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quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

REPUTAÇÃO DA IGREJA

Observe estes dois textos escritos por Ellen G. White: 
 
“Caso o povo de Deus mostrasse genuíno interesse em seu próximo, muitos seriam alcançados pelas verdades especiais para este tempo. Coisa alguma dará, ou jamais poderá dar reputação à obra, como ajudar o povo indo ao seu encontro onde se acham” (Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 518).

“Ele sacrificou sua nobre liberdade varonil e se tornou um servil escravo da opinião pública. [...] Convicto como estivesse do valor dos conselhos dados por Jeremias, não tinha a energia moral para obedecer; e como consequência avançou firmemente na direção errada” (Profetas e Reis, p. 458).

Essas duas citações estão em contextos diferentes, mas, de certa forma, tratam da mesma questão de fundo. A primeira diz respeito ao que efetivamente contribui para estabelecer uma boa reputação para a Igreja Adventista do Sétimo Dia. A última se refere ao imprudente rei Zedequias, pouco antes do exílio babilônico, e à sua incapacidade de cumprir a vontade divina, preferindo satisfazer a opinião pública. 

Segundo especialistas, a reputação de uma organização está relacionada ao que se percebe a partir do comportamento da instituição ou de pessoas ligadas a ela. José Carlos Thomaz e Eliane Brito afirmam que “a reputação corporativa se desenvolve ao longo do tempo e é resultado de interações repetidas e de experiências acumuladas nos relacionamentos com a organização. [...] Considera-se, ainda, que a reputação corporativa emerge e é determinada pelas imagens principais ou percepções de uma empresa, comunicadas rotineiramente pela empresa e percebidas pelos seus vários públicos” (Comunicação Corporativa: Contribuição para a Reputação das Organizações”, Organicom – Revista Brasileira de Comunicação Organizacional e Relações Públicas, ano 4, n. 7, p. 143).

Portanto, a forma pela qual a Igreja Adventista é vista depende do tipo de relacionamento que as pessoas interessadas têm com ela. Seja por meio de um contato nas redes sociais da denominação, uma visita a uma congregação ou mesmo por meio da convivência com um membro da igreja. Essa experiência vai compor a percepção que se tem sobre os adventistas e, em última instância, sua reputação. 

Nas redes sociais, pastores e membros contribuem, direta ou indiretamente, para tornar melhor ou pior essa reputação. E isso ocorre de acordo com o que postam ou compartilham. Em última instância, querendo ou não, todos os membros da igreja são representantes da denominação perante os públicos com os quais se relacionam. Por isso, alguns cuidados são válidos ao interagir nas redes sociais: 

Coerência. Ellen G. White ensina que a reputação da igreja está relacionada ao cumprimento da missão adventista. Na prática, isso significa que, quando um membro ou pastor posta algo nas redes sociais, deve ser consciente da necessidade de demonstrar claramente os princípios nos quais afirma acreditar. Desse modo, eles efetivamente pregam o evangelho. Em contrapartida, ao agir de forma preconceituosa, desrespeitosa, hostil ou condenatória, eles acabam depreciando a imagem do evangelho. A melhor forma de pregar nas redes sociais é exaltar as verdades das Escrituras, em vez de criticar os conceitos e ensinos divergentes da cosmovisão bíblica. 

Respeito. Alguém que procura uma congregação adventista geralmente o faz por entender que nela encontrará um ambiente acolhedor, amistoso e benéfico para sua vida. O visitante espera também contar com certa privacidade enquanto frequenta o local. Entretanto, a empolgação típica de nossos dias no mundo virtual faz com que, muitas vezes, o desejo de realizar a primeira postagem sobre a presença de alguém conhecido do grande público em uma programação da igreja gere incômodo à pessoa que só queria ir a um culto e nada mais. Fotos, vídeos e textos sobre tais visitantes precisam passar pelo crivo do bom senso, do respeito à imagem e do direito à privacidade. 

Críticas. Criticar uma organização para que ela corrija seus erros é algo muito importante. Contudo, essa atitude deve ser feita de maneira correta e no ambiente apropriado. A crítica pública, feita por pastores e membros nas redes sociais, pode parecer uma ótima contribuição, mas, efetivamente, não é. Geralmente, essa conduta alimenta raiva, promove discussões infindáveis e poucas vezes resulta em mudanças na organização. 

Quer ajudar a Igreja Adventista a ter uma boa reputação? Excelente! Então, seja um bom usuário das redes sociais. Pense antes de postar, avalie o tipo de mensagem que deseja compartilhar, que alcance isso terá e qual será o objetivo. Pese os prós e contras de sua manifestação pública, porque depois que algo é postado, é impossível anular suas consequências. E estas, muitas vezes, prejudicam a imagem da igreja da qual você e sua família fazem parte.

Felipe Lemos (via Revista Ministério)

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

1 milhão de seguidores no Tik Tok

Foi no meio de um culto que tudo começou. A adolescente Jey Reis, de 17 anos, já usava seu Instagram para falar de Jesus a amigos, mas o pregador daquele dia deu uma dica preciosa: “O aplicativo Tik Tok foi o mais baixado no ano de 2019!”, citou, quando falava sobre a influência das mídias digitais. Jey acredita que o Espírito Santo tocou o seu coração ali mesmo.

Desde então, seu canal já alcançou a marca de 1 milhão de seguidores. Os mais de 300 vídeos têm o objetivo exclusivo de falar de Jesus e já receberam mais de 22 milhões de curtidas. A Agência Adventista Sul-Americana de Notícias conversou com a Jey Jey, como é chamada das redes sociais, que contou sobre o processo e os resultados dessa iniciativa.

O que motivou você a iniciar vídeos no Tik Tok com uma abordagem cristã para jovens e adolescentes?
Atualmente, o Tik Tok tem mais de 1,5 bilhões de usuários. Em Marcos 16:15, Jesus diz: “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” Onde mais poderíamos ir para alcançar todo mundo se não em um lugar onde estão mais de 1,5 bilhões de pessoas? Eu acredito que a internet é um púlpito para a pregação do evangelho.

Como você define os temas e a forma como serão os vídeos? Você conversa com alguém, lê algo ou se inspira em algum outro influencer?
Meus vídeos são bem variados. Tenho vídeos pregando, dublando, vídeos musicais e comédia. Mas sempre com a temática cristã. Para me embasar no que vou falar, sempre busco a inspiração do Espírito Santo e, claro, estudo a Bíblia. Tenho uma rotina de estudo diário, pesquiso bastante na internet e sempre converso com meus pais sobre vários temas. Dessas conversas, saem as melhores ideias pra os meus vídeos.

Como você faz para administrar a reação de adolescentes que enxergam em você uma referência?
A coisa mais importante do que eu faço é saber que nada do que eu tenho é para a minha glória. É tudo dado por Deus, para a honra e glória dEle. Eu sou uma influenciadora que é completamente influenciada por Jesus. E, assim, busco a cada dia ajudar meus seguidores a se aproximarem mais dEle como um amigo.

Fale de alguma experiência de alguém que viu seus vídeos e resolveu fazer um ministério também deste tipo.
Diariamente, recebo mensagens de muitas pessoas me contando que as influenciei a falar de Jesus nas redes sociais. Inclusive, vários pastores! Fico muito feliz sabendo que o meu ministério inspira o início de outros ministérios.

Veja as postagens da Jey Reis no Instagram:

Com informações da ASN

quarta-feira, 1 de julho de 2020

3 dicas para fugir das "tretas" na internet

Precisamos falar sobre a mansidão. Talvez nenhum outro assunto seja tão relevante hoje em dia. A impressão que tenho é que o ódio prevaleceu. É irônico perceber isso agora, quando nunca tivemos tanta oportunidade de aproximação entre as pessoas em qualquer época anterior. A web surgiu como uma chance de confraternização de fato. Barreiras seriam quebradas, preconceitos seriam superados, o respeito e a tolerância ditariam uma nova era. O discurso era incrível. Mas a realidade provou que era apenas uma utopia, uma miragem no deserto de ódio e ressentimento que nos envolveu a todos. E no qual corremos o perigo de achar que esse estado de indelicadeza é normal.

