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quinta-feira, 28 de setembro de 2023

SALOMÃO NAS REDES SOCIAIS

Há muitas pessoas que duvidam e minimizam a relevância do Antigo Testamento nos nossos tempos. Essas pessoas provavelmente nunca tiraram um tempo para ler o livro de Provérbios. Eu leio Provérbios quase todo dia e fico continuamente maravilhado com tamanha relevância desse livro. Parece que a sabedoria é atemporal. As lições que Davi ensinou a Salomão falam a mim tanto quanto falaram a homens e mulheres do Israel antigo. A sabedoria de Deus dada a Salomão continua a ressoar alto e claro em meu coração.

Se Salomão fosse vivo hoje e perguntássemos a ele como devemos nos relacionar com os outros neste mundo digital, se perguntássemos a ele como podemos honrar a Deus usando as redes sociais disponíveis a nós hoje, aqui está como ele provavelmente responderia.

1. Conte até dez antes de postar, compartilhar, enviar, submeter. “Você já viu alguém que se precipita no falar? Há mais esperança para o insensato do que para ele” (Provérbios 29:20). Quantas discussões poderiam ser evitadas e quantos relacionamentos salvos se as pessoas fossem apenas um pouco menos precipitadas em suas palavras? Antes de postar um artigo ou antes de comentar, é sempre (sempre!) uma boa idéia reler o que você escreveu e considerar se suas palavras expressam fielmente seus sentimentos e se expressar tais sentimentos é necessário e edificante. E, aproveitando que estou neste assunto, uma revisão ortográfica também não machuca.

2. Deixe o insensato em sua insensatez. “Não responda ao insensato com igual insensatez, do contrário você se igualará a ele” (26:4). Há momentos em que é melhor deixar um insensato em seu canto que tentar mudá-lo. Algumas vezes é melhor apenas deixá-lo sozinho do que providenciar mais munição para ele. Isso significa que pode ser melhor ignorar o troll, deixar uma repreensão sem resposta, do que atormentá-lo e sofrer sua ira.

3. Exponha a insensatez. “Responda ao insensato como a sua insensatez merece, do contrário ele pensará que é mesmo um sábio” (26:5). Aqui está – a inegável prova de que a Bíblia se contradiz! Estamos respondendo a um insensato de acordo com sua insensatez ou não? Evidentemente essa “contradição” é deliberada e está na Bíblia para mostrar que não há uma lei absoluta nessa situação. Há momentos em que a insensatez deve ser exposta, ou se o insensato é alguém que você acredita estar honestamente buscando sabedoria, ou se sua insensatez prejudicará outros. 

4. Saiba quando parar. “Se o sábio for ao tribunal contra o insensato, não haverá paz, pois o insensato se enfurecerá e zombará” (29:9). Há momentos em que você precisa parar em vez de sustentar um argumento. O insensato não tem real intenção de aprender ou de ser sábio. Pelo contrário, eles apenas buscam oportunidades de proclamar ruidosamente as tolices. Pare e então você pode ficar em paz. Desligue, apague – faça o que você precisa fazer.

5. Tenha cuidado com o que você lê. “Como amarrar uma pedra na atiradeira, assim é prestar honra ao insensato” (26:8). Tenha cuidado com as palavras que você lê e com a sabedoria em que você confia. Os insensatos podem parecer sábios, mas eles ainda guiarão os outros pelo mau caminho. Se você honra um insensato lendo e absorvendo suas palavras, está sendo como uma pessoa insensata que amarra a pedra na atiradeira, tornando a atiradeira inútil e ficando sem defesa.

6. Evite os fofoqueiros. “As palavras do caluniador são como petiscos deliciosos; descem saborosos até o íntimo” (26:22). Há muitos perfis dedicados quase que inteiramente a fofocas, a compartilhar o que é desonroso em vez de compartilhar o que é nobre. Evite essas pessoas e suas fofocas.

7. Seja humilde. “Que outros façam elogios a você, não a sua própria boca; outras pessoas, não os seus próprios lábios” (27:2). “O orgulho do homem o humilha, mas o de espírito humilde obtém honra” (29:23). Deixe que os outros te elogiem. Se você nunca recebeu elogios de ninguém, especialmente daqueles que são sábios, pode ser um bom momento para examinar seu coração e examinar se você está andando nos caminhos da sabedoria. Aqueles que são modestos e de espírito humilde receberão honra, enquanto o arrogante será humilhado.

8. Cuide da sua própria vida. “Como alguém que pega pelas orelhas um cão qualquer, assim é quem se mete em discussão alheia (26:17)”. Se você já pegou um cão pelas orelhas, você sabe que isso trará problemas. Pegar um cão desconhecido pelas orelhas trará ainda mais problemas. Fique longe de brigas de outras pessoas em vez de entrar nelas como se fossem suas. Pode haver momentos de entrar em uma disputa qualquer ou de tentar mediar uma discordância, mas a sabedoria lhe diria para cuidar da sua própria vida.

9. Não seja um perturbador. “Quem faz uma cova, nela cairá; se alguém rola uma pedra, esta rolará de volta sobre ele” (26:17). Aqueles que existem apenas para trazer problemas aos outros pagarão um preço. E, infelizmente, na internet há muitos deles. Não seja um!

10. Examine por que você escreve. “A esposa briguenta é como o gotejar constante num dia chuvoso” (27:14). O provérbio fala de uma esposa briguenta, mas poderia ser facilmente aplicado a qualquer pessoa. Se você está escrevendo meramente para ser briguento ou porque você curte um argumento, talvez seja melhor encontrar outra coisa para fazer. “O que o carvão é para as brasas e a lenha para a fogueira, o amigo de brigas é para atiçar discórdias” (26:21). Não seja o tipo de pessoa que atiça contendas por diversão própria.

11. Tome cuidado com o que você ensina. “Quem leva o homem direito pelo mau caminho cairá ele mesmo na armadilha que preparou, mas o que não se deixa corromper terá boa recompensa” (28:10). Aqueles que escolhem ensinar/influenciar outros, aceitam uma séria responsabilidade; se eles levam os outros para o mau caminho, eles devem esperar que haverá consequências. Cuidado com o que você ensina, com o que você compartilha, que crenças você expressa. Lembre-se que suas palavras são públicas e que elas podem continuar acessíveis para sempre.

12. Caminhe com o Senhor. “Quem confia em si mesmo é insensato, mas quem anda segundo a sabedoria não corre perigo” (28.26). E aqui está a chave para todas as outras coisas. Confie no Senhor mais do que em você mesmo. Caminhe com o Senhor e nos caminhos de sua sabedoria ensinados nas páginas da Bíblia. Seja um homem sábio ou uma mulher sábia na Palavra e não um tolo que confia em sua própria sabedoria (ou na falta dela). Proteja-se com maturidade espiritual, com a verdadeira sabedoria, antes de aventurar no mundo das redes sociais.

Tim Challies via Reforma21 |Traduzido por Carla Ventura | Original aqui

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

ESTILO DE VIDA SAUDÁVEL ADVENTISTA NA NETFLIX

Uma nova minissérie da plataforma de streaming Netflix, lançada em agosto de 2023, apresenta em quatro episódios os hábitos nas comunidades experimentados pelas pessoas consideradas mais longevas do mundo. O documentário chamado Como viver até os 100: os segredos das zonais azuis é baseado no livro The Blue Zone: 9 lessons of living longer from the people who’ve live the longest, de autoria do escritor Dan Buettner.

O norte-americano é autor de uma pesquisa que, por mais de duas décadas, averiguou em detalhes quais as razões pelas quais homens e mulheres de pelo menos cinco regiões do planeta alcançam uma vida mais longa. Sua análise se concentrou em Okinawa (Japão), Sardenha (Itália), Icária (Grécia), Nicoya (Costa Rica) e Loma Linda (Estados Unidos).

Em Loma Linda, na Califórnia, a produção audiovisual destacou, no episódio chamado Uma descoberta inesperada (número 2), o estilo de vida saudável de adventistas do sétimo dia. A minissérie mostra entrevistas com idosos que adotam alimentação vegetariana, uma prática regular de exercícios, valorização da família e o descanso sabático semanal. Nas falas, os entrevistados evidenciam um estilo de vida saudável completo que a Igreja costuma chamar de oito remédios naturais.

Sobre adventistas
Em 2017, Buettner, em entrevista ao Portal Adventista, afirmou que “os adventistas estão vivendo uma vida incrível, vendo a saúde como fundamental para sua fé. Eles vivem até uma década a mais do que o resto de nós, e muito de sua longevidade pode ser atribuída ao vegetarianismo e aos exercícios regulares”. E acrescentou, falando das razões para tal longevidade, que “encontrar um santuário no tempo, por exemplo, é uma delas. Uma quebra semanal nos rigores da vida diária, o sábado de 24 horas, provê um tempo para se concentrar na família, em Deus, na amizade e na natureza”.

Em outubro de 2022, a revista Forbes tratou do assunto das blue zones e do estudo de Buettner em uma reportagem. Ao abordar sobre a comunidade adventista em Loma Linda, a matéria jornalística afirmava que “eles têm muito a ensinar em termos de fé e espiritualidade, um dos componentes-chave da longevidade”.

Ministério relevante
A diretora mundial associada do departamento de Saúde da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Kátia Reinert, observa que “a Igreja Adventista do Sétimo Dia, desde a sua formação, foi privilegiada em entender que o plano de restauração de Deus para com o ser humano não é só na área espiritual, mas abrange também o aspecto físico, social, emocional e mental, pois todos estão interligados”.

Na sua avaliação, documentários como esse são importantes por “divulgar esses benefícios juntamente com os princípios bíblicos de vida plena traz relevância à sociedade de hoje quando as pessoas carecem de conhecimento sofrendo muitas vezes desnecessariamente como resultado de doenças físicas e emocionais”.

O diretor sul-americano adventista do departamento de Saúde, pastor Bruno Raso, acrescenta, ainda, que mesmo cientistas admitem que os adventistas alcançam esses índices porque se trata de “uma comunidade onde a religião tem grande influência. Aos sábados, dedicam-se por completo à igreja e ao serviço. E enfatizam uma vida saudável, atividade física moderada, níveis baixos de estresse, dietas e uma comunidade rica em laços familiares”.

Veja o trailer. O episódio com adventistas é o segundo e se chama Uma descoberta inesperada:

 

sexta-feira, 21 de abril de 2023

INFLUENCIADORES DIGITAIS

Para o bem e para o mal, influenciamos e somos influenciados o tempo todo. Mas há um novo fenômeno que potencializou o impacto da ­influência: o surgimento de personalidades que usam Facebook, YouTube, ­Twitter, Instagram, TikTok e outras mídias sociais para mudar a maneira de pensar, consumir e viver das pessoas.

Muitos desses influenciadores digitais são celebridades ou microcelebridades que ganham dinheiro para divulgar produtos e fazer seus seguidores acreditarem que são o que não são e podem ter o que não podem comprar, se bem que há uma crescente cobrança por autenticidade e coerência mesmo nesse ambiente em que o “eu” se torna a mercadoria. Não sei se você é do tipo que compra um par de sapatos só porque um youtuber recomendou ou o algoritmo rastreou suas pegadas. Mas o fato é que os novos influenciadores têm um enorme público.

No ano passado, segundo a plataforma Emarsys, já havia mais de 3,2 bilhões de pessoas usando pelo menos uma mídia social (42% da população mundial). E, de acordo com o ­eMarketer, no Brasil as pessoas passam em média 3 horas e 40 minutos nas mídias sociais por dia. Isso é mais do que o tempo gasto para comer e beber!

Entretanto, o fenômeno da influência digital na sociedade como um todo não é a preocupação aqui. Nosso foco é a presença dele na igreja, algo cada vez mais comum. Em vez de subir à plataforma da igreja para falar à audiência, os influenciadores usam as plataformas da internet para atingir um grande público. Mas será que não estamos trocando o evangelho por hashtags, a velha história por stories, a pregação por postagens, as testemunhas por influenciadores, os discípulos por seguidores? O pior é que os influenciadores criam um “efeito de halo”, em que as pessoas passam a ver o todo pela parte. Que tipo de imagem de Deus, do cristianismo e da igreja eles projetam?

Obviamente, a arte de influenciar pode ser uma grande bênção. Jesus era um influenciador. Paulo era um influenciador. Ele repetiu várias vezes: “sejam meus imitadores” (1Co 4:16; 11:1; Fp 3:17; 2Ts 3:7). Muito antes do surgimento dos influenciadores, Cristo destacou que nós somos o sal da terra e a luz do mundo (Mt 5:13-16). Porém, Ele não disse que somos o silício do Vale ou os bits da informação. Somos pessoas influenciando pessoas.

Por isso, é importante avaliar a qualidade dessas influências. Antes de tudo, o influenciador deve ser um bom cristão e evitar as ideologias. E, se a sua influência não for boa, talvez seja melhor ele ser “cancelado”. Influenciar para o mal pode significar morte espiritual. Infelizmente, o fenômeno tem ganhado tanta força que alguns têm se perguntado: “Será que chegou a hora de sair das mídias sociais?” Talvez não, mas, parafraseando Jesus (Jo 17), precisamos ter consciência de que vivemos no mundo virtual, mas não pertencemos a ele.

Quando a vida se resume ao mundinho do influenciador, suas ideias e seus produtos, o universo se torna pobre demais e o horizonte muito limitado. Se a cultura da celebridade continuar se expandindo na igreja, é sinal de que estamos perdendo a guerra. Como seguidor de Cristo, seja um influenciador do bem e não do mal. Quanto mais ampla for sua esfera de influência, maior será sua responsabilidade.

Vejamos também o que Ellen G. White nos diz sobre a importância dos efeitos de nossa influência como cristãos:

"Nós mantemos uma soleníssima relação uns com os outros. Nossa influência é sempre ou a favor ou contra a salvação de pessoas. Estamos ou juntando com Cristo, ou espalhando por volta. Devemos andar humildemente e fazer retos caminhos, para que não desviemos outros do caminho certo.

Devemos observar a mais estrita castidade, em pensamento, na palavra e no comportamento. Lembremo-nos de que Deus põe nossos pecados secretos à luz do Seu rosto. Há pensamentos e sentimentos sugeridos e despertados por Satanás, os quais molestam mesmo o melhor dos homens; mas se eles não são acalentados, se são repelidos como odiosos, a mente não se mancha com culpa, e nenhuma outra pessoa é desonrada por sua influência. Oh! que cada um de nós se possa tornar um cheiro de vida para vida aos que nos cercam!

As boas qualidades que muitos possuem acham-se ocultas e, em vez de atrair pessoas para Cristo, eles as repelem. Caso essas pessoas pudessem ver a influência de suas maneiras descorteses e rudes expressões, sobre os incrédulos, e quão ofensiva é tal conduta aos olhos de Deus, haviam de reformar seus hábitos; pois a falta de cortesia é uma das maiores pedras de tropeço para os pecadores. Cristãos egoístas, azedos, queixosos, barram o caminho, de modo que os pecadores não se interessam em aproximar-se de Cristo.

Que Cristo seja visto em tudo que fazeis. Vejam todos que sois vivas epístolas de Jesus Cristo. Cada palavra que proferis, cada ato que praticais, tem para com os que convosco se associam uma influência para bem ou para mal; e, oh! quão necessário é que, pela fé, tenhais a Cristo habitando em vosso coração, a fim de que vossas palavras sejam palavras de vida, e vossas obras, atos de amor.

Aquele que procura transformar a humanidade deve compreender ele próprio a humanidade. Unicamente pela simpatia, fé e amor podem os homens ser atingidos e enobrecidos. Neste ponto, Cristo Se revela o Mestre por excelência; de todos os que viveram sobre a Terra, somente Ele tem perfeita compreensão da alma humana" (Mente, Caráter e Personalidade 2, pp. 431-440).

[Com informações de Revista Adventista]

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

REPUTAÇÃO DA IGREJA

Observe estes dois textos escritos por Ellen G. White: 
 
“Caso o povo de Deus mostrasse genuíno interesse em seu próximo, muitos seriam alcançados pelas verdades especiais para este tempo. Coisa alguma dará, ou jamais poderá dar reputação à obra, como ajudar o povo indo ao seu encontro onde se acham” (Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 518).

“Ele sacrificou sua nobre liberdade varonil e se tornou um servil escravo da opinião pública. [...] Convicto como estivesse do valor dos conselhos dados por Jeremias, não tinha a energia moral para obedecer; e como consequência avançou firmemente na direção errada” (Profetas e Reis, p. 458).

Essas duas citações estão em contextos diferentes, mas, de certa forma, tratam da mesma questão de fundo. A primeira diz respeito ao que efetivamente contribui para estabelecer uma boa reputação para a Igreja Adventista do Sétimo Dia. A última se refere ao imprudente rei Zedequias, pouco antes do exílio babilônico, e à sua incapacidade de cumprir a vontade divina, preferindo satisfazer a opinião pública. 

Segundo especialistas, a reputação de uma organização está relacionada ao que se percebe a partir do comportamento da instituição ou de pessoas ligadas a ela. José Carlos Thomaz e Eliane Brito afirmam que “a reputação corporativa se desenvolve ao longo do tempo e é resultado de interações repetidas e de experiências acumuladas nos relacionamentos com a organização. [...] Considera-se, ainda, que a reputação corporativa emerge e é determinada pelas imagens principais ou percepções de uma empresa, comunicadas rotineiramente pela empresa e percebidas pelos seus vários públicos” (Comunicação Corporativa: Contribuição para a Reputação das Organizações”, Organicom – Revista Brasileira de Comunicação Organizacional e Relações Públicas, ano 4, n. 7, p. 143).

Portanto, a forma pela qual a Igreja Adventista é vista depende do tipo de relacionamento que as pessoas interessadas têm com ela. Seja por meio de um contato nas redes sociais da denominação, uma visita a uma congregação ou mesmo por meio da convivência com um membro da igreja. Essa experiência vai compor a percepção que se tem sobre os adventistas e, em última instância, sua reputação. 

Nas redes sociais, pastores e membros contribuem, direta ou indiretamente, para tornar melhor ou pior essa reputação. E isso ocorre de acordo com o que postam ou compartilham. Em última instância, querendo ou não, todos os membros da igreja são representantes da denominação perante os públicos com os quais se relacionam. Por isso, alguns cuidados são válidos ao interagir nas redes sociais: 

Coerência. Ellen G. White ensina que a reputação da igreja está relacionada ao cumprimento da missão adventista. Na prática, isso significa que, quando um membro ou pastor posta algo nas redes sociais, deve ser consciente da necessidade de demonstrar claramente os princípios nos quais afirma acreditar. Desse modo, eles efetivamente pregam o evangelho. Em contrapartida, ao agir de forma preconceituosa, desrespeitosa, hostil ou condenatória, eles acabam depreciando a imagem do evangelho. A melhor forma de pregar nas redes sociais é exaltar as verdades das Escrituras, em vez de criticar os conceitos e ensinos divergentes da cosmovisão bíblica. 

Respeito. Alguém que procura uma congregação adventista geralmente o faz por entender que nela encontrará um ambiente acolhedor, amistoso e benéfico para sua vida. O visitante espera também contar com certa privacidade enquanto frequenta o local. Entretanto, a empolgação típica de nossos dias no mundo virtual faz com que, muitas vezes, o desejo de realizar a primeira postagem sobre a presença de alguém conhecido do grande público em uma programação da igreja gere incômodo à pessoa que só queria ir a um culto e nada mais. Fotos, vídeos e textos sobre tais visitantes precisam passar pelo crivo do bom senso, do respeito à imagem e do direito à privacidade. 

Críticas. Criticar uma organização para que ela corrija seus erros é algo muito importante. Contudo, essa atitude deve ser feita de maneira correta e no ambiente apropriado. A crítica pública, feita por pastores e membros nas redes sociais, pode parecer uma ótima contribuição, mas, efetivamente, não é. Geralmente, essa conduta alimenta raiva, promove discussões infindáveis e poucas vezes resulta em mudanças na organização. 

Quer ajudar a Igreja Adventista a ter uma boa reputação? Excelente! Então, seja um bom usuário das redes sociais. Pense antes de postar, avalie o tipo de mensagem que deseja compartilhar, que alcance isso terá e qual será o objetivo. Pese os prós e contras de sua manifestação pública, porque depois que algo é postado, é impossível anular suas consequências. E estas, muitas vezes, prejudicam a imagem da igreja da qual você e sua família fazem parte.

Felipe Lemos (via Revista Ministério)

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

1 milhão de seguidores no Tik Tok

Foi no meio de um culto que tudo começou. A adolescente Jey Reis, de 17 anos, já usava seu Instagram para falar de Jesus a amigos, mas o pregador daquele dia deu uma dica preciosa: “O aplicativo Tik Tok foi o mais baixado no ano de 2019!”, citou, quando falava sobre a influência das mídias digitais. Jey acredita que o Espírito Santo tocou o seu coração ali mesmo.

Desde então, seu canal já alcançou a marca de 1 milhão de seguidores. Os mais de 300 vídeos têm o objetivo exclusivo de falar de Jesus e já receberam mais de 22 milhões de curtidas. A Agência Adventista Sul-Americana de Notícias conversou com a Jey Jey, como é chamada das redes sociais, que contou sobre o processo e os resultados dessa iniciativa.

O que motivou você a iniciar vídeos no Tik Tok com uma abordagem cristã para jovens e adolescentes?
Atualmente, o Tik Tok tem mais de 1,5 bilhões de usuários. Em Marcos 16:15, Jesus diz: “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” Onde mais poderíamos ir para alcançar todo mundo se não em um lugar onde estão mais de 1,5 bilhões de pessoas? Eu acredito que a internet é um púlpito para a pregação do evangelho.

Como você define os temas e a forma como serão os vídeos? Você conversa com alguém, lê algo ou se inspira em algum outro influencer?
Meus vídeos são bem variados. Tenho vídeos pregando, dublando, vídeos musicais e comédia. Mas sempre com a temática cristã. Para me embasar no que vou falar, sempre busco a inspiração do Espírito Santo e, claro, estudo a Bíblia. Tenho uma rotina de estudo diário, pesquiso bastante na internet e sempre converso com meus pais sobre vários temas. Dessas conversas, saem as melhores ideias pra os meus vídeos.

Como você faz para administrar a reação de adolescentes que enxergam em você uma referência?
A coisa mais importante do que eu faço é saber que nada do que eu tenho é para a minha glória. É tudo dado por Deus, para a honra e glória dEle. Eu sou uma influenciadora que é completamente influenciada por Jesus. E, assim, busco a cada dia ajudar meus seguidores a se aproximarem mais dEle como um amigo.

Fale de alguma experiência de alguém que viu seus vídeos e resolveu fazer um ministério também deste tipo.
Diariamente, recebo mensagens de muitas pessoas me contando que as influenciei a falar de Jesus nas redes sociais. Inclusive, vários pastores! Fico muito feliz sabendo que o meu ministério inspira o início de outros ministérios.

Veja as postagens da Jey Reis no Instagram:

Com informações da ASN

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Entendendo o Evangelismo Digital

O termo evangelismo digital e seus derivados estão na moda em nossos dias, principalmente no momento em que estamos vivendo épocas de distanciamento social, quarentena e igrejas fechadas. O termo também tem relação com a busca por conhecimento para colocá-lo em prática e ser parte desse movimento, que por sinal é muito eficiente e tem um poder maior do que muitos imaginam ou acreditam. Mas em outra oportunidade falaremos sobre isso!

Nessa busca pelo como realizar evangelismo digital, as seguintes perguntas são comuns: como faço para dar estudos bíblicos online? Como faço para pregar na internet? Posso ser um evangelista digital sem ter muitos seguidores? Para pregar na internet, preciso ter boa oratória?

Sempre que ouço perguntas dessa natureza me vem à mente algo interessante. Talvez quem as faz, na verdade, não precisa entender como fazer, mas sim, o que significa, na essência, o tão falado evangelismo digital. É exatamente por isso que quero lhe convidar a tirar um pouco o foco da palavra digital. Para isso, quero apresentar aqui 10 dicas para você refletir:

Ideias
1. Não existem tipos de evangelismo, mas apenas evangelismo. E na prática, “somos convidados a amar as almas como Cristo as amava” [1] e a apresentar “o incomparável amor de Cristo” [2], portanto, esse deve ser nosso objetivo final, seja física ou virtualmente. Partindo desse princípio, o evangelismo digital nada mais é do que uma abordagem do evangelismo, que tem como fim a conversão de pessoas. Isso significa que, para entender como pregar na internet, é necessário primeiro entender como pregar no mundo real. Creio que essa visão torna mais fácil a criação de estratégias de evangelização no meio digital.

2. Não é necessário ser famoso para atuar como um evangelista digital, porém é necessário ser cristão! Foi pesado, não é? Eu sei! Mas é a pura verdade. Ellen White fala algo parecido ao escrever que “todo verdadeiro discípulo nasce no reino de Deus como missionário.” [3] Assim como o evangelismo não deve ser feito apenas por evangelistas renomados, o evangelismo digital não deve ser feito apenas por aqueles que têm muitos seguidores ou uma “vida ativa” nas redes sociais.

3. Nem só de live vive o evangelismo digital. Isso precisa ficar claro para você. Por pensar o contrário, muitos consideram que não têm a capacidade de ser um “evangelista digital”. Aqueles que têm um alcance maior nas redes sociais e possuem oratória para tal, parabéns! Façam suas lives! Mas se você não faz parte desse grupo, não se preocupe, nesse barco tem lugar para todos. Atos 1:8 diz que, ao recebermos o poder do Espírito Santo, seremos testemunhas em Jerusalém, Judeia, Samaria e até aos confins da terra. Mas parece que muitos leem apenas a parte dos confins da terra. Se esquecem de que o texto também fala de Jerusalém, Judeia e Samaria, lugares mais próximos e menos abrangentes.

4. Para evangelizar no digital, siga as premissas do mundo real. Para exemplificar este segundo aspecto, podemos citar os crimes cometidos na internet. Em alguns casos em que crimes são cometidos no meio virtual e não há leis específicas para julgá-los, a justiça se vale das leis “normais”, uma vez que crime é crime, seja qual for o meio em que ele é cometido. Dessa forma, assim como o julgamento de crimes virtuais seguem as mesmas premissas dos crimes da vida real, para o evangelismo digital devemos nos valer das mesmas premissas do “evangelismo tradicional”.

5. Use o digital para conectar pessoas fisicamente. Afinal de contas, uma vida não é transformada digital, mas integralmente (2 Coríntios 5:17). O evangelho e a vida cristã vão muito além de um relacionamento digital. O físico jamais será substituído. Dessa forma, o relacionamento presencial e a necessidade de trazer as pessoas fisicamente aos pés da cruz e à comunidade dos salvos jamais mudará, e se isso é evangelismo, o digital deve servir a esse propósito, conectar fisicamente (Hebreus 10:25).

6. O digital é um meio, não um fim em si mesmo. Como um entusiasta do evangelismo digital, também preciso ser equilibrado e consciente. O evangelismo digital não é um fim em si mesmo. Ele é apenas uma ferramenta/meio para algo muito maior e mais importante. Isso também deve ficar claro para você.

7. Como qualquer ferramenta, o digital não é a melhor estratégia sempre. Pense no digital como um martelo. Para fixar um prego na madeira, uma das partes desta ferramenta acaba cumprindo com a função de forma ideal. Já para tirar o prego da madeira, existem as orelhas do utensílio que ajudam mais. Agora pense em utilizar o martelo para serrar uma madeira. Será que ele vai ser útil? Claro que não! Agora mudemos um pouco o exemplo. Para dar estudos bíblicos a amigos que moram longe, o digital é uma boa ferramenta? Sim! Por outro lado, para dar estudos bíblicos a um amigo de faculdade, fazê-lo digitalmente é a melhor opção? Bom, nesse caso precisa-se analisar todo o contexto, porém em um olhar menos clínico e mais pontual, a resposta é não. Se você tem uma proximidade física com a pessoa, o estudo presencial deve ser a sua primeira opção, afinal de contas, em linhas gerais, um estudo presencial é didático e uma reunião presencial pode ter um significado maior para quem participa. Lembre-se de que conhecer a Cristo é um equilíbrio entre a razão e a emoção.

8. Mesmo em estratégias físicas, conecte recursos digitais para o reforço. Se você faz estudos bíblicos de forma presencial com uma pessoa, utilize o WhatsApp para dizer que está orando por ela, envie uma música ou um vídeo e diga que se lembrou dela. Isso também é evangelismo digital!

9. Não condicione o evangelismo. Pretendo escrever algo específico sobre esse aspecto, mas por hora quero apenas que você reflita sobre isso. De alguma forma, os pontos anteriores já lhe ajudaram a fazer essa reflexão, porém acho importante pontuar de forma clara e direta. Como o digital não é um fim em si mesmo e sim uma ferramenta, ao fazer o planejamento de evangelização a principal pergunta não é “como posso usar o digital para evangelizar?”, mas sim “como posso evangelizar?”. Em segunda instância, pode entrar a pergunta: “ferramentas digitais se encaixam no cenário?”. Percebe a diferença? Em uma abordagem você condiciona o evangelismo ao meio digital, na outra você avalia se e como o digital pode ser empregado no evangelismo.

10. Coloque a missão em primeiro lugar. Meu convite final é para que você coloque em primeiro lugar a missão, peça a Deus que Ele lhe ajude a cumpri-la, sem se preocupar com tecnologia ou conhecimentos técnicos, quanto a essa segunda parte, tenha certeza de que Ele lhe mostrará o como!

Acredito que o entendimento desses pontos, por mais simples que possam parecer, será de grande valia para que você saiba como cumprir a missão usando os recursos tecnológicos.

Natanael Castro (via Missão Digital)

Referências:

[1] White, Ellen G. Manuscrito 42.
[2] Idem.
[3] White, Ellen G. Serviço Cristão, p. 9.

terça-feira, 16 de junho de 2020

O futuro das lives após a pandemia

Uma pesquisa feita recentemente com 1.930 membros e frequentadores da Igreja Adventista na região do Planalto Central brasileiro mostrou que 82,3% deles têm acompanhado regularmente, nos últimos três meses, os cultos e programações on-line dos seus ou mesmo de outros templos adventistas. Nesse período, eles estiveram fechados por conta do isolamento social. Agora, com o retorno gradativo das atividades presenciais, algumas questões vêm à tona: este público, que adaptou-se a uma “igreja virtual”, voltará a congregar in loco? As programações on-line continuarão com força ou tendem a extinguir-se?

Para o gerente de estratégias digitais da Igreja Adventista na América do Sul, Carlos Magalhães, alguns fatores levam a crer que nem todos os membros retornarão às igrejas imediatamente. “Muitos estarão com medo [da Covid-19], ou preferirão manter-se isolados para proteger os seus familiares. Outros seguirão acomodados, acompanhando conteúdo espiritual pela internet”, avalia.

Apesar disto, o diretor de comunicação da organização, pastor Rafael Rossi, acredita que o senso de pertencimento a uma comunidade ainda fala alto, o que se comprova em outro dado da pesquisa mencionada acima: 52,4% dos entrevistados, mesmo em casa, preferem assistir a pregações feitas pelos seus respectivos pastores e líderes, ao invés de buscarem programações de outras igrejas. Isto pode indicar que haverá um grupo relativamente expressivo retornando às suas congregações em breve.

Ainda que o fechamento dos templos pela pandemia tenha tornado necessária a migração dos cultos e reuniões para o ambiente virtual, Rossi reforça que esta foi uma medida provisória, e não deve tornar-se um padrão. “Um cristianismo sem igreja pode até durar, mas está longe do ideal projetado por Jesus. O cristão precisa da comunidade. Se eu vivo de maneira isolada, deixo de exercitar os meus dons e apoiar a caminhada espiritual do meu próximo. É na igreja que eu ajudo e sou ajudado”, argumenta.

O ministério digital continua
A fala de Rossi, entretanto, não pressupõe que cultos e outros conteúdos on-line deixarão de existir após a pandemia. Há anos a Igreja Adventista tem usado a internet para transmitir a mensagem do evangelho, e Rossi explica as razões: “Há um grupo de pessoas que só serão alcançadas desta forma. Esse é o ambiente das novas gerações. Nós não queremos criar uma Igreja digital, mas temos usado este meio para trazer as pessoas para perto de um Jesus real”.

Para Magalhães, o aumento significativo dos pedidos de oração que chegam pelos canais oficiais adventistas é uma prova disso. “Como Igreja, já atingimos o clímax das produções e fidelizamos um público; agora essas pessoas interagem conosco e, numa conversa despretensiosa, acabamos apresentando um Jesus que elas não conheciam. Esse é o grande diferencial: a qualidade do atendimento ao público que cativamos”, considera ele.

O departamento de comunicação da igreja do Unasp, campus São Paulo, tem trabalhado na mesma linha. Além das transmissões dos cultos tradicionais, a equipe mantém programas regulares de estudos bíblicos e oração intercessora que engajam o público e trazem resultados reais, como o batismo de dezenas de pessoas. Para o diretor da equipe, o especialista em Marketing Fábio Bérgamo, esse é o verdadeiro sentido de uma igreja ter presença on-line. “Eu não tinha ideia do poder de uma transmissão até participar disso. A mensagem vai chegando através dos telhados, como Cristo afirma em Mateus 10:27. Isso é o cumprimento da missão; é como vamos alcançar as pessoas nesses últimos dias”, reflete.

Estratégia e inovação
Ao observar o comportamento dos internautas que acompanham os canais oficiais da Igreja Adventista, Magalhães pontua alguns fenômenos recentes: “No início da pandemia, nós agimos rápido e entregamos às pessoas o que elas precisavam: lives com temas escatológicos e sobre a relação entre a pandemia e o fim do mundo. A nossa audiência aumentou muito no primeiro mês. De lá pra cá, outras ondas já vieram, como a das lives musicais. Mas, nas últimas semanas, quase metade dos internautas deixou de assistir a esse tipo de conteúdo”.

Para o especialista, o motivo é a saturação do público: “As pessoas perdem o interesse muito rápido, e a Igreja, no meio digital, precisa ser ágil para continuar relevante”. Por isso, Magalhães e sua equipe têm se antecipado às tendências e trabalhado com novas estratégias para os meses que se seguem: “A previsão é que a próxima onda é sobre saúde. As pessoas perceberam que não dá pra permanecer em quarentena, então estão buscando fortalecer a imunidade, e temos preparado conteúdo para isso. Também notamos que elas estão à procura de temáticas bíblicas mais profundas e se engajando mais na missão; estamos suprindo isso também”.

E esta agilidade só é possível sob planejamento e estratégia. Para Bérgamo, estes itens são ainda mais importantes que a qualidade técnica das produções. “O sucesso está em conhecer o seu público e entregar o que ele precisa”, afirma o diretor, que viu a audiência on-line da igreja do Unasp disparar em menos de um ano após uma repaginada na metodologia comunicacional.

A adequação das mensagens ao momento e ao contexto social faz parte da nova estratégia; a exemplo, desde o início da pandemia, os pregadores têm alinhado seus sermões a temas escatológicos e de esperança para o futuro. Atualmente, os seus canais no Youtube e Facebook somam uma das maiores audiências entre as programações evangélicas do País nestas plataformas.

Vanessa Arba (via ASN)

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Como transmitir ao vivo o culto da igreja: Um guia prático

A pandemia provocada pelo novo coronavírus no Brasil obrigou o país a adotar medidas para que sejam evitadas aglomerações de pessoas e se interrompa a cadeia de transmissão do Covid-19. Desde então a Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) tem adaptado sua rotina para cumprir as recomendações e ajudar a preservar a saúde dos fiéis e amigos. Uma dessas adaptações foi a realização de cultos e reuniões através da internet. Um instrumento da tecnologia que cada vez mais tem mostrado sua força como forma de divulgação da mensagem cristã.

Mas transmitir ao vivo um sermão ou culto pode ser um desafio assustador, especialmente para igrejas de pequeno a médio porte que não têm orçamento e equipe para executar essa produção. A seguir, é apresentado um guia prático de como as igrejas pequenas ou médias podem começar a transmitir ao vivo.

Qual plataforma devemos usar?

As duas principais opções para transmissão de vídeo ao vivo são o Facebook e o YouTube, mas existem outras opções. Vale a pena considerar os prós e contras de cada uma.
  • Facebook. O Facebook é uma escolha fácil, porque a maioria das igrejas já investiu tempo e recursos em suas páginas no Facebook. Se você usa o Facebook, poderá alcançar alguns de seus seguidores por meio de uma notificação de que sua igreja está “indo ao ar”. Também vale a pena considerar aspectos negativos do Facebook Live. O Facebook é financiado por produtores de conteúdo que pagam para que seu conteúdo alcance mais pessoas. Por esse motivo, o Facebook não será incentivado a ajudar seu vídeo ao vivo a atingir todo o público. Eles querem que você pague por um público mais amplo. Na prática, descobri que as notificações por vídeo do Facebook Live são recebidas por cerca de um terço dos seguidores da página. Outra consideração é que, embora os vídeos do Facebook Live sejam acessíveis a usuários que não sejam do Facebook, a interface e a facilidade de acesso são limitadas. Se você quisesse, por exemplo, incorporar seu vídeo semanal em seu site, para aqueles que não puderam assistir ao vivo, saiba que não será fácil trabalhar com vídeos do Facebook Live. Apesar desses contratempos, o Facebook Live pode fazer sentido para sua igreja, dependendo da sua presença existente no Facebook e de como você deseja lidar com os vídeos depois que eles estiverem completos. Para um guia de instruções para o Facebook Live, confira esta página. Uma coisa útil a fazer é executar uma avaliação com a configuração de privacidade em “particular”. Isso permitirá que você teste a interface antes de disponibiliza-la para o público pela primeira vez.
  • Youtube. A maioria das igrejas de pequeno a médio porte tende a não investir muito tempo ou energia no YouTube. Por esse motivo, suspeito que muitas igrejas que fazem vídeos ao vivo pela primeira vez selecionem uma opção diferente. Apesar do desafio de criar um novo canal do YouTube para sua igreja (vinculado a uma conta do Google no YouTube), existem alguns excelentes motivos para considerar essa plataforma. Primeiro, o YouTube financia sua plataforma por meio de anúncios e não por meio de produtores de conteúdo. Isso significa que o YouTube é incentivado a disponibilizar seu vídeo o mais amplamente possível, incentivando você a criar mais conteúdo e alcançar mais espectadores (na esperança de que você seja elegível para anúncios mais cedo ou mais tarde). Assim como o Facebook, os assinantes recebem notificações quando seu canal entra no ar, e eu acho essas notificações mais onipresentes do que os vídeos ao vivo sem estímulo do Facebook. O YouTube reproduz bem em sites, incorporando-se bem a eles após a conclusão do vídeo, e você também pode compartilhar o link do vídeo no Facebook. Uma consideração missional, para o YouTube, é que sua plataforma é o principal local onde a geração do milênio e a Geração Z buscam o consumo de conteúdo. O YouTube fornece acessos muito mais fáceis, para que pessoas que não são da igreja, descubram sua transmissão ao vivo. Aqui está um artigo sobre como entrar no ar no YouTube (em Inglês).
  • Zoom. Dependendo do tipo de formato ao vivo que você deseja buscar, o Zoom é um método confiável para reuniões menores e mais íntimas. Por exemplo, algumas igrejas domésticas na China usam o Zoom para permitir que os pastores continuassem ensinando pequenos grupos enquanto não pudessem se reunir em suas principais instalações. Várias igrejas também usam o Zoom para facilitar estudos bíblicos, reuniões de equipe e discussões dos sermões ao longo da semana. O Zoom é gratuito se suas reuniões tiverem menos de 100 pessoas e menos de 40 minutos. Se você for maior ou mais, precisará pagar. Outras alternativas, como o Skype e o Google Hangouts Meet, são opções viáveis, mas problemas de confiabilidade levaram muitas organizações a adotar o Zoom.
  • Opções de terceiros. Embora exista uma variedade de alternativas ao Facebook e ao YouTube (mesmo algumas construídas especificamente para igrejas), elas parecem menos úteis, por várias razões. Primeiro, os membros de sua igreja já “moram” em determinados espaços online (como Facebook e YouTube). É muito mais fácil fornecer a eles recursos nas plataformas que eles conhecem do que tentar implementar algo novo. Segundo, o Facebook e o YouTube tem boa manutenção e são confiáveis. Eles tendem a se comportar da maneira esperada (quando são bem-sucedidos e quando falham!), enquanto as plataformas “não-padrão” podem enfrentar muitos problemas técnicos inesperados.

Melhores práticas de transmissão ao vivo para igrejas

Depois de entrar em uma plataforma, é necessário considerar o formato ao qual sua experiência de transmissão ao vivo levará. Aqui estão algumas perguntas comuns e práticas recomendadas a serem consideradas.

Devemos tentar transmitir o culto completo, ou apenas a pregação/ensino?

Se você está fazendo mais do que cantar músicas escritas de antes da década de 1920, provavelmente está executando um conteúdo protegido por direitos autorais. Existem maneiras complexas de lidar com isso, mas, por motivos de simplicidade e por razões legais, recomendo que você omita a parte musical do seu culto na transmissão ao vivo. Se houver anúncios que você gostaria de dar ou problemas específicos que deseja resolver, lembre-se de que você está alcançando um público mundial. Você também precisa garantir que sua câmera seja posicionada de forma a não capturar menores, vítimas de abuso etc, para sua segurança e para seus próprios fins legais.

Devemos transmitir o monólogo da pregação ou tentar algo diferente?

O melhor uso de um vídeo ao vivo não é uma câmera no fundo da sala, capturando conteúdo, mas um vídeo em que o palestrante interage com os comentários ao vivo, durante o vídeo ou depois, via comentários ou pessoalmente. As igrejas que tentam transmitir para uma congregação que é totalmente remota podem se sentir mais confortáveis ​​em manter o modelo tradicional de pregação. Mas vale a pena considerar incentivar os espectadores a comentar com perguntas ou comentários que possam ser respondidos após o sermão. Alguém que esteja manejando a câmera pode monitorar os comentários em um dispositivo separado e prepará-los para o período de discussão pós-sermão.
Como alternativa, algumas igrejas podem optar por usar a transmissão ao vivo de maneira mais estratégica, em um formato de diálogo ou misto, interrompendo o ensino com seções de perguntas e respostas designadas (“Comente, e discutiremos suas perguntas em 10 minutos”) ou participando de uma interação contínua da audiência ao longo do vídeo (“Obrigado por sua pergunta, (nome), vamos responder a isso…”). O Zoom ou outras mídias de vídeo mais diretas podem ser mais propícias a um ambiente de diálogo, se você não se importar de limitar o público.

Como devemos posicionar a câmera, interagir com ela ou preparar o cenário?

O posicionamento da câmera ao vivo sempre fica melhor quando o ângulo está no nível dos olhos de quem está falando. Em um cenário ideal somente ao vivo, o palestrante ou pregador está falando diretamente com a câmera, fazendo contato visual com os visualizadores do vídeo. Os ângulos abaixo do palestrante tendem a ser pouco agradáveis. A iluminação simples na forma de lâmpadas, anel de luzes ou um kit de iluminação básico podem ajudar bastante a aprimorar seu vídeo, dependendo de como você lida com a câmera.

Que tecnologia devemos usar?

Se você está começando do zero, no que se trata de tecnologia de gravação de vídeo, aqui estão algumas opções a serem consideradas, em níveis, de acordo com seu orçamento e as habilidades técnicas de sua equipe.
O nível 1 consiste em gravar vídeos ao vivo via celular. A vantagem aqui está em sua portabilidade e custo. É essencialmente gratuito (você pode adicionar o custo de um suporte de R$ 20 para o smartphone e um microfone de R$ 100 para melhorar a qualidade) e propiciar uma ótima experiência informal, que se presta bem a plataformas de vídeo ao vivo, proporcionando uma experiência pessoal e “por trás das cenas” para seguidores que poderiam ser perdidos à medida que a qualidade da produção aumenta.
O nível 2 já exige a gravação de vídeo, ao vivo, através de uma câmera dedicada. O equipamento principal neste nicho é a câmera Mevo. Que gira em torno de US $ 500 a US $ 1.000, a Mevo fornece uma ótima solução para vídeos ao vivo. A qualidade da produção da Mevo é significativamente mais alta que a do telefone celular, retém parte da informalidade da plataforma e fornece uma solução barata de vídeo ao vivo de um ponto fixo. A partir do nível 2, você poderá transmitir para o Facebook e também para o YouTube ao mesmo tempo.
O nível 3 é uma solução mista que oferece mais controle do que a Mevo, mas não exige um orçamento substancial de mídia. Um dos melhores exemplos aqui é o Boxcast. Por US $ 100 por mês, você obtém o hardware e o software necessários para transmitir seu serviço na Web. Você também precisará investir em câmeras capazes de capturar em HD (na faixa de US $ 500 a 1.000 por câmera), além de um microfone e amplificação de alta qualidade (talvez o que sua igreja já use funcione). Outras soluções de software baseadas em computador (como Restream ou OBS) podem alcançar alguns dos resultados do Boxcast com um pouco de experiência e conhecimento técnico.
O nível 4 envolve a captura de vídeo HD que é processada e transmitida ao vivo por várias câmeras. Esse nível geralmente só é acessível para igrejas com orçamentos de sete dígitos ou equipes substanciais de mídia. A qualidade da produção é extremamente alta, mas também é importante observar o princípio da Navalha de Occam: quanto mais câmeras, equipamentos de áudio, computadores, software de transmissão etc, estiverem envolvidos, maior a probabilidade de que algo dê errado de forma desastrosa. Uma organização só deve tentar a produção ao vivo de nível 4 quando uma equipe experiente estiver no comando.
A decisão entre esses níveis envolve três fatores:
Orçamento: o nível 1 custará entre US $ 0 e US $ 50. O nível 2 está entre US $ 500 e US $ 1.000. O nível 3 é um investimento de US $ 1.200 por ano com custos iniciais em torno de US $ 1.000. O nível 4 poderia facilmente começar em torno de US $ 10.000.
Equipe: converse com seus pastores ou equipe do Ministério de Comunicação de sua associação para determinar com o que eles se sentem confortáveis ou usam com mais frequência. Ao mesmo tempo, tenha cuidado ao comprometer-se com métodos obscuros ou complexos de hardware, software ou streaming, que não funcionem, a menos que um único membro da equipe tenha habilidade para executá-los.
Visão: Embora sua igreja possa estar assumindo um compromisso temporário com a transmissão ao vivo, o planejamento inteligente de como vocês investem durante esta temporada pode colher dividendos para o seu ministério no futuro. Portanto, certifique-se de que as compras que vocês fizerem ou os métodos que experimentarem, atendam bem a longo prazo. Pense no uso futuro de sua tecnologia, caso decida interromper a transmissão ao vivo de seus cultos. Isso pode incluir vídeos de atualização no meio da semana, anúncios pré-gravados, batismo ou outros testemunhos, séries especiais de ensino e Escola Sabatina.

Devagar e Crescendo

Quando se trata de transmissão ao vivo, comece devagar e cresça com o tempo. Não se frustre se sua primeira tentativa parecer um desastre, mas não deixe de pesquisar, analisar comentários, examinar experiências e fazer da sua próxima tentativa um sucesso. Peça à equipe do Ministério de Comunicação de sua associação que forneça informações sobre as melhores práticas. Por meio dessa colaboração, você pode encontrar maneiras de melhorar seus esforços, ajudando também outras igrejas a crescer em suas capacidades.
[Com informações de Voltemos ao Evangelho]

segunda-feira, 23 de março de 2020

Comunicação eficiente em tempos de pandemia

A pandemia do Covid-19 (novo coronavírus) desencadeou diversas discussões que certamente mudaram e ainda mudarão a forma de a sociedade se comportar. E um dos aspectos, que quero destacar aqui, tem a ver com a comunicação e a informação compartilhada. Em situações de surtos epidêmicos ou pandêmicos, a literatura científica sempre ressalta duas preocupações básicas: a necessidade de comunicação estratégica e o risco das informações equivocadas para tomada de decisão coletivas e individuais em termos de prevenção.

Não quero esgotar o tema, pois é amplo e possui várias nuances. Mas me proponho agora a comentar três aspectos importantes neste contexto de comunicação em tempos de pandemia. E, depois, quero deixar três sugestões de ações práticas para nossa reflexão, levando em conta, também, o ambiente religioso.

Três aspectos a levar em conta:

Comunicação efetiva e objetiva é essencial
Em um artigo, pesquisadores do Reino Unido ressaltaram algo básico, mas que parece esquecido. “Estratégias de comunicação efetiva são aquelas capazes de conter a preocupação do público e, ao mesmo tempo, informar os cidadãos sobre a ameaça, além de influenciá-los a realizar ações preventivas”. [1]

Significa dizer que a comunicação precisa ser direcionada para ajudar as pessoas a realizarem a prevenção necessária e, obviamente, dimensionar o tamanho da ameaça. E não gerar medo e pânico. Ponto para organizações, como a Igreja Adventista do Sétimo Dia, por meio de suas várias instituições, que tem informado as pessoas de sua comunidade quanto a como se prevenir, tanto em nível individual (cuidados com higiene, etc) quanto em nível coletivo (suspensão de cultos, eventos, etc).

Comunicação precisa ser confiável, transparente e planejada
Em 2005, a Organização Mundial da Saúde produziu um documento[2] com as linhas para uma comunicação em situações de surtos. Basicamente, o material fala da importância de as informações divulgadas, seja por governos ou organizações privadas, serem confiáveis, anunciadas previamente, transparentes, perto da linguagem do público e planejadas.

Comunicação eficiente entende os indivíduos como multiplicadores da informação
É inegável que hoje as pessoas, individualmente, são os mais rápidos meios de comunicação existentes. Nos grupos de Whatsapp, ou em comentários e posts nas redes sociais, as pessoas recebem informação e reagem imediatamente. Comunicação em tempos de pandemia precisa olhar para isso. “Essa característica é uma oportunidade para a comunicação do risco, provendo um modelo de comunicação de mão dupla, em oposição aos modelos tradicionais limitados a uma única via, onde a audiência apresenta-se como destinatários passivos, sem possibilidade de participação efetiva no processo, como já discutido anteriormente”.[3]

Diante disso, tenho três sugestões:

Informe-se, mas em boas fontes
Há boas fontes confiáveis de informações, com embasamento científico, disponíveis para pesquisa sobre surtos como o Covid-19. Leia e acompanhe, mas evite compartilhar com outros dados equivocados e supostos métodos de prevenção sem qualquer fundamento científico. Seja um cooperador para ajudar e não para causar mais confusão e medo.

Fuja do catastrofismo e do sensacionalismo
Claro que, biblicamente, é possível entender que pestes deste tipo foram preditas e indicam que vivemos perto dos tempos finais, ou seja, a volta de Jesus. Inclusive o próprio Jesus, em Mateus capítulo 24, falou a respeito disso. Mas evite apresentar este tipo de informação em tom de catástrofe. Procure apresentar toda a Bíblia e seus ensinos como uma mensagem de esperança e conforto em uma hora como esta. Da mesma maneira, evite aumentar ainda mais o alarmismo com dados científicos. Mas lembro: isso não significa ignorar a realidade do que se vive. Mas agir sem exageros.

Seja um multiplicador de boas práticas
Se você entendeu que possui algo realmente interessante para repassar a outros, compartilhe. Podem ser boas notícias gerais sobre prevenção em relação ao surto ou conteúdos que ajudem as pessoas a enfrentar fisicamente, mentalmente e espiritualmente períodos de isolamento social, quarentena, etc. Mas um conselho: não passe o tempo inteiro monitorando dados sobre surtos, epidemias e pandemias. Faça outras atividades para você mesmo não criar uma bolha de medo e ansiedade. Há profissionais que já se dedicam a verificar isso.

Felipe Lemos (via ASN)

Referências:

[1] Outbreak Communication Challenges when Misinformation Spreads on Social Media. / Vijaykumar, Santosh; Jin, Yan; Pagliari, Claudia. In: Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde (RECIIS), 28.03.2019.

[2] World Health Organization. Outbreak Communication Guidelines, 2005. Disponível em: https://bit.ly/manualoms

[3] Lima, Tarcísio. (2019). Os modelos de comunicação do risco em epidemias: a emergência da Zika no Facebook das autoridades de saúde brasileira e norte-americana, p. 48.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Cuidado com as expressões e vícios de linguagem na igreja

É interessante notar como, com o tempo, certas expressões de linguagem e “vícios” de comportamento acabam sendo incorporados e cristalizados no meio religioso (no que diz respeito às expressões, isso é até normal, em qualquer língua falada). A lista abaixo é apenas uma sugestão para ajudar especialmente os líderes e comunicadores das igrejas a aprimorar o trabalho que desempenham e que é muito importante para Deus e para a comunidade:

1. “Vamos cantar o hino ....... para a entrada da plataforma.” A plataforma, sobre a qual ficam o púlpito e as cadeiras do pregador e dos oficiantes, nunca entra, a menos que tenha rodinhas e seja móvel. A plataforma sempre está lá. Quem entra são os oficiantes do culto ou componentes da plataforma. Alguns podem alegar que em “entrada da plataforma” há elipse e metonímia. Correto. Outros podem argumentar que o uso consagrou a expressão, apesar da incorreção. Igualmente correto. Então, para evitar maiores discussões, poderíamos simplesmente cantar para que entrem os oficiantes que compõem a plataforma, sem precisar chamá-los. Que tal?

2. Já que mencionamos a música, é bom lembrar que o ideal é anunciar os hinos pelo nome e depois informar o número deles. Assim, fica melhor: “Vamos cantar o hino ‘Jubilosos Te adoramos’, nº 14.” E nada de dizer “Vamos cantar o hino três, quatro, dois.” O correto é “trezentos e quarenta e dois”.

3. “Senhor, abençoa os que não puderam vir por motivo justo.” Esse tipo de súplica é comum em cultos de oração (às quartas-feiras), quando geralmente há menos pessoas na igreja. Infelizmente, é um tipo de oração legalista que procura excluir das bênçãos de Deus certas pessoas. Se alguém deixou de ir à igreja por “motivo injusto”, aí, sim, é que devemos orar por essa pessoa. O melhor mesmo é ser inclusivo e orar: “Senhor, abençoa aqueles que não puderam vir. Que Teu Espírito esteja com eles neste momento.” Outro detalhe: tem gente que parece ter fixação pelos que não vieram à igreja. O dirigente começa a reunião e já dispara: “Apesar de termos muitos bancos vazios...” ou “Mesmo sendo poucos...” Vamos valorizar os que estão presentes. Pra que ficar falando toda hora de quem não veio? Nenhum apresentador de TV fala sobre os que não estão assistindo ao seu programa... Quem não veio que ore em casa por si mesmo e vá à reunião seguinte, se for possível.

4. “Aqueles que puderem, vamos nos ajoelhar para orar.” Essa também já virou “vício”. É evidente que somente se ajoelharão aqueles que puderem. E os que não puderem por certo serão tão poucos que nem é preciso mencionar. Essa frase é dispensável.

5. “Senhor, que Tuas bênçãos venham de encontro às nossas necessidades.” Tenho certeza de que quem ora dessa maneira não quer esbarrar nas bênçãos de Deus nem ser atingido por elas. Vir de encontro é se chocar contra. O correto, então, é pedir que as bênçãos de Deus venham ao encontro das nossas necessidades, ou seja, estejam de acordo com o que precisamos.

6. “Viemos aqui para celebrar...” Viemos é pretérito perfeito de “vir”. Talvez o mais adequado seja dizer “vimos”, presente do indicativo de “vir”. Mas dizer “Vimos aqui” fica muito formal, não é? Então, que tal mudar para algo do tipo: “Estamos aqui para celebrar...”? Na dúvida, saia pela tangente e busque sempre a maneira mais simples (porém correta) de falar.

7. “Senhor, abençoa esta semana que para nós é desconhecida”; “Não temos mérito algum, mas confiamos nos méritos do Teu filho Jesus Cristo”; etc. Não há nada de gramaticalmente errado nessas frases, mas será que quem as usa está pensando no que diz? Aqui quero chamar atenção para as “frases feitas” que povoam nossas orações. Oração, como bem definiu Ellen White, é abrir o coração a Deus como se faz com um amigo. Portanto, as orações, mesmo as feitas em público, deveriam ser dirigidas a Deus com palavras simples e sem modismos ou tradicionalismos ditos automaticamente.

8. “Quando a porta da graça for fechada”; “Depois do tempo da sacudidura”; “O povo remanescente da profecia”; “A pena inspirada registra que...”; “O povo laodiceano”; “Segunda hora”; “Vamos para o lava-pés”; “O departamento de Mordomia”, “Fazer o pôr do sol” (não precisa fazer, ele é automático!); “Devolução do pacto”; etc. Novamente, nada há de errado com essas frases e expressões. Mas imagine que você não é adventista ou não é cristão e está visitando uma igreja adventista pela primeira vez. Como interpretaria essas expressões? Entenderia alguma coisa? Portanto, os pregadores devem tanto quanto possível evitar o “adventistês”. Se tiverem que usar termos do jargão adventista, o melhor é explicá-los em seguida. Nossa mensagem tem que ser clara, simples e universal. 

9. Devemos evitar também termos denominacionais (esse é um deles) que se referem à estrutura da igreja e que não têm muito sentido para quem não os conhece. Imagine a cena: alguém anuncia que naquela manhã de sábado falarão "o pastor da União e o pastor da Divisão". Alguém pode pensar que um é bom, pois promove a união, e o outro é mau. Assim, o ideal é explicar os termos ou simplesmente dizer: “Hoje falarão o pastor fulano, diretor de Educação da Igreja no Estado de São Paulo, e o pastor cicrano, líder de Jovens para a América do Sul.” Por que “diretor” e “líder”? Porque é mais claro que “departamental”.

10. As pessoas oram, cantam alguns hinos e depois o dirigente diz: “Para começarmos o culto, cantemos o hino...” A oração e os hinos anteriores não eram parte do culto? Eram o que, então?

11. Outro “vício” envolve a palavra “possa” (e suas variantes) e até lança dúvida sobre o poder de Deus. Quer um exemplo? “Senhor, que Tu possas nos perdoar os pecados. Que Tu possas conceder a cura ao irmão fulano e que nós possamos ser fieis a Ti.” Além de ficar sonoramente feio, quando repetido, o “possa” aplicado a Deus relativiza o poder dEle. É claro que Deus pode! Talvez Ele não queira algumas coisas, mas que pode, pode. Assim, melhor seria orar: “Senhor, perdoa nossos pecados. Se Tu quiseres, cura o irmão fulano e ajuda-nos a ser fieis a Ti.”

12. Imperativos são outro problema. Errado: “Senhor, cure”, “Senhor, ouça”, “Senhor, atenda”, “Senhor, faça”. Correto: “Senhor, cura”, “Senhor, ouve”, “Senhor, atende”, “Senhor, faze”. Ok, essa é um pouco mais complicada, mas, com o tempo, um pouco de estudo e atenção, é possível orar direitinho sem perder a espontaneidade. Devemos sempre oferecer o melhor a Deus, inclusive nosso melhor português possível. 

13. Como mais ninguém (a não ser os mais antigos e alguns preciosistas) usa a palavra “genuflexos”, basta dizer “ajoelhados”. Sim, porque “de joelhos” (desde que tenhamos pernas completas) sempre estaremos, mesmo quando ajoelhados. O mesmo vale para “de pé”. O certo é “em pé”. (Porém, fica aqui o registro de que o Dicionário Houaiss já aceita a expressão “de joelhos”.)

14. Devemos evitar o uso abusivo da palavra “alma”. Exemplos: “Foram batizadas mais de quinhentas almas”; “Sair para a conquista de almas”; “Ganhador de almas”; etc. Para os que entendem “alma” como uma entidade separada do corpo e que sai dele quando a pessoa morre, falar em “conquista de almas” talvez possa configurar a intenção de proceder a essa separação, ou seja, praticar assassinato! Melhor substituir a palavra “alma” por “pessoa”, que é exatamente o sentido bíblico.

15. Para encerrar esta lista (mas não o assunto e a preocupação que ele levanta), não poderíamos deixar de fora expressões exclusivistas, como, por exemplo, “não adventistas”. Você conhece alguém que gosta de ser chamado “não”? “Apresento-lhes este meu não parente.” Horrível, né? Então, evitemos termos que dão a impressão de que somos um clube fechado, exclusivo. Nada de “não adventista”, “mundanos”, etc. Podemos nos referir a “amigos visitantes”, “irmãos evangélicos”, etc. É mais simpático.

Resumindo: temos que descomplicar nossa linguagem e liturgia a fim de que não criemos barreiras para a compreensão da mensagem que é simples e clara: Deus nos ama e quer nos salvar.

Michelson Borges (via Criacionismo)