domingo, 12 de fevereiro de 2017

Carnaval - O que esperar dos retiros espirituais e acampamentos?


Diego Mota, 22, chega correndo em casa, pega suas malas, joga suas roupas dentro, come alguma coisa na cozinha e sai correndo novamente. Ele está atrasado para pegar o ônibus que irá levar os jovens da Igreja Adventista do Capão Redondo, em São Paulo, para mais um acampamento de verão.

Alegria, descontração, louvor e espiritualidade – esses são alguns dos motivos para que jovens como Diego participem todos os anos dos vários acampamentos e retiros espirituais promovidos por suas igrejas, especialmente no período do Carnaval.

Segundo Mota, este tipo de evento afasta os jovens da influência negativa da vida moderna. “Normalmente no período em que ocorrem os acampamentos, a cidade está uma verdadeira bagunça. É nessa época que muitos jovens se perdem”, declara. Para Helbert Roger, líder de jovens em São Paulo, os retiros espirituais e os acampamentos têm uma importância muito grande na vida do jovem. “Estes eventos proporcionam a oportunidade de relacionamento com Deus e com os amigos. Isso fortalece a fé e a ligação mais íntima com pessoas da mesma fé”, afirma. 

Longe da folia 
Época de Carnaval é sempre, em países como o Brasil, um momento em que a população é literalmente bombardeada com comentários, imagens, notícias e obviamente músicas relacionadas a essa que é considerada uma das maiores festas populares do mundo.

Mas nem todas as pessoas apreciam Carnaval, samba, blocos de rua ou a conhecida folia típica desse período. Alguns se refugiam em hotéis e pousadas e se entregam ao descanso mesmo sem qualquer tipo de preocupação. Outros permanecem em casa tranquilos e ignoram completamente o evento. Fogem literalmente da algazarra que normalmente caracteriza o período carnavalesco.

Mas há grupos que, eu diria, fogem do Carnaval. Por outro lado, aproveitam o feriado prolongado para alguns objetivos bem diferentes. Sua postura é baseada no que aprenderam com os ensinos da Bíblia Sagrada. Isso faz toda a diferença na maneira como encaram o período de Carnaval ou qualquer outro aspecto da vida. Longe da folia, muitos cristãos esperam:

Estar mais em contato com o meio ambiente 
Se há tempo livre, nada melhor do que se aproximar de Deus por meio da Sua criação. Jesus é um exemplo muito claro disso. Preferia fugir dos grandes centros de sua época e estar em meio aos lagos, rios e montanhas. O apóstolo Paulo, em uma visita à cidade de Filipos, manteve contato com as pessoas da cidade e falou a respeito de Cristo e Seu ministério à beira de um rio (Atos 16:3).

Evitar o barulho para ouvir melhor a voz de Deus
No mundo de múltiplas tarefas e estímulos, o barulho parece ter se tornado companheiro inseparável. Mas quem tem objetivos diferentes durante o Carnaval se retira para locais onde consegue ouvir um pouco melhor a voz de Deus por meio da oração e do estudo da Bíblia. Sem a gritaria das ruas, o som de tantas máquinas e meios de transporte e até o barulho de tiros e acidentes de trânsito, há ambiente propício para reflexão. O sábio autor de Eclesiastes já aconselhava a ouvir mais e falar menos ao sugerir que “não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus está nos céus e tu, na terra..”(Eclesiastes 5: 2).

Apoiar outras pessoas para que tenham um encontro com Jesus
No meio da folia carnavalesca, é praticamente impossível se falar em apoio mútuo e ajuda. Em meio a bebedeiras e em festas ou blocos de rua onde há fortes estímulos para a promiscuidade sexual e até para a baderna, pouca ajuda se consegue dar para alguém. Principalmente o suporte necessário para a real felicidade das pessoas que definitivamente não está nos vícios ou prazeres passageiros. Longe da folia, os conselhos bíblicos e o fortalecimento espiritual podem ser assimilados de maneira plena e uma vida com mais qualidade se inicia. Isso se dá em acampamentos e retiros espirituais onde, além do merecido e necessário descanso, há espaço para conversas e momentos de reflexão.