Sinto um certo espanto quando vejo o perfil de amigos antigos em uma ou outra rede social. O trato doce e educado de alguns, que tanto admirava, cedeu espaço ao cinismo. A defesa de ideais, que antes era marcada pela paixão, hoje se manifesta nas redes sociais com a arrogância de quem se imagina ter uma espécie de opinião suprema. Se antes a defesa da fé ocorria na esteira da cordialidade, hoje prevalece um evangelismo autoritário, repressivo, teclado em computadores ou smartphones tendo como combustível uma ironia depreciativa.

A mesma plataforma que definiu a liberdade plena para expressar a minha opinião é a que uso para reprimir uma opinião contrária à minha. Os limites não ficam claros entre a liberdade de expressão e a liberdade de repressão. Em meio a isso, todos parecem ter uma opinião sobre tudo. Todos falam. Pouquíssimos escutam. E os que falam usam as palavras não como argumentos, mas como instrumentos de violência gratuita. 

Lembro de Walden, livro do escritor Henry David Thoureau. Walden é ensaio biográfico e relato de uma experiência social. Transtornado pela corrosão das relações na sociedade norte-americana, sob imensa influência da industrialização e crescente urbanização, Thoureau, então com 28 anos, decide viver no bosque. Isolado do mundo. Redescobrindo a vida e o sentido de humanidade. “Temos de aprender a redespertar e nos manter despertos, por uma infinita expectativa da aurora”, afirmou. Eu também busco uma aurora. E é no desejo por ela que muitas vezes também prefiro o silêncio.

Acredito que não é preciso uma experiência tão radical para superar esse estado de intolerância. Mas para que a superação aconteça, é preciso viver a mansidão, como fruto do Espírito. O apóstolo Paulo definiu a mansidão como uma vocação cristã, que precisa ser exercida com humildade, delicadeza e compreensão mútua (Efésios 4:2). Como chegar a este modelo de conduta em um mundo dominado pela provocação? A escritora e educadora Ellen G. White escreveu algo formidável a esse respeito: “O espírito que se conserva manso em face da provocação, dirá mais em favor da verdade, do que o fará qualquer argumento, por mais vigoroso que seja” (O Desejado de Todas as Nações, p. 353).

Como praticar a mansidão em plena era digital? Como dito acima, a mansidão é fruto do Espírito, e como tal precisa ser cultivado. Eu tento seguir três atitudes. Mentiria se dissesse que é uma composição fácil. É algo difícil e que precisa ser praticado, até mesmo incluído em momentos de meditação e devoção. Mas quero compartilhar com você, e espero sinceramente, se você também busca viver a mansidão, que o ajude. São eles:

1. Você não precisa ter opinião sobre tudo, muito menos expressá-la na velocidade preconizada pelas redes
As possibilidades da comunicação digital permitiram que todos nós, repentinamente, tivéssemos opinião formada sobre qualquer coisa. De um momento para outro, viramos todos especialistas. Política, religião, comportamento, ciência, economia, geopolítica, teologia, sexualidade, medicina, direito, criminalidade, justiça, punição, vida, morte. Qualquer que seja o assunto, todos têm uma opinião a respeito. E essa opinião é resultado não de profunda análise, muito menos do estudo, mas do desejo de pertencer, de ser aceito, ou de superar inseguranças com um posicionamento. E também porque a informação é fácil e abundante. E essa é também uma ironia: o excesso de informação leva ao excesso de opinião, e esse é o caminho largo para a desorientação. Não se sentir obrigado a participar de uma conversa pode ajudá-lo a colaborar de forma mais íntegra com esta mesma conversa. Você pode explorar o silêncio para ouvir mais. E pode expor sua opinião com calma, sem o apelo do comentário em “tempo real”.

2 – Você não precisa ter sempre razão
A base da intolerância é a necessidade de ter razão sempre, de não dar o braço a torcer. Este é um sintoma bem específico desses tempos digitais. As discussões não se cruzam, porque estão em linhas paralelas. Mais do que ajudar o outro, o interesse é superar um embate. Mágoas, remorsos e até mesmo ódio se multiplicam quando o que está em jogo é apenas defender o seu ponto de vista, por melhor que ele seja. O pastor Donald Miller, autor de Como os pinguins me ajudaram a entender Deus, tomou uma decisão a esse respeito que considero inspirada. Falando acerca de discussões sobre crença, ele escreveu: “Meu mais recente esforço de fé não é do tipo intelectual. Eu realmente não faço mais isso. Mais cedo ou mais tarde você simplesmente descobre que há alguns caras que não acreditam em Deus e podem provar que ele não existe e alguns outros caras que acreditam em Deus e podem provar que ele existe – e a esse ponto a discussão já deixou há muito de ser sobre Deus e passou a ser sobre quem é mais inteligente; honestamente, não estou interessado nisso.”

3 – Desenvolva uma comunicação compassiva
Marshall Rosenberg, doutor em psicologia clínica da Universidade de Wisconsin e estudioso da comunicação não-violenta, afirma que grande parte dos desentendimentos entre as pessoas pode ser amenizada ou mesmo evitada com o emprego da “linguagem da compaixão”. Segundo ele, esse é um processo de comunicação que promove o respeito, a atenção, a empatia e gera o mútuo desejo de entrega a uma vida em favor do outro.

Um grande desafio que temos hoje em dia é negligenciar uma cultura que celebra resultados individuais acima da saúde das relações coletivas. A cultura digital é alimentada pela cultura do indivíduo, aquele que consegue mais cliques, mais flashes, mais compartilhamentos, mais capacidade viral. Penso que esse egocentrismo é o alimento para um estado de distorção muito comum hoje em dia, que é a incapacidade de auto-crítica. Uma cultura que apenas aplaude nos deixa tão despreparados para observar nossos erros que censuramos qualquer avaliação de nossas opiniões que não seja a aceitação. A agressão resultante é apenas uma consequência.

Um espírito manso é capaz de progredir em pessoas capazes de negar sua própria importância. Lembro de Paulo, mais uma vez: “Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus” (Atos 20:24).

Heron Santana (via Igreja Relevante)

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Filmes, Internet e a Igreja: o que precisamos entender

O objetivo principal deste artigo é discutir como os filmes podem ser uma ferramenta importante para a Igreja compartilhar o evangelho.

Assistir a filmes é uma questão sensível para muitos cristãos. Alguns rejeitam todo tipo de filme, e há outros que não rejeitam filmes de nenhum tipo. Isso não significa que não haja padrões para um cristão quando se trata de filmes, mas indica que é necessário equilíbrio e discernimento quando o assunto é esse[1].

Os filmes são um meio poderoso de comunicação e têm um profundo impacto na cultura. Histórias contadas por meio de filmes podem capturar nossa atenção e estimular nossa imaginação como nenhuma outra mídia faz. Assistir a um filme é diferente de estar em um museu observando uma obra-prima. Eles têm imagens e sons dinâmicos que captam os nossos sentidos de uma forma que perdemos a percepção do mundo à nossa volta.

Os filmes facilitam a memorização de histórias e simplificam a compreensão de conceitos complexos ou abstratos. Anos depois de assistir a um filme é possível lembrar dos detalhes que mais nos impactaram e recontar a mesma estória[2]. Além disso, eles também têm o poder para influenciar o comportamento das pessoas para o bem ou para o mal. Alguns dos roubos e crimes mais elaborados da atualidade foram inspirados em filmes[3]. Sendo assim, se os filmes apresentam essa capacidade tão grande de influência, será que também podem ser eficazes no ensino de valores morais e espirituais?

