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quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Dia das Crianças - Qual é o melhor presente?

Roupas, calçados ou brinquedos podem até ser boas opções para presentear os filhos neste Dia das Crianças, mas, em geral, esses mimos, por mais úteis e interessantes que sejam, não impactam de forma profunda a vida deles. Repartir a fé é o melhor presente que podemos dar a nossos filhos.

Estudos indicam que a espiritualidade tem uma relação direta com o desenvolvimento humano. Pesquisas feitas por estudiosos como James W. Fowler, Donna Habenicht, Anne Bell e Alice Lowe, por exemplo, ajudam a compreender como os pequenos lidam com a fé e a encaram, e como é possível, em cada faixa etária, ajudar a criança a desenvolver a vida espiritual. No entanto, é importante considerar que alguns aspectos de cada fase podem se manifestar antes ou depois na vida da criança, dependendo dos estímulos que ela tem. 

0-3 anos
Este é um período muito importante para o desenvolvimento da fé. Segundo Ellen White: “As impressões feitas no coração, no princípio da vida, são vistas em anos posteriores. Podem estar sepultadas, mas raras vezes serão removidas” (Manuscrito 57, 1897).

É nesse estágio que a criança tem pré-imagens de Deus, a partir de uma relação de confiança com seu cuidador. Ela entende o amor por meio do cuidado que recebe e desenvolve confiança em Deus ao confiar nos pais. 

Nessa etapa, o desenvolvimento físico da criança está a pleno vapor. Como ela está aprendendo a controlar o corpo, suas necessidades físicas interferem no humor e no comportamento. Por isso, um ambiente calmo e uma rotina bem estabelecida contribuem para que a criança aprenda e se desenvolva, inclusive espiritualmente. 

Nessa fase, o uso de materiais concretos para ilustrar o ensino é muito importante para a assimilação do conteúdo. Em termos práticos, uma criança de dois anos, por exemplo, terá um aproveitamento mais significativo se o pai utilizar objetos ou imagens para ilustrar a história. Quanto mais os sentidos forem explorados, mais a criança se sentirá motivada a prestar atenção, interagir e aprender. 

Nesse estágio, a criança tem um período de atenção curto. Por isso, os momentos de ensino das verdades bíblicas devem ser breves e planejados. As orientações devem ser simples e sem abstrações. Pais que desejam ensinar os filhos a orar, por exemplo, devem mostrar como é a posição de oração (e não apenas explicar como orar), usar ilustrações variadas, sem se cansarem de reforçar o ensino com repetições. 

Em geral, as crianças têm certa dificuldade de controlar as emoções nessa fase. Então, é preciso que a educação seja pautada pela busca da obediência e pelo controle emocional. Ellen White escreveu: “Uma das primeiras lições que a criança precisa aprender é a lição da obediência. Antes que fique bastante idosa para raciocinar pode ser ensinada a obedecer” (Educação, p. 287).

Crianças que não obedecem aos pais terão dificuldades para obedecer a Deus. 

Entre zero e três anos, a criança tem uma forte tendência a ser egocêntrica. É por isso que os pais não podem perder a oportunidade de estimular a solidariedade e o amor ao próximo. Isso é básico para um bom desenvolvimento cristão. O encorajamento de atitudes de simpatia pelos menos favorecidos e a vivência do evangelho prático são muito importantes. 

Nesse período, a criança está desenvolvendo o senso do sagrado, que é base para a futura reverência com as coisas de Deus. Por isso, os pais devem mostrar que a Bíblia é importante e deve ser cuidada e respeitada. O nome de Deus não pode ser pronunciado em vão pela criança ou por seus cuidadores. Os locais de culto, principalmente a igreja, são especiais. Levar a criança com uma roupa adequada para a igreja, não permitir que ela coma dentro do templo ou que brinque com brinquedos da rotina semanal, ajudam-na a adquirir o senso de reverência. A presença nos cultos também é extremamente importante. A criança só vai saber como se comportar na igreja se ela vivenciar essa realidade sempre. Além disso, é importante que a família faça o culto em casa e que as coisas de Deus sejam vistas como sagradas. 

4-6 anos 
Nessa fase, ocorre uma ampliação entre a comunicação da criança e o adulto, e isso também é sentido no relacionamento com Deus. É nesse estágio que a criança começa a ter suas próprias experiências espirituais, passa a entender por ela mesma que Deus existe e aprende a desenvolver uma comunicação mais direta com Deus por meio da oração. Por isso, um ambiente familiar espiritual é fundamental. 

Apesar de gostar de movimento, ela já consegue permanecer sentada por mais tempo na igreja. Porém, ainda precisa de recursos que possam ajudá-la no processo de reverência. Levar uma bolsa para o culto com materiais bíblicos, como livros, revistas e desenhos para colorir, pode ajudar nesse sentido. 

Entre quatro e seis anos, em geral, a criança é falante e gosta de aprender novas palavras. Contudo, pode confundir termos e conceitos. Então, os pais devem ficar atentos e corrigir os usos incorretos de expressões que envolvam o vocabulário bíblico. Elas necessitam aprender as verdades dentro do seu próprio nível de ensino e não meias-verdades. 

Além disso, nesse período as crianças são curiosas e fazem muitas perguntas. Dessa forma, aproveitar os questionamentos infantis para ter conversas espirituais, fazer comparações entre a vida dos filhos e dos profetas, mostrar como Deus trabalha na vida de outras pessoas e contar pequenas histórias sobre o cuidado de Deus na vida dos pais pode contribuir para que a criança entenda melhor o plano divino para a humanidade. 

Em geral, a criança é ciumenta, geniosa e medrosa nessa etapa do desenvolvimento. É preciso ter cuidado para não potencializar medos que são comuns nessa fase. Salientar o cuidado de Deus e não enfatizar o poder do mal é muito importante. 

7-10 anos 
Este estágio é caracterizado pela avaliação constante entre as palavras e as atitudes dos adultos. Coerência é a palavra-chave. A criança precisa ver atitudes coerentes dos pais em relação ao discurso e prática da fé. É a partir dessa fase que a criança começa a desenvolver uma fé mais abstrata. 

Os pais precisam aproveitar todas as oportunidades para estimular o estabelecimento de compromissos com as coisas espirituais. Entretanto, isso só ocorrerá se houver um envolvimento e motivação da família. Esse é o período de estimulação do desenvolvimento dos dons e habilidades a serviço de Deus e do próximo. 

Nessa fase, a criança é ainda um pouco literalista. Contudo, consegue, com ajuda, fazer associações mais abstratas, distinguindo o fato da fantasia. Esse é o momento de introduzir ensinamentos doutrinários mais sólidos. Porém, o ensino deve sempre estar adequado à realidade do pensamento infantil. As palavras também devem ser de fácil compreensão. 

Nesse período, a criança entende que as histórias da Bíblia são reais e que é possível aplicar os ensinamentos cristãos na vida prática. Esse é o momento de incentivar a leitura de bons livros. A autonomia em relação à devoção pessoal também precisa ser trabalhada. 

11-16 anos 
Nessa fase, o indivíduo duvida de si, dos pais, da religião e de tudo o que já lhe foi transmitido. Passa por muitas transformações no corpo que evidenciam a chegada da puberdade. Precisa sentir-se amado e acolhido, pois, nesse estágio, vivencia muitos problemas, como baixa autoestima e insegurança. 

É fundamental uma religião realista e prática nesse estágio. A atmosfera do lar precisa estar envolvida em assuntos religiosos. Os adultos precisam ajudar os juvenis e adolescentes a encontrar respostas bíblicas para os dilemas da vida. Estudos proféticos ligados aos acontecimentos atuais despertam o interesse desse grupo. 

Às vezes, faltam-lhe vocabulário para expressar seus sentimentos. O diálogo e amizade com os pais são fundamentais para amenizar essa dificuldade. Porém, eles não gostam de receber ordens e são sensíveis a críticas. Por isso, precisam ser liderados com amor e firmeza. 

Deus entregou a atual geração de crianças e adolescentes em nossas mãos. Seremos capazes de fazer nossa parte? A tarefa dos pais, da comunidade e da igreja não é fácil. Porém, Ellen White escreveu: "Ao procurardes tornar claras as verdades concernentes à salvação, e encaminhar as crianças a Cristo como Salvador pessoal, os anjos estarão ao vosso lado” (O Desejado de Todas as Nações, p. 385).

Que Deus nos capacite a ajudar as crianças a desenvolver os hábitos que nortearão toda a sua experiência religiosa! Um legado de fé é o melhor presente que podemos dar a nossos filhos. 

Ariane M. Oliveira (via Revista Adventista)

"Conhecer a Deus é vida eterna. Estais ensinando isto aos vossos filhos ou lhes estais ensinando a seguir as normas do mundo? Estais vos aprontando para o lar que Deus vos está preparando? Ensinai aos vossos filhos acerca da vida, da morte, e da ressurreição do Salvador. Ensinai-os a estudar a Bíblia. Ensinai-os a formar caráter que viverá pelos séculos eternos. Devemos orar como nunca dantes para que Deus guarde e abençoe nossos filhos" (Manuscrito 16, 1895).

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Batismo de crianças - Qual o momento certo?

Talvez esse não seja um tema fácil de se falar. É possível que as opiniões sejam diversas, contudo, é necessário pensar a respeito deste assunto, e por isso queremos abordá-lo aqui.