Respeito quem prefere a folia, contudo estar longe das festividades carnavalescas não é uma forma de fuga, mas de parada para se pensar na vida. E quando falo de pensar na vida, refiro-me em relação a meus objetivos, à maneira como me relaciono com os que estão ao meu redor e evidentemente com Deus. Para se fazer esse break estratégico, os dias do Carnaval são oportunos. É uma espécie de desintoxicação mental e física (nunca se esquecendo dos exercícios, boa alimentação e outros fatores pró-saúde) necessários, inclusive, para a sobrevivência espiritual em mundo cada vez mais desumano, egoísta e interessado em pular e suar sem se importar com o futuro. Melhor dizendo, com a eternidade.

Textos extraídos de Realidade em Foco e Conexão JA

10 orientações que ajudarão a ler Ellen White no século 21


Como devemos encarar uma escritora que aconselha as mulheres a encurtar os vestidos em vinte centímetros, num mundo em que muitas já os usam curtos demais? Ou que recomenda que as escolas ensinem as meninas a arriar e montar cavalos, quando a maioria delas nunca precisará desse conhecimento? Parte do problema é que o mundo mudou radicalmente desde o tempo em que Ellen White viveu. Esse, porém, não é o único aspecto que os leitores do século 21 precisam levar em consideração quando leem e procuram aplicar os conselhos de um profeta que viveu em tempo e lugar diferentes. Abaixo estão dez orientações que ajudarão nossa leitura dos escritos de Ellen White a se tornar mais proveitosa e equilibrada.

1. Concentre-se no tema central 
É possível ler os escritos de Ellen White de pelo menos duas maneiras. Uma é buscando o tema central; a outra é procurando coisas que são novas e diferentes, que não são ensinadas na igreja. O primeiro modo nos leva a uma compreensão mais precisa, enquanto o segundo leva a distorções no sentido proposto pelo autor e geralmente leva a extremos, o que Ellen White detestava. 

Ela mesma defendia o estudo da Bíblia com o objetivo de “ganhar conhecimento do tema central da Bíblia”. Para ela, esse tema era o plano da redenção e o grande conflito entre o bem e o mal. “Encarado à luz deste conceito”, o grande tema central da Bíblia, “cada tópico tem nova significação(Educação, p. 190, 125). Em resumo, o conselho dela era ler para se compreender o todo. O quadro geral mostra o contexto para interpretar outros assuntos, tanto em termos de significado como de importância. Esse princípio, além dos escritos de Ellen White, aplica-se igualmente à Bíblia. 

2. Enfatize o mais importante 
No início do século 20, quando alguns líderes da igreja usavam os escritos de Ellen White para provar certos pontos proféticos que ela cria serem de menor importância, ela escreveu: 
"O inimigo de nossa obra se agrada quando um assunto de menor importância pode ser usado para desviar a mente de nossos irmãos das grandes questões que devem constituir a preocupação de nossa mensagem." (Mensagens Escolhidas, v.1, p. 164, 165) 
3. Estude tudo sobre o assunto 
O neto e biógrafo de Ellen White, Arthur White, destacou esse assunto quando escreveu: 
"Muitos têm errado ao interpretar o significado dos testemunhos tomando declarações isoladas ou fora do contexto como base para crença. Alguns fazem isso, mesmo que existam outras citações que, se consideradas com cuidado, mostram que é insustentável tomar posições baseadas em declarações isoladas." (Ellen G. White: Messenger to the Remnant [Review and Herald, 1969], p. 88) 
4. Evite interpretações extremistas 
Por não seguirem as orientações de Ellen White, alguns recriam essas orientações de uma forma extremista, como eles próprios. Durante toda a sua vida, Ellen White enfatizou o equilíbrio, que, infelizmente, falta em alguns que afirmam seguir suas orientações. Por exemplo: alguns utilizam uma declaração em que Ellen White mostra desagrado com o jogo de bola para condenar todos os tipos de jogos, ao passo que ela mesma escreveu: 
“Não condeno o simples exercício de brincar com uma bola; mas isso, mesmo em sua simplicidade, pode ser levado ao excesso” (O Lar Adventista, p. 499)
Como nas demais situações, Ellen White foi equilibrada, e não extremista. 