Crescimento do consumo de filmes
Foi a partir de 1950 que os aparelhos de TV se popularizaram e se tornaram parte essencial da mobília das casas. Desde então, o consumo de filmes cresceu como parte do cotidiano de bilhões de pessoas. Mais recentemente, com o surgimento da Internet e dos smartphones, o número cresceu ainda mais. Isso porque agora podemos carregá-los na palma da mão e escolher onde e quando queremos assistir. Estima-se que um americano assiste, em média, s 5.000 filmes em toda sua vida, mas esse número está em crescimento[4]. Acredita-se que até 2024, os conteúdos nesse formato vão consumir 74% de todo o tráfego da Internet e até 2028 o consumo de vídeos crescerá seis vezes mais[5].

De acordo com o IMDB, desde 1900 havia uma média de 2.577 filmes produzidos por ano em todo o mundo, mas na última década esse número mais que triplicou chegando a 9.387 filmes por ano. Porém, isso ainda não captura o incrível crescimento que está ocorrendo na indústria com a chegada da Internet e mais filmes sendo produzidos apenas para o meio digital[6].


Gráfico: Crescimento mundial na produção de filmes

Filmes e a Igreja Adventista
Logo que indústria cinematográfica iniciou, cristãos viram nessa mídia uma oportunidade para compartilhar o evangelho. O primeiro filme cristão produzido foi o The Manger to the Cross or Jesus of Nazareth, em 1912 e que foi filmado no Egito e na Palestina retratando a história de Jesus[7] . O primeiro filme da Igreja Adventista no mundo, não se sabe ao certo qual foi, mas na América do Sul se tem notícia de que, em 1969, a igreja de Costín, na Argentina, produziu um filme, que mais tarde foi melhorado e distribuído pela Divisão Sul-Americana.

Esse primeiro filme foi chamado de A Vitória Final e era baseado nos últimos capítulos do livro O Grande Conflito (feliz7play.com/o-grande-conflito). O enredo alertava para os eventos finais da história. Embora algumas experiências e curtas-metragens tenham sido produzidos após isso, foi somente em meados de 2017 que a igreja começou a produzir filmes sistematicamente em português e espanhol, para alimentar a demanda da recém-criada plataforma de vídeos Feliz7Play.com.

Com o Feliz7Play.com, a Igreja Adventista entendeu que os filmes poderiam ser:

1. Uma ferramenta importante para o evangelismo;
2. Usados para fortalecer o conhecimento bíblico dos adventistas;
3. Usados para comunicar valores morais e doutrinários às novas gerações.

Contudo, a Igreja Adventista não foi a única a entender o poder dos filmes. Até o momento, muitas outras igrejas criam plataformas de filmes e vídeos para compartilhar suas crenças como, por exemplo, os mórmons, os católicos e muitas igrejas pentecostais.

Adventistas, filmes e o evangelismo
Na Igreja Adventista, o uso de filmes não é algo recente. A Revista Adventista de abril de 1939 descreve o pastor Leo Halliwell. O missionário utilizava recursos audiovisuais em suas viagens missionárias pelo rio Amazonas. Durante o dia, ele cuidava da saúde física da população e, à noite, exibia filmes sobre a vida de Jesus[8]. O objetivo da Igreja Adventista, com o uso de filmes, sempre foi o de usá-los como um meio e não como um fim em si mesmo, ou seja, como método de evangelismo e não como entretenimento[9].

Atualmente, na era da comunicação digital, mais pessoas seguem assistindo os filmes adventistas e sendo impactadas por eles na Internet. Por exemplo, o filme O Resgate, lançado em 2017, ultrapassou 1,4 milhões de visualizações no Youtube [10] e o filme Libertos – O Preço da Vida chegou a 1,2 milhões de visualizações[11]. Algumas pessoas expressam alegria e gratidão ao entender de forma mais real o sacrifício de Jesus (assista as reações do filme O Resgate aqui). Ainda existem histórias interessantes de pessoas que se tornaram adventistas após assistirem os filmes.

As formas de se levar o evangelho podem diferir com o passar do tempo, mas o princípio da mensagem deve permanecer inalterado. No início do adventismo, a mídia impressa com texto e imagens estáticas era o principal meio para influenciar pessoas e a igreja usou intensamente esse recurso.

Mas, hoje, temos várias ferramentas tecnológicas com as quais os pioneiros nunca sonharam. E que levam áudio, imagens em movimento e geram maior impacto na vida das pessoas. O conselho inspirado para nossos dias é que a igreja aproveite todos os recursos à sua disposição a fim de cumprir a missão que Jesus deixou. “Novos métodos precisam ser introduzidos. O povo de Deus tem que despertar para as necessidades da época em que vive”. (Ellen White, Evangelismo, p. 70).

Você pode conferir algumas histórias interessantes sobre os resultados dos filmes adventistas nos links abaixo:




Para saber mais sobre o tema, leia:




Carlos Magalhães (via Igreja Conectada)

Referências:
[1] Horner, Grant. Meaning at the Movies: Becoming a Discerning Viewer (p. 16). Crossway. Edição do Kindle.
[2] Ibdem.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Não poste tudo. Guarde seus próprios segredos

O despertador do celular tocou. Retruquei comigo mesma que queria poder dormir mais uns minutinhos. No escuro, apalpei a cabeceira da cama em busca do interruptor do abajur. Como estava num hotel, não me lembrava onde acendia a… achei!

Acendi a luz pra ver se o brilho me ajudava a despertar. Coloquei uma perna para fora da cama na tentativa de me motivar a abandonar aquele macio edredom. Que sono! O dever do trabalho me chamava, então não podia me dar ao luxo de dormir até tarde.

Caminhei até o banheiro e me assustei com meu próprio reflexo no espelho. Cara amassada, olheira, cabelo bagunçado… “É o que tem pra hoje”, pensei. Segui, então, o ritual matinal: fiz meu culto, tomei banho, arrumei o cabelo, passei uma leve maquiagem corretiva que disfarçou muito bem o cansaço do meu rosto, troquei o pijama por uma roupa social, e o chinelo por um salto alto. Parecia outra pessoa, mas, por dentro, eu continuava com o mesmo sentimento: “Tô muito cansada, não queria sair da cama por nada”.

Abri a cortina do quarto e deixei a luz do sol entrar. Vi meu reflexo no espelho e pensei: “Uau, essa luz me valorizou”. Nesse momento, meu corpo já se sentia mais desperto, e comecei a ver vislumbres de um bom humor. Então, peguei meu celular e filmei um “bom dia” bem pleno para os meus seguidores, como se já tivesse acordado arrumada e animada.

Em pé, perto na janela, vi um cenário contrastante. De um lado, uma bela paisagem composta por árvores, céu azul e prédios imponentes. Do outro, tetos manchados de comércios antigos e casas com obras em andamento. Adivinha qual deles virou foto?

Seleções diárias
Não precisamos nem de um dia inteiro para perceber que a vida virtual, a começar pela nossa, é um recorte de realidades. Ainda que a gente só poste verdades, são apenas metades. Eu poderia fazer uma grande lista sobre os perigos da nossa exposição na rede, mas quero destacar um que adoece a alma de quem está do lado de cá e do lado de lá da tela: acreditar que a vida pode ser recortada.

Recortes de realidade são vistos com normalidade, principalmente por se tratarem de seleções verídicas. Quem se sentiria culpada por postar sobre o buquê de flores que ganhou do namorado pela manhã? Ninguém. Mas quem ousaria postar que o buquê chegou como tentativa de reconciliação após uma briga feia entre os dois? O buquê veio, isso é fato, mas não é tudo.