Na Igreja Adventista do Sétimo Dia não são realizados batismos de crianças recém-nascidas, mas tem se tornado cada vez mais comum o costume de batizar crianças. Há alguns anos, as crianças na faixa etária de desbravadores eram batizadas, hoje, até os aventureiros têm sido batizados em nossas Igrejas. Isso, particularmente, me preocupa bastante!

As crianças ao longo de seu desenvolvimento vão adquirindo capacidades e conhecimentos que são fundamentais para a aquisição de novas capacidades e conhecimentos. Quando uma criança chega a escola, antes de aprender a fazer cálculos de equações de segundo grau ela precisa aprender a segurar o lápis, a ler e escrever, a somar números simples, só então terá capacidade de fazer algo mais complexo. Da mesma forma, é preciso atingir certo grau de maturidade para se tomar determinadas decisões, e por isso durante um bom tempo os pais tomam boa parte das decisões por seus filhos. Decidir pertencer à Igreja de Deus, e fazer um voto público de aceitação às doutrinas de Sua Igreja é algo bastante sério!! Deve ser feito com bastante entendimento e consciência! Será que as crianças tem capacidade de tomar essa decisão?

O que é preciso para batizar? Minimamente, a pessoa que decide pelo batismo deve entender o que é pecado, o que é salvação e o que é batismo. Entender é diferente de reproduzir algo que lhe foi ensinado. Quando fazemos algumas provas em nossa vida acadêmica, decoramos diversas coisas, mas isso não significa que de fato entendemos. Na verdade, muitas vezes não há entendimento, mas mera reprodução de algo que foi ensinado.

Muitas crianças aprendem a dar belas explicações sobre coisas espirituais, mas não compreendem essas coisas que explicam. Com duas ou três perguntas é possível verificar que não há entendimento, ou até mesmo que não há maturidade ainda para este entendimento existir!

Às vezes, o que os pequenos querem é poder comer o pão da santa ceia, ou beber do suco de uva. Outras vezes, querem apenas passar pelas águas batismais porque veem outras crianças fazendo isso. Crianças são assim! Querem fazer o que veem os outros fazendo, e os adultos têm que estar atentos a isso. Ao convidar os homens a aceitar o batismo, Pedro disse: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados” (Atos 2:38). Uma criança que não entende de fato o que é pecado, como poderá se arrepender?

Ellen White diz que o batismo “simboliza arrependimento do pecado e começo de uma vida nova em Cristo Jesus” (Evangelismo, p. 309). Que nova vida as crianças iniciam quando saem do tanque batismal? Veja quão séria é a orientação da serva do Senhor:

“Os pais cujos filhos desejam batizar-se têm uma obra a fazer, já examinando-se a si próprios, já instruindo conscienciosamente os filhos. O batismo é um rito muito importante e sagrado, e importa compreender bem o seu sentido. Simboliza arrependimento do pecado e começo de uma vida nova em Cristo Jesus. Não deve haver nenhuma precipitação na administração desse rito. Pais e filhos devem avaliar os compromissos que por ele assumem. Consentindo no batismo dos filhos, os pais contraem em relação a eles a responsabilidade sagrada de mordomos, para guiá-los na formação do caráter. Comprometem-se a guardar com especial interesse esses cordeiros do rebanho, para que não desonrem a fé que professam.

A instrução religiosa deve ser ministrada aos filhos desde a mais tenra infância; não num espírito de condenação, mas alegre e bondoso. As mães devem vigiar constantemente, para que a tentação não sobrevenha aos filhos de modo a não ser por eles reconhecida. Os pais devem proteger os filhos por meio de instruções sábias e valiosas. Como os melhores amigos desses seres inexperientes, devem ajudá-los a vencer a tentação, porque ser vitoriosos é quase sempre a sua sincera ambição. Devem considerar que os filhinhos, que procuram proceder bem, são os membros mais novos da família do Senhor, sendo o seu dever ajudá-los com profundo interesse a dar passos firmes na vereda da obediência. Com carinhoso zelo, devem ensinar-lhes dia a dia o que significa ser filhos de Deus e induzi-los a render-se em obediência a Ele. Ensinai-lhes que obediência a Deus implica obediência aos pais. Esse deve ser o vosso empenho de cada dia e de cada hora. Pais, vigiai; vigiai e orai, e fazei dos filhos os vossos companheiros.

E quando enfim raiar a época mais feliz de sua existência, e, amando de coração a Jesus, desejarem ser batizados, procedei com reflexão. Antes de os fazer batizar, perguntai-lhes se o principal propósito de sua vida é servir a Deus. Ensinai-lhes então como devem começar; muito depende dessa primeira lição. Mostrai-lhes com simplicidade como prestar o primeiro serviço a Deus. Tornai essa lição tão compreensível quanto possível. Explicai-lhes o que significa entregar-se a si mesmos ao Senhor e, ajudados pelos conselhos dos pais, proceder como manda Sua Palavra.

Depois de terdes feito tudo quanto vos foi possível, e eles revelarem ter compreendido o que significam a conversão e o batismo, e estarem verdadeiramente convertidos, deixai que se batizem. Mas, repito, disponde-vos de antemão a agir como pastores fiéis em guiar-lhes os inexperientes pés no caminho estreito da obediência. Deus tem de operar nos pais para que possam dar aos filhos bom exemplo em relação ao amor, à cortesia, humildade cristã e inteira devoção a Cristo. Se, porém, consentirdes em que os filhos sejam batizados e depois lhes permitirdes proceder como lhes apraz, não sentindo nenhuma obrigação de guiá-los pelo caminho estreito, sereis vós mesmos responsáveis pelo fracasso de sua fé, ânimo e interesse pela verdade.” (Evangelismo, pp. 309-311)

Há uma grande responsabilidade que recai sobre os ombros dos pais desde que um filho nasce. Contudo, fazer um compromisso com Deus através do batismo é uma responsabilidade ainda maior.

Para que a criança tenha suporte no lar para a decisão que está tomando, de renunciar ao pecado e viver unicamente para Cristo, é preciso que seus pais vivam essa realidade de renuncia ao eu e ao pecado. Infelizmente, poucos adultos têm feito essa renúncia. Como seus filhos podem tomar decisões conscientes ao lado de Cristo?

Por duas vezes já vi crianças tomarem a decisão de adotar o regime vegetariano e não seguir adiante por falta de apoio dos pais (que eram líderes da Igreja). Sob a desculpa dos pais de que “eu não consigo parar de comer carne” uma decisão importante tomada por estas crianças foi afetada e estas crianças aprenderam que é difícil aderir ao regime que Deus nos orienta a seguir. Este é apenas um exemplo. Há muitas outras lutas da vida espiritual que os adultos ensinam às crianças que são difíceis, quando deveriam ensinar que Cristo nos dá poder para vencer.

Pais que se recusam a abrir mão do eu e dos desejos carnais, não estão aptos a se responsabilizarem por crianças que tomam a séria e sagrada decisão do batismo. Nas palavras de serva do Senhor: “Se, porém, consentirdes em que os filhos sejam batizados e depois lhes permitirdes proceder como lhes apraz, não sentindo nenhuma obrigação de guiá-los pelo caminho estreito, sereis vós mesmos responsáveis pelo fracasso de sua fé, ânimo e interesse pela verdade.”

Reflita sobre isso!!!

Texto de Karyne M. Lira Correia

Nota: Leia também a opinião do pastor Erton Köhler, presidente da Igreja Adventista para a América do Sul, sobre esse assunto:

Possivelmente você conheça crianças pequenas que pedem insistentemente o batismo. E qual deve ser a reação dos pais, líderes e pastores? Alguns acham muito cedo para uma decisão tão solene. Dizem que é algo superficial, que vai durar pouco tempo e acabará em apostasia. Mencionam que a igreja diminui a importância do batismo ao realizá-lo tão cedo. Mas há outro grupo que apoia e incentiva essa decisão tão logo as crianças tenham condições mínimas para isso.

Antes de chegar a uma conclusão sobre o momento certo, precisamos ter em mente que o batismo é o início e não o fim de um processo. A decisão de um juvenil deve ser vista dentro desse contexto, pois ele está apenas começando a entender as questões mais complexas da vida. A realidade dos adultos é bem diferente. Segundo Ellen White, “o batismo não torna cristãs as crianças, tampouco as converte; é apenas um sinal exterior que demonstra sentirem dever ser filhos de Deus, reconhecendo que creem em Jesus Cristo como seu Salvador e que daí por diante viverão para Ele” (Orientação da Criança, p. 499).

Apenas o desejo de uma criança não é suficiente para que ela seja batizada. É preciso que compreenda a importância dessa decisão e conheça as verdades bíblicas básicas. Porém, se ela começar a alimentar esse desejo desde cedo, não deve ser proibida, e sim motivada a continuar estudando, com atividades criativas que a preparem para o momento certo. Por outro lado, precisamos ser habilidosos ao tratar do assunto, sem criar imposições, dificuldades, metas de “santidade” ou perfeição, e muito menos ameaçar usar o batismo como forma de disciplina. Tudo isso provoca rejeição em lugar de motivação. No futuro, quando os pais ou líderes acharem que chegou a hora, o adolescente ou jovem poderá não mais ter interesse.