5. Leve em conta tempo e lugar 
Por causa das mudanças no tempo e no espaço, é importante compreender o contexto histórico de muitos dos conselhos de Ellen White. Só podemos considerar seu conselho de encurtar o vestido em vinte centímetros como algo apropriado para as mulheres do século 19. Nunca poderíamos usar essa citação como se ela tivesse escrito para o tempo da minissaia. 

Quanto aos testemunhos”, Ellen White escreveu, “coisa alguma é ignorada; coisa alguma é rejeitada; o tempo e o lugar, porém, têm que ser considerados” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 57). Muitas vezes ela deu esse conselho ao longo de seu ministério. 

6. Leia o contexto literário 
Com muita frequência, as pessoas baseiam sua compreensão dos ensinos de Ellen White no fragmento de um parágrafo ou numa afirmação isolada, totalmente fora do contexto. Falando sobre o mau uso que alguns fazem dos seus escritos, ela escreveu que "citam metade de uma frase, e omitem a outra metade, a qual, se fosse citada, mostraria que o raciocínio de quem assim procede é falso” (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 82).

7. Reconheça a diferença entre o ideal e o real 
Frequentemente, Ellen White dava conselhos sobre o mesmo assunto sob dois pontos de vista. O primeiro pode ser considerado como o ideal. Nesse ponto de vista, as declarações não permitem exceções. Um exemplo é o conselho sobre o ideal de que os pais deveriam ser os “únicos professores de seus filhos até alcançarem a idade de oito a dez anos” (Testemunhos Para a Igreja, v. 3, p. 137). Por outro lado, quando ela trata com situações do cotidiano, frequentemente seu conselho é ajustar as necessidades reais do povo com suas reais limitações. Embora tenha moderado seu conselho para que os pais sejam os “únicos” professores, ela acrescentou que esse ideal deveria ser mantido “se” tanto o pai como a mãe desejassem fazer esse trabalho. Se não, as crianças deveriam ser enviadas à escola (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 215-217). 

Ellen White nunca perdeu seu senso de ideal, mas estava pronta a adaptar seus conselhos para se adequar à realidade do mundo. Um dos aborrecimentos de sua vida foi com aqueles que selecionavam suas afirmações sobre o ideal e queriam impô-las a todos. Ela disse: 
"Vemos os que escolhem as expressões mais fortes dos testemunhos e sem fazer uma exposição ou um relato das circunstâncias em que são dados os avisos e advertências, querem impô-los em todos os casos. […] Escolhendo algumas coisas nos testemunhos, impõem-nas a todos, e, em vez de ganhar almas, repelem-nas." (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 285) 
8. Use o bom senso 
As citações de Ellen White não resolvem todos os problemas. Às vezes, elas simplesmente não se encaixam na situação. Certa vez surgiram problemas porque algumas pessoas estavam mencionando suas declarações de que os pais deveriam ser os únicos professores de seus filhos até os 8 ou 10 anos de idade. Ellen White respondeu dizendo que “Deus deseja que lidemos sensatamente com esses problemas” (Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 215). E continuou: 
"Minha mente tem sido muito agitada quanto à ideia: “Ora, a irmã White disse assim e assim, e a irmã White falou isto ou aquilo; e, portanto, procederemos exatamente de acordo com isso.” Deus quer que todos nós tenhamos bom senso, e deseja que raciocinemos movidos pelo senso comum. As circunstâncias alteram as condições. As circunstâncias modificam a relação das coisas." (p. 217) 
Os leitores precisam usar bom senso, mesmo quando tem uma citação sobre o tema. 