Mas parece que ao deslizar o dedo na timeline nosso cérebro “buga”. Vemos os lindos recortes de realidade das outras pessoas como se fossem resumos de uma vida inteira. Nesse instante, nossa realidade integral, sem cortes nem censura, entra em contraste com o recorte perfeito dos segundos vividos por alguém. E isso adoece o corpo e a alma. Começa, então, um ciclo doentio, onde um busca provar para o outro o quão interessante sua vida também é.

A exposição cresce juntamente com a depressão. Pode parecer estranho, mas a falta de amor-próprio costuma gerar excesso de autodemonstração. No fundo, essa é uma tentativa desesperada de autoafirmação.

Nessas condições, é comum a gente ver pessoas divulgando informações íntimas, promovendo sua sensualidade em selfies sedutoras, exibindo suas posses e expondo detalhes da sua vida que deveriam ser preservados.

Não somos artigos públicos e de livre acesso, então por que tantas vezes nos colocamos nessa condição? A Bíblia diz que “o mexeriqueiro espalha segredos, mas a pessoa séria é discreta” (Provérbios‬ ‭11:13‬). O texto se refere às pessoas que gastam tempo falando da vida dos outros, mas esse princípio nos leva também a refletir sobre guardar os nossos próprios segredos, atentar pela nossa própria segurança e preservar a nossa própria identidade.

Emanuelle Sales (via Imagem & Semelhança)

terça-feira, 18 de junho de 2019

O WhatsApp e a Missão

O WhatsApp é um fenômeno da comunicação digital. No mundo, o aplicativo de mensagens conta com cerca de 1,5 bilhão de usuários. Como mídia social, perde apenas para o Facebook, empresa do mesmo grupo. O número de usuários é equivalente às populações dos maiores países do planeta, como China e Índia. No Brasil, por exemplo, 91% da população que possui acesso à internet utilizam WhatsApp, segundo pesquisa on-line do Ibope. 

Com características como custo zero, interatividade, facilidade de uso e alcance, o aplicativo é uma novidade comunicacional importante demais para ser ignorada. Como líderes da igreja, temos o interesse em usá-lo como ferramenta para disseminação do evangelho. Na sede sul-americana da denominação, por exemplo, temos explorado a ferramenta como uma forma de contato com as pessoas e também como canal para oferecer estudos bíblicos que são disponibilizados na própria plataforma. Contamos até com recursos de inteligência artificial para ajudar os evangelistas digitais na identificação das necessidades das pessoas. 

No entanto, o WhatsApp pode também ser usado para desestabilizar a reputação da igreja e consequentemente prejudicar a missão. Nesse caso, é uma nova realidade desafiadora para quem se preocupa com a imagem e a reputação da nossa denominação. 

Uma das formas de esse prejuízo acontecer é quando o aplicativo é usado para divulgar fatos da vida privada ou deslizes morais de pastores, oficiais ou membros da igreja. Essas informações costumam circular com dados exagerados e distorções. E, mesmo quando se trata de algo verdadeiro, não agrega para quem envia nem para quem recebe. Na verdade, fazer isso é falta de ética, discernimento espiritual e compaixão. 

O WhatsApp tem servido de prova em ações civis e trabalhistas no Brasil e no mundo. Há registros de chefes e empregados que perderam seus postos de trabalho e tiveram problemas legais devido ao uso do aplicativo. Situações como calúnia, difamação e injúria, entre outras coisas, servem de referência. Isso mostra a atenção que precisa haver ao compartilhar conteúdos sobre terceiros de forma irrefletida e sem a devida orientação. 

Apesar de não haver ainda uma regulamentação clara sobre o aplicativo, o conteúdo que você publica nele pode ser facilmente “printado” por alguém e usado contra você. Nesse caso, a pergunta que precisa se fazer é: Eu veicularia esse mesmo conteúdo em um canal de comunicação aberto da igreja, como uma revista, rádio ou TV? 

A comissão dada por Cristo à igreja é muito clara: pregar o evangelho a todas as pessoas. Para tanto, é preciso usar todos os meios possíveis. Desconsiderar isso é ignorar o propósito de Deus de alcançar quanto antes o mundo inteiro com a mensagem de esperança e, desse modo, consumar a nossa tão aguardada redenção. 

Rafael Rossi (via Revista Adventista)

Nota: Ferramentas como o WhatsApp se popularizam cada vez mais, atribuindo relevância à criação de grupos na rede social para facilitar a interação entre os membros, líderes de departamentos e pequenos grupos da Igreja Adventista. Podemos e devemos também utilizar o WhatsApp para disseminar o evangelho e espalhar esperança. Basta nos colocarmos nas mãos de Deus e nos mantermos sensíveis e atentos às oportunidades de falar de Jesus e de Sua Palavra. Pensando no alcance evangelístico desta ferramenta, algumas iniciativas de instituições e fiéis adventistas têm utilizado a ferramenta para alcançar pessoas através da mensagem bíblica de Jesus Cristo. 

Antevendo o rápido avanço das invenções humanas, Ellen G. White nos deixou alguns conselhos sobre o uso correto e equilibrado destes novos meios de comunicação:

“Deus dotou os homens de talentos e capacidade inventiva, a fim de que seja efetuada a Sua grande obra em nosso mundo. As invenções da mente humana parecem proceder da humanidade, mas Deus está atrás de tudo isso. Ele fez com que fossem inventados os rápidos meios de comunicação para o grande dia de Sua preparação” (Fundamentos da Educação Cristã, p. 409).

“Descobrir-se-ão meios para alcançar os corações. Alguns dos métodos usados nesta obra serão diferentes dos que foram usados na mesma no passado; mas não permitamos que alguém, por causa disto, ponha obstáculos no caminho mediante a crítica” (Review and Herald, 30 de setembro de 1902).

“Não deve haver regras fixas; nossa obra é progressiva, e deve haver oportunidade para os métodos serem melhorados. Sob a direção, porém, do Espírito Santo, a unidade deve ser preservada e sê-lo-á” (Review and Herald, 23 de julho de 1895).

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

8 razões para proibir smartphones para crianças até 12 anos

Embora às vezes possamos pensar que proibir os smartphones para crianças possa ser uma medida um pouco exagerada, há fortes argumentos que indicam que pode ser o melhor para elas. Antes, a maior preocupação era que as crianças passassem muitas horas na frente de uma televisão; mas agora, eles até dormem com seus celulares.

Alguns especialistas na área dizem que o telefone celular pode ser prejudicial a elas, e até enfatizam que bebês e crianças pequenas usam tablets e smartphones, quando eles só poderiam começar a interagir com a tecnologia depois de 2 anos e não antes. Aqui explicamos 8 razões para banir smartphones para crianças e bebês:

1. Desenvolvimento do cérebro
Como o cérebro é exposto ao uso excessivo de tecnologias, isso pode acelerar seu crescimento, especialmente em bebês entre 0 e 2 anos de idade. Isso resultaria em problemas como déficit de atenção , atrasos cognitivos, problemas de aprendizado, aumento da impulsividade e falta de autocontrole. O uso do celular em uma idade jovem pode causar problemas no desenvolvimento do bebê.

2. Excesso de radiação
A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica os telefones móveis como um risco para crianças e até adultos, porque emite muita radiação. As crianças, neste caso, são mais sensíveis a esses agentes, o que aumenta o risco de contrair doenças como o câncer.

3. Doenças mentais
Vários estudos revelaram que o uso excessivo de novas tecnologias está aumentando consideravelmente a taxa de depressão e ansiedade infantil, transtornos de apego, déficit de atenção, transtorno bipolar, psicose e outros problemas de comportamento infantil. Tudo isso também está ligado a outros fatores, como redes sociais, onde as crianças são frequentemente propensas ao cyberbullying.

