso é, Deus está em todo lugar e sabe de todas as coisas. Ninguém pode enganar a Deus, nada escapa ao Seu olhar infinito.

"Não há nada que se possa esconder de Deus. Em toda a criação, tudo está descoberto e aberto diante dos Seus olhos, e é a Ele que todos nós teremos de prestar contas" (Hebreus 4:13).

Vejamos o que Ellen White nos diz a cerca deste santo Vigia:

"Em todo lugar, a toda hora do dia, há um santo Vigia, que fecha todas as contas, cujos olhos vêem toda situação, quer demonstre fidelidade, quer deslealdade e engano. Nunca estamos sós. Temos um Companheiro, quer O escolhamos quer não. Lembrai-vos de que aonde quer que vos acheis, o que quer que estejais fazendo, Deus ali está. Para cada uma de vossas palavras ou atos, tendes uma testemunha — o Deus santo, que aborrece o pecado. Coisa alguma do que se diga ou faça ou pense escapa ao Seu olhar infinito. Vossas palavras podem não ser ouvidas por ouvidos humanos, mas são ouvidas pelo Dominador do Universo. Ele vê a ira íntima do coração quando a vontade é contrariada. Ouve a expressão profana. Na mais profunda treva ou solidão, ali está Ele. Ninguém pode enganar a Deus; ninguém escapa de sua responsabilidade para com Ele" (Para Conhecê-Lo, p. 230).

Deus sabe tudo de mim, e mesmo assim me ama. Mesmo eu sendo desobediente, mesmo quando penso o que não devo, mesmo quando me esqueço dEle, Ele me cerca por todos os lados com Seu amor, Sua misericórdia (não me tratando como eu realmente merecia), Sua graça e Sua bondade infinita. E isso é maravilhoso, porque com Deus eu posso ser eu mesmo, não preciso fingir, posso ser sincero, posso abrir o meu coração para Ele e falar com toda liberdade. Mesmo dos meu sentimentos mais sórdidos, Ele já sabe.

Que esta seja nossa oração: "Senhor, há tantas coisas em mim que precisam ser mudadas, e às vezes eu mesmo não consigo compreender o meu coração. Preciso da Tua ajuda, e oro para que tu sondes o meu caráter e as minhas intenções, que tragas à minha consciência tudo o que precisa ser corrigido em mim, e que Tu me guies pelo caminho bom, agradável e perfeito, para que eu possa habitar contigo na eternidade."

"Todo o Céu está interessado em nossa salvação. Os anjos de Deus... estão anotando as ações dos homens. Registram, nos livros memoriais de Deus, as palavras de fé, os atos de amor, a humildade de espírito; e naquele dia em que as obras de cada um hão de ser provadas, a fim de ver de que espécie são, a obra do humilde seguidor de Cristo resistirá à prova, recebendo o louvor do Céu. 'Então, os justos resplandecerão como o Sol, no reino de seu Pai.' (Mateus 13:43)" (The Review and Herald, 16 de Setembro de 1890).

sexta-feira, 7 de junho de 2019

O dia em que Satanás tentou matar Ellen White

Foi em Ohio, num funeral realizado numa tarde de domingo, em março de 1858, na escola pública de Lovett’s Grove (agora Bowling Green), que foi dada à Ellen G. White a visão do grande conflito entre Cristo e seus anjos e Satanás e seus anjos, desde seu início até ao fim. Dois dias mais tarde, o grande adversário tentou tirar-lhe a vida, para que ela não pudesse apresentar aos outros o que lhe fora revelado. 

Mantida contudo por Deus, na realização da obra que lhe fora confiada, descreveu as cenas que lhe haviam sido apresentadas, sendo publicadas no verão de 1858 o livro de 209 páginas Spiritual Gifts, v. 1, The Great Controversy Between Christ and His Angels, and Satan and His Angels. O volume foi bem recebido e grandemente apreciado devido à sua clara descrição das forças contendoras no grande conflito, tocando em pontos árduos da luta, mas tratando mais completamente das cenas finais da história da Terra (Primeiros Escritos, pp. 133-295).

