sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

345 receitas vegetarianas para o Natal e Ano Novo

Quem pensa que uma ceia vegetariana é sem graça e deixa a desejar, está enganado. Principalmente porque além de muita variedade, cor e sabor, os pratos são condizentes com a data, que celebra a vida e não a morte. Selecionamos algumas opções de pratos principais, acompanhamentos, saladas, massas, petiscos e sobremesasEntão, que tal escolher seu cardápio, convidar a família e amigos, e aproveitar a oportunidade para mostrar que a comida vegetariana, além de ser livre de crueldade, é muito saborosa! As receitas foram extraídas do site Cantinho Vegetariano. É só clicar na imagem!

“Os animais são muitas vezes transportados a longas distâncias e sujeitos a grandes sofrimentos para chegar ao mercado. Tirados dos verdes pastos e viajando por fatigantes quilômetros sobre cálidos e poentos caminhos, ou aglomerados em carros sujos, febris e exaustos, muitas vezes privados por muitas horas de alimento e água, as pobres criaturas são guiadas para a morte a fim de que seres humanos se banqueteiem com seu cadáver.” (Ellen G. White - A Ciência do Bom Viver, p. 314)

PRATOS PRINCIPAIS
ACOMPANHAMENTOS
ARROZ E RISOTOS
MASSAS
SALADAS
PETISCOS
FAROFAS
PÃES, TORTAS & CIA
PASTAS E PATÊS
BOLOS, MUFFINS E CUPCAKES
SOBREMESAS

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Existe relação entre o feminismo e o cristianismo?

Feministas e acadêmicos dividiram a história do movimento em três "ondas". A primeira onda se refere principalmente ao sufrágio feminino, movimentos do século 19 e início do 20 preocupados principalmente com o direito da mulher ao voto. A segunda onda se refere às ideias e ações associadas com os movimentos de liberação feminina iniciados na década de 1960, que lutavam pela igualdade legal e social para as mulheres. A terceira onda seria uma continuação da segunda onda, iniciada na década de 1990. 

A primeira onda do feminismo se refere a um período extenso de atividade feminista ocorrido durante o século 19 e início do século 20 no Reino Unido e nos Estados Unidos, que tinha o foco originalmente na promoção da igualdade nos direitos contratuais e de propriedade para homens e mulheres, e na oposição de casamentos arranjados e da propriedade de mulheres casadas (e seus filhos) por seus maridos. No entanto, no fim do século 19, o ativismo passou a se focar principalmente na conquista de poder político, especialmente o direito ao sufrágio por parte das mulheres.

No Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, as suffragettes e, talvez de maneira ainda mais eficiente, as sufragistas, fizeram campanha pelo voto da mulher. Em 1918, o Representation of the People Act foi aprovado, concedendo o voto às mulheres acima de 30 anos de idade que possuíssem uma ou mais casas. Em 1928, este direito foi estendido a todas as mulheres acima de vinte e um anos de idade. 

Há uma inegável relação entre o desenvolvimento do feminismo e o crescimento do “cristianismo sectário” nos EUA do século 19, sendo os quakers o grupo igualitarista mais representativo dentre os protestantes. Os quakers são um movimento religioso de tradição protestante fundado pelo inglês George Fox em 1652. Destacaram-se como pacifistas, abolicionistas e igualitaristas de gênero. Lideraram e se envolveram em movimentos contra o tráfico de escravos e a escravidão, pela reforma das prisões, pela abolição da pena de morte e contra as guerras entre nações. Para os quakers, a dominação masculina era uma manifestação do pecado. A igualdade entre homens e mulheres foi restaurada em Cristo, que ordenou que homens e mulheres fossem anunciadores proféticos do evangelho.

Nos Estados Unidos, líderes deste movimento incluíram mulheres que haviam todas lutado pela abolição da escravidão antes de defender o direito das mulheres ao voto; todas eram influenciadas profundamente pelo pensamento quaker, fruto de esforços e ideias cristãs. Vejamos a lista das pioneiras mais importantes do movimento e a biografia delas:

- Susan Brown Anthony, cristã quaker, presa por votar em 1872, em 1890 organizou em Washington a primeira convenção para o voto feminino. A emenda permitindo o voto feminino recebeu seu nome.

