segunda-feira, 14 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #79 - TEMPERAMENTOS

Com as inúmeras responsabilidades da vida nos sobrecarregando, é comum que o estresse resultante afete nossa saúde, bem como nossos relacionamentos. Muitas vezes, podemos evitar mal-entendidos e consequências negativas ao aprender a compreender e gerenciar nosso temperamento. Podemos evitar desentendimentos com familiares ou amigos ao aprender a controlar nossas atitudes e nossas ações.

Em situações difíceis, podemos nos perguntar: como posso controlar meu temperamento e meus índolos naturais? Dedicar um tempo para compreender e controlar se é especialmente prudente se os conflitos envolvem membros da família, sejam parceiros ou filhos.

Não é incomum que o estresse ambiental afete sua saúde e seus relacionamentos familiares. Compreender como você se comporta e reage pode ser a chave para melhorar sua capacidade de lidar com o estresse, bem como sua interação com a família. O livro de Provérbios nos diz que "A sabedoria do homem lhe dá paciência; é para sua glória ignorar as ofensas" (Provérbios 19:11 ).

Na meditação de hoje, discutiremos 6 maneiras de controlar nosso temperamento e sermos mais felizes vivendo em harmonia com nossa família e amigos.

1. Conheça seu temperamento. Quer saber como começar a controlar seu temperamento? Primeiro, conheça-o. Existem quatro tipos de temperamento: sanguíneo (otimista, ativo e sociável), colérico (impulsivo, irritável), melancólico (analítico, saudável e tranquilo) e fleumático (relaxado e pacífico). Analise como você costuma lidar com suas emoções. O que te irrita e por quê? Como você reage? Como um acesso de raiva? Você está controlando? Fica de mau humor? Descobrir isso pode te ajudar a conhecer melhor. Ellen White diz: "Embora seja doloroso para nós nos conhecermos como realmente somos, devemos orar para que Deus nos revele a nós mesmos, assim como Ele nos vê" (Mensagens Escolhidas 1, p. 312).

2. Observe a si mesmo. Um dos passos importantes, quando você já conhece seu temperamento, é observar como ele afeta seus relacionamentos. Quais características desse temperamento são específicas e quais são benéficas? Você guarda tudo para si? Talvez isso seja bom, pois significa que você não reage impulsivamente com palavras ou ações das quais não poderá se arrepender. Isso é algo que você pode trabalhar. No entanto, pode não ser bom, pois significa que você nunca resolverá os problemas. Isso também é algo que precisa ser trabalhado. Com essas informações, tente mudar o que não está mais funcionando em seus relacionamentos. "Examinem-se para ver se vocês estão na fé; provem a si mesmos. Ou não autorizam que Jesus Cristo está em vocês?" (2 Coríntios 13:5).

3. Quando estiver mais relaxado, fale sobre o que o incomoda. Aproveite os momentos de calma e relaxamento para conversar com sua família ou amigos sobre o que está incomodando. Expresse o que a perturba sem atacá-los, simplesmente expondo seu ponto de vista. "Mas não se esqueçam de fazer o bem e de repartir com os outros, pois com tais sacrifícios Deus se agrada" (Hebreus 13:16).

4. Controle seus pensamentos. Pode parecer impossível, mas todos podemos escolher o que pensar. Muitas vezes, permitimos que pensamentos negativos ocupem nossas mentes e nos deixem levar por eles. Preste atenção ao que você pensa e como isso te afeta. Não alimente pensamentos que estimulem o comportamento que você deseja mudar. Gostaria de ser menos crítico com as pessoas? Toda vez que você começa a pensar em algo negativo sobre alguém — seu chefe, sua participação, seus filhos, seu pastor — pare. Encontre algo positivo sobre essa pessoa. “Porque, como imagina em seu coração, assim ele é” (Provérbios 23:7).

5. O bom humor é sempre o melhor remédio. Procure manter uma atitude positiva diante dos contratempos da vida. Não há como ficar de mau humor com uma visão bem-humorada da vida. O otimismo pode ser uma ótima arma para enfrentar as dificuldades do dia a dia. "O coração alegre é como um bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos" (Provérbios 17:22).

6. Não hesite em pedir ajuda. Às vezes, quando enfrentamos problemas sérios na vida, pensamos que podemos resolver tudo sozinhos. Saber quando pedir ajuda e ter certeza de que é a coisa certa a fazer é fundamental. Busque ajuda de um amigo e/ou de um profissional. Nosso Pai Celestial está sempre disposto a ajudar Seus filhos a transformarem seu caráter para que se tornem mais semelhantes ao Seu. Nunca hesite em pedir a ajuda Dele. "Cada um ajudava o seu próximo e dizia ao seu irmão: 'Seja forte!'" (Isaías 41:6).
"Frequentemente, existe na mesma família acentuada diversidade de disposição e de caráter, pois está no plano de Deus que pessoas de temperamento variado se associem umas às outras. Quando assim se dá, todo o membro da família deve considerar sagradamente os sentimentos e respeitar o direito dos outros. Dessa maneira serão cultivadas a consideração mútua e a paciência, os preconceitos serão abrandados e aplainadas as arestas do caráter. Pode-se alcançar harmonia, e a fusão dos vários temperamentos pode ser um benefício para cada um" (Ellen White - Orientação da Criança, p. 205).

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #78 - 25 ANOS DO 11/9

Há vinte e cinco anos, uma série de ataques terroristas nos Estados Unidos marcariam para sempre o dia 11 de setembro na memória de milhões de pessoas em todo o planeta. Naquela data, em 2001, terroristas sequestraram e tomaram o controle de quatro aviões de passageiros. Um deles foi atirado contra o Pentágono, em Washington. Outro caiu em um campo aberto na Pensilvânia. Os dois últimos aviões protagonizaram cenas tão assustadoras quanto impressionantes, ao serem lançados contra as duas torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque.

O mundo inteiro parou quando a primeira aeronave atingiu a torre norte, às 8h46 da manhã, no horário local. Os canais de TV passaram a transmitir ao vivo imagens do prédio em chamas, e o desespero das pessoas que tentavam sair de lá. Poucos minutos depois, às 9h03... até parecia que a televisão estava exibindo um replay do impacto, mas era o segundo avião sequestrado que atingia a torre sul do World Trade Center.

Duas horas depois, as duas torres desabaram na Ilha de Manhattan, levando consigo milhares de vítimas que não conseguiram sair dos prédios. 2.996 pessoas morreram nos quatro ataques, e mais de seis mil ficaram feridas. Nove membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia faleceram ou foram declarados desaparecidos entre as vítimas fatais da tragédia.

No plano adventista, alguns associaram os eventos de 11 de setembro com afirmações de Ellen White de que ela havia testemunhado cenas de fogo destruindo altos prédios “supostamente à prova de fogo” (Testemunhos Para a Igreja, v. 9, p. 12, 13; Eventos Finais, p. 99). Seria 11/9 o cumprimento de profecias da mensageira do Senhor? Alguns acham que sim, pois há similaridades nas descrições; outros defendem que não, pois ela não viu aviões, nem torres gêmeas, e não diz que isso ocorreu em Nova York, mas que ela estava lá ao presenciar as cenas. O mais provável é que ela teria utilizado sua visão para ilustrar o julgamento divino e o fim dos tempos, alertando que a ambição humana e as estruturas modernas são vulneráveis diante dos eventos finais da Terra.

Em outra frente, poderia 11 de setembro ter contribuído para o fortalecimento ideológico dos Estados Unidos em seu papel de dragão, o “monstro” perseguidor no fim dos tempos, ou “besta da terra”, conforme Apocalipse 13? Se levarmos em conta o desenrolar dos fatos, incluindo o desejo de manter a supremacia militar, política, econômica e cultural a qualquer preço e a tentativa de potencializar o cristianismo na versão da direita cristã, que mistura política e religião, a resposta é um inequívoco sim. A “besta” foi ferida, mas não morreu. Ao contrário, teve seus instintos aguçados.

Por fim, vale a pena observar que 11/9, o arquétipo do terrorismo, é uma lembrança de que o terror amedronta nosso planeta todos os dias, há milênios. Estamos em guerra cósmica. O mundo vive um constante 9/11 (nine-eleven), como os norte-americanos passaram a chamar a data. Por isso, precisamos de uma linha direta com o verdadeiro 911 (para contextualizar, 911 é o número do serviço de emergência nos Estados Unidos), acima do plano terrestre. O salmo 91 diz que aquele que habita no abrigo do Altíssimo não precisa temer o terror noturno nem as setas (em forma de avião ou não) que voam de dia. Num mundo em guerra, a torre do Altíssimo é o abrigo mais seguro para nós.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #77 - DARK HORSE

A expressão "Dark Horse" ganhou destaque recentemente como o nome do filme sobre a trajetória do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro. O filme ganhou mais relevância quando foi revelado que o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pressionava o banqueiro Daniel Vorcaro para ajudar a financiar o filme. Dono do Banco Master, Vorcaro está preso em São Paulo, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras que podem chegar a R$ 12 bilhões, segundo a PF.