Voltando à questão do momento certo, Ellen White nos ajuda a encontrar a solução. Ela ensina que “crianças de oito, dez ou doze anos já têm idade suficiente para ser dirigidas ao tema da religião individual”. E continua advertindo os pais: “Não ensinem seus filhos com referência a um tempo futuro em que eles terão idade bastante para se arrependerem e crer na verdade. Caso sejam devidamente instruídas, crianças bem tenras podem ter ideias corretas quanto ao seu estado de pecadores, e ao caminho da salvação por meio de Cristo” (Orientação da Criança, p. 491).

Esse tema entusiasmava tanto Ellen White que, em reuniões para crianças, ela usou sua influência para levá-las ao batismo. Certa ocasião, “dez meninas reuniram-se às águas para receber a ordenança do batismo”, e uma menina hesitante recebeu o incentivo do casal White. “No dia seguinte, cinco meninos expressaram seu desejo de ser batizados. Era uma cena interessante ver aqueles meninos, todos de cerca da mesma idade e tamanho, lado a lado professando sua fé em Cristo”, diz a mensageira (Perguntas que Eu Faria à Irmã White, p. 24, 25).

Em setembro, com a chegada do Batismo da Primavera, precisamos ver mais cenas como essas, com líderes, pais, pastores e igrejas motivando seus juvenis ao batismo. Afinal, a “criança que crê em Cristo é tão preciosa à sua vista como são os anjos ao redor do seu trono. Elas devem ser levadas a Cristo e educadas por Ele” (O Lar Adventista, p. 279). No momento certo, o batismo deve ser incentivado, não censurado. (
Revista Adventista)

sábado, 21 de março de 2020

Filhos em casa: o que fazer?

Em tempo de Coronavírus, a rotina familiar mudou bastante para a maioria das pessoas. É importante ter ajuda de profissionais e pais especialistas que sabem como é ter “filhos em casa”. Muitas escolas, parques e lugares públicos estão fechados por tempo indeterminado. Inclusive várias igrejas prestam serviços on-line para classes infantis e cultos. Para auxiliar as famílias, reunimos alguns recursos e ideias para pais e filhos. Ajuntamos neste espaço virtual informação, reflexão, história, música, atividade, cultura, brincadeiras, links, dicas e outros materiais. Compartilhem!

Existem situações na vida que não se esperam, e diante delas, muitas vezes nos vemos impotentes. O momento é desafiador. Especialmente para famílias que possuem filhos pequenos em casa. Mas quero refletir com você sobre a força que temos em períodos de crise, quando confiamos em Deus, e compartilhamos ideias, cada um auxiliando com aquilo que é possível. Quão saudável para as emoções é permanecermos cheios de esperança e em família, trabalhando e orando uns pelos outros.

Relembre algum outro momento de crise que você viveu. Perceba que, na maioria das vezes, você conseguiu sair dela muito mais forte do que quando entrou na situação.

Epidemia dupla
Estamos vivendo agora uma crise de epidemia dupla: “uma que é do próprio vírus e outra que é do pânico”, comenta em vídeo a médica Margareth Dalcomo, pneumologista e pesquisadora da Fiocruz. E ainda recomenda: “nós não podemos nos contaminar nem com uma, nem com outra”.

Veja a importância de fortalecermos a confiança nos dias atuais. Além disto, ela está classificada como um agente de cura, como diz o texto a seguir: “Os remédios de Deus são os agentes simples da Natureza… como o ar puro e água, asseio, regime adequado, pureza de vida e confiança em Deus”.

O que temos que fazer neste momento é intensificar posturas práticas de higiene, hábitos saudáveis de vida, alimentação mais simples e natural, conforme a afirmação da escritora Ellen White em seu livro Temperança, página 159, afirma que “quanto mais simples e naturalmente vivermos, tanto mais capazes seremos de resistir as epidemias e doenças. Se nossos hábitos forem bons e o organismo não for enfraquecido… proporcionará todos os estímulos de que necessitamos”

Devemos, também, buscar orientações em órgãos oficiais do governo e canais confiáveis, cumprir as recomendações médicas de isolamento e permanência em casa, e aproveitar os momentos com a família e filhos, realizando atividades criativas.

Conforme a neurocientista Cláudia Feitosa “até agora estávamos em contato físico e social o tempo todo, mas ligados no celular, e vem o vírus e faz com que a gente mude o comportamento e faça um bom uso do celular, onde precisamos estar mais afastados fisicamente, mas podemos estar unidos pela tecnologia”. Esta é uma epidemia diferente das anteriores. Já temos informações relevantes, e o importante é seguir orientações simples, especialmente a não aglomeração de pessoas.

O que fazer?
Vamos aproveitar para conviver mais com quem amamos. Esse pode ser um momento muito saudável para a família. Aproveite para orar com seus filhos, pela situação mundial, por doentes e pelos profissionais da saúde que estão mais expostos. Compartilhe mensagens de esperança pelas redes sociais.

Apreciei nestes dias ler o que disse uma desconhecida moradora da Itália, vivendo no furacão da pandemia:

“Essa é uma situação estranha que nos leva a reavaliar algumas coisas. Nessa hora, ter um carro lindo, uma bolsa cara, roupas maravilhosas, serve para quê? Não teríamos nem como usar ou a quem mostrar. A única coisa que passa a importar é a saúde que se pede a Deus. Na verdade, como gastamos tempo em correr atrás de coisas que não nos servem para nada.

Agora estamos em casa, inventamos jogos, almoços e jantares que se tornam longos e cheios de conversa entre nós. Rimos e choramos juntos do problema e cuidamos um do outro. Ninguém tem para onde ir ou coisas para fazer. A falta de tempo acabou!

Apesar de tudo, o sr. Coronavírus nos fez um grande favor. Nos livrou da arrogância, porque percebemos que não somos nada e nem temos controle da vida. Nos mostrou nossa vulnerabilidade, e nos levou de volta a Deus e à família”. 

E por fim, nos fez perceber a “prisão individual” do dia a dia, pela tal “falta de tempo”.

De certa forma ele nos libertou. Nos deixou livres para termos medo, para nos sentirmos impotentes, para não corrermos atrás do nada… Afinal, a única lição de casa é a de tentarmos não adoecer.

No balanço geral, o Sr. Coronavírus pode até nos matar, mas certamente nos ensinou a viver!”

Aproveite para retirar o melhor dessa situação. Viva de maneira mais equilibrada. Relembre que Deus e a família são as coisas mais importantes. E que o olhar Dele é de cuidado para com seus filhos. Ele mesmo diz: ”Tu és meu… quando passares pelas águas Eu serei contigo… Eu sou o Senhor teu Deus, o teu Salvador…não temas pois Eu sou contigo”. Isaías 43:1-5

Aproveite este momento para estar mais junto Dele, de Sua Palavra e de seus amados.

Glaucia Clara Korkischko (via ASN)

Leia este artigo do prof. Leandro Quadros (aqui) e também o vídeo abaixo com preciosas sugestões:

quarta-feira, 4 de março de 2020

Síndrome do Bom Aluno: ela pode minar a confiança do seu filho

A maioria dos pais almeja o melhor para os seus filhos. Isso inclui, conforme as possibilidades de cada família, garantir bons estudos e acompanhar de perto o desempenho escolar. Mas às vezes, na tentativa de que a criança obtenha boas notas, muitos acabam forçando a barra e fazendo uma cobrança excessiva - em alguns casos, até condicionando o afeto e a aprovação aos resultados do boletim. Em médio e longo prazos, tanta exigência tende a causar uma ansiedade enorme nos pequenos. Há, ainda, o risco de se transformarem em adultos extremamente perfeccionistas, reféns da chamada "Síndrome do bom aluno". E muito, muito infelizes.

Boa parte das vezes, pais que parecem amar seus filhos conforme a quantidade de nota 10 que eles recebem, fazem isso de maneira inconsciente. "Isso não significa que amem menos seus filhos, mas sim que desenvolveram ao longo da vida uma maneira mais crítica de se relacionar", afirma Carla Poppa, doutora em psicologia clínica pela PUC-SP. É muito comum, inclusive, que esses pais tenham uma autocrítica muito severa e que cobrem de si mesmos a 'perfeição' nos diferentes papéis que desempenham. Então, quando existe esta cobrança interna muito severa, é natural que ela seja vivida também na relação com os filhos. "Com isso, a tendência é que as crianças internalizem a cobrança que recebem e também se tornem pessoas muito autocriticas e perfeccionistas na vida adulta", explica Carla, que atua como professora do curso de especialização em Gestalt-terapia e de cursos de psicoterapia de crianças no Instituto Sedes Sapientiae, na capital paulista.

Outro fator comum é ver pais que, tomados por expectativas elevadas sobre quem os filhos deveriam ser ou se tornar, depositam neles frustrações que são, em verdade, suas próprias. "Eles não fazem por mal, já que, muitas vezes, têm a ideia, por exemplo, de que más notas equivaleriam a uma vida mais sofrível ao filho adulto", diz a psicóloga e psicanalista Mariana Cardoso Rodrigues, do Sabará Hospital Infantil, de São Paulo (SP).

É válido destacar que um boletim repleto de avaliações positivas não é garantia alguma de sucesso no futuro. Para se ter uma ideia, Albert Einstein (1879-1955), Steve Jobs (1955-2011) e Bill Gates nunca tiveram destaque em sala de aula, na infância. O que não os impediu, evidentemente, de deslumbrarem o mundo com sua genialidade, anos depois. Segundo Janaína Spolidorio, especialista em consciência fonológica e tecnologias aplicadas à educação, de São Bernardo do Campo (SP), ser um bom aluno ajuda a criança a se desenvolver e a notar realidades que antes não conhecia, mas isso não quer dizer que ela realmente aprenda aquilo que estudou. "O mais importante é fazer a relação dos conteúdos com a vida cotidiana. Não adianta a memorização sem função ativa. Um fator muito importante é a conexão do que se aprende com o que se faz. Saber aplicar conhecimentos é primordial para o sucesso, porque é assim que se percebe oportunidades, que se cria estratégias para boas colocações no mercado de trabalho, que se planeja para ter sucesso na vida adulta", conta.

Tirar boas notas pode ser um bom começo para a construção de uma vida profissional de sucesso, mas não é o único. Bruno Mader, mestre em Psicologia pela UFPR (Universidade Federal do Paraná) e psicólogo do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba (PR), destaca a subjetividade do conceito de sucesso. "Para alguns, sucesso é ter uma família; para outros aproveitar a natureza ou ainda ser feliz. Se estamos falando de uma vida profissional bem-sucedida, o desempenho escolar indica capacidade de organização, de compreensão de temas abstratos, de lidar com a ciência. Se uma pessoa começa a desenvolver essas habilidades quando criança é uma sólida base para as etapas posteriores, como ensino superior ou administrar um negócio. Entretanto, nem sempre as habilidades intelectuais vêm acompanhadas de habilidades sociais", afirma.

Porém, Carla lembra que se considerarmos que a ideia de sucesso na vida adulta é poder usufruir uma vida equilibrada com boa saúde mental, o excesso de cobrança na infância pode ser muito prejudicial. "Como há o risco de a criança se tornar muito autocrítica e perfeccionista, ela pode se tornar um adulto que dedica sua energia de maneira excessiva ao trabalho em busca do sucesso e, com isso, fica mais vulnerável aos efeitos do estresse e da Síndrome de Burnout, por exemplo", avisa.

Outro efeito possível é que as crianças que levam a Síndrome do Bom Aluno para a vida se tornem de fato adultos bem-sucedidos aos olhos das outras pessoas, mas, internamente, não conseguem se sentir satisfeitos e orgulhosos com o que conquistaram, já que tendem a pensar que sempre podem conquistar algo maior. "Nesse caso, ficam mais vulneráveis à depressão", ressalta Carla. "Essas expectativas são geradoras de estresse, que, com uma exposição contínua, pode gerar problemas na autoestima, no estabelecimento de relações de confiança ou mesmo doenças orgânicas, uma vez que o estresse crônico atrapalha o desenvolvimento do sistema imunológico. Como, resultado nós poderemos ter um um adolescente retraído ou um adulto com dificuldades de manter relações sólidas", completa Bruno.

A vida é dinâmica e mutável. Portanto, sempre é possível corrigir uma rota que vem se mostrando dolorosa ou inadequada. Cabe à pergunta: o que os pais deveriam fazer? Para a psicóloga Mariana, administrar expectativas, desejos de bem-estar aos filhos e as diversas maneiras a partir das quais eles de fato se apresentam, em suas singularidades, não é tarefa fácil. "Com relação a seus desempenhos escolares, é importante ter em mente que boas notas talvez digam apenas sobre a compreensão do aluno em relação a determinado conteúdo, mas não além", observa.

É natural que os pais fiquem felizes e orgulhosos quando os filhos vão bem em algumas atividades, mas condicionar o amor através do desempenho é cruel. "E cria na criança a ilusão de que ela só vai ser amada ser for sempre nota 10, o que é impossível", afirma a psicóloga Bete Monteiro, do Instituto Ser Mais, do Rio de Janeiro (RJ). Por isso, é preciso que os pais se comuniquem de forma assertiva e separem as coisas: "o amor é incondicional, mas eles se alegram quando o filho tira uma nota boa e se desagradam quando acontece o contrário", completa. Ela aponta vestígios de modelos antiquados de educação como o mecanismo por trás dessa conduta de cobrança. "Geralmente, manifestamos amor da mesma forma que recebemos. Durante muito tempo a lógica da meritocracia foi impregnada nas famílias como uma forma de educação e esse raciocínio até hoje reverbera nas famílias atuais", observa. Bete aconselha incentivar, acolher e, principalmente, perceber quais são as demandas daquela criança. "Todos nós temos habilidades maravilhosas que só precisam ser percebidas e potencializadas. Às vezes, os filhos fracassam porque estamos empurrando neles um desejo nosso e investindo no lugar errado. Olhe para o seu filho e veja o que ele tem de incrível", sugere. 

E o que uma pessoa que sofreu com a Síndrome do Bom Aluno na infância e se deu conta disso na idade adulta pode fazer? Saber identificar e ter consciência das consequências que sofreu são primeiros grandes passos. "Mas após aceitar que isso aconteceu, não adianta culpar os pais, porque é algo que já aconteceu e provavelmente eles não tinham consciência do que fizeram. A intenção era ajudar, mas não sabiam estimular da maneira correta. Quando adultos, já sabemos melhor como aprendemos e no que temos mais sucesso", salienta a especialista em educação Janaína, que dia ainda que uma boa indicação aos adultos que passaram por essa situação na infância é encontrar algo em que se saiam bem e estudar ou se aperfeiçoar no tema. Não precisa ser algo acadêmico, pode ser algo prático! O importante é perceber que, independente das notas altas ou não, é possível se dedicar a algo com que se importa e que faz bem.

[Com informações do UOL]

"Muitas crianças foram arruinadas para a vida em razão de se exigir demais do intelecto e negligenciar o fortalecimento das faculdades físicas. As crianças e os jovens mantidos na escola e presos aos livros, não podem desfrutar sã constituição física. Deve haver regras que limitem os estudos das crianças e jovens a certas horas, sendo depois uma porção do tempo dedicada ao trabalho físico. E se os seus hábitos de comer, vestir e dormir estiverem em harmonia com as leis físicas, poderão educar-se sem sacrificar a saúde física e mental." (Ellen G. White - Conselhos sobre Saúde, p. 178)

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Dia das Crianças - Qual é o melhor presente?

Roupas, calçados ou brinquedos podem até ser boas opções para presentear os filhos neste Dia das Crianças, mas, em geral, esses mimos, por mais úteis e interessantes que sejam, não impactam de forma profunda a vida deles. Repartir a fé é o melhor presente que podemos dar a nossos filhos.

Estudos indicam que a espiritualidade tem uma relação direta com o desenvolvimento humano. Pesquisas feitas por estudiosos como James W. Fowler, Donna Habenicht, Anne Bell e Alice Lowe, por exemplo, ajudam a compreender como os pequenos lidam com a fé e a encaram, e como é possível, em cada faixa etária, ajudar a criança a desenvolver a vida espiritual. No entanto, é importante considerar que alguns aspectos de cada fase podem se manifestar antes ou depois na vida da criança, dependendo dos estímulos que ela tem.

0-3 anos
Este é um período muito importante para o desenvolvimento da fé. Segundo Ellen White: “As impressões feitas no coração, no princípio da vida, são vistas em anos posteriores. Podem estar sepultadas, mas raras vezes serão removidas” (Manuscrito 57, 1897).

É nesse estágio que a criança tem pré-imagens de Deus, a partir de uma relação de confiança com seu cuidador. Ela entende o amor por meio do cuidado que recebe e desenvolve confiança em Deus ao confiar nos pais.

Nessa etapa, o desenvolvimento físico da criança está a pleno vapor. Como ela está aprendendo a controlar o corpo, suas necessidades físicas interferem no humor e no comportamento. Por isso, um ambiente calmo e uma rotina bem estabelecida contribuem para que a criança aprenda e se desenvolva, inclusive espiritualmente.

Nessa fase, o uso de materiais concretos para ilustrar o ensino é muito importante para a assimilação do conteúdo. Em termos práticos, uma criança de dois anos, por exemplo, terá um aproveitamento mais significativo se o pai utilizar objetos ou imagens para ilustrar a história. Quanto mais os sentidos forem explorados, mais a criança se sentirá motivada a prestar atenção, interagir e aprender.

Nesse estágio, a criança tem um período de atenção curto. Por isso, os momentos de ensino das verdades bíblicas devem ser breves e planejados. As orientações devem ser simples e sem abstrações. Pais que desejam ensinar os filhos a orar, por exemplo, devem mostrar como é a posição de oração (e não apenas explicar como orar), usar ilustrações variadas, sem se cansarem de reforçar o ensino com repetições.

Em geral, as crianças têm certa dificuldade de controlar as emoções nessa fase. Então, é preciso que a educação seja pautada pela busca da obediência e pelo controle emocional. Ellen White escreveu: “Uma das primeiras lições que a criança precisa aprender é a lição da obediência. Antes que fique bastante idosa para raciocinar pode ser ensinada a obedecer” (Educação, p. 287).

Crianças que não obedecem aos pais terão dificuldades para obedecer a Deus.

Entre zero e três anos, a criança tem uma forte tendência a ser egocêntrica. É por isso que os pais não podem perder a oportunidade de estimular a solidariedade e o amor ao próximo. Isso é básico para um bom desenvolvimento cristão. O encorajamento de atitudes de simpatia pelos menos favorecidos e a vivência do evangelho prático são muito importantes.

Nesse período, a criança está desenvolvendo o senso do sagrado, que é base para a futura reverência com as coisas de Deus. Por isso, os pais devem mostrar que a Bíblia é importante e deve ser cuidada e respeitada. O nome de Deus não pode ser pronunciado em vão pela criança ou por seus cuidadores. Os locais de culto, principalmente a igreja, são especiais. Levar a criança com uma roupa adequada para a igreja, não permitir que ela coma dentro do templo ou que brinque com brinquedos da rotina semanal, ajudam-na a adquirir o senso de reverência. A presença nos cultos também é extremamente importante. A criança só vai saber como se comportar na igreja se ela vivenciar essa realidade sempre. Além disso, é importante que a família faça o culto em casa e que as coisas de Deus sejam vistas como sagradas.

4-6 anos
Nessa fase, ocorre uma ampliação entre a comunicação da criança e o adulto, e isso também é sentido no relacionamento com Deus. É nesse estágio que a criança começa a ter suas próprias experiências espirituais, passa a entender por ela mesma que Deus existe e aprende a desenvolver uma comunicação mais direta com Deus por meio da oração. Por isso, um ambiente familiar espiritual é fundamental.

Apesar de gostar de movimento, ela já consegue permanecer sentada por mais tempo na igreja. Porém, ainda precisa de recursos que possam ajudá-la no processo de reverência. Levar uma bolsa para o culto com materiais bíblicos, como livros, revistas e desenhos para colorir, pode ajudar nesse sentido.

Entre quatro e seis anos, em geral, a criança é falante e gosta de aprender novas palavras. Contudo, pode confundir termos e conceitos. Então, os pais devem ficar atentos e corrigir os usos incorretos de expressões que envolvam o vocabulário bíblico. Elas necessitam aprender as verdades dentro do seu próprio nível de ensino e não meias-verdades.

Além disso, nesse período as crianças são curiosas e fazem muitas perguntas. Dessa forma, aproveitar os questionamentos infantis para ter conversas espirituais, fazer comparações entre a vida dos filhos e dos profetas, mostrar como Deus trabalha na vida de outras pessoas e contar pequenas histórias sobre o cuidado de Deus na vida dos pais pode contribuir para que a criança entenda melhor o plano divino para a humanidade.

Em geral, a criança é ciumenta, geniosa e medrosa nessa etapa do desenvolvimento. É preciso ter cuidado para não potencializar medos que são comuns nessa fase. Salientar o cuidado de Deus e não enfatizar o poder do mal é muito importante.

7-10 anos
Este estágio é caracterizado pela avaliação constante entre as palavras e as atitudes dos adultos. Coerência é a palavra-chave. A criança precisa ver atitudes coerentes dos pais em relação ao discurso e prática da fé. É a partir dessa fase que a criança começa a desenvolver uma fé mais abstrata.

Os pais precisam aproveitar todas as oportunidades para estimular o estabelecimento de compromissos com as coisas espirituais. Entretanto, isso só ocorrerá se houver um envolvimento e motivação da família. Esse é o período de estimulação do desenvolvimento dos dons e habilidades a serviço de Deus e do próximo.

Nessa fase, a criança é ainda um pouco literalista. Contudo, consegue, com ajuda, fazer associações mais abstratas, distinguindo o fato da fantasia. Esse é o momento de introduzir ensinamentos doutrinários mais sólidos. Porém, o ensino deve sempre estar adequado à realidade do pensamento infantil. As palavras também devem ser de fácil compreensão.

Nesse período, a criança entende que as histórias da Bíblia são reais e que é possível aplicar os ensinamentos cristãos na vida prática. Esse é o momento de incentivar a leitura de bons livros. A autonomia em relação à devoção pessoal também precisa ser trabalhada.

11-16 anos
Nessa fase, o indivíduo duvida de si, dos pais, da religião e de tudo o que já lhe foi transmitido. Passa por muitas transformações no corpo que evidenciam a chegada da puberdade. Precisa sentir-se amado e acolhido, pois, nesse estágio, vivencia muitos problemas, como baixa autoestima e insegurança.

É fundamental uma religião realista e prática nesse estágio. A atmosfera do lar precisa estar envolvida em assuntos religiosos. Os adultos precisam ajudar os juvenis e adolescentes a encontrar respostas bíblicas para os dilemas da vida. Estudos proféticos ligados aos acontecimentos atuais despertam o interesse desse grupo.

Às vezes, faltam-lhe vocabulário para expressar seus sentimentos. O diálogo e amizade com os pais são fundamentais para amenizar essa dificuldade. Porém, eles não gostam de receber ordens e são sensíveis a críticas. Por isso, precisam ser liderados com amor e firmeza.

Deus entregou a atual geração de crianças e adolescentes em nossas mãos. Seremos capazes de fazer nossa parte? A tarefa dos pais, da comunidade e da igreja não é fácil. Porém, Ellen White escreveu: "Ao procurardes tornar claras as verdades concernentes à salvação, e encaminhar as crianças a Cristo como Salvador pessoal, os anjos estarão ao vosso lado” (O Desejado de Todas as Nações, p. 385).

Que Deus nos capacite a ajudar as crianças a desenvolver os hábitos que nortearão toda a sua experiência religiosa! Um legado de fé é o melhor presente que podemos dar a nossos filhos.

Ariane M. Oliveira (via Revista Adventista)

"Conhecer a Deus é vida eterna. Estais ensinando isto aos vossos filhos, ou lhes estais ensinando a seguir as normas do mundo? Estais vos aprontando para o lar que Deus vos está preparando? Ensinai aos vossos filhos acerca da vida, da morte, e da ressurreição do Salvador. Ensinai-os a estudar a Bíblia. Ensinai-os a formar caráter que viverá pelos séculos eternos. Devemos orar como nunca dantes, para que Deus guarde e abençoe nossos filhos." (Ellen G White - Manuscrito 16, 1895)

O professor Leandro Quadros também tem uma mensagem especial para este dia:

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Batismo de crianças - Qual o momento certo?

Talvez esse não seja um tema fácil de se falar. É possível que as opiniões sejam diversas, contudo, é necessário pensar a respeito deste assunto, e por isso queremos abordá-lo aqui.

Na Igreja Adventista do Sétimo Dia não são realizados batismos de crianças recém-nascidas, mas tem se tornado cada vez mais comum o costume de batizar crianças. Há alguns anos, as crianças na faixa etária de desbravadores eram batizadas, hoje, até os aventureiros têm sido batizados em nossas Igrejas. Isso, particularmente, me preocupa bastante!

As crianças ao longo de seu desenvolvimento vão adquirindo capacidades e conhecimentos que são fundamentais para a aquisição de novas capacidades e conhecimentos. Quando uma criança chega a escola, antes de aprender a fazer cálculos de equações de segundo grau ela precisa aprender a segurar o lápis, a ler e escrever, a somar números simples, só então terá capacidade de fazer algo mais complexo. Da mesma forma, é preciso atingir certo grau de maturidade para se tomar determinadas decisões, e por isso durante um bom tempo os pais tomam boa parte das decisões por seus filhos. Decidir pertencer à Igreja de Deus, e fazer um voto público de aceitação às doutrinas de Sua Igreja é algo bastante sério!! Deve ser feito com bastante entendimento e consciência! Será que as crianças tem capacidade de tomar essa decisão?

O que é preciso para batizar? Minimamente, a pessoa que decide pelo batismo deve entender o que é pecado, o que é salvação e o que é batismo. Entender é diferente de reproduzir algo que lhe foi ensinado. Quando fazemos algumas provas em nossa vida acadêmica decoramos diversas coisas, mas isso não significa que de fato entendemos. Na verdade, muitas vezes não há entendimento, mas mera reprodução de algo que foi ensinado.

Muitas crianças aprendem a dar belas explicações sobre coisas espirituais, mas não compreendem essas coisas que explicam. Com duas ou três perguntas é possível verificar que não há entendimento, ou até mesmo que não há maturidade ainda para este entendimento existir!

Às vezes, o que os pequenos querem é poder comer o pão da santa ceia, ou beber do suco de uva. Outras vezes, querem apenas passar pelas águas batismais porque veem outras crianças fazendo isso. Crianças são assim! Querem fazer o que veem os outros fazendo, e os adultos têm que estar atentos a isso. Ao convidar os homens a aceitar o batismo, Pedro disse: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados” (Atos 2:38). Uma criança que não entende de fato o que é pecado, como poderá se arrepender?

Ellen White diz que o batismo “simboliza arrependimento do pecado e começo de uma vida nova em Cristo Jesus” (Evangelismo, p. 309). Que nova vida as crianças iniciam quando saem do tanque batismal? Veja quão séria é a orientação da serva do Senhor:

“Os pais cujos filhos desejam batizar-se têm uma obra a fazer, já examinando-se a si próprios, já instruindo conscienciosamente os filhos. O batismo é um rito muito importante e sagrado, e importa compreender bem o seu sentido. Simboliza arrependimento do pecado e começo de uma vida nova em Cristo Jesus. Não deve haver nenhuma precipitação na administração desse rito. Pais e filhos devem avaliar os compromissos que por ele assumem. Consentindo no batismo dos filhos, os pais contraem em relação a eles a responsabilidade sagrada de mordomos, para guiá-los na formação do caráter. Comprometem-se a guardar com especial interesse esses cordeiros do rebanho, para que não desonrem a fé que professam. 

A instrução religiosa deve ser ministrada aos filhos desde a mais tenra infância; não num espírito de condenação, mas alegre e bondoso. As mães devem vigiar constantemente, para que a tentação não sobrevenha aos filhos de modo a não ser por eles reconhecida. Os pais devem proteger os filhos por meio de instruções sábias e valiosas. Como os melhores amigos desses seres inexperientes, devem ajudá-los a vencer a tentação, porque ser vitoriosos é quase sempre a sua sincera ambição. Devem considerar que os filhinhos, que procuram proceder bem, são os membros mais novos da família do Senhor, sendo o seu dever ajudá-los com profundo interesse a dar passos firmes na vereda da obediência. Com carinhoso zelo, devem ensinar-lhes dia a dia o que significa ser filhos de Deus e induzi-los a render-se em obediência a Ele. Ensinai-lhes que obediência a Deus implica obediência aos pais. Esse deve ser o vosso empenho de cada dia e de cada hora. Pais, vigiai; vigiai e orai, e fazei dos filhos os vossos companheiros. 

E quando enfim raiar a época mais feliz de sua existência, e, amando de coração a Jesus, desejarem ser batizados, procedei com reflexão. Antes de os fazer batizar, perguntai-lhes se o principal propósito de sua vida é servir a Deus. Ensinai-lhes então como devem começar; muito depende dessa primeira lição. Mostrai-lhes com simplicidade como prestar o primeiro serviço a Deus. Tornai essa lição tão compreensível quanto possível. Explicai-lhes o que significa entregar-se a si mesmos ao Senhor e, ajudados pelos conselhos dos pais, proceder como manda Sua Palavra. 

Depois de terdes feito tudo quanto vos foi possível, e eles revelarem ter compreendido o que significam a conversão e o batismo, e estarem verdadeiramente convertidos, deixai que se batizem. Mas, repito, disponde-vos de antemão a agir como pastores fiéis em guiar-lhes os inexperientes pés no caminho estreito da obediência. Deus tem de operar nos pais para que possam dar aos filhos bom exemplo em relação ao amor, à cortesia, humildade cristã e inteira devoção a Cristo. Se, porém, consentirdes em que os filhos sejam batizados e depois lhes permitirdes proceder como lhes apraz, não sentindo nenhuma obrigação de guiá-los pelo caminho estreito, sereis vós mesmos responsáveis pelo fracasso de sua fé, ânimo e interesse pela verdade.” (Evangelismo, pp. 309-311)

Há uma grande responsabilidade que recai sobre os ombros dos pais desde que um filho nasce. Contudo, fazer um compromisso com Deus através do batismo é uma responsabilidade ainda maior.

Para que a criança tenha suporte no lar para a decisão que está tomando de renunciar ao pecado e viver unicamente para Cristo, é preciso que seus pais vivam essa realidade de renuncia ao eu e ao pecado. Infelizmente, poucos adultos têm feito essa renúncia. Como seus filhos podem tomar decisões conscientes ao lado de Cristo?

Por duas vezes já vi crianças tomarem a decisão de adotar o regime vegetariano e não seguir adiante por falta de apoio dos pais (que eram líderes da Igreja). Sob a desculpa dos pais de que “eu não consigo parar de comer carne” uma decisão importante tomada por estas crianças foi afetada e estas crianças aprenderam que é difícil aderir ao regime que Deus nos orienta a seguir. Este é apenas um exemplo. Há muitas outras lutas da vida espiritual que os adultos ensinam às crianças que são difíceis, quando deveriam ensinar que Cristo nos dá poder para vencer.

Pais que se recusam a abrir mão do eu e dos desejos carnais não estão aptos a se responsabilizarem por crianças que tomam a séria e sagrada decisão do batismo. Nas palavras de serva do Senhor: “Se, porém, consentirdes em que os filhos sejam batizados e depois lhes permitirdes proceder como lhes apraz, não sentindo nenhuma obrigação de guiá-los pelo caminho estreito, sereis vós mesmos responsáveis pelo fracasso de sua fé, ânimo e interesse pela verdade.”

Reflita sobre isso!!!

Texto de Karyne M. Lira Correia

Leia também este artigo do pastor Erton Köhler na Revista Adventista sobre esse assunto

terça-feira, 2 de julho de 2019

Vamos falar sobre adultização infantil

A cada dia, assiste-se o violar da linha do tempo na vida das nossas crianças. Para poucos, é como uma doença que atinge os estágios dos pequenos. Para a maioria, é fato social tido como normal na sociedade pós-moderna.

A adultização, que consiste na adoção de comportamentos não condizentes com a idade da criança, viola a infância. Os estágios da infância essenciais para formação do indivíduo percorrem períodos de 0 a 2 anos, 2 a 7 anos e 7 a 12 anos. Acelerar estas fases significa gerar crianças com mentes adultas inversas às suas faixas etárias. É roubar a sua infância.

Infelizmente, vive-se um grande mal, que fatal e silenciosamente se enraíza em nossa sociedade trazendo graves consequências aos pequeninos, que se estenderão até a fase adulta. É fadado porque não se poderá jamais, em momento algum, voltar no tempo para recuperar a infância que lhes foi roubada.

Todavia, não é puramente a adultização que vem expondo as crianças. Exibi-las a conteúdos inapropriados para suas faixas etárias é também roubá-las de suas infâncias, é apresentá-las à erotização infantil.

E quando agimos de forma a adultizar uma criança?

1. Quando esperamos que ela pense, reaja e se comporte como adulto. Ex.: “Se comporte como mocinha, como um rapazinho!” (Ela não é moça e ele não é rapaz. SÃO CRIANÇAS!). “Que criança comportada, não dá trabalho nenhum, parece um adulto." É excessivamente comum observarmos pais exibindo orgulhosamente a postura precoce de seus filhos; alardeando o quanto são maduros, espertos para a idade, extremamente inteligentes e capazes de dar conta da rotina da escola que é tão exigente. É preciso cautela para não deixarmos passar desapercebido que essas expectativas além da conta podem colocar em perigo o desenvolvimento emocional dos pequenos.

2. Quando pressionamos a criança a ter resultados e quando preparamos a criança para a profissão que ela terá que exercer. Ex.: “Meu filho tem de ser médico, advogado”, “Você tem que tirar 10”, "Você tem que ganhar o campeonato”. Estimular os meninos e meninas a ter responsabilidade com suas atribuições escolares, oferecer-lhes a oportunidade de aprender uma outra língua e proporcionar-lhes a chance de praticar um esporte que favoreça a socialização e contribua para a saúde física, são comportamentos esperados de pais cujo intuito genuíno é garantir condições plenas de desenvolvimento para seus filhos. O perigo se esconde nos excessos. É muito fácil errar a mão na quantidade de atribuições sob o pretexto de preparar seus filhos para a vida.

3. Quando vestimos a criança com roupas de estilo adulto, que não são confortáveis, que não permitem a criança brincar livremente e estimulamos o uso de maquiagens, esmaltes. O doutor Durval Damiami, chefe da Endocrinologia Pediátrica do Instituto da Criança, no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), afirma que “existem relatos de casos de comunidades expostas a produtos químicos nas quais houve registro de puberdade precoce. Chamamos essas substâncias de endocrine disruptors (interferentes endócrinos)”. Explicando melhor, o que está acontecendo é o seguinte: as crianças estão sendo expostas a produtos químicos, encontrados em maquiagem, xampus e loções, entre outros, que desorganizam o sistema endócrino. Pesquisas mostram que estas substâncias ativam os receptores de produção de estrógeno, o que pode provocar o desenvolvimento de mamas e o início da puberdade em meninas. “Muitas meninas começam cedo demais a usar maquiagem, batom”, diz o doutor Durval. “O estímulo visual e erógeno poderia atuar no sistema nervoso central e desencadear a puberdade precoce, mas isso não foi provado cientificamente, são ideias”. Vejam este texto de Ellen G. White: “Frequentemente os pais vestem os filhos com roupas extravagantes, com muita ostentação de ornamento e então admiram abertamente o efeito de seus trajes e os cumprimentam por sua aparência. Esses pais insensatos se encheriam de consternação se pudessem ver como Satanás lhes apoia os esforços e os impele para maiores loucuras" (Orientação da Criança, p. 434).

5. Quando damos responsabilidades incompatíveis com a infância. Ex.: “Seu pai foi embora, você agora é o homem da casa!” Quando exigimos que o irmão (criança) mais velho cuide do mais novo. Quando exigimos que uma criança realize afazeres domésticos pesados para ela. Quando lotamos a agenda da criança com várias atividades/compromissos, sem permitir que ela tenha tempo livre para brincar, inclusive tempo para o ócio saudável.

6. Quando estimulamos o consumo desenfreado. Excesso de brinquedos, de roupas, por exemplo. Assistindo muita televisão durante o dia, as crianças são massacradas pela publicidade, por valores de consumismo. E essa publicidade é covarde, explora a incapacidade da criança de distinguir fantasia de realidade, explora o amor dela por personagens e instiga nela valores como consumismo obscessivo, hipervalorização da aparência, a futilidade e coisas piores.

7. Quando desabafamos nossos problemas para nossos filhos. Eles acabam entrando em contato com sensações e situações que ainda não desenvolveram maturidade emocional para lidar. Decorrente deste peso que as crianças assumem sem estar preparadas, aparecem casos de doenças, que, antes destas mudanças culturais, eram características dos adultos, como por exemplo: colesterol, hipertensão, estresse, ansiedade, depressão, insônia, entre outras. Sendo assim, para evitar estes problemas, a criança precisa ter tempo para estudar, descansar e principalmente brincar com outras crianças.

8. Quando permitimos que as crianças tenham suas Redes Sociais, assistam programas de TV, canais do youtube não recomendados para a idade (mesmo os programas com classificação livre, selecione bem!). O impacto nas crianças da sexualidade escancarada que se vê em revistas, filmes, internet e na televisão é violento. Alguns pesquisadores defendem que as crianças têm sido expostas a estímulos sexuais e, de algum modo, isso pode levar o cérebro a desbloquear a puberdade, que passa a ocorrer mais cedo. A psicóloga Mônica Flügel Hill destaca que “os pais protegem os filhos dos perigos das ruas, deixando-os supostamente seguros em casa com a televisão e a internet fazendo o papel de babás. Esquecem, porém, que esses meios não possuem um filtro adequado e que todo o conteúdo deve ser controlado por eles”. Porém, ela faz uma ressalva interessante: “A mídia, ou seja, os meios de comunicação, não são os únicos responsáveis por essa geração de meninas moças. Seu peso é grande, sim, mas os estímulos recebidos pela TV, por exemplo, são muitas vezes reforçados por pais que não colocam limites”.

9. Quando alimentamos mal e escolhemos erroneamente os alimentos para as nossas crianças. Estamos acompanhando, assustados, o problema crescente da obesidade infantil e o papel que isso pode ter no início da puberdade. Algumas meninas acima do peso entram na puberdade mais cedo, porque o excesso de células adiposas provoca a liberação do hormônio leptina, que afeta o amadurecimento.

Tudo isto pressiona a criança a adentrar no mundo do adulto, sem que ela tenha maturidade emocional, física, cognitiva e psíquica. Os prejuízos podem ser devastadores, levando à insegurança, dificuldades e conflitos na adolescência e vida adulta.  

O artigo 3º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) preconiza que as crianças gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, e, como protagonistas sociais em evolução, carecem de atenção e extremo cuidado. Um subproduto de adulto não é uma criança, e sim, um ser humano “coisificado”. Transformá-los em adultos é cortar pela raiz de cada uma o direito de descobertas que moldarão o seu caráter e que lhes farão verdadeiros sujeitos de transformação.

Clamamos à sociedade: Não tirem de nossas crianças o direito de serem crianças, de rirem, brincarem e viverem a inocência, permitam-nas que sejam e vivam apenas como crianças. Não roubem sua infância, não violem seus estágios de vida.

Fontes: Leiliane Rocha (via instagram do Bonita Adventista) | Márcia Ebinger (via Revista Destaque) | Rogéria Santos (via PRB) | Bruna Ramos (via Portal EBC) | Ana Macarini (via Conti Outra)

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Os traumas de infância e os reflexos na saúde mental

Há muito tempo a saúde mental ficou no escuro. Devido ao estigma associado ao tema, ele se tornou um tabu social. Porém, nos últimos anos os defensores da saúde mental têm trabalhado arduamente para trazer esse tópico aos olhos do público. Celebridades, atletas e outras figuras públicas estão, pela primeira vez, revelando seus problemas emocionais.

Reconhecendo a saúde mental como um tema importante, nós, como sociedade, somos capazes de entender as questões e preocupações em um sentido mais profundo. Além disso, podemos trabalhar para oferecer apoio e assistência àqueles que sofrem de doença mental.

Em uma apresentação recente à Associação Adventista de Pesquisadores de Assuntos Humanos (AHSRA, na sigla em inglês), David Williams, professor de saúde pública e sociologia na Universidade Harvard, reforçou que a saúde mental é uma parte importante da saúde geral, ênfase que os adventistas têm dado ao longo de sua história.

Outro ponto enfatizado por ele foi que muitos problemas de saúde têm origem nas Experiências Adversas na Infância (ACEs, na sigla em inglês), decorrentes de abuso psicológico, físico ou sexual; negligência emocional ou física; uso de álcool ou drogas pelos pais, perda de alguém, depressão, violência doméstica ou a prisão de um familiar.

Um estudo publicado em 2016 no American Journal of Preventive Medicine mostrou que, embora mais da metade (52%) das crianças e adolescentes norte-americanos cheguem aos 17 sem sofrer experiências traumáticas, 25% deles enfrentam pelo menos uma experiência adversa na infância. Ainda mais preocupante foi a constatação de que quase o mesmo número (23%) experimenta dois ou mais episódios.

A mesma pesquisa revelou que, quanto mais ACEs a criança experimenta, maiores são as chances de se tornar uma pessoa deprimida quando adulta. Na verdade, as crianças que sofrem cinco ou mais experiências traumáticas têm cinco vezes mais probabilidade de apresentar depressão na fase adulta do que aquelas que não experimentam nenhuma.

No entanto, a adversidade da infância não está associada apenas a futuros problemas de saúde mental, mas também a complicações físicas. Pesquisas mostram que crianças que experimentam cinco ou seis ACEs são quase duas vezes mais propensas a sofrer doenças cardíacas do que crianças que não experimentam ACEs. Por sua vez, aquelas que sofrem sete ou oito ACEs são quase três vezes e meia mais propensas a sofrer doenças cardíacas do que as que não passaram por grandes traumas na infância.

Por outro lado, estudos adicionais revelaram que o apoio emocional e instrumental na infância está associado à menor desregulação biológica na meia-idade. Além disso, experiências positivas na infância estão indiretamente associadas à saúde cardiovascular ideal, por meio da educação e do apoio social.

Como a igreja pode responder a tudo isso? O doutor Williams acredita que um “ministério de saúde abrangente deve incluir a promoção da saúde mental como parte de uma vida abundante”. Não podemos simplesmente nos concentrar em ministrar à saúde física das pessoas e negligenciar sua saúde mental.

Embora não possamos desfazer o dano causado no passado, podemos “transformar nossas comunidades religiosas de fontes de conflito e crítica em fontes de amor, alegria, encorajamento e esperança”, conforme sugere o professor Williams. Ele acredita que, ao fazer isso, criamos um lugar seguro para aqueles que estão desesperadamente necessitados de salvação, amor e cura.

Como igreja, é hora de remover o estigma associado à doença mental. Precisamos abrir nossas portas para os necessitados e mostrar-lhes o amor transformador e a bondade de nosso Deus. 

[Equipe do Escritório de Arquivos, Estatística e Pesquisa da sede mundial adventista / publicada no site da Adventist Review / via Revista Adventista]

“As impressões feitas no coração, no princípio da vida, são vistas em anos posteriores. Podem estar sepultadas, mas raras vezes serão removidas” (Ellen G. White - Manuscrito 57, 1897).

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

8 razões para proibir smartphones para crianças até 12 anos

Embora às vezes possamos pensar que proibir os smartphones para crianças possa ser uma medida um pouco exagerada, há fortes argumentos que indicam que pode ser o melhor para elas. Antes, a maior preocupação era que as crianças passassem muitas horas na frente de uma televisão; mas agora, eles até dormem com seus celulares.

Alguns especialistas na área dizem que o telefone celular pode ser prejudicial a elas, e até enfatizam que bebês e crianças pequenas usam tablets e smartphones, quando eles só poderiam começar a interagir com a tecnologia depois de 2 anos e não antes. Aqui explicamos 8 razões para banir smartphones para crianças e bebês:

1. Desenvolvimento do cérebro
Como o cérebro é exposto ao uso excessivo de tecnologias, isso pode acelerar seu crescimento, especialmente em bebês entre 0 e 2 anos de idade. Isso resultaria em problemas como déficit de atenção , atrasos cognitivos, problemas de aprendizado, aumento da impulsividade e falta de autocontrole. O uso do celular em uma idade jovem pode causar problemas no desenvolvimento do bebê.

2. Excesso de radiação
A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica os telefones móveis como um risco para crianças e até adultos, porque emite muita radiação. As crianças, neste caso, são mais sensíveis a esses agentes, o que aumenta o risco de contrair doenças como o câncer.

3. Doenças mentais
Vários estudos revelaram que o uso excessivo de novas tecnologias está aumentando consideravelmente a taxa de depressão e ansiedade infantil, transtornos de apego, déficit de atenção, transtorno bipolar, psicose e outros problemas de comportamento infantil. Tudo isso também está ligado a outros fatores, como redes sociais, onde as crianças são frequentemente propensas ao cyberbullying.

4. Comportamento agressivo
Com as novas tecnologias, as crianças são mais propensas a receber conteúdo violento e agressivo , o que pode alterar seu comportamento. Devemos lembrar que as crianças imitam tudo o que vêem, o que torna ainda mais perigoso receber qualquer tipo de conteúdo sem verificação. Portanto, os pais devem estar muito atentos ao que os filhos fazem na internet.

5. Alterações no sono
Especialistas indicam que os pais que não supervisionam o uso da tecnologia de crianças, muitas vezes têm filhos que têm mais dificuldade em adormecer, devido ao uso de telefones celulares durante a noite. Essa falta de sono afetará muito seu desempenho acadêmico e sua saúde.

6. Déficit de atenção
O uso excessivo de tecnologia também pode causar déficit de atenção em crianças, bem como diminuir sua interação com outras crianças ou pessoas . Também pode reduzir a concentração e a memória das crianças, porque a velocidade do conteúdo afeta você.

7. Obesidade infantil
O uso de tecnologias geralmente envolve um estilo de vida sedentário, e esse é um problema que está aumentando notavelmente nos lares. A falta de atividade faz com que as crianças sofram de obesidade e isso causa doenças como diabetes, problemas vasculares ou cardíacos.

8. Vício infantil
Alguns estudos concluem que um em cada 11 jovens de 8 a 18 anos é viciado em novas tecnologias, um número muito alarmante e que com o passar dos anos pode aumentar. Toda vez que crianças usam um dispositivo eletrônico, elas são separadas mais de seus pais, familiares e amigos.

Quando as crianças e adolescentes podem usar smartphones?
A Associação Pediátrica Japonesa iniciou uma campanha para banir smartphones para crianças, sugerindo que os pais exercitem o controle e façam mais jogos recreativos com elas. Por sua parte, a Academia Americana da Sociedade Canadense de Pediatria revelou que bebês de 0 a 2 anos de idade não devem usar a tecnologia, enquanto as crianças de 3 a 5 anos devem usar no máximo até uma hora por dia. Finalmente, para aqueles com 6 a 18 anos de idade, o uso deve ser de no máximo 2 horas por dia.

Devemos conhecer os danos que as novas tecnologias podem causar às crianças e jovens. É difícil evitar usá-las, porque eles praticamente nasceram com eles, mas você pode evitar usá-las em excesso afinal isso pode causar-lhes danos. É importante que eles não substituam o tempo de brincadeira com os pais ou a leitura de um livro.

Tradução feita pela CONTI outra, do original de EresMama

Nota: Cabe neste contexto desafiador alguns importantes conselhos deixados por Ellen G. White:

"Os divertimentos emocionantes de nosso tempo mantêm a mente de homens e mulheres, porém mais especialmente da juventude, numa febre de agitação, que lhes consome a reserva de vitalidade numa medida muito maior que o estudo e os trabalhos físicos, e cuja tendência é amesquinhar o intelecto e corromper a moral." (Mensagens aos Jovens, p. 373)

"Para que as crianças e os jovens tenham saúde, alegria, vivacidade e músculos e cérebro bem desenvolvidos, convém que estejam muito ao ar livre, e tenham ocupação e recreação bem equilibradas." (Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, p. 83)

"Ensinai vossos filhos a raciocinar da causa para o efeito; mostrai-lhes que, se violarem as leis de seu ser, como consequência sofrerão doenças. Se com vossos esforços não puderdes ver melhora especial, não desanimeis; instruí pacientemente 'mandamento sobre mandamento ... regra sobre regra ... um pouco aqui, um pouco ali.' Prossegui até alcançar a vitória. Continuai a ensinar vossos filhos quanto ao próprio corpo, e como dele cuidar. A imprudência em relação à saúde física leva à imprudência no caráter moral." (Testimonies for the Church 2, p. 536, 537)

"Mas é necessário haver grande temperança nas diversões, bem como em qualquer outra ocupação. E o caráter desses entretenimentos deve ser cuidadosa e cabalmente considerado. Todo jovem deve perguntar-se a si mesmo: Que efeito terão essas diversões na saúde física, mental e moral? Ficará meu espírito tão absorvido que me esqueça de Deus? Deixarei de ter em mente a Sua glória?" (O Lar Adventista, p. 512)

"Todas as energias de Satanás são postas em operação para prender a atenção em diversões fúteis, e ele está conseguindo seu objetivo. Está interpondo seus artifícios entre Deus e a pessoa. Ele forjará divertimentos a fim de impedir os homens de pensarem a respeito de Deus. O mundo está de contínuo sedento de alguma novidade; quão pouco tempo e pensamento, no entanto, se dedicam ao Criador dos céus e da Terra!" (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 456)

"Os jovens geralmente se conduzem como se as preciosas horas da graça, enquanto a miséria se estende, fossem um grande feriado e eles tivessem sido postos no mundo meramente para entretenimento próprio, para fruir uma contínua sucessão de incitamento. Satanás tem feito esforços especiais para induzi-los a buscar a felicidade em diversões mundanas, e justificar-se procurando mostrar que esses divertimentos são inofensivos, inocentes, e mesmo importantes para a conservação da saúde." (Conselhos para a Igreja, p. 167)

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Criança mimada é falta de educação, sim. E a culpa é dos pais.

Estamos criando uma geração de crianças mimadas, mal educadas e que não sabem ouvir um “não” sem agir como se seu mundo tivesse acabado. Elas não possuem uma educação emocional saudável e, por isso, não sabem lidar com as frustrações que a vida coloca em seu caminho.

E, por mais que seja difícil de aceitar, na grande maiorias das vezes, a culpa é dos pais, que não são preparados para a responsabilidade de criar uma criança, como todas as nuances que esse trabalho apresenta.

A psicóloga Laurema Suckow de Castro acredita que essa geração de “crianças mimadas” está se formando influenciada por diversas mudanças que estamos vivendo nos âmbitos social e econômico.

“O pais e as mães estão muito mais ausentes, trabalhando muito. As crianças ficam muito ligadas a aparelhos tecnológicos, com pouco contato com a família. Isso desencadeia um comportamento social sem muitos limites”, diz.

Para compensar a falta que fazem, os pais acabam desencadeando um comportamento vicioso. Eles oferecem bens materiais para os filhos e evitam repreendê-los, já que a culpa da ausência já dói demais. Os filhos, por outro lado, ficam confusos e muitas vezes se aproveitam da culpa dos pais para ganho próprio e agem sem nenhuma consideração e respeito, comportamentos que permanecem até a vida adulta, influenciando diretamente em sua qualidade de vida.

“Uma criança mimada é uma criança que tem baixa tolerância à frustração. Não sabe ouvir um não e não consegue se comportar bem socialmente (…) Esse “não consegue” passa pela questão da criança saber que os pais não vão repreendê-la em um lugar público, por isso acaba colocando a família em situação constrangedora”, explica Laurema.

Como lidamos com essa situação?
É muito complicado saber o que fazer em determinadas situações. Sempre temos as melhores intenções no coração, mas colocá-las em prática pode ser mais complicado do que parece. Por mais que desejemos ser amigos de nossos filhos, em alguns momentos temos que ser pais de verdade, ser firmes e tomar decisões que não nos agradam.

Precisamos estabelecer limites, compreendendo que eles são fundamentais para formar o caráter de nossos filhos e que a educação é melhor herança que podemos deixar para eles.

Apesar de parecer simples, muitos pais não conseguem estabelecer limites saudáveis para os filhos e acabam colocando essa responsabilidade para os outros, escolas, especialistas, o que não é certo. É uma habilidade que precisam desenvolver, porque crianças precisam de limites colocados pelos pais. A função dos pais não é apenas dar amor e carinho, é também educar.

Laurema comenta que está cada vez mais comum os pais encontrarem explicações científicas para os comportamentos mimados de seus filhos, diagnosticando-os como hiperativos e explica que há uma grande diferença entre as duas coisas:

“Há diferenças grandes entre uma criança com alguma síndrome e uma criança sem educação, sem limites. Os pais não podem confundir. Na dúvida, é importante buscar orientação.”

Além disso, também oferece dicas especiais para lidar com as crianças mimadas e manhosas:

- Tenha controle da situação. Lembre-se: quem sabe o que é melhor para as crianças são os adultos e não elas.

- Seja firme. Não volte atrás em uma decisão. A criança precisa confiar e sentir-se segura com a decisão do adulto.

- Não sofra. Saiba que dar limites é positivo para a criança. Uma criança mimada é manipuladora e sabe o “ponto fraco” dos pais. Não caia no jogo.

- Fuja do consumismo. Não tente compensar o tempo que você passa fora com presentes. O que vale é a qualidade do tempo também, portanto, presentes, só em datas especiais

- Dê tarefas para que as crianças cumpram, de acordo com a idade e maturidade delas. Estimule a independência.

- Faça combinados e mantenha as regras. Antes de sair de casa para um passeio, lembre os acordos da família: nada de birra, manha ou pedir para comprar alguma coisa. Não dá para fazer tudo o que as crianças querem, isso prejudica um crescimento saudável!

Katia Michelle (via Gazeta do Povo)

"Nesta época rebelde, os filhos que não receberam a devida instrução e disciplina, têm bem pouca compreensão de sua obrigação para com os pais. Dá-se muitas vezes que, quanto mais os pais fazem por eles, tanto mais ingratos são, e menos os respeitam. As crianças que foram mimadas e servidas, esperam sempre isto; e caso sua expectativa não se realize, ficam decepcionadas e perdem o ânimo. Essa mesma disposição se manifestará através de toda a sua vida; serão impotentes, dependendo do auxílio de outros, esperando que outros os favoreçam, e lhes façam concessões. E caso encontrem oposição, mesmo depois de atingirem a idade adulta, julgam-se maltratados; e assim atravessam penosamente o caminho pelo mundo, mal sendo capazes de levar as próprias cargas, murmurando e irritando-se frequentemente porque tudo não vai à medida de seus desejos." (Ellen G. White - O Lar Adventista, p. 293)