- Elizabeth Cady Stanton, uma das mulheres mais importantes da primeira onda do feminismo, era da Igreja Episcopal.

- Primeira mulher a fazer discurso político no congresso americano foi Anna Elizabeth Dickinson, quaker, republicana, abolicionista, sufragista.

- A primeira convenção pelos direitos das mulheres nos EUA ocorreu numa Igreja Metodista (Convenção de Seneca Falls, 1848, na Igreja Metodista Wesleyana). 

- Lucretia Mott, grande ícone do feminismo americano, era ministra quaker ordenada (pastora).

- Lucy Stone fez o primeiro discurso sobre os direitos da mulher chamado The Province of Women, na Igreja Evangélica Congregacional pastoreada por seu irmão William Bowman Stone (1847). 

- Outros nomes: Harriet Bishop (batista), Amélia Bloomer (episcopal), Alice Paul (quaker), Isabella Ford (quaker), Elise Boulding (quaker).

Santas feministas: Elizabeth Cady Stanton, Amelia Bloomer, Sojourner Truth, e Harriet Ross Tubman estão no calendário de santos da Igreja Episcopal. Sim, uma igreja dedica um dia no ano (20 de junho) para homenagear como santas, pioneiras do movimento feminista.

O cristianismo dessas mulheres não é coincidência e nem um detalhe insignificante. Muitas delas agiram movidas exatamente por princípios cristãos. 

Muitas mulheres sufragistas dos EUA faziam parte do grupo cristão protestante Woman's Christian Temperance Union, a primeira grande agremiação de mulheres a promover esforços organizados em prol de reformas sociais nos EUA. Esse grupo foi a maior e mais influente associação de mulheres que existira até então. A organização do grupo e a mobilização de mulheres em torno de causas sociais contribuíram para o maior envolvimento feminino na política. Ellen G. White tinha uma visão positiva do ativismo desse grupo, e escreveu algumas cartas recomendando cooperação: 
Uma Organização com a qual Podemos nos Unir
"A União de Temperança das Mulheres Cristãs é uma organização com cujos esforços para disseminação dos princípios de temperança, podemos unir-nos de boa vontade. Foi-me mostrado que não nos devemos manter afastados delas mas, conquanto não deva haver sacrifício de princípios de nossa parte, devemos o quanto possível unir-nos com elas no trabalho de reforma de temperança.
Foi-me mostrado que não devemos esquivar-nos às obreiras da U.T.M.C. Unindo-nos com elas em favor da abstinência total, não mudamos nossa atitude quanto à observância do sétimo dia, e podemos mostrar nossa apreciação pela atitude delas relativamente à questão da temperança. Abrindo a porta, e convidando-as a se unirem conosco no assunto da temperança, granjeamos assim sua cooperação nesse sentido; e elas, unindo-se a nós, ouvirão novas verdades que o Espírito Santo está esperando para gravar nos corações. 
Tenho tido algumas oportunidades de ver a grande vantagem a ser obtida mediante nossa ligação com as obreiras da U.T.M.C., e ficado muito surpreendida ao ver a indiferença de muitos de nossos dirigentes para com essa organização. Convido meus irmãos a despertarem." (Temperança, p. 222-223)
"Devemos procurar ganhar a confiança das obreiras da U.F.T.C., harmonizando-nos com elas quanto possível. Este povo tem sido rico em boas obras." (Manuscrito 91, 1907)
Portanto, se faz necessário destacar claramente o background religioso do movimento feminista e reivindicar a legitimidade de sua importância histórica. Muitos precisam saber que houve influência do cristianismo no início dos movimentos pelos direitos das mulheres.

50 anos do AI-5: o que foi o ato e suas consequências para o Brasil

Era uma sexta-feira, 13 de dezembro de 1968, quando a televisão brasileira interrompeu sua programação para transmitir um pronunciamento do presidente da época, o marechal Arthur da Costa e Silva. O militar, que estava no comando do país há pouco mais de um ano, apareceu diante das câmeras e começou a ler o texto do Ato Institucional de número 5.

Ainda sem saber, os brasileiros estavam presenciando o início daquilo que seria o período mais sombrio da história da Ditadura Militar, que duraria dez anos. “Pela primeira vez desde 1937 e pela quinta vez na história do Brasil, o Congresso era fechado por tempo indeterminado”, retrata Elio Gaspari em um trecho de sua obra A Ditadura Envergonhada (Intrínseca, 2002).

O AI-5, que completa cinquenta anos nesta quinta-feira (13), era uma mistura de restrições institucionais que reforçavam as imposições morais.

O ato restabeleceu para o país as demissões sumárias, as cassações de mandatos e as suspensões de direitos políticos. Além disso, suspendeu as franquias constitucionais da liberdade de expressão e de reunião.

“O AI-5 marca o momento em que a ditadura se instala em toda a sua força e todo o seu arbítrio, sem nenhum freio”, explica Jacqueline Pitanguy, socióloga que vivenciou o regime militar brasileiro.

Segundo estudiosos, a pior das marcas ditatoriais do Ato, estava no artigo 10: “fica suspensa a garantia de habeas corpus nos casos de crimes políticos contra a segurança nacional”. Com isso, o núcleo repressivo dos militares estava liberado pelo estado.

Carlos Fico, professor titular de História Brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro, relembra que o clima de conflagração de 1968 — que desabrochou com os protestos estudantis na França — criou um cenário que provocava os militares.

“Eles invadiram as universidades, para controlar o que se era ensinado ali e sequestraram artistas e opositores. O país, como um todo, viu a repressão ser institucionalizada”, diz.

Censura
Além da restrição de habeas corpus, a censura política aos jornais a às manifestações também foi intensa no período.

“Quando o AI-5 baixou já havia censura moral, mas naquele momento houve a criação de uma estrutura centralizada na Polícia Federal, algo bastante característico de uma ditadura. Para os artistas, não foram proibidos só palavrões ou nudez, mas peças, musicas, cinema, novelas”, explica Fico.

Durante a vigência do AI-5, inúmeros presos políticos foram torturados, enviados para o exílio e também mortos. Um deles foi o jornalista, dramaturgo e professor Vladimir Herzog.

A versão oficial dos militares de que ele teria cometido suicídio sempre foi questionada por opositores do regime. Após a descoberta de que ele havia sido morto, Herzog se tornou símbolo da luta pela democratização do Brasil.

A história vive
Para Carlos Fico, da UFRJ, o Brasil sempre carregará as marcas de sua história. Segundo o historiador, é comum que haja negação de alguns episódios e elaboração de memórias confortáveis.

“Durante o AI-5, os militares foram eficazes no sentido de ocultar da sociedade a violência da repressão política. Isso é diferente do que aconteceu na Argentina, por exemplo, que se construiu uma memória traumática sobre o regime militar”, afirma.

Ele ainda completa que o período de maior repressão, também conhecido como “anos de chumbo”, coincidiu com o milagre econômico brasileiro. Na época, o PIB nacional crescia em larga escala.

Lucas Paolo Vilalta, coordenador do Portal Memórias da Ditadura do Instituto Vladimir Herzog, diz que, apesar de toda a repressão, o ato trouxe ensinamentos.

“O que o AI-5 ensinou é de que os direitos civis, humanos e democráticos devem ser garantidos. A defesa dos direitos tem que ser irrestrita. A medida que os governos começam a caçar os direitos democráticos e começarmos a ver o enfraquecimento das instituições, corremos o risco de revivermos o passado”, analisa. (Exame)

Nota: No livro Testemunhos Seletos, Volume 2, p. 152, Ellen G. White, escrevendo sobre a crise de liberdade que haverá de acontecer nos eventos finais da história humana, sugeriu que nossa atitude diante dessa crise não deveria ser de resignação e expectativa, mas de ativa promoção e defesa das liberdades. “É nosso dever fazer tudo ao nosso alcance, a fim de advertir contra o perigo iminente. Devemos esforçar-nos por destruir os preconceitos, assumindo a legítima atitude diante dos homens. Devemos esclarecer-lhes a questão propriamente dita em torno da qual gira a controvérsia, e deste modo lavrar o mais eficaz protesto contra medidas tendentes a restringir a liberdade de consciência”, ela escreveu. Estar atentos a esses movimentos, fugir de ciladas que nos façam abraçar a intolerância, defender as liberdades como recurso indispensável para a evangelização em escala global e promover a pacificação como fator crucial para a defesa da liberdade de expressão parecem formar uma agenda das mais urgentes que a igreja tem nos dias atuais.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Reflexão sobre o tiroteio dentro da Catedral de Campinas

O que leva uma pessoa a entrar com uma pistola 9mm e um revólver calibre 38 em uma igreja e atirar cerca de 20 vezes, matando quatro pessoas e, depois suicidando-se. A pergunta é retórica, claro, porque ela seria seguida naturalmente por milhares de páginas de explicações sobre distúrbios psiquiátricos, sobre a incapacidade de sentir empatia por um semelhante ou qualquer outra razão que não faça sentido.

Um homem de 49 anos identificado pela polícia como Euler Fernando Grandolpho, que morava em uma área nobre de Valinhos (SP), entrou na Catedral Metropolitana de Campinas, sentou-se entre os fiéis e cometeu a chacina logo após o final da missa na tarde desta terça (11). Não tinha ficha criminal, segundo o delegado.

A motivação do crime ainda é desconhecida, se é que existe. Atos de insanidade são atos de insanidade. A nossa sociedade, concordemos ou não, vai continuar produzindo situações como essa. Temos dificuldade de concordar com esse fato porque acreditamos que, criando regras e impondo normas, somos capazes de zerar o risco da morte – o que não é verdade. Jogamos, então, o imponderável para baixo do tapete porque, se pensarmos nele, nem levantamos da cama de manhã para ir trabalhar ou estudar com receio de morrer. [...]

Contudo, se não somos capazes de antever certos atos de insanidade, há coisas que conseguimos minimamente controlar. Por exemplo, evitar que o Estatuto do Desarmamento seja alterado para generalizar o porte de armas e tornar os critérios para a posse mais suaves, como é defendido pelo presidente eleito Jair Bolsonaro. 

Não se sabe como Euler conseguiu as suas, mas um mercado mais restrito para armas legais significa menos delas em circulação (armas que, muitas vezes, são roubadas e caem no mercado ilegal) e menor possibilidade de mortes em massa. 

Podemos não reduzir a ocorrência de tragédias, mas – ao menos – dá para diminuir o seu tamanho. Desde que não optemos por responder estupidez com mais estupidez. (via Blog do Sakamoto)

E qual seria o posicionamento da Igreja Adventista do Sétimo Dia sobre a questão do porte de armas? A declaração abaixo foi liberada peio então presidente da Associação Geral, Neal C. Wilson, após consulta com os 16 vice-presidentes da Igreja Adventista, em 5 de julho de 1990, durante a Assembleia da Associação Geral realizada em Indianápolis, Indiana.

As armas automáticas ou semi-automáticas de estilo militar estão se tornando cada vez mais disponíveis aos civis. Em algumas regiões do mundo é relativamente fácil a aquisição de tais armas. Elas aparecem não apenas nas ruas, mas também nas mãos de jovens nas escolas. Muitos crimes são cometidos por meio do uso dessas armas. São feitas para matar e não têm nenhuma utilidade recreativa legítima. Os ensinos e o exemplo de Cristo constituem a norma e o guia para o cristão de hoje. Cristo veio ao mundo para salvar vidas, não para destruí-las (Lucas 9:56). Quando Pedro sacou de sua arma, Jesus lhe disse: “Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada, à espada perecerão” (Mateus 26:52). Jesus não Se envolvia em violência.

Alguns argumentam que a interdição das armas de fogo limita os direitos das pessoas e que as armas não cometem crimes, mas sim as pessoas. Embora seja verdade que a violência e as inclinações criminosas conduzem às armas, também é verdade que a disponibilidade das armas leva à violência. A oportunidade de civis comprarem ou adquirirem de outro modo as armas automáticas ou semi-automáticas apenas aumenta o número de mortes resultantes dos crimes humanos. [...] Na maior parte do mundo, as armas não podem ser adquiridas por nenhum meio legal. A igreja vê com alarme a relativa facilidade com que elas podem ser adquiridas em algumas regiões. Sua acessibilidade só pode abrir a possibilidade de mais tragédias.

A busca da paz e a preservação da vida devem ser os objetivos do cristão. O mal não pode ser combatido eficazmente com o mal, mas deve ser vencido com o bem. Os adventistas, como outras pessoas de boa vontade, desejam cooperar na utilização de todos os meios legítimos para reduzir e eliminar, onde possível, as causas fundamentais do crime. Além disso, tendo-se em mente a segurança pública e o valor da vida humana, a venda de armas de fogo automáticas ou semi-automáticas deveria ser estritamente controlada. Isso reduziria o uso de armas por pessoas mentalmente perturbadas e por criminosos, principalmente aqueles envolvidos com drogas e atividades de quadrilhas.

A série Falando de Esperança, com posicionamento da Igreja Adventista do Sétimo Dia sobre vários temas de interesse da sociedade, também abordou a questão do porte de armas:

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

A geração dos imaturos para sempre

Estamos vivendo um movimento que lembra a força de uma epidemia. Vivemos cercados de pessoas acometidas por uma espécie de mistura de “Síndrome de Peter Pan”, com “Complexo de Cinderela”, mais uma pitada de “Jeito Pateta de ser” e um tiquinho de “Meu sonho é morar na Disney”. Isso até seria engraçado, se não fosse assustador. E trágico.

Há pessoas que simplesmente não encontram o caminho da maturidade. E nem é que não queiram crescer ou estejam perpetuando a adolescência para além dos trinta, quarenta ou cinquenta anos porque decidiram que é assim que tem que ser. Não! Nada disso!

Simplesmente não sabem como fazê-lo. Existe uma legião de perdidos num limbo da infância emocional eterna, alimentados por um estilo de educação familiar que não percebe o quão danoso pode ser a qualquer um de nós, ser poupado a todo custo de sofrer frustrações, de lidar com as negações, de enfrentar a vida por si mesmo.

Há milhares de famílias, que vão desde os menos favorecidos até os mais abastados, que insistem em criar seus filhos como se eles – os pais – fossem durar para sempre. Alimentam suas crianças e jovens com infinitas mamadeiras de dependência emocional, sob o pretexto de garantir que seus rebentos sejam absolutamente felizes, sempre felizes, todos os dias, o tempo todo.

O resultado de tamanha alienação é a ocorrência de meninos e meninas, que serão meninos e meninas para toda a eternidade. Recém-nascidos para sempre, que esperneiam quando algo não sai do jeito que esperavam. Que amarram a cara, quando não são imediatamente atendidos. Que não fazem a menor ideia de como todas as coisas que os cercam vão parar em suas mãos.

Meninos e meninas com vida sexual ativa. Meninos e meninas que não sabem dar importância ou valorização para a formação acadêmica. Meninos e meninas que chegam à vida adulta, sem ter a menor ideia do quanto de dinheiro é necessário para mantê-los. Meninos e meninas que se consideram adultos o suficiente para beber, para fumar, para amanhecer na rua e voltar para suas casas a hora que bem entenderem. Alguns com carteira de motorista em mãos, mas sem juízo suficiente para sentar-se atrás de um volante ou no banco de uma moto. Muitos, sem nenhuma noção de compromisso e responsabilidade. Perdidos.

E, não, não estou falando que as pessoas precisam viver de forma rígida e azeda. Não estou falando que é proibido ser alegre. Não se trata de não ter o direito de ser criança, ou jovem e se divertir e aproveitar essas fases tão maravilhosas e absolutamente necessárias para que um dia, surja um adulto inteiro.

O grande nó para o qual eu convido a uma boa reflexão é o fato de que estamos assistindo passivamente a inúmeras crianças e incontáveis jovens, sendo privados da experiência fantástica que é passar por essas fases e estar disposto a entrar em outras. Outras fases, tão ricas e bonitas quanto são aquelas pelas quais passamos em nossos anos iniciais.

Crescer é um direito! Amadurecer é tomar posse da própria vida. É ter a chance de fazer escolhas. É experimentar o prazer de andar com as próprias pernas. E errar. E acertar. E tentar outra vez, outra coisa, de outro jeito. Tenhamos a amorosidade necessária para abrir mão de congelar nossos filhos num tempo em que, depois de um tempo, o que era encantador certamente será ridículo. Tenhamos a sabedoria para dar a mão às nossas crianças na travessia da vida, sabendo que vez ou outra é com as mãos livres que se deve andar.

Ana Macarini (via Conti Outra)
"Nesta época rebelde, os filhos que não receberam a devida instrução e disciplina, têm bem pouca compreensão de sua obrigação para com os pais. Dá-se muitas vezes que, quanto mais os pais fazem por eles, tanto mais ingratos são, e menos os respeitam. As crianças que foram mimadas e servidas, esperam sempre isto; e caso sua expectativa não se realize, ficam decepcionadas e perdem o ânimo. Essa mesma disposição se manifestará através de toda a sua vida; serão impotentes, dependendo do auxílio de outros, esperando que outros os favoreçam, e lhes façam concessões. E caso encontrem oposição, mesmo depois de atingirem a idade adulta, julgam-se maltratados; e assim atravessam penosamente o caminho pelo mundo, mal sendo capazes de levar as próprias cargas, murmurando e irritando-se frequentemente porque tudo não vai à medida de seus desejos." (Ellen G. White - O Lar Adventista, p. 293)

Os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Declaração da Igreja Adventista

A Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 70 anos nesta segunda-feira, 10. O documento foi proclamado pela Assembleia Geral da ONU no dia 10 de dezembro de 1948, com o objetivo de assegurar a dignidade de todos os seres humanos, por meio da defesa de valores como a liberdade de expressão, a igualdade e a não discriminação. Seus 30 artigos compõem a base de todas as leis contemporâneas que defendem os direitos essenciais de todo o ser humano, como o direito à vida, à integridade física, à livre expressão e à associação, sem qualquer distinção de raça, cor, sexo, religião ou visão política (leia aqui)

Declaração da Igreja Adventista sobre a Declaração dos Direitos Humanos
Em meados do século 19, os adventistas do sétimo dia defenderam, desde o seu inicio, os direitos humanos. Inspirados pelos valores bíblicos, os adventistas pioneiros estiveram envolvidos na luta contra a escravatura e a injustiça, e reivindicaram o direito de cada pessoa escolher uma crença de acordo com a sua consciência e de exercer e ensinar livremente a sua religião de forma não discriminatória, respeitando sempre a igualdade de direitos dos demais. Os adventistas do sétimo dia acreditam que na religião o uso da força é contrário aos princípios de Deus. Os adventistas do sétimo dia afirmam a dignidade do ser humano criado à imagem de Deus, promovendo a liberdade religiosa, a vida familiar, a educação, a saúde, a ajuda mútua e satisfazendo as prementes necessidades humanas.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 foi escrita e adotada por indivíduos que conheceram a destruição, o desespero e as dificuldades sem precedentes da Segunda Guerra Mundial. Esta experiência dolorosa concedeu-lhes a visão e o desejo de um mundo futuro de paz e liberdade. Ao brotar do melhor e mais nobre do coração humano, a Declaração Universal é um documento basilar que defende firmemente a dignidade, liberdade e igualdade humana, e a não discriminação de minorias. O artigo 18, que protege incondicionalmente a liberdade religiosa na crença e na prática, é de especial importância, pois a liberdade religiosa é o direito humano fundamental que sustém e suporta todos os direitos humanos.

Atualmente, a Declaração Universal dos Direitos do Homem é muitas vezes violada, especialmente o Artigo 18. A intolerância levanta frequentemente a sua cara feia, apesar dos progressos alcançados em muitos países. A Igreja Adventista do Sétimo Dia desafia as Nações Unidas, as autoridades governamentais, os líderes religiosos e os crentes e as organizações não governamentais a trabalharem consistentemente para a implementação desta Declaração. Os políticos, os líderes dos sindicatos, os professores, os empregadores, os representantes da comunicação social e todos os líderes de opinião deveriam apoiar fortemente os direitos humanos. Isso constituiria a resposta e a solução para a redução do crescente e violento extremismo religioso, a intolerância, os crimes passionais e a discriminação baseada na religião ou no secularismo anti-religioso. Deste modo, a Declaração Universal crescerá na sua importância prática e no seu esplendor, sem nunca correr o risco de se tornar num documento irrelevante.