E nesta quarta (9), o ministro André Mendonça do STF homologou a delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, doleiro ligado a Vorcaro, onde detalha em sua colaboração premiada os repasses feitos pela empresa Entre Investimentos e Participações para a produção do filme "Dark Horse".

O termo "Dark Horse" surgiu no século XIX, no universo das corridas de cavalos na Inglaterra. Ele era usado para descrever cavalos de corrida que não tinham histórico de vitórias ou que eram desconhecidos pelos apostadores, tornando difícil prever o seu desempenho. O termo foi adotado no título do filme tanto pelo seu significado de "azarão político" (devido à vitória de Jair Bolsonaro em 2018) quanto pelas analogias simbólicas com o colapso econômico representado pelo cavaleiro preto das Escrituras. E é especificamente sobre este cavalo preto e seu significado que vamos falar neste artigo.

Muitas vezes ouvimos falar dos 7 selos, os quatro cavalos e os 4 cavaleiros do Apocalipse. Todos eles formam parte da mesma profecia. Os 4 cavaleiros com seus respectivos cavalos aparecem nos 4 primeiros selos. Os acontecimentos representados nos sete selos devem ser entendidos no contexto das maldições da aliança do Antigo Testamento, especificadas em termos de espada, fome, pestes e feras do campo (Lv 26:21-26). Ezequiel os chamou de os “quatro terríveis juízos” de Deus (Ez 14:21). Eram juízos disciplinares pelos quais o Senhor, buscando despertar Seu povo para sua condição espiritual, castigou-o quando ele se tornou infiel à aliança. Semelhantemente, os quatro cavaleiros são o meio que Deus usa para manter Seu povo desperto enquanto aguarda o retorno de Jesus.

O cavaleiro do cavalo preto é o terceiro dos quatro cavaleiros que aparecem no Apocalipse na abertura do livro selado com sete selos. Portanto, o cavaleiro do cavalo preto do Apocalipse é mencionado na abertura do terceiro selo, e seu significado simbólico fala sobre a pobreza e a fome.

Em Apocalipse 6:5 e 6 lemos – “E, havendo aberto o terceiro selo, ouvi dizer ao terceiro animal: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo preto e o que sobre ele estava assentado tinha uma balança na mão. E ouvi uma voz no meio dos quatro animais, que dizia: Uma medida de trigo por um denário, e três medidas de cevada por um denário; e não danifiques o azeite e o vinho.”

O terceiro selo representa o período da igreja de Pérgamo. A visão retrata um cavalo preto e seu cavaleiro que tinha nas mãos uma balança. Sua oferta de trigo e cevada significa a escassez e a fome presentes. Representa o terceiro período da igreja, quando as trevas espirituais começaram a envolver o cristianismo ao ele se aliar com o Estado. A cor preta muitas vezes representa nas Escrituras as trevas morais, o pecado, a apostasia ou o erro. Corresponde ao período que vai desde 313 a 538 dC. Durante esse período, houve o processo de paganização da igreja. O espírito de materialismo contaminou o cristianismo. A maioria acompanha o processo de deterioração da verdade, porém uns poucos fiéis (remanescentes) seguem respeitando as doutrinas bíblicas. O azeite representa o Espírito Santo (Zc 4:2-6), e o vinho representa o sangue de Cristo derramado pelos pecadores (Mt 26:27-29).

Esse cavaleiro continua montado em seu cavalo cavalgando pela Terra. A fome, a exploração, a opressão e a injustiça assombram o mundo cada vez mais. Com relação ao povo de Deus, ainda hoje, muitos cristãos passam por terríveis necessidades por seu compromisso com Cristo. Em várias partes do mundo, muitos crentes têm dificuldades de sustentarem suas famílias, porque não aceitam participar dos esquemas corruptos que caracterizam este mundo e desagradam ao Senhor.

E o cavaleiro do cavalo preto do Apocalipse continuará espalhando opressão até o dia em que Deus dará um basta em tudo isso.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #76 - SUPREMO TRIBUNAL DO UNIVERSO

O Supremo Tribunal Federal (STF), instância superior ou última instância do poder judiciário brasileiro, atravessa a crise institucional mais grave de sua história, impulsionada por disputas internas e desdobramentos de investigações sensíveis. As tensões cresceram após investigações envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, gerando suspeitas e atritos públicos e internos entre ministros. O julgamento dos envolvidos, inegavelmente, inspira apreensão, pois determina destinos.

Entretanto, o que ocorre neste tribunal terreno é apenas um reflexo pálido do que se desenrola no Supremo Tribunal do Universo: o santuário celestial. Este tribunal não é presidido por um juiz vestido de toga preta, mas pelo “Juiz de toda a Terra” (Gn 18:25), que é Jesus, nosso Sumo Sacerdote, Rei e “reto Juiz” (2Tm 4:8). Lá não haverá ministros indicados, mas um Juiz Todo Poderoso que conhece plena e profundamente os pensamentos e ações, presentes e passadas, de todos os seres humanos. Ele é aquele a quem o Pai confiou “todo julgamento” (Jo 5:22). O profeta Daniel descreve Seu governo nos seguintes termos: “Foi-Lhe dado o domínio, a glória e o reino, para que as pessoas de todos os povos, nações e línguas O servissem. O Seu domínio é domínio eterno” (Dn 7:14).

A Bíblia está repleta de referências ao julgamento celestial, destacando especialmente o caráter irrepreensível do Juiz. O livro de Salmos, por exemplo, enfatiza que a justiça divina não é apenas um meio de punição contra o mal, mas também um instrumento de salvação para aqueles que depositam sua confiança na graça divina.

O Salmo 71:2 diz: “Livra-me por Tua justiça e resgata-me; inclina-me os ouvidos e salva-me.” Vivemos na época em que “é chegada a hora em que Ele vai julgar” (Ap 14:7). Mas o julgamento pré-advento não deve ser motivo de ansiedade ou desespero. Pelo contrário, é a melhor notícia para aqueles que permanecem ao lado de Deus no conflito cósmico. Em outras palavras, para aqueles que aceitam a graça de Cristo, o juízo divino é uma mensagem de esperança.

Em uma época em que o liberalismo teológico opõe o amor de Deus ao Seu juízo, devemos nos firmar no ensino bíblico de que o julgamento divino é intrínseco às boas-novas do evangelho. O salmista afirma que Deus “ama a justiça e odeia a iniquidade” (Sl 45:7).

O juízo é a realização da esperança e dos anseios da humanidade. Em nossa mente, além de transmitir a ideia de crime e castigo, ele inspira medo e apreensão. A Bíblia, porém, apresenta o juízo do ponto de vista dos oprimidos, da vítima sofredora e, assim, coloca-o no contexto da salvação e da vitória sobre o opressor e o mal.
"O assunto do santuário e do juízo investigativo deve ser claramente compreendido pelo povo de Deus. Cada indivíduo tem uma alma a salvar ou a perder. Cada qual tem um caso pendente no tribunal de Deus. Cada um há de defrontar face a face o grande Juiz. O Juiz de toda a terra apresentará uma decisão justa. Ele não será subornado; Ele não pode ser enganado" (Evangelismo, p. 221).

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #75 - ONEVOICE27

“Quem é você? O Messias prometido? O profeta Elias?” João não se apresentou como o Messias nem como um profeta em busca de glória pessoal. Com humildade, identificou-se como aquele que cumpria a profecia: “Eu sou ‘a voz do que clama no deserto: Endireitem o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías” (João 1:23).

João era o mensageiro, não a mensagem. Uma voz que anunciava a chegada do Verbo divino (João 1:1-3, 14). A voz é ouvida por um instante, mas a Palavra permanece para sempre. Por isso, sua mensagem era clara: “Não olhem para mim; ouçam o Senhor que vem depois de mim.” João anunciou não apenas a chegada do reino dos Céus, mas também a vinda de seu Rei. Enquanto o mundo buscava reconhecimento e títulos, João escolheu ser apenas uma voz, tendo sua identidade plenamente submetida à missão que Deus lhe confiara.

Na antiguidade, um arauto era enviado à frente do rei para preparar o caminho, tapando buracos e endireitando curvas. João, porém, não reparava estradas; conclamava o povo a preparar o coração. Endireitar o caminho significava confessar os pecados, aceitar a graça, abandonar a hipocrisia religiosa e viver em harmonia com a justiça de Deus. Para cumprir o propósito divino, uma voz precisa cultivar qualidades que continuam sendo um modelo para nós:

Integridade. João não se submetia ao poder político de Herodes nem ao poder religioso dos fariseus. Ellen White diz: “Ele admirou o Rei em Sua beleza, e o próprio eu foi esquecido. […] Sentia-se incapaz e indigno. Estava disposto a ir como mensageiro do Céu, sem ter medo do ser humano, pois tinha contemplado Aquele que é divino” (O Desejado de Todas as Nações, p. 71).

Humildade. “Convém que Ele cresça e que eu diminua” (João 3:30). Ellen White afirma: “Podia ficar em pé e sem medo na presença de monarcas terrestres, porque se ajoelhara diante do Rei dos reis” (Idem).

Foco. Seu único objetivo era apontar para Cristo, o Salvador. “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1:29).

O projeto OneVoice27 oferece a todos a oportunidade de encontrar Jesus e estabelecer uma conexão com a igreja local. Trata-se de uma celebração missionária global dos 2 mil anos do batismo e do início do ministério de Jesus, com ênfase em setembro de 2027. A iniciativa utilizará todas as mídias disponíveis para motivar o estudo da Bíblia e anunciar a segunda vinda de Cristo.

O lema geral da campanha é “Jesus faz tudo novo”, e suas principais ênfases são o crescimento espiritual, a centralidade da igreja local e um plano integrado de proclamação, colheita e celebração, de maneira simples e eficiente. Em um mundo que continua marcado por desertos de esperança e atônito diante do ruído de tantas vozes confusas, precisamos nos lembrar de que só seremos ouvidos em alta voz quando proclamarmos juntos, em uma só voz.

João Batista era um representante dos que vivem nos últimos dias, a quem Deus tem confiado sagradas verdades. Ellen White conclui: “A profecia cumprida pela missão de João esboça nossa obra: ‘Preparem o caminho do Senhor, endireitem as Suas veredas’ (Mateus 3:3). Assim como João preparou o caminho para o primeiro advento de Cristo, nós devemos prepará-lo para o segundo advento do Salvador” (Testemunhos para a Igreja 7, p. 118).

Vamos todos juntos, em uma só voz!

domingo, 6 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #74 - DEPENDÊNCIA OU MORTE

Segundo o jornalista Laurentino Gomes, no livro 1822, o famoso grito de “Independência ou morte” dado pelo imperador D. Pedro I foi envolvido em mais simplicidade do que se imagina. Para quem não se recorda, a tal frase foi dita na tarde do dia 7 de setembro de 1822.

Gomes diz, em seu livro, que o imperador estava montado provavelmente em uma mula e subia a serra do Mar, em São Paulo, às margens do riacho Ipiranga. Dom Pedro era um jovem prestes a completar 24 anos e, naquele dia, estava com dor de barriga. Chegou a tomar um chá para aliviar o incômodo.

Histórias curiosas à parte, o tal grito marcou simbolicamente a decisão de o Brasil, governado naquele período pela monarquia, libertar-se politicamente de Portugal e deixar de ser uma colônia para se posicionar como nação independente.

A independência do Brasil teve motivações ideológicas, políticas e econômicas. Isso se deu, aliás, com grande parte das nações e muitas somente conseguiram se desconectar dos países colonizadores após guerras e conflitos sangrentos.

Mas será que sempre é saudável ser independente? Independência implica, também, seguir na vida de maneira autônoma e sem uma ajuda maior. Alguns jovens, por exemplo, gostam de se sentir independentes dos pais, principalmente na hora de sair com os amigos.

Espiritualmente, a Bíblia apresenta os riscos da independência. Lúcifer, o anjo portador de luz, resolveu agir de maneira independente do amor e das leis divinas e houve guerra no céu. O resultado foi que ele se transformou em Satanás, o adversário de Deus, que trabalha para destruir o ser humano. Adão e Eva também optaram por seguir independentes diante da orientação de Deus para não comerem da árvore da ciência do bem e do mal. O apóstolo Pedro, desejoso de caminhar sobre as águas como Jesus havia feito, afundou quando parou de depender de Cristo e não confiou mais em Seu poder.

No evangelho de João, capítulo 15, está a síntese da necessidade de dependência. Cristo, referindo-se a Si mesmo, declara nos versículos 1 e 2 que “eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda”. O ser humano é o ramo que precisa estar ligado à Videira verdadeira.

No versículo 4, a ênfase é maior ainda na dependência de Deus. O Senhor mesmo diz que devemos permanecer nEle. Depender de Cristo é se submeter a Ele em todos os aspectos da vida. É deixar que Ele controle as vontades, pensamentos e, por consequência, as ações. Isso exige uma decisão diária amparada por constante oração, meditação profunda na Palavra de Deus e no testemunho visível dessa atuação.

Parafraseando o imperador, nosso grito espiritual deve ser “dependência ou morte”. Ou aprendemos a depender de nosso Senhor e Salvador e entendemos que nosso eu precisa ser soterrado para dar lugar a Deus, ou corremos risco de morrermos espiritualmente. O dramático é que essa morte quase não é percebida e acontece aos poucos. Por isso, o alerta individual precisa soar logo. Dependência já de Deus!
"Fazei de Deus vossa inteira dependência. Deus quer que removamos toda espécie de egoísmo, e a Ele nos acheguemos, não como donos de nós mesmos, mas como uma possessão adquirida pelo Senhor" (Ellen White - Mente, Caráter e Personalidade, vol. 1, p. 261).

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #73 - UNÇÃO DE ENFERMOS

A unção era uma prática comum na igreja apostólica. Ela se tornou um recurso espiritual confortante e uma manifestação de fé no poder restaurador do Espírito Santo. Tiago instruiu: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e se houver cometido pecados, eles lhe serão perdoados” (Tg 5:14, 15). Ao pedir que um pastor ou ancião (sob autorização do pastor distrital) ministre a unção, o enfermo reconhece seu grave estado de saúde e sua entrega completa à vontade de Deus.

Atualmente parece que essa prática tem perdido um pouco de sua importância, talvez por falta de conhecimento sobre o assunto. Neste espaço, desejo expor resumidamente como se deve proceder com respeito à unção de enfermos.

A iniciativa. Espera-se que a unção seja ministrada a partir do desejo da pessoa enferma. Para tanto, o doente precisa estar inteirado de sua condição física e consciente no momento da unção. Caso ele ainda não compreenda a importância dessa cerimônia, um familiar, o pastor, um líder da igreja ou membro deve informá-lo quanto a essa prática, para benefício de sua saúde e fé.

O azeite. O azeite de oliva era considerado um dos remédios mais comuns entre os antigos, usado tanto para se ingerir como para untar. No clima quente da Palestina, friccionar o corpo com óleo era uma prática frequente. Na Bíblia, o azeite simboliza a presença e atuação do Espírito Santo (Zc 4:2-6).

A circunstância. A cerimônia da unção não deve ser usada diante de qualquer mal-estar comum. Ela deve ser reservada para doenças graves, mas não somente para as fatais. O ato de ungir significa que reconhecemos um grave problema físico e o enfrentamos colocando nossa confiança em Deus acima, mas não em substituição, de todos os recursos da medicina.

O local. A Bíblia não fala de um lugar específico para realizá-la. Portanto, cremos que ela pode ser feita na casa da pessoa enferma, no hospital ou no asilo. Por ser uma cerimônia reservada, normalmente se convida a família, algum parente próximo e mais alguém que a pessoa deseje.

O preparo. Tanto o oficiante quanto a pessoa que está enferma devem rogar o perdão de seus pecados, fazer os devidos acertos e se entregar completamente nas mãos do Senhor, a fim de que a oração seja atendida segundo a Sua vontade (1Jo 5:14, 15).

A cerimônia. O rito deve ser realizado de forma simples, curta e objetiva. Antes da leitura dos textos bíblicos e da oração, cabe ao oficiante esclarecer que nem sempre as pessoas ungidas são curadas. Deus pode restaurar todas as enfermidades; contudo, se essa não for Sua vontade, o Senhor pode prover forças à pessoa enferma para que ela suporte o sofrimento e, então, permitir que ela descanse em Cristo, na esperança da ressurreição. O oficiante e os participantes podem orar ajoelhados ou em pé, dependendo das circunstâncias. Se o doente desejar orar, poderá fazê-lo. Nesse caso, o oficiante orará por último e aplicará o azeite com as pontas dos dedos na fronte da pessoa enferma.

A leitura. Há muitos textos e passagens bíblicas que podem ser usados nessas ocasiões, como Tiago 5:13 a 16; Números 21:8 e 9; Salmo 103:1 a 5 e Marcos 16:15 a 20. Trechos de algum livro devocional também podem ser lidos. Entretanto, a cerimônia não deve ser demorada. Logo após o encerramento, não é recomendável que os participantes fiquem conversando no recinto. O ideal é que deixem a pessoa em paz, com seus pensamentos voltados a Deus.

É importante destacar que não podemos impedir ninguém de receber a unção. Se a Santa Ceia é facultada a todos, o mesmo princípio deve ser aplicado com respeito a essa cerimônia. No entanto, faz-se necessário uma explicação sobre o significado do rito antes de sua realização. O perdão, a cura e a salvação estão disponíveis a todos os pecadores.

A Bíblia diz: “Então, na sua angústia, clamaram ao Senhor, e Ele os livrou das suas tribulações. Enviou-lhes a Sua palavra, e os sarou, e os livrou do que lhes era mortal” (Sl 107:19, 20). Ellen White comentou: “Deus está hoje tão desejoso de restabelecer os doentes como quando o Espírito Santo proferiu essas palavras por intermédio do salmista. E Cristo é agora o mesmo compassivo médico que era durante Seu ministério terrestre. Nele há bálsamo curativo para toda doença, poder restaurador para toda enfermidade. Seus discípulos de nossos dias devem orar pelos doentes tão verdadeiramente como os de antigamente” (A Ciência do Bom Viver, p. 135, 136).

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #72 - CORRUPTOS

"Não aceite dinheiro para torcer a justiça, pois esse dinheiro faz com que as pessoas fiquem cegas e não vejam o que é direito, prejudicando assim a causa daqueles que são inocentes" (Êx 23:8 NTLH).

Corrupção vem do latim corrupta que por sua vez é uma junção de palavras cor (coração) e rupta (quebra, rompimento). É bonita essa origem porque a origem da corrupção como nos foi revelado no livro do Gênesis é justamente no coração, ou seja, na realidade mais intima da pessoa, que rompe com Aquele que é a própria vida, ou seja, Deus mesmo. Conhecemos esse movimento como pecado original e é a partir dele que os cristãos entendem toda a classe de corrupção que apareceu depois no mundo.

Seja a corrupção mais escandalosa ou aquela mais silenciosa, ambas possuem sua origem no coração que rompeu sua ligação com o Senhor. Também não existe grande ou pequena corrupção. O que muda é apenas o valor envolvido. Um político que rouba bilhões dos cofres públicos não é mais corrupto do que o cristão que dá propina a fiscais. Ambos estão no mesmo barco, precisam se arrepender do mesmo modo, pedir perdão do seu pecado e se humilhar diante de Deus. E, claro, responder diante da justiça humana pelo seu crime.

Permita-me perguntar: será que você praticou ou tem praticado atos de corrupção? Transgressões que considera “insignificantes” ou “menores”? Você tem burlado normas? Tem cedido a pressões para alcançar seus objetivos? Tem fechado os olhos ao erro e fingido que não está sabendo de nada? Se esse é o caso, eu gostaria de convidá-lo ao arrependimento. Ao abandono da prática. E, se foi um ou mais de um evento isolado, o convido à confissão desses pecados e à tomada de responsabilidade por eles. Só assim você terá condições morais de criticar políticos ladrões, empreiteiros corruptos, governantes desonestos.

Lembre-se da história de Zaqueu, o corrupto. Foi somente no dia em que ele decidiu, “se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais” (Lc 19:8) que Jesus lhe disse: “Hoje, houve salvação nesta casa” (Lc 19:9). Esse é um relato contundente de como aquele que cedeu à tentação da corrupção deve proceder. Zaqueu não deu justificativas, tampouco “boas desculpas”, não procurou mostrar os benefícios que ter agido de modo ilícito proporcionaram, nada disso. Ele simplesmente reconheceu seu pecado, o confessou e tomou atitudes práticas para consertar o que tinha feito. Fora disso não há salvação.

Convido você a um exame de consciência. Se queremos um Brasil mais honesto e livre da corrupção nas altas esferas, precisamos começar por nós mesmos, nas pequenas esferas. Não negocie o inegociável. Só assim teremos moral para exigir o mesmo dos outros. Se você transgride por ações ou omissões, isso te tira o direito de exigir o fim da transgressão dos outros. Como diz a conhecida passagem bíblica, “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu. Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão” (Mt 7:3-5).

Meu irmão, minha irmã, não seja hipócrita. Busque agir com correção em tudo, mesmo que isso custe algo a você. Pode ser que haja prejuízo na terra, mas, pode ter certeza, haverá um enorme lucro nos céus.
“A maior necessidade do mundo é a de homens – homens que se não comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus” (Ellen White - Educação, p. 40).

terça-feira, 1 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO #71 - EVENTOS FINAIS

Algo que fascina e intriga qualquer estudante da Bíblia são as profecias, principalmente aquelas que ainda estão por se cumprir. Como adventistas, temos uma visão muito ampla dos acontecimentos finais da história. Tão ampla que, às vezes, nos perdemos em meio ao grande volume de informações.

Para não se confundir, você encontra a seguir uma visão panorâmica dos eventos que antecederão a segunda vinda de Cristo. A sequência não é rígida, mas procura seguir a ordem mais lógica e natural dos acontecimentos mencionados na Bíblia e nos escritos de Ellen White. Momentos difíceis nos aguardam no futuro, mas a felicidade de estar com Jesus compensará tudo.

1. REAVIVAMENTO E REFORMA
Significa a completa mudança de mentalidade, hábitos e práticas entre o povo de Deus. Requisito para a chuva serôdia, só ocorrerá por meio de verdadeira conversão (Jl 2:12; 13, 23, 28, 29).

2. CHUVA SERÔDIA
Concessão especial do poder do Espírito Santo, é semelhante à experiência do Pentecostes (Jl 2:23, 28-31; At 2) e indispensável para a conclusão da missão. Requer profunda consagração (Jl 2:12, 13, 15-17).

3. ALTO CLAMOR
Como resultado da chuva serôdia, a igreja desperta e se envolve intensamente na pregação global do evangelho eterno (Ap 14:6-12; 18:1), dando oportunidade para cada ser humano decidir sobre a própria salvação (Mt 24:14; Mc 16:15).

4. SACUDIDURA
A mornidão espiritual, as falsas doutrinas, a crise final e a perseguição gerada pelo decreto dominical vão "peneirar" o povo de Deus. O "trigo" permanece na igreja enquanto o "joio" sai dela e se une aos perseguidores (Am 9:9; Mt 13:24-30).

5. SELAMENTO
Conduzido pelo Espírito Santo, esse processo se inicia na conversão e termina com a morte do crente ou o fim do juízo pré-advento (Ef 1:13; 4:30). O selo invisível, que prepara a pessoa para o tempo da angústia (Ap 7:2 3), confirma que ela pertence a Deus e é fiel à Sua lei (Is 8:16; Ez 20:20).

6. DECRETO DOMINICAL E PERSEGUIÇÃO
A união do poder religioso (papado) com o político (Estados Unidos) resultará na imposição por lei da guarda do domingo (Ap 13). Os guardadores da lei de Deus serão perseguidos e terão que fugir das grandes cidades.

7. ENGANOS SATÂNICOS
O inimigo concentrará seus maiores esforços nos últimos dias, usando principalmente o espiritismo e o protestantismo desvirtuado. Porém, o clímax do engano ocorrerá no tempo de angústia, quando ele imitará os milagres e o retorno de Cristo (2Co 11:14; Mt 24:23-27).

8. TEMPO DE ANGÚSTIA PRÉVIO
Breve período, possivelmente entre o decreto dominical e o fechamento da porta da graça, quando tribulações deixarão o mundo perplexo (Lc 21:25, 26; Ellen White - Primeiros Escritos, p. 85, 86).

9. FIM DO TEMPO DA GRAÇA
Quando Cristo concluir o juízo pré-advento no Céu, os salvos terão sido selados na Terra e o destino eterno de cada ser humano estará definido (Ap 22:11). O Espírito Santo deixará de atuar no coração dos ímpios e começará o tempo de angústia e o derramamento das pragas.

10. TEMPO DE ANGÚSTIA E AS SETE PRAGAS
Depois de terminada a intercessão no Céu (Ap 15:5-8), haverá um período de aflição sem precedentes (Dn 12:1), em que os anjos não mais conterão a fúria dos homens, da natureza e do mal (Ap 7:1-3). As sete pragas castigarão apenas os ímpios. Com exceção, talvez, da sexta e sétima pragas, esses flagelos não terão alcance global (Ap 16).

11. DECRETO DE MORTE
Os ímpios culparão o povo de Deus pelas pragas. Os fiéis serão perseguidos com o apoio de um decreto de morte promulgado pela coalizão entre as duas bestas de Apocalipse 13.

12. ANGÚSTIA DE JACÓ
Com a perseguição batendo à porta, o povo de Deus passará por um breve período de intensa angústia, assim como Jacó (Gn 32:22-32; Jr 30:7). Eles clamarão pela certeza do perdão dos pecados e por livramento da perseguição. Deus estará com eles.

13. ARMAGEDOM
É a última batalha entre o bem e o mal, que incluirá aspectos políticos, militares e religiosos. Terá alcance global e ocorrerá entre a sexta e a sétima pragas (Ap 16:12-16). Cristo e seu povo triunfarão (Ap 19:11-21).

14. LIVRAMENTO
A sétima praga inclui relâmpagos, trovões, um terremoto gigantesco, chuva de granizo e outros fenômenos cataclísmicos (Ap 16:17-21). Colocará fim à perseguição e culminará com o juízo de Deus contra a Babilônia mística e a ressurreição especial dos que precisam testemunhar a volta de Cristo (Dn 12:2; Ap 1:7).

15. SEGUNDA VINDA DE CRISTO
Ela será visível, audível e gloriosa. Jesus virá numa nuvem branca acompanhado de todos os seus anjos (Mt 24:30; Ap 1:7) para ressuscitar os justos mortos, transformar os justos vivos (1Co 15:51, 52), fulminar os ímpios (2Ts 2:8) e levar os salvos para o Céu (1Ts 4:16, 17). Lá eles passarão mil anos (Ap 20:4), e retornarão com Cristo à Terra para testemunhar a destruição de pecado e pecadores (Ap 20:5; 7-15) e a restauração do planeta, no qual irão morar eternamente (Ap 21:1-4).

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #70 - ÚLTIMO CAPÍTULO DE GÊNESIS

No princípio era a Terra e ela tinha forma e beleza. E o homem habitava as planícies e vales da terra. E disse o homem: "Edifiquemos prédios neste belo lugar." E construiu cidades e encheu a Terra de aço e concreto. E as campinas desapareceram. E viu o homem que isso era bom.

No segundo dia, o homem olhou as águas da Terra. E disse: "Joguemos nossos refugos nas águas para acabar com o lixo." E assim fez. E as águas se tornaram poluídas e seu odor fétido. E viu o homem que isso era bom.

No terceiro dia, o homem olhou as florestas da terra e viu que eram exuberantes. E disse: "Serremos madeira para as nossas casas e cortemos lenha para nosso uso." E assim fez o homem. E as árvores desapareceram e a Terra se tornou árida. E viu o homem que isso era bom.

No quarto dia, o homem viu que os animais corriam livremente pelos campos e brincavam ao Sol. E disse: "Enjaulemos os animais para nosso divertimento e os matemos por esporte." E assim fez o homem. E não havia mais animais sobre a face da Terra. E viu o homem que isso era bom.

No quinto dia, o homem respirou o ar da Terra. E disse: "Espalhemos nossos detritos pelo ar, pois os ventos o dissiparão." E assim fez o homem. E o ar se impregnou de fumo e gases que não podiam ser eliminados. A atmosfera se tornou pesada com a fumaça que sufocava e ardia. E viu o homem que isso era bom.

No sexto dia, o homem olhou o próprio homem. E ouvindo as muitas línguas e vendo as diferenças raciais, temeu e sentiu ódio. E disse: "Façamos grandes máquinas para destruir a estes, antes que nos destruam." E construiu enormes máquinas e a Terra foi convulsionada com a fúria das grandes guerras. E viu o homem que isso era bom.

No sétimo dia, havendo o homem terminado toda a sua obra, descansou. E a Terra estava silenciosa e vazia, pois já o homem não habitava sobre a face da Terra.

E isto foi bom!
"Hoje a voz da misericórdia está chamando, e Jesus está atraindo os homens com as cordas de Seu amor; chegará, porém, o dia em que Jesus porá as vestes de vingança. A iniquidade do mundo está aumentando diariamente, e quando for atingido certo limite, o registro será encerrado, e acertadas as contas. Não haverá mais sacrifício pelo pecado. O Senhor vem. Por muito tempo tem a misericórdia estendido a mão de amor, de paciência e tolerância a um mundo culpado. Foi feito o convite: 'Que se apodere da Minha força e faça paz comigo' (Isaías 27:5), mas os homens abusaram de Sua misericórdia e rejeitaram Sua graça" (Ellen White - Maranata, o Senhor Vem, p. 50).

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #69 - RECALL

Eventualmente, você vê notícias de que algum fabricante de automóveis, brinquedos ou remédios está fazendo um recall, isto é, chamando de volta o consumidor, ou recolhendo o produto que está com defeito. A solicitação é para que todo um lote de produtos, especialmente com problemas de segurança, seja trazido de volta ao fabricante.

Alguém imaginou o seguinte recall convocado por Jesus:

Todas as unidades individuais conhecidas como “Ser Humano” estão sendo recolhidas pelo Fabricante sem importar o modelo ou o ano. Isto é devido a um mau funcionamento causado no mecanismo interno, depois da entrega dos protótipos originais (que foram codificados de “Adão” e “Eva”), resultando na reprodução do mesmo defeito em todas as unidades subsequentes. O defeito é tecnicamente denominado “Não-Moralidade Interna Grave”, mais conhecido como “PECADO”.

Alguns sintomas do defeito PECADO:

Perda de direção – Falta de paz e alegria – Depressão – Emissões vocais erradas - Inveja – Brigas - Egoísmo – Ingratidão – Medo – Raiva - Ambição - Rebelião – Ciúmes.

O Fabricante, Jesus Cristo, está fornecendo serviço de reparação autorizado pela fábrica, sem custo, para corrigir o defeito do PECADO. Ele generosamente Se ofereceu para arcar com o peso inteiro do custo incrível dos reparos. Para o conserto, nenhuma taxa é cobrada.

Para fazer os reparos, entre no aplicativo do Fabricante usando a senha: O-R-A-Ç-Ã-O. Uma vez feito o login, por favor, transfira o peso do PECADO pelo procedimento de ARREPENDIMENTO. Em seguida, baixe o processo de EXPIAÇÃO no componente do coração da unidade humana.

Não importa quão grande ou pequeno seja o defeito do PECADO, Cristo o substituirá com:

Amor – Alegria – Paz – Generosidade – Bondade – Fidelidade – Paciência – Autodomínio.

Por favor, veja o manual de operações, a Bíblia Sagrada, para mais detalhes sobre como usar esses reparos. Oferecendo um adicional, o Fabricante tornou disponível a todas as unidades reparadas, um mecanismo que permite monitoração direta e assistência feita pelo Técnico de Manutenção: o Espírito Santo. As unidades reparadas só devem recebê-Lo, e Ele passará a residir nos locais.

AVISO: Continuar a operar uma unidade humana sem as correções altera a garantia do Fabricante, expondo a unidade a perigos e problemas numerosos demais para listar e que finalmente resultarão na incineração da unidade humana.
"Todos os seres humanos estão vergados sob fardos que unicamente Cristo pode remover. O mais pesado fardo que levamos é o do pecado. Se fôssemos deixados a suportar-lhe o peso, ele nos esmagaria. Mas Aquele que era sem pecado tomou-nos o lugar. E o Espírito Santo é que torna eficaz o que foi realizado pelo Redentor do mundo" (Ellen White - A Ciência do Bom Viver, p. 71)

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #68 - SEGREDOS

“Não há nada escondido que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a se tornar reconhecido” (Mateus 10:26).

Todos nós possuímos detalhes pessoais que não são revelados a todos. Somente algumas pessoas mais íntimas os conhecem. Mas existem outros que somente nós e Deus sabemos. Guardar um segredo não é pecado. O que não podemos é nos aproveitar desta possibilidade para fazer coisas “escondidas” só porque ninguém está vendo. Cuidado com isso! É quando não tem ninguém por perto que somos quem realmente somos. É nessas horas que somos tentados a fazer coisas que desagradam a Deus.

“Ninguém está vendo, não há nenhum problema!” Tolo é quem pensa assim. Não há lugar onde Deus não esteja, nem pensamento que Ele não conheça. Se é Ele a quem mais devemos respeitar, como podemos não nos preocupar? E se tem um medo que todos têm em comum é esse: ser descoberto. Quanto mais permanecemos escondidos em nossos segredos, mais nos aproximamos do mal e de sermos desmascarados. "Não há nada que se possa esconder de Deus. Em toda a criação, tudo está descoberto e aberto diante dos Seus olhos, e é a Ele que todos nós teremos de prestar contas" (Hebreus 4:13).

Precisamos abandonar a falsidade, falar sempre a verdade, arrancar de nossas vidas toda e qualquer hipocrisia. Sábio é quem teme a Deus e vive no caminho da verdade, pois no dia do juízo todo segredo será revelado e toda hipocrisia será desmascarada. Deus sabe e tem um registro de tudo. Ellen White afirma: "Deus conhece o fim desde o princípio. Conhece de perto o coração de todos os homens. Lê todo segredo da alma" (A Ciência do Bom Viver, p. 230). E completa: "Todo pecado secreto, juntamente com toda artificiosa hipocrisia estão escritos nos livros do céu com terrível exatidão" (O Grande Conflito, p. 481).

Deus sabe tudo o que fazemos e quais os caminhos que andamos. Não há nada que possamos esconder de Deus ou que Ele não saiba sobre a nossa vida. “Ó Senhor Deus, Tu me examinas e me conheces. Sabes tudo o que eu faço e, de longe, conheces todos os meus pensamentos" (Salmos 139:1-12). “Deus sabe por onde você anda e vê tudo o que você faz” (Provérbios 5:21). Isso é, Deus está em todo lugar e sabe de todas as coisas. Ninguém pode enganar a Deus, nada escapa ao Seu olhar infinito.

Deus sabe tudo de mim, e mesmo assim me ama. Mesmo eu sendo desobediente, mesmo quando penso o que não devo, mesmo quando me esqueço dEle, Ele me cerca por todos os lados com Seu amor, Sua misericórdia (não me tratando como eu realmente merecia), com Sua graça e Sua bondade infinita. E isso é maravilhoso, porque com Deus eu posso ser eu mesmo, não preciso fingir, posso ser sincero, posso abrir o meu coração para Ele e falar com toda liberdade. Mesmo dos meu sentimentos mais sórdidos, Ele já sabe.

Que esta seja nossa oração: "Senhor, há tantas coisas em mim que precisam ser mudadas, e às vezes eu mesmo não consigo compreender o meu coração. Preciso da Tua ajuda, e oro para que tu sondes o meu caráter e as minhas intenções, que tragas à minha consciência tudo o que precisa ser corrigido em mim, e que Tu me guies pelo caminho bom, agradável e perfeito, para que eu possa habitar contigo na eternidade. Amém".

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #67 - SIX SEVEN

Quando uma criança levanta as duas mãos com as palmas para cima, fazendo um movimento de quem pesa objetos imaginários no ar, provavelmente não chama a atenção. Mas esse é o "six seven", ou "6-7": a gíria saída das entranhas da internet anglófona, e que chegou ao Brasil sem tradução possível.

"Six seven" é um meme viral da internet e gíria de "brain rot" (conteúdo de repetição rápida) popularizado no TikTok e Instagram em 2025-2026, usada principalmente por adolescentes e pré-adolescentes. A expressão não tem um significado fixo, sendo usada por jovens para representar algo mediano, uma resposta vaga, ou apenas como uma brincadeira sem sentido acompanhada de um gesto com as mãos.

O ponto principal é entender que… não há o que entender. A origem do “six seven”, por exemplo, é uma mistura de fatos aleatórios: uma música de drill (gênero do sul de Chicago) chamada “Doot Doot”, do rapper Skrilla, em que ele repete “six seven” no refrão de forma bem marcante e ritmada; a altura do jogador de basquete LaMelo Ball, da NBA, de exatamente 6 pés e 7 polegadas de altura (1,98 m); um menino americano que apareceu em um vídeo sobre basquete em que olha para a câmera, faz um gesto com as mãos e grita bem alto: “six-seven!”. Ele virou o rosto oficial do meme.

Existe apenas um capítulo 67 nos 66 livros da Bíblia, e é um salmo. O Salmo 67 começa assim: "Que Deus tenha misericórdia de nós, nos abençoe e faça resplandecer o seu rosto sobre nós, para que os teus caminhos sejam conhecidos na terra, a tua salvação entre todas as nações. Que os povos te louvem, ó Deus; que todos os povos te louvem".

Existem 42 ocorrências do capítulo 6, versículo 7 na Bíblia. Aqui está uma seleção de passagens que podem ser bons versículos para memorização por crianças:

“Eu os tomarei como meu povo, e serei o seu Deus. Então vocês saberão que eu sou o Senhor, o seu Deus, que os libertou do jugo dos egípcios” (Êxodo 6:7).

“Chamando os doze, Jesus começou a enviá-los dois a dois e deu-lhes autoridade sobre os espíritos imundos” (Marcos 6:7).

“Porque todo aquele que morreu está justificado do pecado” (Romanos 6:7).

“Porque nada trouxemos para este mundo, e nada podemos levar dele” (1 Timóteo 6:7).

Uma criança mais velha ou um adolescente que esteja procurando uma passagem mais desafiadora para memorizar pode tentar Provérbios 6:16-19, que contém uma sutil referência a esses números onipresentes: "Há seis coisas que o Senhor odeia, sete que lhe são detestáveis: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que maquina planos perversos, pés que se apressam para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e aquele que provoca discórdia entre irmãos.

Podemos também observar o significado simbólico destes números na Bíblia. Os números 6 e 7, individualmente, possuem significados específicos nas Escrituras. O número seis frequentemente carrega conotações negativas, representando incompletude e até mesmo o mal. Representa o homem sem Deus, pois não alcança o descanso divino do sete, significando sua rebelião, imperfeição, obras e desobediência. O número 7, por outro lado, representa completude e perfeição, e é o sinal de Deus, o culto divino, obediência, descanso, o número mais comum na profecia bíblica.

Só compreenderemos plenamente o significado desses números quando Jesus voltar. Até lá, podemos aproveitar a onda de "six seven" e talvez até mesmo usá-la para absorver alguma verdade bíblica.

"Estas palavras que hoje vos ordeno estarão no vosso coração; inculcarás com persistência a vossos filhos, e delas falareis assentados em casa, e andando pelo caminho, e deitando-vos, e levantando-vos".

Isso é de Deuteronômio, capítulo 6, versículos... espere só... 6-7 (six seven).

terça-feira, 25 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #66 - CICATRIZES

“Farei cicatrizar o seu ferimento e curarei as suas feridas”, declara o Senhor” (Jeremias 30:17).

As cicatrizes são marcas que a resiliência esculpe no corpo; são o resquício de feridas que, em outro tempo, estiveram abertas – sangravam, doíam e tiravam a paz de todo o organismo, de tal forma que os pensamentos tinham dificuldade de se desviar da dor. Com o tempo, a dor foi diminuindo, o sangramento estancou e a região ficou inflamada. Pouco a pouco, o próprio corpo foi capaz de fechar a lesão, mas não perfeitamente. A cicatriz permaneceu como testemunha do ocorrido.

A batalha que Cristo travou neste mundo deixou marcas em Seu corpo santo. Após ressuscitar, Ele apresentou Suas cicatrizes a Tomé como prova de que estivera no sepulcro (Jo 20:27), mas rompera “os laços da morte, porque era impossível que a morte O retivesse” (At 2:24).

As cicatrizes em Suas mãos, em Seus pés e em Seu lado são as marcas da vitória. Cristo escolheu não abrir mão delas. Embora seja Deus, não se envergonha de exibir as injúrias causadas pelas criaturas que veio salvar.

Toda cicatriz conta uma história. Cristo permanecerá com as Suas como memorial eterno de Seu amor sacrifical. Ellen White diz que "em nosso favor Ele apresenta perante o Pai as cicatrizes da crucifixão, que Ele terá através da eternidade" (Manuscrito 91, 1901). Ele não hesitou em Se doar completamente para salvar os indignos. Entregou-Se para resgatar aqueles que eram prisioneiros do pecado e da morte.

Por ter sofrido tanto, Cristo é capaz de simpatizar com os nossos sofrimentos. Ele experimentou as dores e a maldade deste mundo em um grau que nenhum ser humano jamais experimentará. Ellen White diz que "as palmas de Suas mãos trazem a cicatriz dos ferimentos que recebeu. Se somos machucados e feridos, se encontramos problemas que são difíceis de vencer, lembremo-nos de quanto Cristo sofreu por nós. Em todas as nossas aflições foi Ele afligido" (Nos Lugares Celestiais, p. 9).

Se você tem feridas abertas ou se suas cicatrizes ainda doem e lhe trazem à memória tempos difíceis, lembre-se de que há Alguém no Céu capaz de curá-lo. Quando Ele realizar Sua obra em você, suas cicatrizes deixarão de ser sinais de sofrimento e se tornarão marcas de vitória em Cristo.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #65 - SOTAQUE

Você sabe o que é sotaque? Bom, se você não sabe a definição exata da palavra, certamente seus ouvidos já experimentaram a sensação de ouvir um jeito de falar diferente. Chamamos de sotaque o tom, inflexão ou pronúncia particular de cada indivíduo ou de cada região.

Todos nós temos sotaques. Mesmo em um país como o Brasil onde se fala o mesmo idioma, diferentes sotaques regionais funcionam como uma etiqueta invisível que todos carregamos, dizendo algo sobre quem somos e de onde viemos. Claro que ter sotaque também tem suas desvantagens. Inconscientemente, avaliamos as pessoas pelos seus sotaques. Pessoas com um determinado sotaque às vezes são tratadas com desconfiança, dependendo, é claro, de sua origem. 

A má notícia é que mudar de sotaque é muito difícil. Sim, existem especialistas, como atores profissionais, que podem aprender a interpretar um personagem convincente com o sotaque correspondente. No entanto, a mudança de sotaque geralmente não é permanente e, sob estresse, as pessoas rapidamente voltam a usar seus sotaques antigos. Então, como adquirimos um sotaque? Adquirimos um sotaque por associação e exemplo. Ninguém nos ensina ativamente a ter um sotaque. Refletimos o sotaque de nossos professores e do nosso ambiente social.

A Bíblia menciona uma curiosa referência a um sotaque. Ser questionado sobre sua origem pode ser irritante, mas para Pedro foi perigoso. Depois que Jesus foi preso, Pedro seguiu a multidão e sentou-se no pátio, onde foi identificado como um associado de Jesus. Ele negou (alegar não ter sotaque normalmente entrega a identidade de alguém, exceto para quem fala) e mudou de lugar, mas novamente alguém o identificou como alguém que estivera com Jesus. Pedro negou mais uma vez. E, mais uma vez, as pessoas afirmaram que ele estivera com Jesus. Então, uma delas disse a Pedro: “Certamente você é um deles; seu sotaque o denuncia” (Mateus 26:73).

É muito provável que Pedro tivesse sotaque galileu, assim como Jesus. Mas provavelmente havia muitas pessoas com sotaque galileu em Jerusalém na época da Páscoa, e sabemos que nem todos os discípulos eram galileus — então devia haver algo mais nesse sotaque. A pista era mais do que a maneira como Pedro pronunciava o "r" de forma vibrante. Vemos isso pela reação de Pedro quando ele começa a usar palavrões, ou seja, a linguagem que o desvincularia de Jesus. O que passa despercebido nessa história é um milagre. Nos mais de três anos de convivência próxima com Jesus, os discípulos de alguma forma absorveram o Seu sotaque a ponto de agora falarem como Ele, e mesmo em momentos de extremo estresse, esse sotaque se tornava o seu sotaque nativo. Assim que abriam a boca, as pessoas sabiam que eles haviam estado com Jesus. Eles soavam exatamente como Ele.

Adquirir um sotaque na idade adulta é muito difícil, senão impossível. Talvez seja isso que Jesus quis dizer com nascer de novo (João 3:3). Depois de nascermos para o reino de Deus, aprendemos uma nova “linguagem” de amor e começamos a adquirir um novo sotaque por meio da convivência com Jesus e com outros que o amam. Essa intimidade e a forma natural como isso acontece se refletem nas lembranças de João sobre sua convivência com Jesus. João escreve: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, isso anunciamos a respeito da Palavra da vida. A vida se manifestou, e nós a vimos, e dela testemunhamos. E anunciamos a vocês a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada. O que vimos e ouvimos, anunciamos a vocês, para que vocês também tenham comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo” (1 João 1:1-3).

Argumentação e lógica têm seu lugar, mas as pessoas realmente perceberão nosso sotaque nativo quando falarmos sobre realidades espirituais. Não podemos fingir um sotaque piedoso. As pessoas percebem que não é real — que é algo que estamos fingindo. É somente por meio do renascimento e da convivência que começaremos a adquirir esse sotaque naturalmente. E então, quando começarmos a falar com nosso sotaque recém-nascido, não nos irritaremos quando as pessoas nos perguntarem de onde somos.
"Nossas palavras devem ser expressões de louvor e ações de graças. Se o coração e a mente estiverem repletos do amor de Deus, isto será revelado na conversação. Se Cristo for assim manifestado em nossa linguagem, esta terá o poder de conquistar almas para Ele" (Ellen White - E Recebereis Poder, p. 197).

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #64 - O SÁBADO E O CORREDOR

"E nesse dia descansou" (Gênesis 2:2).

Algo ocorre no organismo das crianças de 4 a 11 anos, que lhes proporciona um prazer inexplicável quando se tornam sujeitos do verbo "correr".

Creio que era esta a sensação que corria pelas veias do menino apressado, em direção ao pátio... até ser interrompido pelos gritos e gestos de uma das professoras. "Pare, pelo amor de Deus!" repetia nervosa. O garoto parou diante dela, ainda ofegante, tão somente para ouvir o que já ouvira outras quinhentas e quarenta vezes: "Você não sabe que é perigoso? Você pode cair e se machucar... ou esbarrar em alguém, correndo assim".

Mas desta vez, acendeu-se uma luz e o rapazinho perguntou: "Professora, qual é o nome desse lugar em que nós estamos?" O sermão ia continuar, mas ele a interrompeu, repetindo a pergunta: "Só me diga isso: qual é o nome desse lugar?" Meio desconfiada, a mulher respondeu: "Isso é um corredor". Foi o suficiente. "Então", continuou o menino, "corredor é o lugar de correr..." e saiu correndo.

A má notícia é que, com o passar dos anos, este gosto pela corrida abandona os pátios e invade a rotina. O que era brincadeira vira doença, e nós nos tornamos crianças crescidas que não sabem aonde vão, reféns de uma vida que não pára, e vai depressa, sem avaliar a rota, rever os mapas, acrescentar perspectivas, corrigir erros, encontrar sentido.

Mas há uma boa notícia. Pelos corredores da vida, o Criador espalhou, e com intervalos precisos, um lugar de descanso - o sábado. "Sábado" vem do hebraico shabbat, cuja raiz pode ser traduzida como um verbo, "cessar" (associação com o final de um trabalho), ou como um substantivo, "descanso". A esse espaço no tempo, Deus deu um nome especial e o selo de Sua aprovação. Ele mesmo parou ali. Ao terminar a obra dos seis dias de trabalho, Ele mesmo descansou..

Depois que o céu ganhar as cores do pôr-do-sol de hoje, é possível que alguém o chame para correr... talvez seu chefe o convoque para continuar a corrida do trabalho. Quem sabe um professor marque uma corrida extra na faculdade. Ou alguém ligue, convidando você para uma corridinha, entre amigos, numa festa, num bar... mas você sabe o nome do ponto em que estamos no tempo. Ou não sabe?

O nome do sétimo dia é descanso... as portas estão abertas. A mesa está posta. Há um lugar especial para você. O anfitrião o espera ansioso. A bagagem fica na entrada. Só traga as mãos cansadas e as feridas abertas. Ali há cura e descanso.

Pare. Entre. E descanse.

MEDITAÇÃO #63 - REMANESCENTE

"Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo" (Romanos 9:27).

O “remanescente” é um tema importante na Bíblia. Em síntese, significa o que permanece após a retirada de uma parte; resto, sobra. O sentido pode ser negativo, como a “sobra” da feira, ou positivo, referindo-se aos que “sobrevivem” a um massacre.

Gerhard Hasel observou que a Bíblia não apenas usa o termo, mas também estabelece uma teologia do remanescente. É uma maneira de se referir ao verdadeiro povo de Deus. De modo geral, existem três grandes categorias desse grupo: 1) o remanescente histórico – por exemplo, sobreviventes de uma catástrofe (Dt 3:11); 2) o remanescente fiel – distinguido por uma confiança genuína (Is 10:22); e 3) o remanescente escatológico – purificado e salvo no tempo do fim (Ap 12:17).

Cada categoria possui nuances internas. O remanescente pode denotar tristeza devido à escassez de sobreviventes, mas também esperança, por representar a base de uma continuidade.

Fazer parte desse grupo não se resume a ser membro de uma igreja nem a professar um credo religioso. É ter a coragem de permanecer firme no que é certo, mesmo que muitos relativizem o que é essencial.

Chesterton dizia que “uma coisa morta pode seguir a correnteza, mas somente uma coisa viva pode contrariá-la”. Isso é verdade. Ellen White escreveu: “Em todas as eras, o Senhor Jesus tem Suas testemunhas, um remanescente que confia na Palavra de Deus. E hoje, em todos os lugares, estes são os que mantêm comunhão com Deus. Uma corrente vital de influência os está conduzindo à luz, e quando forem questionados: ‘Quem está do lado do Senhor?’, se posicionarão em favor Dele” (Signs of the Times, 23 de novembro, 1904).

Esse texto é interessante, pois não apresenta o nome de uma classe religiosa específica nem nos permite dizer que apenas os que concordam conosco são remanescentes. “O firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: ‘O Senhor conhece os que Lhe pertencem’” (2Tm 2:19).

Não importa quantos serão fiéis; escolha estar entre eles. Ame a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo. Ainda que em menor número, você e Jesus sempre serão a maioria.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #62 - FECHAMENTO DA PORTA DA GRAÇA

Como adventistas do sétimo dia, cremos que antes da volta de Jesus a esta Terra haverá um momento em que cessará a oportunidade de salvação para a humanidade. Será um tempo memorável, de consequências eternas. O "fechamento da porta da graça" é um termo que designa o fim da oportunidade de salvação para o ser humano. A raiz desse termo está na experiência de Noé no período antediluviano.

A Bíblia nos ensina a respeito do "fechamento da porta da graça" e das sete últimas pragas. Antes da volta de Jesus, a Bíblia anuncia o derramamento de sete pragas sobre os que rejeitaram o plano da salvação (Apocalipse 16:1 a 21). Neste tempo, os salvos já foram separados por Deus, pois os justos não sofrerão os efeitos das pragas (Salmos 91:7 a 11; 23:1 a 6). O início das pragas marca o fim do juízo investigativo e da intercessão de Cristo.

Lemos em Apocalipse 22:11 que, terminado o juízo investigativo, o “injusto continue fazendo injustiça, e o imundo sendo imundo; que o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se”. Esse evento é chamado de “fechamento da porta da graça”. Quando isso acontecer, cessará o ministério de intercessão do Espírito Santo e não haverá mais oportunidade de salvação. Jesus deixará de atuar no Santuário Celestial. Nesse tempo, a humanidade enfrentará uma crise mundial sem precedentes, pois os anjos de Deus não mais estarão segurando os quatro ventos da Terra (Apocalipse 7:1 a 3). Iniciará, então, o tempo de angústia de Daniel 12:1.

As pragas serão derramadas sobre os portadores da marca da besta e os adoradores da sua imagem (Apocalipse 9:4). Sobre eles sobrevirão úlceras malignas e perniciosas. Cremos que as pragas serão literais, porém não universais. São elas: chagas malignas, mar em sangue, rios em sangue, sol como fogo, escuridão tremenda, rio Eufrates seco e terremotos.

A proteção de Deus repousará sobre Seus filhos fiéis. Entre os mandamentos de Deus está o Seu selo, que garante a proteção divina em meio aos terríveis conflitos que marcarão o final da história do pecado neste planeta. Somente aqueles que aceitam a Jesus e recebem o selo de Deus estarão protegidos neste tempo.

Na sexta e sétima pragas, há o Armagedom, uma batalha espiritual entre o bem e mal. É a última tentativa de Satanás para destruir o povo de Deus. Satanás reunirá seus seguidores, e Cristo confirmará Seus fiéis, livrando-os das mãos dos perseguidores. Tudo está preparado para a volta de Jesus (Mateus 24:29 e 30).

Concluída a obra de intercessão no santuário celestial, logo após o "fechamento da porta da graça" e o derramamento das sete pragas, Jesus receberá a ordem do Pai para cessar Sua atividade de intercessão no santuário celestial. Jesus trocará Suas vestes sacerdotais pelo manto real e sairá do santuário celestial para vir à Terra como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Ele virá buscar aqueles que aceitaram a purificação do pecado oferecida por Ele e viveram de acordo com as orientações deixadas em Sua Palavra. Juntos, iniciarão uma nova vida sem a presença da dor, da morte, do sofrimento. O fechamento da porta da graça revela a proximidade de um aguardado encontro entre Deus e Seu povo.

Apesar das lutas, problemas e dificuldades, a volta de Jesus é a bendita esperança do cristão, prenunciada pelo "fechamento da porta da graça".

Prepare-se para este grande dia!
"Houve uma porta fechada no tempo de Noé. E o Senhor o fechou lá dentro. Até aquela ocasião, Deus abrira uma porta através da qual os habitantes do mundo antigo poderiam encontrar refúgio, se cressem na mensagem que Deus lhes enviara. Mas, essa porta fechou-se agora, e ninguém poderia abri-la. Findara o tempo de graça. Assim será no tempo do fim" (Ellen White - Manuscrito 17, 1885).

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #61 - O FIM DA MORTE

"O Senhor destruirá a morte para sempre" (Isaías 25:8).

O dia 18 de agosto de 2026 ficará marcado na história da cultura nacional como o dia em que o Brasil perdeu duas pioneiras da atuação no país. Aos 98 anos, Laura Cardoso faleceu na madrugada desta terça-feira (18), enquanto Glória Menezes morreu, aos 91, na tarde deste mesmo dia. Amigos e o público repercutiram a perda dupla dizendo que o "céu ganhou estrelas".

O pior inimigo do ser humano é, sem dúvida, a morte. A sepultura engole nossos sonhos, propósitos e certezas. Revela-se a maior prisão da humanidade. Na engrenagem de nosso cotidiano, muitas vezes fica de fora a verdade de que somos mortais, de que tudo passa e de que não somos eternos. Assim, a morte é assunto distante, evitado. Mas a Palavra de Deus nos alerta: “Não tenham medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes, tenham medo Daquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno” (Mt 10:28). Esse verso afirma que nessa vida temos que nos voltar para preocupações maiores do que as questões materiais. Nossa vida espiritual e nosso futuro eterno estão em jogo, e a morte sela nosso destino final.

Como sabemos, a humanidade estava condenada à morte e precisava de um libertador: “Por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5:12, ARA). Nessa condição, estávamos destinados à morte eterna. Então Cristo nasceu, viveu e morreu em nosso lugar, de modo que todos os que crerem Nele podem se apegar a essa verdade para viver eternamente.

A história de Cristo, porém, não terminou na cruz. Para Jesus, a morte não representava derrota. Não podemos nos esquecer de que a ressurreição faz parte dessa história. Jesus não só nasceu e morreu. Ele ressuscitou! Confiando nessa vitória, podemos ser vitoriosos também. A morte nos prova que tudo passa, mas a Bíblia nos mostra que até a morte é temporária. Em Cristo, apenas a vida é para sempre. Aceite a Jesus e viva eternamente.
"Jesus Cristo depôs o manto real, Sua régia coroa e revestiu Sua divindade com a humanidade, a fim de tornar-Se um substituto e penhor pelo gênero humano, para que, morrendo em forma humana, por Sua morte pudesse destruir aquele que tinha o poder da morte. Ele não poderia ter feito isso como Deus; mas, tornando-Se como o homem, Cristo podia morrer. Pela morte venceu a morte. A morte de Cristo levou à morte aquele que tinha o poder da morte, e abriu as portas da sepultura para todos os que O recebem como seu Salvador pessoal. Ao morrer, Jesus tornou impossível que os que crêem nEle morram eternamente" (Ellen White - Exaltai-O, p. 401).

terça-feira, 18 de agosto de 2026

MEDITAÇÃO #60 - SPLANCHNIZOMAI

Não há nada mais distante da realidade do que a ideia de um Jesus distante da nossa realidade. Imaginar Deus como alguém distante é um dos maiores erros que podemos cometer em nossa vida de fé. Essa concepção equivocada, aliás, gera muitos problemas, como a suposição de que Ele não ouve nossa oração, de que não está conosco, de que os olhos do Senhor não estão atentos a nós, de que estamos sozinhos no mundo, de que o pecado é capaz de surpreender Cristo e montes de outras ideias erradas que assombram milhares de milhares de cristãos. Sabe quando Jesus fica distante de nós e alheio a nossos problemas? Nunca. Jamais. Em nem um único instante de nossa vida. 
“E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mt 28:20).
E Jesus entende você totalmente. Ele sentiu na pele tudo o que você sente. Ele sentiu na alma tudo o que te machuca. E Jesus está com você, perto. Portanto, o Deus que tudo pode compreende com absoluta clareza o que você está enfrentando e Ele está ao seu lado para auxiliá-lo. Você poderia se perguntar se Deus se identifica com sua humanidade. Sobre isso escreveu Paulo: “… embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens” (Fp 2:6-7). Sim, Deus sabe o que é ser gente.

E aqui entra uma das maiores realidades sobre o Deus que se fez homem: a palavra grega usada em diferentes passagens dos evangelhos para se referir a compaixão é splanchnizomai. É curioso que, na medicina, “esplancnologia” é o estudo das vísceras, das entranhas. Os conceitos têm a mesma raiz. Assim, a compaixão de Jesus por pessoas como eu e você não é comum: Jesus sente a nossa dor em suas entranhas. Como escreveu Max Lucado, Ele “sentiu a deficiência dos mancos, a dor dos enfermos, a solidão do leproso, o constrangimento dos pecadores”. Por isso, quando Jesus encontra pessoas que estão sofrendo, ele sente a dor delas nas próprias entranhas.

Sabe a sua dor? Tenha certeza de que o Cordeiro de Deus a está sentindo no mais íntimo de seu ser divino e humano. Se dói em você, dói nEle. Se te aflige, aflige o Mestre. Sabe o seu abatimento, a decepção, a solidão, o amor-próprio ferido, a falta de paz e tudo mais que você está sentindo? Jesus sente também. Você foi traído? Jesus soltou um gemido. Você foi esquecido? Jesus sofreu. Você foi desamparado? Jesus cerrou os dentes. Você foi agredido? Jesus sentiu o golpe. Doeu? Jesus disse “Ai…”. Isso só ocorre porque Ele sente splanchnizomai. Compaixão. Co-paixão, paixão compartilhada. Ele compartilha sua dor.

Assim que Jesus sente o seu sofrimento, porém, Ele se lembra do Calvário. Recorda-se dos cravos e da coroa de espinhos. E, por fim, lança sobre a cruz toda essa enorme carga de sofrimento – as suas mágoas, tristezas, aflições, decepções. Você tem carregado suas aflições nas costas? Então siga o exemplo do compassivo Deus: lance-as sobre a cruz, pois há dois mil anos ela espera por cada uma de suas dores.
"Que maravilhoso pensamento este, de que Jesus tudo sabe acerca das dores e aflições que sofremos! Em todas as nossas aflições foi Ele aflito. Embora não O vejamos, Jesus vela por nós com terna compaixão; e comove-Se com as percepções de nossas fraquezas. Jesus tomou sobre Si a humanidade e colocou-Se à cabeceira de uma nova dispensação, a fim de que possa reconciliar justiça e compaixão" (Ellen G. White - The Review and Herald, 10 de Junho de 1884).