Leia a seguir, um relato mais detalhado sobre o assunto neste texto extraído da História do Livro “O Grande Conflito”.

Tiago e Ellen White estavam envolvidos em visitar grupos de adventistas que se formavam no estado de Ohio. De carruagem, passaram por Green Spring (26/02/1858), Gilboa (06 e 07/03), chegando a Lovett’s Grove (hoje Bowling Green - 150 milhas de Battle Creek) para o próximo fim de semana (13-14 de março). Os encontros foram realizados numa escola pública da pequena cidade.

No domingo à tarde, houve uma cerimônia fúnebre no mesmo local onde o grupo de adventistas haviam se reunido. O pastor Tiago White foi convidado para fazer o sermão. Quando ele terminou, suas palavras de consolo, Ellen sentiu o desejo de também falar sobre a breve volta de Jesus e a ressurreição, a esperança do cristão. Enquanto falava, ela foi tomada em visão. Esta visão durou 2 horas. Cena inusitada: ali estava o caixão fúnebre com uma multidão expectante do que iria acontecer. Ao voltar da visão, um grupo foi para o cemitério e outro permaneceu para ouvir um resumo do que havia sido revelado.

Em visão, vários assuntos foram mostrados a Ellen White: conselhos práticos aos irmãos de Ohio, a atitude própria que deveríamos ter com parentes que não criam na mensagem, a filosofia correta quanto ao plano de benevolência sistemática, etc. E o principal tema: a visão sobre o tema do grande conflito, que já tinha sido apresentado a Ellen White cerca de 10 anos antes, foi naquele momento repetido, e mostrado o que ela deveria escrever. O que se conclui é que Ellen White já havia tido outras visões mais curtas que exploravam o mesmo tema, mas que agora ela tivera uma exposição mais plena e com a recomendação de que deveria escrever. Ela foi também advertida de que Satanás faria de tudo para impedir, mas que os anjos do Senhor haveriam de sustê-la.

Os planos para a publicação de um livro sobre o tema do Grande Conflito era o assunto da conversa do casal White no seu retorno para Battle Creek (agora de trem). Quando chegaram em Jackson, foram para a casa do irmão Palmer para um breve descanso. Enquanto conversava com a irmã Palmer, Ellen teve um “derrame” ou “isquemia” (AVC). Ellen White assim descreve:

“Minha língua se recusava a falar o que desejava dizer, e parecia grande e amortecida. Uma sensação estranha e gelada passou por meu coração, por minha cabeça, e no meu lado direito. Fiquei insensível, mas fui erguida por fervorosa oração. ... Por um curto período de tempo eu não esperava viver. Era o terceiro derrame que tinha com paralisia, e embora estivesse à 22 km de casa, eu não tinha esperança de rever as crianças. Lembrei-me do triunfo que havia experimentado em Lovett’s Grove, e pensei que tinha sido meu último testemunho, e me senti reconciliada para morrer” (Life Sketches, p. 271).

Por meio de orações, pouco a pouco ela voltou ao seu estado normal. Por semanas não teve forças nas mãos e não podia sentir até mesmo a água gelada colocada sobre sua cabeça. Três meses mais tarde, ela teve uma visão que lhe mostrou o que realmente havia ocorrido na casa da família Palmer: Satanás havia tentado tirar a sua vida, mas os anjos do Senhor vieram ao seu socorro. A princípio, não podia escrever mais do que uma página por dia e, então, descansar três. Mas logo as forças foram voltando.

Com o poder de Deus, ela contou à Assembleia da Conferência Geral (21-24 de maio de 1858 - cerca de 400 adventistas estavam presentes) a visão que havia recebido (tarde e noite do dia 23 - a reunião foi até às 23h) e que estava se empenhando para publicar em breve. Em meados de agosto, o livro foi completado e publicado: O Grande Conflito Entre Cristo e Seus Anjos, e Satanás e seus Anjos. Esta obra apareceu como o primeiro volume do Spiritual Gifts. Em 1882, o conteúdo deste pequeno livreto foi reimpresso como a segunda parte do livro Primeiros Escritos.

Assista também este episódio contado por Jim Nix, diretor do White State, Silver Spring, EUA: