quinta-feira, 13 de abril de 2017

Armagedom, Terceira Guerra Mundial e a Contenção Divina

Podemos considerar o Armagedom como a terceira guerra mundial?
Muitas teorias especulativas têm sido propostas na tentativa de interpretar o Armagedom mencionado em Apocalipse 16:12-16. Hoje, uma das mais populares é a de que ele será uma guerra nuclear de grandes proporções. Como já ocorreram duas guerras mundiais, e o texto bíblico fala que nesse confronto estarão envolvidos os “reis do mundo inteiro” (verso 14), muitos imaginam que o Armagedom só poderá ser uma terceira guerra mundial. Por mais fascinante e lógica que essa ideia possa parecer, ela não passa de uma teoria especulativa, sem base bíblica.

Conflitos bélicos certamente continuarão existindo, e mesmo se intensificando, até o fim dos tempos (ver Mt 24:6-8). Mas o Armagedom é descrito no livro do Apocalipse como “a peleja do grande Dia do Deus todo-poderoso” (16:14), travada entre os poderes demoníacos da “besta” e dos “reis da terra, com os seus exércitos”, de um lado, e o “Rei dos reis e Senhor dos senhores” e “o seu exército”, do outro (19:16 e 19).

A natureza essencialmente espiritual desse conflito é confirmada pela participação nele tanto de Cristo, o “Rei dos reis e Senhor dos senhores” que monta o “cavalo branco” (Ap 19:11, 16, 20), quanto do “dragão”, que é Satanás, e de outros “espíritos de demônios” (Ap 16:13 e 14 e 12:9). Os dois grupos conflitantes serão definidos pelo seu relacionamento com os “mandamentos de Deus” e o “testemunho de Jesus” (Ap 12:17). De um lado, estarão “os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus”, e que, consequentemente, não adoram “a besta e a sua imagem”; e, do outro, estarão os que adoram “a besta e a sua imagem”, e que, por conseguinte, não “guardam os mandamentos de Deus” e que não “têm o testemunho de Jesus” (Ap 12:17, 14:912).

Longe de ser um mero conflito bélico-nuclear, o Armagedom será o confronto cósmico final entre as forças do bem e os poderes do mal, no qual será decidido, para sempre, quem é digno de adoração (comparar com 1Rs 18). Embora os ímpios se prepararão belicamente para a batalha (Ap 16:14; ver também 20:7-9), cremos que os justos jamais assumirão uma postura de combatência militar (ver Mt 5:38-48, Rm 12:17-21). Nesse conflito espiritual (ver Ef 6:10-18), Cristo e os Seus anjos pelejarão em favor dos justos, triunfando definitivamente sobre Satanás e suas hostes (Ap 20:1-21:8).

Alberto R. Timm (via Centro White)

Contenção Divina
Segundo as profecias, o destino da Terra não está sujeito à boa-vontade de líderes humanos. O Soberano do universo intervém para conduzir o mundo a um desfecho específico. Quando parece que os povos vão se destruir, Deus age para contê-los. No Apocalipse, isso é representado pela imagem de quatro anjos segurando os quatro ventos do céu (Apocalipse 7:1).

A chave para se compreender essa simbologia está no sexto selo (Apocalipse 6:12-17). Nessa seção, fala-se de eventos cataclísmicos, que culminam no recolhimento das nuvens e a fuga dos “reis da terra” e de “todo escravo e todo livre”, que se abrigam “nas cavernas e nos penhascos dos montes” (ou seja, refere-se aos “eventos finais que conduzirão para a segunda vinda de Cristo”).[1] Pedem que os montes e rochedos caiam sobre eles e os escondam “da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro”. E a seção termina com uma pergunta contundente: “chegou o grande Dia da ira deles e quem é que pode suster-se?” (v. 17).

O capítulo 7, que constitui um parêntese entre o sexto e o sétimo selos, parece responder à pergunta feita em 6:17. Nele, apresentam-se “quatro anjos em pé nos quatro cantos da terra, conservando seguros os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem sobre árvore alguma” (Apocalipse 7:1). Na Bíblia e no simbolismo apocalíptico, o número quatro representa as quatro direções (norte, sul, leste e oeste), transmitindo a ideia de uma abrangência global, a totalidade do mundo (1Crônicas 9:24; Isaías 11:2; Jeremias 49:36; Ezequiel 7:2; Zacarias 2:6).

Os quatro anjos representam “os agentes divinos no mundo, retendo as forças do mal até que a obra de Deus no coração dos seres humanos seja concluída e o povo do Senhor receba o selo na testa”.[2] Assim como as casas dos israelitas foram marcadas com sangue para serem protegidas antes da última praga e do próprio êxodo, e algo semelhante tenha ocorrido no tempo do exílio (Ezequiel 9:1-11), no tempo do fim, o povo de Deus receberá um sinal distintivo para ser protegido contra as imensas destruições reservadas para os últimos momentos antes da volta de Jesus (Mateus 24:30, 31; 1Tessalonicenses 4:16-18).

Na Bíblia, Deus é o Senhor dos ventos (Amós 4:13). O Criador os utiliza para cumprir seus propósitos na Terra (Gênesis 8:1; Êxodo 10:13; 14:21). Ventos servem para destruir e proteger, trazer alimento (Números 11:31) ou a privação dele (Gênesis 41:6); nas mãos de Deus, o “vento abrasador” é um instrumento de juízo (Salmos 11:6; 48:7), como elemento desagregador (Salmos 18:42; 35:5). Na metáfora poética, Deus “cavalga um querubim”, voa “nas asas do vento” (Salmos 18:10; 104:3).

Porém, é nos textos dos Profetas que a imagem do vento assume um significado mais útil para a compreensão do símbolo apocalíptico. Vento se torna uma metáfora para a ação destruidora das nações que resulta na dispersão e no cativeiro (Jeremias 4:11-13; 18:17; 22:22; 49:32, 36; 51:1, 16; Ezequiel 5:2, 10; 13:11, 13; 17:21; Oseias 8:7; 12:1; 13:15; Hebreus 1:11). É tomado como símbolo apocalíptico em Daniel 7:1 a 8 e se apresenta com o mesmo significado no Apocalipse.

Na fase final da história humana, a Divindade atua para conter os impulsos violentos das nações. O livro de Daniel nos dá um vislumbre da ação dos mensageiros divinos junto aos governantes humanos – “o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia” (Daniel 10:13). Os quatro anjos simbólicos de Apocalipse 7 representam a ação de anjos reais, sem desconsiderar a atividade imprescindível do Espírito Santo, simbolizada pelos “sete espíritos de Deus enviados por toda a terra” (Apocalipse 5:6; comparar com 1:4; 3:1; 4:5).

Consciência e ação
Para a escritora Ellen White, mensagem apocalíptica dos quatro anjos segurando os quatro ventos tem implicações espirituais profundas quanto à consciência sobre o tempo em que vivemos, à condição espiritual de cada um e, especialmente, quanto à missão. Destaco a seguir algumas de suas mensagens sobre os quatro anjos e a contenção dos ventos:

1) “Os (…) ventos serão a incitação das nações para um combate fatal”, por parte de Satanás (Maranata, p. 173).

2) Apesar de a paz mundial se encontrar num estado de “incerteza”, com as nações “iradas” e fazendo “grandes preparativos de guerra”, “está ainda em vigor a ordem dada nos anjos, de segurarem os quatro ventos” (Maranata, p. 241).

3) Os acontecimentos são iminentes, apesar de ainda não ter chegado a hora da “batalha final” (Eventos Finais, p. 229).

4) Mesmo agora o “refreador Espírito de Deus está (…) sendo retirado do mundo. Furacões, tormentas, tempestades, incêndios e inundações, desastres em terra e mar, seguem-se um ao outro em rápida sequência” (Serviço Cristão, p. 52).

5) Tudo depende do fim da intercessão de Cristo no santuário celestial. Quando isso ocorrer, os anjos deixarão de segurar os ventos, e virão “as sete últimas pragas”, que são juízos divinos (Eventos Finais, p. 245).

6) Não há espaço para complacência. Devemos travar uma inevitável luta espiritual pela transformação do caráter (Testemunhos Seletos, volume 2, p. 217).

7) Agora é o momento de alcançar o mundo com a mensagem para este tempo (Testemunhos Seletos, volume 2, p. 374).

A paz entre as nações é apenas um verniz de civilidade e respeito mútuo. Se as paixões humanas pervertidas assumem o controle, toda a diplomacia desmorona. “Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição” (1 Tessalonicenses 5:3). Somente o Rei dos Reis pode impedir que nos destruamos uns aos outros. Ele refreia o ímpeto destrutivo das nações, para preservar a vida. Portanto, como Jesus disse, não precisamos viver “assustados”, pois as guerras são um dos sinais do fim, mas não o fim (Marcos 13:7).

De nossa parte, cabe orar “em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito” (1 Timóteo 2:2). Precisamos ter consciência de que a paz e a liberdade religiosa são uma dádiva, a qual devemos ajudar a preservar, como os maiores pacifistas. O tempo de graça e liberdade que temos deve ser aproveitado ao máximo para salvar pessoas. Nos dias atuais, não podemos brincar de ser cristãos. Devemos levar a sério nossa identidade e missão.

Diogo Cavalcanti (via Apocalipses)

[1] Ranko Stefanovic, Revelation of Jesus Christ. Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 2ª ed., 2009, p. 259.

[2] Francis Nichol (ed.). Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, vol. 7, 2014, p. 864.

O que a Bíblia e o Espírito de Profecia dizem sobre corrupção

"O suborno corrompe o coração”. Eclesiastes 7:7
O empresário Marcelo Odebrecht, condenado na Operação Lava Jato, revelou em delação premiada à força-tarefa do Ministério Público Federal como operava o setor de propinas do grupo que presidiu até ser capturado por ordem do juiz federal Sérgio Moro.

Em longos e sucessivos relatos a uma numerosa equipe de procuradores da República, o mais poderoso empreiteiro do País escancarou negociatas, tráfico de influência, fraudes em licitações bilionárias, conluios e a corrupção que atingiu as mais altas instâncias do poder público.

Os depoimentos de Odebrecht, gravados em áudio e vídeo pela Procuradoria-Geral da República, compõem a base dos 76 inquéritos que o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, mandou abrir porque envolvem deputados, senadores, governadores, ministros e outros políticos que detêm foro privilegiado. Outras investigações serão abertas em graus inferiores da Justiça – nestes casos, os investigados são ex-políticos ou agentes públicos que não desfrutam do foro especial. Os vídeos da delação de Marcelo Odebrecht foram liberados pelo STF nesta quarta, 13.

Assista aqui à delação premiada de Marcelo Odebrecht.

Mas há quem pense que a corrupção seja um fenômeno recente na sociedade. Se o fosse, não haveria tantas advertências da Bíblia e do Espírito de Profecia contra ela.

A Bíblia e a Corrupção
Advertência contra a corrupção no funcionalismo público
“Chegaram também uns cobradores de impostos, para serem batizados, e lhe perguntaram: Mestre, que devemos fazer? Respondeu-lhes: Não peçais mais do que o que vos está ordenado”. Lucas 3:12-13

Advertência contra a corrupção policial
“Então uns soldados o interrogaram: E nós, o que faremos? Ele lhes disse: A ninguém trateis mal, não deis denúncia falsa, e contentai-vos com o vosso soldo”. Lucas 3:14

Advertência contra a corrupção no Poder Judiciário
“Não torcerás a justiça, nem farás acepção de pessoas. Não tomarás subornos, pois o suborno cega os olhos dos sábios, e perverte as palavras dos justos. Segue a justiça, e só a justiça, para que vivas e possuas a terra que o Senhor teu Deus te dá”. Deuteronômio 16:19-20

“Também suborno não aceitarás, pois o suborno cega os que têm vista, e perverte as palavras dos justos”. Êxodo 23:8

“O ímpio acerta o suborno em secreto, para perverter as veredas da justiça”. Provérbios 17:23

“Ai dos que... justificam o ímpio por suborno, e ao justo negam justiça”. Isaías 5:22a,23

“Até quando defendereis os injustos, e tomareis partido ao lado dos ímpios? Defendei a causa do fraco e do órfão; protegei os direitos do pobre e do oprimido. Livrai o fraco e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios. Eles nada sabem, e nada entendem. Andam em trevas”. Salmos 82:2-5a

“Não farás injustiça no juízo; não favorecerás ao pobre, nem serás complacente com o poderoso, mas com justiça julgarás o teu próximo”. Levítico 19:15

“Pereceu da terra o homem piedoso, e não há entre os homens um que seja reto. Todos armam ciladas para sangue; cada um caça a seu irmão com uma rede. As suas mãos fazem diligentemente o mal; o príncipe exige condenação, o juiz aceita suborno, e o grande fala da corrupção da sua alma, e assim todos eles são perturbadores”. Miquéias 7:2-3

Advertência contra a corrupção no Poder Executivo
“Os teus príncipes são rebeldes, companheiros de ladrões; cada um deles ama o suborno, e corre atrás de presentes. Não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa das viúvas”. Isaías 1:23

“Pela justiça o rei estabelece a terra, mas o amigo de subornos a transtorna”. Provérbios 29:4

“Abominação é para os reis o praticarem a impiedade, pois com justiça se estabelece o trono”. Provérbios 16:12

Advertência acerca dos assessores corruptos
“Tira o ímpio da presença do rei, e o seu trono se firmará na justiça”. Provérbios 25:5

Advertência contra a corrupção no Poder Legislativo
“Ai dos que decretam leis injustas, e dos escrivães que escrevem perversidades, para privar da justiça os pobres, e para arrebatar o direito dos aflitos do meu povo, despojando as viúvas, e roubando os órfãos! Mas que fareis no dia da visitação, e da assolação, que há de vir de longe? A quem recorrereis para obter socorro, e onde deixareis a vossa glória, sem que cada um se abata entre os presos, e caia entre os mortos?” Isaías 10:1-4

Advertência contra a corrupção e a ganância no meio empresarial
“No meio de ti aceitam-se subornos para se derramar sangue; recebes usura e lucros ilícitos, e usas de avareza com o teu próximo, oprimindo-o. E de mim te esqueceste, diz o Senhor Deus. Eu certamente baterei as mãos contra o lucro desonesto que ganhastes...” Ezequiel 22:12-13a

“Melhor é o pouco, com justiça, do que grandes rendas, com injustiça”. Provérbios 16:8

“O que oprime ao pobre para aumentar o seu lucro, ou o que dá ao rico, certamente empobrecerá”. Provérbios 22:16

Advertência contra juros absurdos praticados pelo Sistema Financeiro
“O que aumenta a sua fazenda com juros e usura, ajunta-a para o que se compadece do pobre”. Provérbios 28:8

“Sendo o homem justo, e fazendo juízo e justiça (...) não oprimindo a ninguém, tornando ao devedor o seu penhor, não roubando, dando o seu pão ao faminto, e cobrindo ao nu com vestes; não dando o seu dinheiro à usura, não recebendo demais, desviando a sua mão da injustiça, e fazendo verdadeiro juízo entre homem e homem; andando nos meus estatutos, e guardando os meus juízos, para proceder segundo a verdade, o tal justo certamente viverá, diz o Senhor Deus”. Ezequiel 18:5,7-9

“Se emprestares dinheiro ao meu povo, ao pobre, que está contigo, não te haverás com ele como credor; não lhe imporás juros”. Êxodo 22:25

“Aos retos até das trevas nasce a luz, pois é compassivo, compassivo e justo. Bem irá ao que se compadece e empresta, que conduz os seus negócios com justiça. (...) É liberal, dá aos pobres, a sua retidão permanece para sempre; a sua força se exaltará em glória”. Salmos 112:4-5,9

Advertência acerca dos direitos trabalhistas
“Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva, quando contendiam comigo, então que faria eu quando Deus se levantasse? E, inquirindo ele a causa, que lhe responderia?” Jó 31:13-14

“Chegar-me-ei a vós para juízo, e serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros e contra os adúlteros, e contra os que juram falsamente, e contra os que defraudam o trabalhador, e pervertem o direito da viúva, e do órfão, e do estrangeiro, e não me temem, diz o Senhor dos Exércitos”. Malaquias 3:5

“Vós, senhores, dai a vossos servos o que é de justiça e equidade, sabendo que também vós tendes um Senhor nos céus”. Colossenses 4:1

“Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás. O salário do operário não ficará em teu poder até o dia seguinte”. Levítico 19:13

Advertência contra lucros desonestos
“O mercador tem balança enganadora em sua mão; ele ama a opressão”. Oséias 12:7

“Não terás dois pesos na tua bolsa, um grande e um pequeno. Não terás duas medidas em tua casa, uma grande uma pequena. Terás somente pesos exatos e justos, e medidas exatas e justas, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá. Pois o Senhor teu Deus abomina todo aquele que pratica tal injustiça”. Deuteronômio 25:13-16

“Balança enganosa é abominação para o Senhor, mas o peso justo é o seu prazer”. Provérbios 11:1

“O peso e a balança justos são do Senhor; obra sua são todos os pesos da bolsa”. Provérbios 16:11

“Poderei eu inocentar balanças falsas, com um saco de pesos enganosos?” Miquéias 6:11

“Não cometereis injustiça nos julgamentos, nas medidas de comprimento, de peso ou de capacidade. Balanças justas, pesos justos, efa justo, e justo him tereis. Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito.” Levítico 19:35-36.

Imagine se nossos políticos tivessem a Bíblia como livro de cabeceira, em vez de "O Príncipe" de Maquiavel. Veriam que a corrupção não compensa. 

Espírito de Profecia e a Corrupção
Segue abaixo alguns textos de Ellen G. White nos advertindo sobre a corrupção:

"Vivemos em meio de uma epidemia de crime, diante da qual ficam estupefatos os homens pensantes e tementes a Deus em toda parte. A corrupção que predomina está além da descrição da pena humana. Cada dia traz novas revelações de conflitos políticos, de subornos e fraudes. Cada dia traz seu doloroso registro de violência e ilegalidade, de indiferença aos sofrimentos do próximo, de brutal e diabólica destruição de vidas humanas. Cada dia testifica do aumento da loucura, do assassínio, do suicídio. Quem pode duvidar que instrumentos satânicos se achem em operação entre os homens, numa atividade crescente, para perturbar e corromper a mente, contaminar e destruir o corpo?" (A Ciência do Bom Viver, pp. 142 e 143)

"O pernicioso suborno, a malversação de recursos, as transações fraudulentas entre homens que têm autoridade para soltar os culpados e condenar os inocentes — toda essa iniquidade está enchendo outras grandes cidades da Terra e tornando o mundo como ele era nos dias que precederam o Dilúvio." (Carta 230, 1907)

"Advogados, juízes, senadores tornar-se-ão corruptos, e, entregando-se ao suborno, deixar-se-ão comprar e vender." (Manuscrito 154, 1898)

"A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo (Tia. 1:27)." (Beneficência Social, p. 29)

"Não há muitos, mesmo entre educadores e estadistas, que compreendam as causas em que se fundamenta o presente estado da sociedade. Os que detêm as rédeas de governo não são capazes de solver o problema da corrupção moral, da pobreza, do pauperismo e da criminalidade crescente. Estão lutando em vão para colocar as operações comerciais em bases mais seguras. Se os homens dessem mais atenção aos ensinos da Palavra de Deus, encontrariam solução para os problemas que os assoberbam." (Testimonies, vol. 9, pp. 12 e 13)

"A onda de corrupção que rola sobre o mundo é resultado do mau emprego e abuso da maquinaria humana." (Carta 145, 1897)

"A corrupção política está destruindo o amor à justiça e a consideração para com a verdade." (O Grande Conflito, p. 578)

"Este é um século em que a corrupção prolifera por toda parte." (Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, p. 591)

"Nesta época de corrupção, quando nosso adversário, o diabo, anda em derredor bramando como leão, buscando a quem possa tragar, vejo a necessidade de erguer minha voz em advertência: 'Vigiai e orai, para que não entreis em tentação' (Marcos 14:38)." (Conselhos para a Igreja, p. 109)

Dia Internacional do Beijo - O Beijo na Bíblia

É difícil saber, ao certo, o que motivou a criação da data comemorativa, mas diz a história - verdadeira ou não - que o italiano Enrique Porchelo beijava todas as mulheres que encontrava na vila em que vivia, casadas ou não. Em 13 de abril de 1882, o padre local teria oferecido um prêmio em moedas de ouro às mulheres que não haviam sido beijadas pelo "Don Juan". Conta a lenda que nenhuma apareceu e que o tesouro está escondido em algum lugar da Itália até hoje.

No Antigo Testamento o substantivo beijo, do hebraico neshîqâ, procede de uma raiz primitiva (nashaq) cujo significado básico é pegar fogo, queimar, acender, com a ideia de fixar, amarrar. No hebraico, o verbo beijar significa literalmente tocar levemente. No grego do Novo Testamento, o vocábulo para beijo deriva-se de phileo, amor, amizade, afeição. 

Na Bíblia estão representados todos os motivos do beijo. Seus simples significados se recolhem em muitos textos distribuídos pelas páginas sagradas.

Beijo de amor 
O beijo de amor, dado nos lábios, parece ser o mais efusivo que se conhece na Bíblia, especialmente em sua literatura poética. Ct 1:2 o evoca com palavras da protagonista: “Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o seu amor do que o vinho”. Em Pv 24:26, o autor do texto anterior, Salomão, vale-se do amor profundo que supõe o beijo nos lábios para o pôr como exemplo da boa resposta: “Beija com os lábios o que responde com palavras retas”. O primeiro beijo de amor entre Jacó e sua prima Raquel, ao encontrá-la pela primeira vez, foi um beijo de saudação de duas pessoas parentes: "E Jacó beijou a Raquel, e levantou a sua voz, e chorou” (Gn 29:11).

Beijo de amigo
Desde que se conheceram, “…a alma de Jônatas se ligou com a alma de Davi: e Jônatas o amou, como à sua própria alma” (1Sm 18:1). Quando ambos os jovens se vêem forçados a se separarem, as lágrimas e os beijos exteriorizam a forte amizade que os unia: “E, indo-se o moço, levantou-se Davi da banda do sul, e lançou-se sobre o seu rosto em terra, e inclinou-se três vezes: e beijaram-se um ao outro, e choraram juntos, até que Davi chorou muito mais” (1Sm 20:41).

Beijo paternal
Absalão não era precisamente um modelo de filho. Suas ambições pessoais o levaram s sublevar-se contra seu pai Davi e teve um final trágico. Porém Davi o amava. Levado à sua presença, depois de um período de afastamento, o rei pai beija o filho: “Então entrou Joabe ao rei, e assim lho disse. Então chamou a Absalão, e ele entrou ao rei, e se inclinou sobre o seu rosto em terra diante do rei: e o rei beijou Absalão” (2Sm 14:33). Em outra cena ingrata, Labão se queixa contra Jacó de não lhe haver permitido beijar suas filhas e netos (Gn 31:28). Em plena dúvida e num diálogo cordial, Labão beija e abençoa a todos: “E levantou-se Labão pela manhã de madrugada, e beijou seus filhos, e suas filhas, e abençoou-os, e partiu; e voltou Labão ao seu lugar” (Gn 31:55).

Beijo filial
O homem judeu manifestava seu amor filial por meio do beijo. Quando Elias pede a Eliseu que o siga, este lhe responde: “Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe, e então te seguirei” (1Rs 19:20). Jacó usava o beijo para agradar a vontade do pai acerca dos seus próprios interesses. Perto da morte, cego e acamado, Isaque confunde Jacó com Esaú e lhe diz: “Ora chega-te, e beija-me, filho meu. E chegou-se, e beijou-o; então cheirou o cheiro dos seus vestidos, e abençoou-o” (Gn 27:26-27).

Beijo fraternal
O beijo fraternal está representado em Moisés e Aarão. “E disse também o Senhor a Aarão: Vai ao encontro de Moisés ao deserto. E ele foi, encontrou-o no monte de Deus e beijou-o” (Êx 4:27). Quando o apóstolo Paulo estava prestes a partir de Mileto, os anciãos da Igreja de Éfeso ficaram tão comovidos, que “lançaram-se ao pescoço de Paulo e o beijaram ternamente” (At 20:17, 37).

Beijo entre genro e sogro
Moisés recebe a visita de seu sogro Jetro, que chega acompanhado de sua filha, mulher de Moisés, e netos. Os dois homens se saúdam com um beijo: “Então saiu Moisés ao encontro de seu sogro, e inclinou-se, e beijou-o, e perguntaram um ao outro como estavam, e entraram na tenda” (Êx 18:7).

Beijo entre sogra e nora
Muitas sogras e noras protagonizam a vida do VT. Porém não temos notícias de mulheres tão unidas como Noemi (a sogra) e Rute (sua nora). O amor que Rute tinha por Noemi tinha mais valor que sete filhos (Rt 4:15). Noemi enviuvou e morreram seus dois únicos filhos varões. Rute permanece junto a ela. Sua outra nora, Orfa, se despede de Noemi com lágrimas e beijos: “Então levantaram a sua voz, e tornaram a chamar: e Orfa beijou a sua sogra, porém Rute se apegou a ela” (Rt 1:14).

Beijo de perdão
José, tipo de Cristo no Velho Testamento, dá provas de seu grande coração. Desprezado e invejado por seus irmãos, vendido a mercadores que o revenderam como escravo, quando se encontra de novo com seus irmãos enche seus rostos com beijos de perdão. A dignidade de seu rasgo não impede a espontânea explosão sentimental: “E beijou a todos os seus irmãos, e chorou sobre eles; e depois seus irmãos falaram com ele” (Gn 45:15).

Beijo de reconciliação
Esta variante do beijo está representada no NT entre um pai perdoador e um filho pródigo e, no VT, por Esaú e Jacó. Estes dois irmãos andavam em disputas contínuas e Esaú toma a iniciativa do reencontro com um beijo reconciliador: “Então Esaú correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e lançou-se sobre o seu pescoço, e beijou-o; e choraram” (Gn 33:4). Mais conhecida é a parábola do filho pródigo. Diz Lucas: “E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão, e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou” (Lc 15:20).

Beijo assassino
Joabe, chefe do exército de Davi, assassina seu primo Amasa com uma adaga que levava escondida. Antes de a cravar nas suas costas, o beija. Triste prelúdio de aliança entre a traição e o beijo, tão repetida na história: “E disse Joabe a Amasa: Vai contigo bem, meu irmão? E Joabe, com a mão direita, pegou da barba de Amasa, para o beijar. E Amasa não se resguardou da espada que estava na mão de Joabe, de sorte que este o feriu com ela na quinta costela, e lhe derramou por terra as entranhas; e não o feriou segunda vez, e morreu” (2Sm 20:9-10).

Beijo hipócrita
Absalão beijava seus interlocutores com beijos superficiais, interesseiros, hipócritas. Beijos que conseguiam os resultados propostos: “Dizia mais Absalão: Ah! Quem me dera ser juiz na terra! Para que viesse a mim todo o homem que tivesse demanda ou questão, para que lhe fizesse justiça. Sucedia também que, quando alguém se chegava a ele para se inclinar diante dele, ele estendia a sua mão, e pegava nela, e o beijava. E desta maneira fazia Absalão a todo o Israel que vinha ao rei para juízo: assim furtava Absalão o coração dos homens de Israel” (2Sm 15:4-6).

Beijo de morte
O beijo do vivo ao morto, beijo frio, beijo de dor e de impotência, se encontra no último capítulo de Gênesis. Quando Jacó morre, José beija seu cadáver: “Então José se lançou sobre o rosto de seu pai; e chorou sobre ele, e o beijou. E José ordenou aos seus servos, os médicos, que embalsamassem a seu pai; e os médicos embalsamaram a Israel” (Gn 50:1-2).

Beijo de mulher sedutora
O autor de Provérbios apresenta mui graficamente, com circunstâncias concretas e imagens reais, o caso de uma sedutora (adúltera ou prostituta) que com carícias, meiguice e astúcias consegue atrair um jovem inexperiente (Pv 7:6-23). A descrição do beijo se encontra no versículo 13. 

Beijo idólatra
Beijar, como ato de adoração para com os deuses falsos, que os pagãos devam às suas imagens religiosas, está registado em 1Rs 19:18: “Também eu fiz ficar em Israel sete mil; todos os joelhos que se não dobraram a Baal, e toda a boca que o não beijou”. E em Os 13:2: “E agora multiplicaram pecados, e da sua prata fizeram imagem de fundição, ídolos segundo o seu entendimento, todos obra de artífices, dos quais dizem: Os homens que sacrificam beijem os bezerros”.

Beijo traidor
O beijo mais famoso nas páginas do NT e, possivelmente em toda a Bíblia, é o beijo traidor dado por Judas a Cristo. Pv 27:6, diz que “fiéis são as feridas feitas pelos que ama, mas os beijos do que aborrece são enganosos”. Dos quatro Evangelistas, três deles mencionam a cena do beijo traidor. João a silencia. O texto de Lucas o conta assim: “E, estando ele ainda a falar, surgiu uma multidão; e um dos doze, que se chamava Judas, ia adiante dela, e chegou-se a Jesus para o beijar. E Jesus lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do homem?” (Lc 22:47-48).

Beijo de adoração
Lucas conta a cena: “E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele; e, entrando em casa do fariseu, assentou-se à mesa. E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento; e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o unguento” (Lc 7:36-38).

Beijo santo
Na Igreja primitiva era corrente o beijo da paz, chamado também beijo santo, que se praticava indistintamente entre pessoas de ambos os sexos. Paulo mostrava tal sinceridade e amor santo que se lembrou deste costume íntimo e fraternal nos seus escritos. Em Rm 16:16, vemos que os irmãos se saudavam com um beijo no rosto em sinal de cordialidade e cumprimento: “Saudai-vos uns aos outros com santo ósculo. As Igrejas de Cristo vos saúdam”. Vemos também em 1Co 16:20, em 2Co 13:12, em 1Ts 5:26 e Pedro também o menciona: “Saudai-vos uns aos outros com ósculo de caridade. Paz seja com todos vós que estais em Cristo Jesus. Amém” (1Pe 5:14).

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Grito

“Aí Jesus deu um grito forte e morreu.” (Marcos 15:37 NTLH)
Não há um jeito mais humano de morrer – um grito. Na cruz, os lábios que só conheciam benção, louvor e cura são de repente violados por um grito – expressão que ultrapassa as barreiras do tempo, do espaço, da linguagem, e comunica mais que as próprias palavras.

Sombras intrusas roubam as cores do espetáculo sinistro que toma lugar. Escuridão... Se em Seu nascimento houvera luz à meia-noite, em Sua morte há trevas ao meio-dia. Ausência de luz, denunciando a ausência do Pai. E um grito de dor. Nada poderia feri-Lo com maior intensidade do que a estranha sensação de abandono do céu.

O quadro romântico que os artistas pintaram ao longo da história não passa de uma fórmula adulterada da cena vexatória protagonizada por um homem nu. Na Bíblia, nudez é um símbolo de pecado. Onde há nudez, há pecado. Foi assim no Éden, na criação, quando o primeiro casal pecou. Foi assim depois do dilúvio, na recriação, quando Noé pecou. É assim na mensagem profética para a última igreja, nas cartas do Apocalipse. O mesmo aconteceu na cruz... Ali, sobre dois toscos pedaços de madeira, toda vergonha do mundo repousava num só homem. Deus estava nu. Em Cristo, Deus tomou nosso pecado. Carregou todas as vergonhas consigo, mas nem sequer uma delas era Sua. Era peso demais. Era estranho demais.

E um grito cortou o coração da mãe, sangrou o coração do pai, mas dividiu a história em duas. Um grito rasgou o diafragma do pecado e alcançou o céu, para dar sentido a todos os gritos de quem se sente perdido, mas não encontra em si meios de salvação.

As dores de Cristo são a cura para cada alma perdida. O grito da cruz é a melodia do céu, é a canção dos salvos. Que esse grito encontre eco em seu coração. Que você encontre vida em Cristo. 

E descanse.

Pr. Cândido Gomes (via Uma janela aberta para reflexão)

O perigo das especulações sobre os eventos finais

Nos últimos anos, tem surgido no meio religioso algo que chamo de “escatologia do medo”. Trata-se de uma corrente de pensamento que associa profecias bíblicas e textos inspirados a notícias da atualidade, numa abordagem alarmista e sensacionalista. Infelizmente, essa ideologia tem se inserido em muitas igrejas por meio de palestras sobre música, seminários de saúde, sermões proféticos, entre outros. Seu objetivo é criar um quadro profético da eminência do fim. Porém, não passa de teoria conspiratória, por meio da qual se dá maior ênfase nos planos malignos do que nos planos de Deus. Esse tipo de abordagem tem disseminado medos infundados no meio do povo de Deus. Segundo o teólogo Amin Rodor, tais interpretações, dependentes de jornais e mapas proféticos de invenções próprias, buscam inutilmente obter credibilidade (Encontro com Deus, MM, p. 313).

O fato é que as mensagens proféticas não podem ser fundamentadas no medo. Segundo o apóstolo João, “aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor” (1Jo 4:17,18). Percebe-se que, ao longo da história, o medo gerou um efeito destrutivo na espiritualidade das pessoas.

Os cumprimentos proféticos são independentes de acontecimentos sociais específicos. Para a profecia, não é relevante o último discurso de um líder religioso ou de um presidente de uma grande nação. Eles são apenas personagens dentro de um quadro mais amplo, o qual está sob o controle de Deus e não, como alguns afirmam, de alguma suposta sociedade secreta.

Essa abordagem sensacionalista dos acontecimentos representa um mero esforço humano para dar credibilidade à profecia, algo que não lhe compete. Como já foi demonstrado inúmeras vezes, profecias fundamentadas em factoides não se sustentam.

Segundo Natanael Moraes, professor de Teologia do Unasp, essa prática é consequência da impaciência humana (Parousia, 2010, p. 25). Ellen G. White também afirma:
“É verdade que o tempo tem prosseguido mais do que esperávamos nos primeiros tempos desta mensagem. Nosso Salvador não apareceu tão depressa como esperávamos. Falhou, porém, a Palavra do Senhor? Nunca! Devemos lembrar que as promessas e ameaças de Deus são igualmente condicionais.” (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 67)
A profecia é dada justamente para que saibamos que Deus está no controle da história. Seu objetivo não é que mergulhemos numa profunda pesquisa em busca de quando as profecias irão acontecer. Em Mateus 24:15, em sua mensagem profética, Cristo não manda que seus discípulos descubram quando iriam acontecer os sinais. A ênfase dada é que eles deveriam estar prontos quando tudo acontecesse. O foco da profecia está no preparo antecipado e não propriamente no acontecimento. Porém, existem inúmeros cristãos que estão focados nos acontecimentos e não no preparo. Quando estes “despertarem”, para então buscarem o preparo, pode ser tarde demais! (Mt 25:1-13).

Segundo Ellen White, Deus pede reavivamento e reforma embasados nas Escrituras (Profetas e Reis, p. 320). A escritora acrescenta:
“Tenho sido instruída de que não é de doutrinas novas e fantasiosas que o povo precisa. Não necessitam de conjeturas humanas. Precisam do testemunho de homens que conhecem e praticam a verdade.” (Testemunhos Seletos, v. 3, p. 272)
Isso me leva a questionar se é saudável essa abordagem escatológica que especula sobre os detalhes dos acontecimentos finais? Tem ela preparado o povo de Deus para estar desperto no retorno de Cristo?

O que deve estar ocupando nossa mente, conforme orientou Ellen White, é a capacidade de nos submetermos a Jesus Cristo diariamente.
“Todo o que pretende ser um servo de Deus é convidado a realizar Seu serviço como se cada dia fosse o último.” (Maranata: O Senhor Vem!, p. 106)
Pr. Danielson Roaly (via Revista Adventista)

Nota: Veja que lindo é esse resumo que Ellen White faz sobre a centralidade de um relacionamento com Jesus e de uma saudável antecipação do fim! É o caminhar diariamente, o diário companheirismo que deve nortear nossa expectativa de uma eternidade com a Pessoa de Jesus.
"A brevidade do tempo é frequentemente realçada como incentivo para buscar a justiça e fazer de Cristo o nosso amigo. Este não deve ser o grande motivo para nós; pois cheira a egoísmo. É necessário que os terrores do dia de Deus sejam mantidos diante de nós, a fim de sermos compelidos à ação correta pelo medo? Não devia ser assim. Jesus é atraente. […] Deseja ser nosso Amigo, andar conosco por todos os acidentados caminhos da vida. […] Jesus, a Majestade do Céu, deseja elevar ao companheirismo com Sua pessoa os que se dirigem a Ele com seus fardos, fraquezas e preocupações." (Review and Herald, 2 de agosto de 1881)

terça-feira, 11 de abril de 2017

Vamos falar sobre abuso emocional?

"Marcos Harter está eliminado do Big Brother Brasil." O anúncio foi feito pelo apresentador Tiago Leifert no início do programa desta segunda-feira (10) (assista ao vídeo). A decisão foi baseada nas regras do reality show, que proíbem agressão física, e nas investigações da Polícia Civil do Rio, que abriu inquérito para apurar se houve lesão corporal quando o médico de 37 anos discutiu com a estudante Emilly Araújo, de 20 anos, dentro da casa. Gravações do programa mostram o gaúcho apertando e beliscando a jovem. O cirurgião também constrangeu Emilly em várias ocasiões, descritas como "tortura psicológica" pela diretora da Divisão de Política de Atendimento à Mulher do Rio de Janeiro, Marcia Noeli Barreto. Leifert também ressaltou a ocorrência de "abuso psicológico". Pelos abusos e agressão, o público pediu a expulsão do médico. A tag #MarcosExpulso foi um dos tópicos mais discutidos neste fim de semana.
"Toda e qualquer violência física e psicológica contra a mulher deve, sim, ser repudiada. Quando se fala em agressão, não devemos pensar apenas em socos, tapas e chutes. A agressão também se faz com palavras, atitudes e manipulações que ferem a nossa dignidade. Estar presa em um relacionamento abusivo é também não ter real dimensão da gravidade da situação. É preciso que fique claro aqui que as atitudes de Marcos Harter são de truculência e violência, principalmente psicológica, contra Emilly Araújo. Sempre é importante destacar: a lei Maria da Penha enquadra a tortura psicológica como violência doméstica. Para além dessa nossa fala, o protagonismo do público em denunciar e amplificar o caso é comovente. Que nossa voz ecoe e ajude a não deixar uma de nós só. Porque se mexeu com uma, mexeu com todas, SIM." (Júlia Audi, Master Coach na empresa Instituto Empodera.Mente)
Abuso emocional
Violência doméstica e abuso podem acontecer com qualquer pessoa. Mesmo assim, quase sempre esse problema é negligenciado, desculpado ou negado. Isso é especialmente verdadeiro quando o abuso é psicológico, e não físico. O abuso emocional é frequentemente minimizado, apesar de deixar cicatrizes profundas e duradouras.

Normalmente, o abuso emocional é muito difícil de ser reconhecido, até mesmo pela própria vítima, quanto mais por quem está à sua volta. Por acontecer de forma sutil, muitas vezes passa despercebido pelos familiares e amigos da vítima. Em geral, a vítima não pensa nem sente que o abuso é abuso, e vai se anestesiando em relação a ele. Essa forma de abuso afeta principalmente mulheres e crianças, não deixa marcas roxas, cortes nem ossos quebrados, mas deixa cicatrizes psicológicas profundas, destrói a autoconfiança e autoestima da pessoa certa que vive o abuso e das crianças que estão à sua volta, marcando um padrão futuro de comportamento: nas meninas, de permitirem ser abusadas pelos companheiros, e nos meninos, de serem futuros abusadores, apesar do sofrimento vivido na infância...

O abuso emocional é definido como qualquer julgamento, não importa a origem, que paralisa ou humilha uma pessoa, mantendo-a presa ao passado, ao mesmo tempo que o futuro só é visto através da perspectiva negativa do relacionamento abusivo. Quando está numa relação abusiva, o parceiro sempre se lembra daquilo que foi ruim, daquilo que o outro não fez certo, daquilo em que errou e afirma constantemente a incapacidade de fazer algo diferente do ruim.

O abuso emocional funciona como uma "lavagem cerebral" e a vítima aprende que tudo o que faz é errado, tudo é sua culpa, não sabe nem pode nada. Se as palavras do parceiro a fazem sentir-se pequena, sem valor ou humilhada, e se ele não a respeita nem leva em conta como você se sente, isso é abuso emocional. Mais importante ainda: isso é inaceitável.

Os relacionamentos abusivos são caracterizados por muito ciume, negação emocional, falta de intimidade, acessos de raiva, coerção sexual, infidelidade, ameaças, mentiras, promessas quebradas, jogos de poder e controle.

O abuso emocional é tão destruidor quanto o abuso físico, apesar de muito mais difícil de ser reconhecido. Por isso, também é difícil alguém se recuperar dele. Esse abuso é tipicamente alternado com declarações de amor e afirmações de que tudo vai mudar. Assim, o parceiro abusado fica "fisgado", preso nas promessas que nunca se cumprem.

Os relacionamentos abusivos pioram com o tempo. O abuso emocional e o verbal mudam, com frequência, para ameaças mais abertas ou para o abuso físico, particularmente em períodos de stress. Os abusadores são carentes e controladores; o abuso se intensifica quando eles sentem que vão perder o parceiro ou quando o relacionamento acaba (75% das mortes violentas de mulheres ocorrem depois da separação).

Os abusadores agem a partir de fortes sentimentos de inadequação e vergonha de si mesmos, e querem inferiorizar seus parceiros para, desta forma, sentir-se melhores.

Até que você consiga reconhecer o abuso emocional e verbal, você continuará a sofrê-lo em sua vida, porque vai continuar a deixar que amigos, conhecidos e estranhos a agridam de forma que a machuquem ou não levem em conta os seus sentimentos. Muitas vezes você até confunde ações abusivas contra você como realistas. Se você pensar: "Eles podem fazer isso porque é diferente para eles; não são assim tão ruins ou incapazes como eu" - isso é um julgamento abusivo. Qualquer julgamento que você faça sobre si mesma que negue sua habilidade para criar bons relacionamentos e uma vida positiva para você, é abusivo e errado.

Ciclo do abuso
* Abuso - O parceiro agride com palavras, atitudes ou comportamentos agressivos e/ou que humilham. O abuso é um jogo de poder para mostrar "quem manda".
* Culpa - Depois do abuso, o parceiro sente culpa, mas não pelo que fez. Ele está mais preocupado com a possibilidade de ser pego e com as consequências causadas pelo comportamento abusivo.
* Comportamento "normal" - O abusador faz de tudo para conseguir o controle novamente e manter a vítima no relacionamento. Ele pode agir como se nada tivesse acontecido, ou ele pode agir muito sedutoramente, jogando todo o seu charme sobre a parceira. Essa lua-de-mel, esse momento de doce paz, pode dar a esperança de que ele realmente mudou de vez (quantas vezes isso aconteceu?).
* Fantasia e planejamento - O abusador começa a fantasiar sobre a maneira de abusar novamente da parceira. Gasta muito tempo pensando sobre o que ela fez de errado, com quem ela anda conversando no celular e como ela vai pagar pelo mal feio. Então, ele planeja transformar a fantasia do abuso em realidade.
* Armadilha - O abusador fica à espreita e põe seu plano em ação, criando uma situação em que ele possa justificar o abuso.

E o ciclo continua... As desculpas e gestos de amor entre os episódios tornam a situação muito difícil de ser mudada. Fica sempre a esperança da mudança, e com o tempo a pressão abusada fica como que anestesiada, entendendo e aceitando que a relação funciona assim - para receber um pouco de amor e carinho, precisa se submeter a um período de dor e sofrimento. Ele faz a parceira acreditar que ela é tudo para ele, que ele realmente a ama. Entretando, o perigo de permanecer na relação existe e é bem real.

Formas de abuso emocional
* Colocar para baixo, chamar nomes, fazer pensar que está louca, fazer jogos mentais.
* Ameaças de machucar física ou emocionalmente. Ameaças de divórcio, traição, suicídio, levar as crianças embora, contar a todos sobre intimidades.
* Deixar com medo através do olhar, gesto, voz alta, quebrar coisas, destruir propriedades, dirigir em alta velocidade.
* Ameaçar fazê-la de empregada. Tomar todas as grandes decisões, agir como "mestre da casa", negligenciar responsabilidades com trabalho, cuidado dos filhos e responsabilidades da casa.
* Padrões abusivos de sedução. Forçar a fazer coisas contra sua vontade. Criticar performance sexual. Contar sobre relacionamentos fora da relação.
* Não deixar que você trabalhe ou atrapalhar seu trabalho, controlar seu acesso ao dinheiro, esconder investimentos.
* Controlar o que você faz, com quem sai, com quem se encontra, com quem fala. Negar acesso ao carro. Deliberadamente afastar dos seus contatos de apoio.

Como você se recupera do abuso emocional?
1. Entenda que a mudança é inevitável e que você tem forças para fazer as mudanças que quer e precisa fazer. Com certeza, você não vai conseguir todas de uma só vez, porque até pode nem saber exatamente o que quer e precisa. Você pode começar a fazer uma ou outra pequena mudança para ver como se sente. Comece, talvez, a cuidar um pouco de você, sentar à mesa para tomar o café da manhã, fazer um exercício, tomar um banho gostoso e demorado.

2. Comece a reprogramar sua mente. Você pode esperar até que as coisas melhorem para começar a acreditar que elas vão melhorar; ou pode acelerar a marcha da sua recuperação começando a acreditar nas melhoras, independentemente das mudanças. Mesmo que o quadro continue o mesmo, ou tenha mudado muito pouco, a grande diferença será como você se sente a respeito dele. Sua atitude mental fará essa diferença.

3. Procure ajuda e apoio. Existem grupos de apoio, terapeutas, conselheiros, amigas e outros profissionais de saúde que entendem o quanto você está sofrendo e poderão ajudá-la. Não confunda: abuso emocional é violência doméstica, sim.

4. Procure informações. Você não é a unica a estar nas mãos de um parceiro abusador. Alguns batem, outros não, mas todos se comportam de modo muito parecido. Todos dizem mais ou menos as mesmas coisas cruéis. Você logo vai perceber que, como todos trabalham com o mesmo script, o que eles dizem não é sobre você, mas sobre eles.

5. Comece a contar suas bênçãos. Sim, você passou por situações inimagináveis, dor e sofrimento que você não merecia. Sem duvida alguma, você ainda está ferida, mas tem uma escolha. Você pode ficar olhando a dor, ou pode começar a olhar para as coisas pelas quais podem agradecer e celebrar. Até aqui o Senhor a protegeu - você está saindo dessa situação. Reserve um tempo no seu dia, pode ser a ultima coisa do seu dia. Seja agradecida a Deus pela saúde, pela saúde dos seus filhos, pelo sorriso de uma criança, por qualquer coisa boa que tenha acontecido no seu dia. Agradeça a Deus por um agrado recebido, pelo sol brilhante, a beleza de uma flor. Se você se comprometer a ser grata a Deus por dez bênçãos recebidas, você vai precisar procurar por elas. Ao criar esse hábito, verá quantas mais você vai encontrar.

Essas ideias são só o começo. Todas essas sugestões são para afastar você da sua dor, da sua mente de vítima para a conscientização de que é uma pessoa de valor e de que há muitas coisas para você conseguir e conquistar na vida. A jornada de recuperação do abuso emocional é uma jornada para longe do medo, da vergonha, da humilhação e da incapacidade para a crença em você e numa vida melhor para você e seus filhos. Você não sabe o que a aguarda no futuro, mas tenha certeza de que será muito, muito mais feliz do que pode imaginar agora.

Cláudia Bruscagin (Via Revista Quebrando o Silêncio)

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Barrabás ou Jesus Cristo, qual a sua escolha?

"Qual quereis que vos solte? Barrabás ou Jesus, chamado Cristo?" (Mateus 27:17)

Os quatro evangelhos fazem referência a Barrabás, uma figura misteriosa que surge em conexão com o julgamento de Cristo. A tradição a seu respeito é reticente. Prisioneiro, ele aguardava a execução. Desejando libertar Jesus, talvez influenciado pela mensagem de sua esposa, Pilatos sugere uma escolha entre os dois: Jesus ou Barrabás? 
“Esse homem [Barrabás] havia afirmado ser o Messias. Pretendia autoridade para estabelecer uma nova ordem de coisas, para emendar o mundo. Sob uma ilusão satânica, pretendia que tudo quanto pudesse obter por furtos e assaltos era dele. Por meios diabólicos havia realizado coisas admiráveis, atraído seguidores e despertado sedição contra o governo romano. Sob a capa de entusiasmo religioso, era um endurecido e consumado vilão, dado à rebelião e à crueldade. Oferecendo ao povo escolha entre esse homem e o inocente Salvador, Pilatos julgava despertar-lhes o sentimento da justiça. Esperava conquistar-lhes a simpatia para Jesus, em oposição aos sacerdotes e príncipes” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 733).
Mas Pilatos é colhido por uma estarrecedora surpresa: "Solte-nos Barrabás", grita a multidão.

Qual é a razão para uma escolha como essa? Os líderes religiosos daquele tempo sabiam que poderiam prender Barrabás novamente, quando necessário. Mas como poderiam silenciar alguém como Jesus Cristo? Como parar um Homem que, sem qualquer arma, representava um perigo revolucionário capaz de subverter o judaísmo e todo o Império Romano? O que fariam com Alguém cujas armas eram Suas novas ideias sobre Deus e as pessoas, capazes de explodir as velhas categorias religiosas? Barrabás poderia explorar seus conterrâneos, mas ele não ameaçava governar a vida de ninguém. Por outro lado, Jesus apresentou um reino que governa de dentro para fora. Sem imposição, conduz a uma lealdade superior à vida e à morte.

Naquela tarde da Páscoa, três ladrões, talvez do mesmo grupo, deveriam ser crucificados: Dimas, Gestas e Barrabás. Barrabás é liberto no último instante, e Jesus é crucificado em seu lugar. 

Aqui nós temos a mais perfeita ilustração do princípio da substituição. A história de Barrabás é a história da salvação por meio da morte de Jesus Cristo. Seu nome, "Bar Abba", significa "filho do pai". Como ele, todos nós, filhos do pai Adão, somos culpados de rebelião e sedição contra Deus, ladrões de Sua glória, assassinos de nós próprios e de outros, prisioneiros do pecado. Barrabás, no corredor da morte, apenas aguardava a execução. Ele deve ter olhado para as palmas de suas mãos, imaginando como seria a dor dos cravos rasgando a carne, dilacerando a cartilagem e os ossos. Ouviu então o sinistro barulho da chave abrindo a pesada porta de ferro. Ouviu os passos dos guardas. "Chegou minha hora", pensou. Sua cabeça estava pesada e confusa.

Parecia até ouvir seu nome gritado por enorme multidão. Ainda não sabia exatamente o que estava acontecendo. Abismado, ouviu que estava livre: "Pode ir para casa."

Isso é substituição: Jesus tomou nosso lugar. Ele foi feito pecado para que sejamos feitos justiça de Deus.

Extraído de Meditações Diárias "Encontros com Deus" de Amin A. Rodor

Nota: Jesus representa a verdadeira libertação por meio do amor, justiça e sacrifício; Barrabás representa a falsa e ilícita libertação, por meio do ódio, violência, injustiça e vício. O povo preferiu libertar as trevas e a mentira, e crucificar a verdade e a luz. Jesus não fez nenhum mal, e foi condenado. Barrabás não fez nenhum bem, e foi inocentado, num julgamento injusto. A menos que estejam sob a convicção do Espírito Santo, inevitavelmente as pessoas fazem a escolha espiritual errada, como fez aquela multidão. No fim, todos temos a escolha entre Cristo e Barrabás, entre Cristo e o mundo corrompido e caído, entre a vida e a morte. 
“O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más.” (João 3:19)
Mais de dois mil anos depois, milhares de pessoas continuam escolhendo errado. A natureza humana continua a mesma que naquele dia terrível, no qual a multidão frenética virou contra Jesus e gritava: "Crucifica-o!". Escolhem o mundo à Cristo. Por que as pessoas têm a tendência de preferir as trevas à luz? Esse fato nos fala sobre a realidade de nossa natureza caída, e sobre nossa necessidade de nos entregarmos totalmente ao Senhor. Os cristãos modernos precisam fazer escolhas semelhantes. E Jesus, o Messias deve ser a nossa escolha. Caro amigo, agradeça a Deus por esse tão grande sacrifício, aceite essa salvação gratuita que Ele oferece e não esqueça: Jesus deu a vida, morreu a morte eterna em seu e meu lugar. A cruz não era dEle. Era de Barrabás, era sua, era minha…