4. Comportamento agressivo
Com as novas tecnologias, as crianças são mais propensas a receber conteúdo violento e agressivo , o que pode alterar seu comportamento. Devemos lembrar que as crianças imitam tudo o que vêem, o que torna ainda mais perigoso receber qualquer tipo de conteúdo sem verificação. Portanto, os pais devem estar muito atentos ao que os filhos fazem na internet.

5. Alterações no sono
Especialistas indicam que os pais que não supervisionam o uso da tecnologia de crianças, muitas vezes têm filhos que têm mais dificuldade em adormecer, devido ao uso de telefones celulares durante a noite. Essa falta de sono afetará muito seu desempenho acadêmico e sua saúde.

6. Déficit de atenção
O uso excessivo de tecnologia também pode causar déficit de atenção em crianças, bem como diminuir sua interação com outras crianças ou pessoas . Também pode reduzir a concentração e a memória das crianças, porque a velocidade do conteúdo afeta você.

7. Obesidade infantil
O uso de tecnologias geralmente envolve um estilo de vida sedentário, e esse é um problema que está aumentando notavelmente nos lares. A falta de atividade faz com que as crianças sofram de obesidade e isso causa doenças como diabetes, problemas vasculares ou cardíacos.

8. Vício infantil
Alguns estudos concluem que um em cada 11 jovens de 8 a 18 anos é viciado em novas tecnologias, um número muito alarmante e que com o passar dos anos pode aumentar. Toda vez que crianças usam um dispositivo eletrônico, elas são separadas mais de seus pais, familiares e amigos.

Quando as crianças e adolescentes podem usar smartphones?
A Associação Pediátrica Japonesa iniciou uma campanha para banir smartphones para crianças, sugerindo que os pais exercitem o controle e façam mais jogos recreativos com elas. Por sua parte, a Academia Americana da Sociedade Canadense de Pediatria revelou que bebês de 0 a 2 anos de idade não devem usar a tecnologia, enquanto as crianças de 3 a 5 anos devem usar no máximo até uma hora por dia. Finalmente, para aqueles com 6 a 18 anos de idade, o uso deve ser de no máximo 2 horas por dia.

Devemos conhecer os danos que as novas tecnologias podem causar às crianças e jovens. É difícil evitar usá-las, porque eles praticamente nasceram com eles, mas você pode evitar usá-las em excesso afinal isso pode causar-lhes danos. É importante que eles não substituam o tempo de brincadeira com os pais ou a leitura de um livro.

Tradução feita pela CONTI outra, do original de EresMama

Nota: Cabe neste contexto desafiador alguns importantes conselhos deixados por Ellen G. White:

"Os divertimentos emocionantes de nosso tempo mantêm a mente de homens e mulheres, porém mais especialmente da juventude, numa febre de agitação, que lhes consome a reserva de vitalidade numa medida muito maior que o estudo e os trabalhos físicos, e cuja tendência é amesquinhar o intelecto e corromper a moral." (Mensagens aos Jovens, p. 373)

"Para que as crianças e os jovens tenham saúde, alegria, vivacidade e músculos e cérebro bem desenvolvidos, convém que estejam muito ao ar livre, e tenham ocupação e recreação bem equilibradas." (Conselhos aos Professores, Pais e Estudantes, p. 83)

"Ensinai vossos filhos a raciocinar da causa para o efeito; mostrai-lhes que, se violarem as leis de seu ser, como consequência sofrerão doenças. Se com vossos esforços não puderdes ver melhora especial, não desanimeis; instruí pacientemente 'mandamento sobre mandamento ... regra sobre regra ... um pouco aqui, um pouco ali.' Prossegui até alcançar a vitória. Continuai a ensinar vossos filhos quanto ao próprio corpo, e como dele cuidar. A imprudência em relação à saúde física leva à imprudência no caráter moral." (Testimonies for the Church 2, p. 536, 537)

"Mas é necessário haver grande temperança nas diversões, bem como em qualquer outra ocupação. E o caráter desses entretenimentos deve ser cuidadosa e cabalmente considerado. Todo jovem deve perguntar-se a si mesmo: Que efeito terão essas diversões na saúde física, mental e moral? Ficará meu espírito tão absorvido que me esqueça de Deus? Deixarei de ter em mente a Sua glória?" (O Lar Adventista, p. 512)

"Todas as energias de Satanás são postas em operação para prender a atenção em diversões fúteis, e ele está conseguindo seu objetivo. Está interpondo seus artifícios entre Deus e a pessoa. Ele forjará divertimentos a fim de impedir os homens de pensarem a respeito de Deus. O mundo está de contínuo sedento de alguma novidade; quão pouco tempo e pensamento, no entanto, se dedicam ao Criador dos céus e da Terra!" (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 456)

"Os jovens geralmente se conduzem como se as preciosas horas da graça, enquanto a miséria se estende, fossem um grande feriado e eles tivessem sido postos no mundo meramente para entretenimento próprio, para fruir uma contínua sucessão de incitamento. Satanás tem feito esforços especiais para induzi-los a buscar a felicidade em diversões mundanas, e justificar-se procurando mostrar que esses divertimentos são inofensivos, inocentes, e mesmo importantes para a conservação da saúde." (Conselhos para a Igreja, p. 167)

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

O que são stalkers e por que são tão perigosos?

A série “Você” ou “You” em inglês, é sobre um psicopata e sua vítima. You nos desafia e convida a refletir sobre os mesmos riscos pelos quais estamos expostos através dos dados que entregamos às plataformas digitais, alimentando o ecossistema da internet. Isso ocorre, acredite se quiser, desde um like no Instagram até uma foto no Facebook ou um comentário no Twitter.

Beck, a protagonista, tem menos de 30 anos; ela é loira, poeta aspirante e mora em Nova York. E, em um dia como qualquer outro, decide entrar em uma livraria. Lá ela conhece Joe, o gerente da loja. que imediatamente se torna obcecado por ela. Eles começam uma conversa e ela lhe diz seu nome. E aí inicia o jogo de caça: basta entrar no Google e Joe começa a saber tudo sobre a mulher que conheceu naquele dia.

A partir dos comentários do Facebook, ele descobre que o pai de Beck morreu, conhece seus amigos, graças ao Instagram, e, usando a localização das fotos, ele se guia para o lugar onde ela mora. E é isso. O stalker está na entrada da casa da vítima.

Joe é charmoso e, em pouco tempo, Beck o aceita em suas redes sociais. Então, com mais esse aval, seu admirador descobre ainda mais sobre ela: seus gostos, seus autores favoritos, seu grupo de amigos. E tudo, absolutamente tudo, ele descobria através das informações acessada nas redes sociais. E como diz o ditado: informação é poder.

[Resumidamente, stalking é a vigilância exacerbada que uma pessoa dispensa a outra, muitas vezes forçando contatos indesejados. Nem sempre há um motivo claro além da obsessão, no entanto, um stalker (ou seja, o obcecado) muitas vezes pode ter o intuito de amedrontar sua vítima. Portanto, perseguidor é uma boa tradução em português para o termo. O termo stalking começou a ser usado no final da década de 80 para descrever a perseguição insistente a celebridades.]

Mas alguém que sabe tudo sobre nós pode se tornar nosso pesadelo…

Somos vulneráveis ​​ao aparecimento de psicopatas como Joe? Quantos dados sobre nossa vida privada estão disponíveis nas redes?

Gabriel Zurdo é membro da BTR Consulting, uma empresa dedicada à segurança cibernética e fornece dados alarmantes de redes sociais em uma pesquisa recente: 58% das pessoas publicam seus números de telefone, mais de 30% mencionam seu local e horário de trabalho, 22% compartilham informações sobre sua casa e outros 20% informam local e data de suas férias. E assim, quase sem perceber, os dados mais sensíveis da nossa vida diária estão disponíveis para milhões de pessoas que não conhecemos.