Esta declaração foi votada em 17 de Novembro de 1998 pelo Conselho Administrativo da Conferência Geral e emitida pelo Gabinete de Relações Públicas da Conferência Geral (via Centro White)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

O que a morte do missionário recebido a flechadas nos ensina

O missionário americano John Allen Chau foi morto a flechadas ao tentar se aproximar de um dos povos mais isolados do mundo.
Fazia tempo que as missões cristãs evangelizadoras não obtinham tanto destaque na mídia. Infelizmente, o fato que foi noticiado nos principais meios de comunicação do mundo foi a morte do jovem missionário John Allen Chau, de 27 anos, enquanto entrava em contato com uma tribo isolada da ilha Sentinela do Norte, na Índia.

Num contexto social marcado pela individualização da espiritualidade e pela visão pejorativa a respeito do proselitismo, missionários não são vistos com bons olhos. Alguns ainda apontam equívocos históricos como o colonialismo, a transmissão de doenças para grupos sem imunidade e certa arrogância combinada com ignorância sobre culturas. Há quem diga que Chau tenha sido um vilão criminoso que colocou os seus interesses acima dos interesses do povo sentinela.

Na semana passada, Ed Stetzer uma das principais vozes da missiologia atual, destacou em um artigo no The Washington Post a coragem de Chau. Ele tem sido comparado a Jim Elliot, mártir moderno que, em 1956, foi morto numa abordagem missionária aos Huaorani, no Equador. O lema de Elliot era que “não é tolo aquele que dá o que não pode guardar para ganhar o que não pode perder”. Semelhantemente, na última carta-diário enviada aos pais, Chau escreveu: “Vocês podem pensar que eu sou louco pelo que está acontecendo… Mas acho que vale a pena anunciar Jesus para essas pessoas … Senhor, eu não quero morrer! Quem ocupará o meu lugar se isso acontecer?”

Apesar de Chau ter passado por treinamentos linguísticos e médicos; ter recebido as vacinas necessárias; ter sido orientado como facilitar a aproximação e de ter planejado a missão por anos, algumas autoridades indianas, mais familiarizadas com os sentinelas, consideraram que ele desconhecia aspectos fundamentais dos costumes locais. Um representante da The Anthropological Survey of India, que teve contato prévio com a tribo, apontou que eles não tiveram o mesmo fim porque são peritos e conhecem, literalmente, “o pulso do povo”, suas atividades, símbolos, história, etc. “Não é somente o risco das doenças. Você precisa pensar em como se portar, o que dizer e o que compartilhar com eles. Para eles, qualquer um que chegar vem do mundo exterior, um novo mundo”, afirmou o representante do órgão do governo indiano a um site de notícias.

Nem todos os detalhes da experiência de Chau são conhecidos e o caso ainda é complexo para os missiólogos. No entanto, o debate está formado em torno de dois elementos: coragem e preparo. Coragem porque o dever cristão inclui os grupos étnicos mais negligenciados do mundo, de perto e dos confins da Terra. Preparo porque o testemunho é parte da mordomia confiada aos seres humanos e merece o nosso melhor.

A identidade histórica do povo de Deus é a de um movimento missionário. Durante os séculos, missionários deram grandes contribuições, sendo responsáveis pela construção de escolas e hospitais, estudando e sistematizando idiomas, compartilhando conhecimento sobre saúde. Segundo o Centro para o Estudo do Cristianismo Global, há 440 mil missionários cristãos atuando em outros países. Desses, 15 mil são brasileiros, de acordo com dados de 2017 divulgados pela Associação de Missões Transculturais Brasileiras (AMTB). Muitos são cristãos que “gritam” através de palavras e ações para pessoas de algum dos 7 mil grupos étnicos não alcançados pelo evangelho. Assim como Chau disse aos habitantes daquela ilha, eles declaram que amam essas pessoas assim como Jesus.

Em pleno século 21, com acesso aos estudos de missiologia e o histórico das missões cristãs, bem como muitas pesquisas sociológicas e antropológicas que servem de apoio, não há desculpas para tomar atalhos e ser negligente na tarefa missionária. Coragem e preparo não se anulam: ao contrário, é necessário ser corajoso para se preparar e ser preparado para viver essa coragem.

Marcelo Dias (via Revista Adventista)