9. Identifique os princípios subjacentes 
Na virada do século 19 para o 20, Ellen White escreveu que seria bom que “as moças pudessem aprender a arriar e cavalgar” (Educação, p. 216, 217). Aquela era uma prática em seus dias, mas hoje não é mais. Os princípios implícitos nesse conselho, entretanto, ainda são muito importantes. Ou seja, as mulheres devem ser autossuficientes ao locomover-se. Em nossos dias, poderíamos dizer que devem ser capazes de dirigir um carro e trocar um pneu. A especificação exata do conselho pode mudar, mas o princípio implícito tem valor permanente. 

10. Tenha certeza de que a declaração foi dita por Ellen White 
Muitas declarações atribuídas a Ellen White nunca foram feitas por ela. O único método seguro é usar declarações que podem ser encontradas em seus trabalhos publicados ou não publicados, mas validados pelo Patrimônio Literário de Ellen G. White. Muitos têm sido desviados por declarações que ela nunca fez, mas que são atribuídas a ela. 

Os escritos de Ellen White têm sido uma bênção a leitores em todo o mundo. E serão muito mais eficazes se forem lidos tendo em conta as orientações acima. 

George R. Knight - Adaptado de Adventist World (via Missão Pós-Moderna)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Novo canal de comunicação com a Igreja Adventista via WhatsApp

Há base bíblica para a prática de levantar as mãos no louvor?


Há base bíblica para a prática, cada vez mais comum, de levantar as mãos durante o canto congregacional? Essa pergunta pode parecer sem importância, porém revela que estamos muito interessados em um tipo de culto que esteja biblicamente fundamentado e que não viole as instruções bíblicas. Mostra, também, que o movimento das mãos enquanto cantamos está criando certa tensão. Vou falar do uso das mãos durante os atos de adoração. Ficará claro que, na Bíblia, o ritual do uso das mãos acontecia, principalmente, durante a oração.

1. Atos não-verbais.
 As expressões corporais desempenham papel importante na expressão de ideias e emoções. Estudos sobre o papel dos atos não-verbais na adoração nos ajudam a entender um pouco melhor seu significado.

Na Bíblia, temos apenas a linguagem da postura, gestos, movimentos e expressões faciais. As artes do antigo Oriente Médio ilustram muitos desses gestos. Os gestos das mãos, mencionados na Bíblia, eram também comuns no ambiente de adoração e culto no antigo Oriente Médio.

2. Levantar das Mãos. As expressões "levantar as mãos [yãdím]" ou "levantar as palmas (mãos) [kappayim]" são praticamente sinônimas. São usadas em diferentes contextos e, em alguns casos, expressam significados distintos. "O ato de levantar as mãos" é um gesto que expressa adoração no contexto do culto. Os que ministravam no templo eram exortados assim: "Levantem as mãos na direção do santuário e bendigam o SENHOR!" (Sl 134:2, NVI).

O gesto indicava que o objeto de louvor era o Senhor e que todo o indivíduo estava envolvido nesse ato. Era também usado para apresentar ao Senhor as orações e súplicas (Sl 28:2), como se a oração fosse colocada na palma da mão e levantada ao Senhor pedindo-Lhe que aceitasse (Sl 141:2).

Em outros casos, o gesto aparece para expressar a vontade do adorador de receber do Senhor o que pediu (Sl 63:4, 5; Lm 2:19). Mas o levantar das mãos parece expressar algo profundo, algo relacionado com o coração humano: "Derrame o seu coração como água na presença do Senhor. Levante para Ele as mãos" (Lm 3:41, NVI). O levantar das mãos correspondia ao levantar do íntimo do ser adorador ao Deus adorado, em comunhão com Ele.

3. Movimentar as Mãos. Neste caso, o verbo é pãrash ("acenar"), expressando a ideia de que as mãos acenam em frente da pessoa, não necessariamente levantadas. Às vezes, parece que o adorador acena as mãos em direção ao templo, ao Céu (1Rs 8:38, 39, 54; Sl 44:20) ou ao Senhor (Êx 9:33). O movimentar das mãos era usado, particularmente, durante as orações de súplica (1Rs 8:54; Is 1:15; Êx 9:29; Lm 1:17) ou quando havia uma profunda necessidade da presença de Deus (Sl 143:6). No salmo 88:9, lemos: "A minha vista desmaia por causa da aflição. SENHOR, tenho clamado a Ti todo o dia, tenho estendido para Ti as minhas mãos".

A necessidade do salmista é tão intensa que ele implora pela ajuda do Senhor. Embora em necessidade profunda, o adorador vai ao Senhor e estende as mãos a Ele, pedindo ajuda. Esse gesto mais intenso era uma expressão pessoal de dependência de Deus (Sl 44:20) e a devoção do coração ao Senhor (Jo 11:13).

4. E Então? Tanto quanto posso apurar, não há aceno com as mãos durante o culto na Bíblia. O levantar das mãos é comum (cf. 1Tm 2:8). A Bíblia não prescreve gestos das mãos na adoração, mas os descreve como prática comum aceitável. A arte dos cristãos primitivos indica que eles costumavam orar com os braços e as mãos estendidas para os lados, formando um crucifixo com o corpo. Hoje, unimos nossas mãos, tanto atrás como na frente do corpo, ou simplesmente as deixamos soltas. Ocasionalmente, podemos juntar as palmas das mãos e entrelaçar os dedos, uma prática comum entre os antigos romanos e sumerianos. Em outros tempos, as palmas eram colocadas juntas com os dedos estendidos, ato comum no budismo e hinduísmo.

A introdução de novidades em nossas igrejas, influenciadas pelo sistema carismático de adoração, pode perturbar um culto que deveria estar centrado em nosso Criador e Redentor e na Sua Palavra. Seria melhor seguir as práticas comuns da congregação onde coletivamente adoramos o Senhor. 

Angel Manuel Rodríguez (via Adventist World)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Universidade adventista abre espaço para a compreensão das religiões


William Johnsson
A Universidade de Loma Linda (EUA) agora conta com um espaço que será dedicado à compreensão das religiões. Inaugurado no dia 28 de janeiro, o centro deve abrir novos caminhos para se estabelecer pontes entre a mensagem adventista e outras culturas. A proposta do projeto é viabilizar pelo menos dois encontros anuais, cada um com ênfase numa religião diferente. Na reunião inaugural (foto acima), o tema em questão foi como melhorar a relação entre cristãos e muçulmanos. 

O painel envolveu alunos, professores e outros funcionários de ascendência árabe, além de um convidado especial responsável por um seminário que recebe estudiosos islâmicos. O espaço, que leva o nome de William Johnsson, em reconhecimento à contribuição dada por ele ao diálogo inter-religioso, será dirigido por Jon Paulien, decano da Escola de Religião da universidade adventista norte-americana. 

[Revista Adventista / Com informações de Heather Reifsnyder, da Adventist Review]

O que é jejum espiritual e por que praticá-lo?


O jejum espiritual é uma das principais ferramentas para a comunhão com Deus. Mas o que significa? Simplificando, é a abstenção de alimento para finalidades espirituais. O objetivo é conduzir uma pessoa à plena lucidez espiritual e facilitar a profunda comunhão com Deus, pois o organismo não utilizará energia para a digestão, de modo que o cérebro terá mais energia para refletir nas coisas espirituais. Como prática religiosa, é voluntário, exige pureza de vida e exclui a exibição.

Para quem é indicado?
1) Para quem tem medo. Existem muitas coisas na vida que nos provocam medo: desemprego, doenças, fome, pessoas más… O jejum proporciona especial oportunidade para íntima comunhão com Deus. A amizade com o Senhor Jesus traz paz e segurança ao coração. (2 Crônicas 20:3, 4).

2) Para quem está arrependido. O arrependimento é obra milagrosa do Espírito Santo. Se o coração encontra-se aflito e há dúvida sobre o perdão divino, faça um jejum. Você terá, na ocasião, espaço ideal para reflexão e leitura da Bíblia. Sendo assim, Deus o fará sentir Seu perdão e promoverá alívio à alma. (1 Samuel 7:6, Jonas 3:5).

3) Para quem busca a conversão. Converter-se significa mudar de direção. Deus deseja nos manter sempre em Seu caminho. Ao povo de Israel, o Senhor solicitou jejuns para levá-lo ao quebrantamento do coração e conduzí-lo à conversão. Faça jejum periodicamente e busque maior comunhão com Deus. (Joel 2:12).

4) Para quem necessita de uma resposta divina. A ação de jejuar o colocará numa condição de entrega a Deus, e o tornará sensível para discernir Suas respostas. ( Ester 4:16).

5) Para quem deseja humilhar o coração. O jejum é um excelente antídoto para o orgulho que deseja instalar-se no íntimo. Por meio dele percebemos que somos completamente dependentes de Deus. (Esdras 8:21, Salmo 35:13).

6) Para quem enfrenta forte provação. Jesus sentia-se fortalecido pelo jejum. Ao enfrentar as terríveis tentações de Satanás, encontrava-se plenamente lúcido. O exemplo de Jesus deve ser seguido. Ao enfrentar tentações ou provações, faça do jejum uma das principais armas espirituais. (Mateus 4:1, 2).

7) Para quem precisa do poder. O jejum precisa resultar em “poder” para quebrar todas as cadeias do mal e libertar os aflitos de alma.

8) Para quem decidiu entregar-se a Deus. O jejum é fundamental para uma vida santa e piedosa diante do Senhor. Todo clamor é ouvido por Deus. (Joel 1:14).

9) Para compreender a Palavra de Deus. Quando se tem alguma dúvida bíblica, o jejum oferece maior facilidade para o estudo e a iluminação do Espírito Santo. O entendimento será aberto pelo Espírito, que o guiará por toda a Verdade.

Como jejuar?
1. Defina o objetivo: peça ao Espírito Santo que mostre claramente a direção e os objetivos para o seu jejum e oração.

2. Faça o seu compromisso: qual a duração do jejum? De meio dia, dia inteiro ou mais? Que tipo de jejum você vai adotar? Tomando apenas água, água e sucos, comendo apenas frutas… Quanto tempo você dedicará à oração e à leitura da Bíblia? De que atividades físicas ou sociais você irá abster-se? Idas a shoppings, TV, Internet…

3. Prepare-se espiritualmente: peça a Jesus perdão por todos os seus pecados e clame pelo batismo do Espírito Santo.

4. Avalie sua condição física: se tiver algum problema de saúde, consulte um médico para saber qual o tipo de jejum ideal pra você.

5. Termine o jejum gradualmente: não coma comidas sólidas imediatamente após o jejum. Se você terminar o jejum aos poucos será melhor para a sua saúde.

6. Programe o próximo jejum: assim como precisamos de um novo enchimento do Santo Espírito diariamente, também precisamos de novos períodos de jejuns perante Deus.

O jejum que Deus não aceita
1. Por orgulho ou penitência: “dizendo: por que jejuamos nós, e tu não atentas para isso? Por que afligimos a nossa alma, e tu não o levas em conta? Eis que, no dia em que jejuais, cuidais dos vossos próprios interesses e exigis que se faça todo o vosso trabalho. Que jejuais para contendas e rixas e para ferirdes com punho iníquo; jejuando assim como hoje, não se fará ouvir a vossa voz no alto” – Isaías 58:3, 4.

2. Praticar o jejum para exibir cristianismo: provocar intrigas e visar interesses egoístas não é aceitável a Deus. O que deveria ser uma bênção, torna-se então uma maldição.

3. O jejum não pode ser uma espécie de “justificação pelas obras”: ou seja, “vou jejuar e me salvar”. A salvação vem unicamente pela fé em Cristo Jesus. O jejum deve ser útil apenas como instrumento de uma busca mais profunda pelo Salvador.

O Senhor Deus deseja conceder-lhe um vigoroso discernimento espiritual, novas percepções de Sua glória e desenvolver em você a fé incondicional. Faça um plano pessoal de jejum. Você se sentirá física, mental e espiritualmente fortalecido, e entenderá claramente as respostas que Deus concede às suas orações.

Texto extraído do livro “Alcance o Poder” de Manassés Queiroz
"O espírito do verdadeiro jejum e oração é o espírito que rende a Deus mente, coração e vontade." (Ellen G. White - Manuscrito 28, 1900)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

12 conselhos de Salomão para usuários de Redes Sociais


Há muitas pessoas que duvidam e minimizam a relevância do Antigo Testamento nos nossos tempos. Essas pessoas provavelmente nunca tiraram um tempo para ler o livro de Provérbios. Eu leio Provérbios quase todo dia, e fico continuamente maravilhado com tamanha relevância desse livro. Parece que a sabedoria é atemporal. As lições que Davi ensinou a Salomão falam a mim e meus filhos tanto quanto falaram a homens e mulheres do Israel antigo. A sabedoria de Deus dada a Salomão continua a ressoar alto e claro em meu coração. 

Se Salomão fosse vivo hoje, e perguntássemos a ele como devemos nos relacionar com os outros neste mundo digital, se perguntássemos a ele como podemos honrar a Deus usando as redes sociais disponíveis a nós hoje, aqui está como ele provavelmente responderia.

1. Conte até dez antes de postar, compartilhar, enviar, submeter
“Você já viu alguém que se precipita no falar? Há mais esperança para o insensato do que para ele”. (Provérbios 29.20). Quantas discussões poderiam ser evitadas e quantos relacionamentos salvos se as pessoas fossem apenas um pouco menos precipitadas em suas palavras? Antes de postar um artigo, ou antes de comentar um status do Facebook, é sempre (sempre!) uma boa ideia reler o que você escreveu e considerar se suas palavras expressam fielmente seus sentimentos e se expressar tais sentimentos é necessário e edificante. E, aproveitando que estou neste assunto, uma revisão ortográfica também não machuca.

2. Deixe o insensato em sua insensatez
“Não responda ao insensato com igual insensatez, do contrário você se igualará a ele.” (26:4). Há momentos em que é melhor deixar um insensato em seu canto que tentar mudá-lo. Algumas vezes é melhor apenas deixá-lo sozinho do que providenciar mais munição para ele. Isso significa que pode ser melhor ignorá-lo, deixar uma repreensão sem resposta, do que atormentá-lo e sofrer sua ira.

3. Exponha a insensatez
“Responda ao insensato como a sua insensatez merece, do contrário ele pensará que é mesmo um sábio.” (26:5). Aqui está – a inegável prova de que a Bíblia se contradiz! Estamos respondendo a um insensato de acordo com sua insensatez ou não? Evidentemente essa “contradição” é deliberada e está na Bíblia para mostrar que não há uma lei absoluta nessa situação. Há momentos em que a insensatez deve ser exposta, ou se o insensato é alguém que você acredita estar honestamente buscando sabedoria, ou se sua insensatez prejudicará outros. Se um insensato está impactando outros, afundando-os em sua insensatez, ele deve ser exposto em favor da saúde da igreja.

4. Saiba quando parar
“Se o sábio for ao tribunal contra o insensato, não haverá paz, pois o insensato se enfurecerá e zombará.” (29:9). Há momentos em que você precisa parar em vez de sustentar um argumento. O insensato não tem real intenção de aprender ou de ser sábio. Pelo contrário, eles apenas buscam oportunidades de proclamar ruidosamente as tolices. Pare e então você pode ficar em paz. Desligue, faça log off, apague – faça o que você precisa fazer.

5. Tenha cuidado com o que você lê
“Como amarrar uma pedra na atiradeira, assim é prestar honra ao insensato.” (26:8). Tenha cuidado com as palavras que você lê e com a sabedoria em que você confia. Os insensatos podem parecer sábios, mas eles ainda guiarão os outros pelo mau caminho. Se você honra um insensato lendo e absorvendo suas palavras, está sendo como uma pessoa insensata que amarra a pedra na atiradeira, tornando a atiradeira inútil e ficando sem defesa.

6. Evite os fofoqueiros
“As palavras do caluniador são como petiscos deliciosos; descem saborosos até o íntimo.” (26:22). Há muito sites, blogs e perfis de Twitter dedicados quase que inteiramente a fofocas, a compartilhar o que é desonroso em vez de compartilhar o que é nobre. Evite essas pessoas e suas fofocas.

7. Seja humilde
“Que outros façam elogios a você, não a sua própria boca; outras pessoas, não os seus próprios lábios.” (27:2). “O orgulho do homem o humilha, mas o de espírito humilde obtém honra.” (29:23). Deixe que os outros te elogiem. Se você nunca recebeu elogios de ninguém, especialmente daqueles que são sábios, pode ser um bom momento para examinar seu coração e examinar se você está andando nos caminhos da sabedoria. Aqueles que são modestos e de espírito humilde receberão honra, enquanto o arrogante será humilhado.

8. Cuide da sua própria vida
“Como alguém que pega pelas orelhas um cão qualquer, assim é quem se mete em discussão alheia.” (26:17). Se você já pegou um cão pelas orelhas, você sabe que isso trará problemas. Pegar um cão desconhecido pelas orelhas trará ainda mais problemas. Fique longe de brigas de outras pessoas em vez de entrar nelas como se fossem suas. Pode haver momentos de entrar em uma disputa teológica ou de tentar mediar uma discordância na blogosfera, mas a sabedoria lhe diria para cuidar da sua própria vida.

9. Não seja um perturbador
“Quem faz uma cova, nela cairá; se alguém rola uma pedra, esta rolará de volta sobre ele.” (26:27). Aqueles que existem apenas para trazer problemas aos outros pagarão um preço. E, infelizmente, na Internet há muitos deles. Não seja um!

10. Examine por que você escreve
“A esposa briguenta é como o gotejar constante num dia chuvoso.” (27:14). O provérbio fala de uma esposa briguenta, mas poderia ser facilmente aplicado a qualquer pessoa. Se você está escrevendo meramente para ser briguento ou porque você curte um argumento, talvez seja melhor encontrar outra coisa para fazer. “O que o carvão é para as brasas e a lenha para a fogueira, o amigo de brigas é para atiçar discórdias.” (26:21). Não seja o tipo de pessoa que atiça contendas por diversão própria.

11. Tome cuidado com o que você ensina
“Quem leva o homem direito pelo mau caminho cairá ele mesmo na armadilha que preparou, mas o que não se deixa corromper terá boa recompensa.” (28:10). Aqueles que escolhem ensinar outros, aceitam uma séria responsabilidade; se eles levam os outros para o mau caminho, eles devem esperar que haverá consequências. Cuidado com o que você ensina, com o que você compartilha, que crenças você expressa. Lembre-se que suas palavras são públicas e que elas podem continuar acessíveis para sempre.

12. Caminhe com o Senhor
“Quem confia em si mesmo é insensato, mas quem anda segundo a sabedoria não corre perigo.” (28:26). E aqui está a chave para todas as outras coisas. Confie no Senhor mais do que em você mesmo. Caminhe com o Senhor e nos caminhos de Sua sabedoria ensinados nas páginas da Bíblia. Seja um homem sábio ou uma mulher sábia na Palavra e não um tolo que confia em sua própria sabedoria (ou na falta dela). Proteja-se com maturidade espiritual, com a verdadeira sabedoria, antes de aventurar no mundo das redes sociais.

Tim Challies | Traduzido por Carla Ventura | Reforma21 | Original aqui