“A identidade digital nem sempre tem a ver com a identidade física de uma pessoa”, afirma Zurdo em relação à identificação daqueles que solicitam nossos dados. Por exemplo, a vida que Beck nos mostra nas redes não mostra o duelo interno que ela sofre por não saber o que fazer com sua vida. E o anonimato de Joe é apenas sua arma para não ser identificado como o psicopata que ele é.

Sebastián Bortnik é especialista em segurança informática e fundador da ONG Argentina Cibersegura, e afirma que é necessário repensar o que é um dado sensível e o que é um dado privado.

“Primeiro você precisa se perguntar o por que quer fazer upload de uma foto específica, perguntar a si mesmo quem vai ver e analisar e, finalmente, não carregar todas as informações pessoais na mesma rede social “, aconselha Bortnik, que tem uma visão positiva sobre o uso de redes sociais:” Devemos incorporar esses hábitos para evitar problemas”.

“Uma vez que enviamos algo para as redes, sejam fotos, áudios ou vídeos, perdemos o controle: mesmo que o tenhamos excluído, alguém poderia capturá-lo e se tornar viral em questão de segundos”, alerta Bortnik.

É quase uma utopia retornar a uma vida pré-social, mas estamos dispostos a perder nossa privacidade? “A privacidade é um direito humano e está sendo colocada em risco”, acrescenta Bortnik, e desaconselha cair na monopolização de dados no mesmo provedor.

Pensar sobre quais dados são necessários e quais não são, pode nos levar a ter uma vida mais agradável e longe de perigosos assediadores.

O fato de não aparecer nas redes sociais também nos faz pensar que a pessoa quer esconder alguma coisa. Há uma necessidade de querer mostrar, relacionar sonhos, ideias, expor nossa vida. Agora, quem está por trás de todos esses dados e o que eles fazem com eles? Cada postagem funciona como uma impressão digital que estamos deixando em um caminho como migalhas para chegar ao ponto final de que somos nós mesmos.

Nos anos 90, foi lançada a comédia romântica “Mensagem para Você”, estrelada por Tom Hanks e Meg Ryan. Ela possuía uma pequena livraria – semelhante à série – e ele possuía uma rede de livrarias. Eles se odiavam na vida real, mas se apaixonaram pela Internet. Uma rede ainda incipiente, na qual não havia imagens, vídeos ou mensagens de voz. Apenas palavras e o desejo infinito de se encontrar pessoalmente.

Mas o filme nos trouxe o pontapé inicial sobre o que viria a seguir. A ideia de anonimato e privacidade seria cada vez mais turva até atingir esse nível máximo de exposição em que estamos agora submersos.

Isso quer dizer que, como afirma Zurdo, “quanto mais informações dermos, mais as pessoas podem abusar de nossos dados”. Porque não sabemos quem está recebendo nossas informações, os destinatários são infinitos, e a replicação de nossa mensagem ou informação, ainda mais. Pensar sobre quais dados são necessários e quais não são, pode nos levar a ter uma vida mais agradável e longe de perigosos assediadores.

“Você” tem um dos mais populares diretores da indústria, Greg Berlanti. Ele é a mente por trás dos super-heróis da DC em formato de seriado, Arrow e The Flash, e nos anos 90 ele foi o roteirista da bem-sucedida série teen Dawson’s Creek. Em 2017, ele estreou Yo soy Simón, que contou a vida de um menino de 13 anos que decide deixar o armário, com referências diretas à sua infância. Berlanti é reconhecido por suas histórias de jovens com problemas atuais, e em “Você” sua marca está presente novamente.

Caroline Kepnes é a autora do livro no qual a série foi baseada, e que levou ao destino de alguns personagens. Ela confirmou lançar na primavera de 2019 a próxima temporada, “Vou esperar para ver como resolver o suspense”. Informações sobre o passado de Joe, o stalker virtual de nossas redes, também serão expandidas.

Tradução e adaptação feita pela CONTI outra, do original de Teleshow

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Não poste tudo. Guarde seus próprios segredos

O despertador do celular tocou. Retruquei comigo mesma que queria poder dormir mais uns minutinhos. No escuro, apalpei a cabeceira da cama em busca do interruptor do abajur. Como estava num hotel, não me lembrava onde acendia a… achei!

Acendi a luz pra ver se o brilho me ajudava a despertar. Coloquei uma perna para fora da cama na tentativa de me motivar a abandonar aquele macio edredom. Que sono! O dever do trabalho me chamava, então não podia me dar ao luxo de dormir até tarde.

Caminhei até o banheiro e me assustei com meu próprio reflexo no espelho. Cara amassada, olheira, cabelo bagunçado… “É o que tem pra hoje”, pensei. Segui, então, o ritual matinal: fiz meu culto, tomei banho, arrumei o cabelo, passei uma leve maquiagem corretiva que disfarçou muito bem o cansaço do meu rosto, troquei o pijama por uma roupa social, e o chinelo por um salto alto. Parecia outra pessoa, mas, por dentro, eu continuava com o mesmo sentimento: “Tô muito cansada, não queria sair da cama por nada”.

Abri a cortina do quarto e deixei a luz do sol entrar. Vi meu reflexo no espelho e pensei: “Uau, essa luz me valorizou”. Nesse momento, meu corpo já se sentia mais desperto, e comecei a ver vislumbres de um bom humor. Então, peguei meu celular e filmei um “bom dia” bem pleno para os meus seguidores, como se já tivesse acordado arrumada e animada.

Em pé, perto na janela, vi um cenário contrastante. De um lado, uma bela paisagem composta por árvores, céu azul e prédios imponentes. Do outro, tetos manchados de comércios antigos e casas com obras em andamento. Adivinha qual deles virou foto?

Seleções diárias
Não precisamos nem de um dia inteiro para perceber que a vida virtual, a começar pela nossa, é um recorte de realidades. Ainda que a gente só poste verdades, são apenas metades. Eu poderia fazer uma grande lista sobre os perigos da nossa exposição na rede, mas quero destacar um que adoece a alma de quem está do lado de cá e do lado de lá da tela: acreditar que a vida pode ser recortada.

Recortes de realidade são vistos com normalidade, principalmente por se tratarem de seleções verídicas. Quem se sentiria culpada por postar sobre o buquê de flores que ganhou do namorado pela manhã? Ninguém. Mas quem ousaria postar que o buquê chegou como tentativa de reconciliação após uma briga feia entre os dois? O buquê veio, isso é fato, mas não é tudo.

Mas parece que ao deslizar o dedo na timeline nosso cérebro “buga”. Vemos os lindos recortes de realidade das outras pessoas como se fossem resumos de uma vida inteira. Nesse instante, nossa realidade integral, sem cortes nem censura, entra em contraste com o recorte perfeito dos segundos vividos por alguém. E isso adoece o corpo e a alma. Começa, então, um ciclo doentio, onde um busca provar para o outro o quão interessante sua vida também é.

A exposição cresce juntamente com a depressão. Pode parecer estranho, mas a falta de amor-próprio costuma gerar excesso de autodemonstração. No fundo, essa é uma tentativa desesperada de autoafirmação.

Nessas condições, é comum a gente ver pessoas divulgando informações íntimas, promovendo sua sensualidade em selfies sedutoras, exibindo suas posses e expondo detalhes da sua vida que deveriam ser preservados.

Não somos artigos públicos e de livre acesso, então por que tantas vezes nos colocamos nessa condição? A Bíblia diz que “o mexeriqueiro espalha segredos, mas a pessoa séria é discreta” (Provérbios‬ ‭11:13‬). O texto se refere às pessoas que gastam tempo falando da vida dos outros, mas esse princípio nos leva também a refletir sobre guardar os nossos próprios segredos, atentar pela nossa própria segurança e preservar a nossa própria identidade.

Emanuelle Sales (via Imagem & Semelhança)

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

8 regras para não ser o chato do grupo do WhatsApp

O WhatsApp tem sido sinônimo de dor e sofrimento para você? Consultamos pessoas que abandoaram grupos e mais grupos (da família, do colégio, do prédio...) para montar este guia rápido de etiqueta. Leia (afinal, quem nunca deu um fora em grupo?) e repasse para dez pessoas essa lista agora mesmo --ou você corre o sério risco de continuar a ter dias perturbados pelo whats. Não quebre essa corrente!

1. Dar "bom dia" tooodas as manhãs
Ver dezenas de notificações e descobrir que a maioria é um simples "bom dia" cansa. "Saí de vários grupos porque, quando ia ver se tinha algo interessante, havia 500 'bom dia'. Ninguém tem tempo para isso", diz a advogada Beatriz Besel. "Parem de dar 'bom dia', 'boa noite', 'boa chuva', 'bom sol', de mandar flores? Não dá mais!", implora Andrea Neris, designer (e especialista em abandonar grupos no whats).

2. Repassar correntes e textões
Antes de encaminhar textos que prometem grana fácil, uma batedeira nova ou um ícone azul que confirma sua existência virtual, saiba que correntes só levam a um resultado: irritar a pessoa que compartilha o grupo com você. "Se é textão copiado e colado, já deleto sem ler. Nem se for de gente muito amiga", conta a empreendedora Cylene Dias.

3. Compartilhar notícias falsas
"Atenção: o WhatsApp vai fechar!". "Atenção: comer manga com leite mata!". "Atenção: tsunami vai atingir São Paulo!". Enviar mensagens sem checar a veracidade é péssimo. "Fico p da vida quando repassam notícias falsas", reclama o engenheiro Luiz Amaral. Pesquise antes de compartilhar. Dica: os sites Boatos.org e E-farsas são boas opções para checar se uma notícia é real.

4. Mandar mensagem "quebrada"
Escreva a frase inteira antes de apertar o "enviar". Você economiza no vaivém dos dedos e não irrita quem está lendo. "Não gosto de gente que fica mandando três mensagens quando poderia mandar uma, principalmente no grupo do trabalho. Será que não dá para escrever tudo junto para meu celular apitar só uma vez?", pergunta a nutricionista Lia Nunes.

5. Gravar áudios e mais áudios
Ok, nem sempre é prático digitar no WhatsApp, mas pondere: se o assunto é longo, não valeria uma ligação? Se mesmo assim for a melhor opção, antes de tudo, pergunte se pode gravar um áudio longo para a pessoa. "Escrever dá mais trabalho, mas não importuna quem está em volta", diz Beatriz.

6. Oferecer serviços ou vender produtos
Não, não é proibido. O problema é fazer isso em grupos que não têm esse propósito ou se a turma não tem tanta intimidade. "Cansa ler diariamente que fulano está vendendo tal produto e tem uma promoção bacanérrima para o Dia dos Pais", diz Andrea sobre um dos motivos que a fizeram abandonar grupos de pais da escolinha do filho.

7. Desrespeitar a finalidade do grupo
Se um grupo tem uma finalidade, tem que respeitar. "Todo dia rolava uma briga que variava entre questões pessoais, discussão entre vizinhos, piadas fora de hora, correntes, vendedores. A ideia, que era informar sobre as coisas do condomínio, quase nunca acontecia", conta Edu Mendes, designer, que desistiu do grupo de moradores do prédio.

8. Enviar vídeos e piadinhas o dia inteiro
Se o grupo é para isso, vá em frente, a zoeira não tem limites. Se não é a ideia e, principalmente, se reunir gente não tão próxima, controle a vontade de compartilhar piadinhas. "Meu conselho é não incomodar com tantos vídeos e imagens de piadinhas", sugere a advogada Natasha Lemos.

Claudia Dias (via Estilo UOL)

terça-feira, 16 de outubro de 2018

3 dicas para praticar a mansidão na era digital

Precisamos falar sobre a mansidão. Talvez nenhum outro assunto seja tão relevante hoje em dia. A impressão que tenho é que o ódio prevaleceu. É irônico perceber isso agora, quando nunca tivemos tanta oportunidade de aproximação entre as pessoas em qualquer época anterior. A web surgiu como uma chance de confraternização de fato. Barreiras seriam quebradas, preconceitos seriam superados, o respeito e a tolerância ditariam uma nova era. O discurso era incrível. Mas a realidade provou que era apenas uma utopia, uma miragem no deserto de ódio e ressentimento que nos envolveu a todos. E no qual corremos o perigo de achar que esse estado de indelicadeza é normal.

Sinto um certo espanto quando vejo o perfil de amigos antigos em uma ou outra rede social. O trato doce e educado de alguns, que tanto admirava, cedeu espaço ao cinismo. A defesa de ideais, que antes era marcada pela paixão, hoje se manifesta nas redes sociais com a arrogância de quem se imagina ter uma espécie de opinião suprema. Se antes a defesa da fé ocorria na esteira da cordialidade, hoje prevalece um evangelismo autoritário, repressivo, teclado em computadores ou smartphones tendo como combustível uma ironia depreciativa.

A mesma plataforma que definiu a liberdade plena para expressar a minha opinião é a que uso para reprimir uma opinião contrária à minha. Os limites não ficam claros entre a liberdade de expressão e a liberdade de repressão. Em meio a isso, todos parecem ter uma opinião sobre tudo. Todos falam. Pouquíssimos escutam. E os que falam usam as palavras não como argumentos, mas como instrumentos de violência gratuita. 

Lembro de Walden, livro do escritor Henry David Thoureau. Walden é ensaio biográfico e relato de uma experiência social. Transtornado pela corrosão das relações na sociedade norte-americana, sob imensa influência da industrialização e crescente urbanização, Thoureau, então com 28 anos, decide viver no bosque. Isolado do mundo. Redescobrindo a vida e o sentido de humanidade. “Temos de aprender a redespertar e nos manter despertos, por uma infinita expectativa da aurora”, afirmou. Eu também busco uma aurora. E é no desejo por ela que muitas vezes também prefiro o silêncio.

Acredito que não é preciso uma experiência tão radical para superar esse estado de intolerância. Mas para que a superação aconteça, é preciso viver a mansidão, como fruto do Espírito. O apóstolo Paulo definiu a mansidão como uma vocação cristã, que precisa ser exercida com humildade, delicadeza e compreensão mútua (Efésios 4:2). Como chegar a este modelo de conduta em um mundo dominado pela provocação? A escritora e educadora Ellen White escreveu algo formidável a esse respeito: “O espírito que se conserva manso em face da provocação, dirá mais em favor da verdade, do que o fará qualquer argumento, por mais vigoroso que seja” (O Desejado de Todas as Nações, p. 353).

Como praticar a mansidão em plena era digital? Como dito acima, a mansidão é fruto do Espírito, e como tal precisa ser cultivado. Eu tento seguir três atitudes. Mentiria se dissesse que é uma composição fácil. É algo difícil e que precisa ser praticado, até mesmo incluído em momentos de meditação e devoção. Mas quero compartilhar com você, e espero sinceramente, se você também busca viver a mansidão, que o ajude. São eles:

1. Você não precisa ter opinião sobre tudo, muito menos expressá-la na velocidade preconizada pelas redes
As possibilidades da comunicação digital permitiram que todos nós, repentinamente, tivéssemos opinião formada sobre qualquer coisa. De um momento para outro, viramos todos especialistas. Política, religião, comportamento, ciência, economia, geopolítica, teologia, sexualidade, medicina, direito, criminalidade, justiça, punição, vida, morte. Qualquer que seja o assunto, todos têm uma opinião a respeito. E essa opinião é resultado não de profunda análise, muito menos do estudo, mas do desejo de pertencer, de ser aceito, ou de superar inseguranças com um posicionamento. E também porque a informação é fácil e abundante. E essa é também uma ironia: o excesso de informação leva ao excesso de opinião, e esse é o caminho largo para a desorientação. Não se sentir obrigado a participar de uma conversa pode ajudá-lo a colaborar de forma mais íntegra com esta mesma conversa. Você pode explorar o silêncio para ouvir mais. E pode expor sua opinião com calma, sem o apelo do comentário em “tempo real”.

2 – Você não precisa ter sempre razão
A base da intolerância é a necessidade de ter razão sempre, de não dar o braço a torcer. Este é um sintoma bem específico desses tempos digitais. As discussões não se cruzam, porque estão em linhas paralelas. Mais do que ajudar o outro, o interesse é superar um embate. Mágoas, remorsos e até mesmo ódio se multiplicam quando o que está em jogo é apenas defender o seu ponto de vista, por melhor que ele seja. O pastor Donald Miller, autor de Como os pinguins me ajudaram a entender Deus, tomou uma decisão a esse respeito que considero inspirada. Falando acerca de discussões sobre crença, ele escreveu: “Meu mais recente esforço de fé não é do tipo intelectual. Eu realmente não faço mais isso. Mais cedo ou mais tarde você simplesmente descobre que há alguns caras que não acreditam em Deus e podem provar que ele não existe e alguns outros caras que acreditam em Deus e podem provar que ele existe – e a esse ponto a discussão já deixou há muito de ser sobre Deus e passou a ser sobre quem é mais inteligente; honestamente, não estou interessado nisso.”

3 – Desenvolva uma comunicação compassiva
Marshall Rosenberg, doutor em psicologia clínica da Universidade de Wisconsin e estudioso da comunicação não-violenta, afirma que grande parte dos desentendimentos entre as pessoas pode ser amenizada ou mesmo evitada com o emprego da “linguagem da compaixão”. Segundo ele, esse é um processo de comunicação que promove o respeito, a atenção, a empatia e gera o mútuo desejo de entrega a uma vida em favor do outro.

Um grande desafio que temos hoje em dia é negligenciar uma cultura que celebra resultados individuais acima da saúde das relações coletivas. A cultura digital é alimentada pela cultura do indivíduo, aquele que consegue mais cliques, mais flashes, mais compartilhamentos, mais capacidade viral. Penso que esse egocentrismo é o alimento para um estado de distorção muito comum hoje em dia, que é a incapacidade de auto-crítica. Uma cultura que apenas aplaude nos deixa tão despreparados para observar nossos erros que censuramos qualquer avaliação de nossas opiniões que não seja a aceitação. A agressão resultante é apenas uma consequência.

Um espírito manso é capaz de progredir em pessoas capazes de negar sua própria importância. Lembro de Paulo, mais uma vez: “Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus” (Atos 20:24).

Heron Santana (via Igreja Relevante)

Ilustração: Fotografia de Marc Riboud tirada em Washington (EUA), no dia 21 de outubro de 1967, em que a jovem Jane Rose Kasmir pede paz entre o país e o Vietnã, que estavam em guerra. Jane traz uma flor e tenta colocá-la na arma de um soldado.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Não seja um incendiário cibernético

É muito fácil clicar em “enviar”, “postar” ou “publicar”. Basta um clique. Um toque na tela. Eu nem preciso pensar muito para fazer. Eu saco uma mensagem e a disparo, como um cowboy em um duelo. Talvez seja algo engraçado. Talvez seja uma crítica a alguém. A internet tornou fácil ser um incendiário. Tocar fogo no mundo. Ser uma bomba de napalm ambulante. Atravessar o dia espirrando gasolina virtual em tudo e em todos.
"Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva! Ora, a língua é fogo; é mundo de iniquidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno." (Tiago 3:5-6)
O argumento de Tiago é que nossas palavras, que parecem pequenas e desimportantes, que vêm de nossas bocas como uma torrente, podem ser incrivelmente destrutivas. Nossas palavras são equivalentes ao fogo, que pode por em brasas toda uma floresta, derrubar edifícios e causar quantidades inenarráveis de sofrimento. Palavras não são coisas pequenas. 

Essa passagem de Tiago se aplica o mesmo tanto para as palavras que dizemos digitalmente. Cada post no Facebook tem o potencial para queimar alguém. Cada tweet tem o potencial de iniciar um incêndio. Cada foto no Instagram, mensagem de texto, Pin ou Snapchat tem o potencial para tocar fogo em toda a sua vida. Deus leva a sério nossas palavras digitais tanto quanto nossas palavras verbalizadas. Será que nós mesmos levamos a sério nossas palavras digitais? 

É fácil ser um incendiário na internet. Nela, é fácil dizer coisas que nunca diríamos diretamente a alguém. O brilho de nossas telas de LCD oferecem um falso senso de segurança e proteção. Podemos dizer algo sobre alguém sem vermos o efeito que isso tem na pessoa. Podemos criticar alguém sem ver os efeitos danosos e devastadores de nosso criticismo. Podemos postar uma imagem sem ver o quanto essa foto pode ser uma tentação para outras pessoas. A internet nos permite dizer o que quer que desejemos sem quaisquer das consequências normais de uma conversa. 

Como podemos evitar o perigo de sermos incendiários cibernéticos? Seria muito sábio considerar regularmente os seguintes versos da Escritura: 
"Não saia da vossa boca [ou computador, smartphone, tablet] nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem. E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção." (Efésios 4:29-30) 
Antes de clicar em “publicar”, preciso me perguntar: isso serve para a edificação dos outros? Ou minhas palavras estão derrubando e ferindo alguém? Se eu dissesse essas palavras diretamente para alguém, ela seria edificada ou derrubada? A afeição dessa pessoa por Cristo iria diminuir ou aumentar? Deus deseja que todas as nossas palavras, posts e tweets tenham um efeito edificador. 
"O homem bom tira do tesouro bom coisas boas; mas o homem mau do mau tesouro tira coisas más. Digo-vos que de toda palavra [ou comentário, post] frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado." (Mateus 12:35-37) 
As coisas que postamos online são um reflexo do que já está em nossos corações. Em outras palavras, nosso discurso é um reflexo de quem somos. Quando estivermos perante o Senhor no Dia do Julgamento, daremos conta de cada palavra que enunciarmos. Cada palavra dita, cada mensagem de texto, cada atualização no Facebook, cada tweet, cada Pin, cada Instagram. Antes de postar, então, preciso me perguntar: eu vou me envergonhar disso no último dia? Irei me arrepender dessas palavras quando estiver perante o trono do Julgamento?
  
Stephen Altrogge (via Reforma21.org / Traduzido por Filipe Schulz)

"O poder da palavra é um talento que deve ser cultivado diligentemente. De todos os dons que recebemos de Deus, nenhum é capaz de se tornar maior bênção que este. Com a voz convencemos e persuadimos; com ela elevamos orações e louvores a Deus, e também falamos a outros do amor do Redentor. Não se deve proferir uma única palavra imprudentemente. Nenhuma maledicência, palavreado frívolo algum, nenhuma murmuração impertinente nem sugestão impura sairá dos lábios do seguidor de Cristo. Palavras torpes não significam somente palavras vis. Denotam qualquer expressão contrária aos santos princípios e à religião pura e imaculada. Incluem idéias impuras e insinuações malévolas. Se não forem repelidas imediatamente, conduzem a grande pecado. Nossas palavras devem ser expressões de louvor e ações de graças. Se o coração e a mente estiverem repletos do amor de Deus, isto será revelado na conversação." (Ellen G. White, Meditação Matinal - E Recebereis Poder, p. 197)

O prof. Leandro Quadros fala sobre o que o uso das redes sociais tem revelado sobre você: