quinta-feira, 20 de abril de 2017

Bíblia, Espírito de Profecia e as Diversões Perigosas

Conversas que envolvem opções de entretenimento geram polêmicas e opiniões divergentes por se tratar de uma opinião pessoal. Mas será que o gosto pessoal e a consciência são o melhor padrão para escolher com o quê se divertir? Vejamos o que dizem a Bíblia e Ellen White sobre esse assunto:

Bíblia
A Bíblia nos dá um critério para escolher qualquer tipo de divertimento em Filipenses 4:8:
“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.”
Devemos evitar atividades que sejam inapropriadas. A Bíblia diz em Salmos 101:3:
“Não porei coisa torpe diante dos meus olhos; aborreço as ações daqueles que se desviam; isso não se apagará a mim.”
Não é possível desfrutar de muitos divertimentos deste mundo e ao mesmo tempo manter uma amizade com Deus. A Bíblia diz em Tiago 4:4:
“Infiéis, não sabeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.”
Quais são alguns dos divertimentos impios deste mundo? A Bíblia diz em Gálatas 5:19-21:
“Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia, a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus.”
A Bíblia expande a definição de prazeres e divertimento mundanos. A Bíblia diz em 1 João 2:15-17:
“Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vem do Pai, mas sim do mundo. Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre.”
Tudo o que fazemos deve ser feito em harmonia com Cristo. A Bíblia diz em Colossenses 3:17:
“E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.”
Espírito de Profecia
É privilégio e dever dos cristãos procurar revigorar o espírito e fortalecer o corpo através de inocente recreação, com o propósito de usar as energias físicas e mentais para a glória de Deus. Nossas recreações não devem ser cenas de alegria irracional, tomando a forma do ridículo. Podemos conduzi-las de maneira a beneficiar e elevar aqueles com quem nos relacionamos, e habilitando melhor a nós e aos outros para desempenharmos com mais sucesso os deveres que nos cabem como cristãos. Não podemos ser desculpados diante de Deus se nos envolvemos em diversões que têm a tendência de nos incapacitar para o fiel cumprimento dos deveres comuns da vida, diminuindo assim nosso gosto pela contemplação de Deus e das coisas celestiais. (1)

Toda diversão em que vos puderdes empenhar pedindo sobre ela, com fé, a bênção de Deus, não será perigosa. Mas todo divertimento que vos torna inaptos para a oração particular, para a devoção no altar da oração, ou para tomar parte nas reuniões de oração, não é seguro, mas perigoso. (2)

Mas é necessário haver grande temperança nas diversões, bem como em qualquer outra ocupação. E o caráter desses entretenimentos deve ser cuidadosa e cabalmente considerado. Todo jovem deve perguntar-se a si mesmo: Que efeito terão essas diversões na saúde física, mental e moral? Ficará meu espírito tão absorvido que me esqueça de Deus? Deixarei de ter em mente a Sua glória? (3)

Todas as energias de Satanás são postas em operação para prender a atenção em diversões fúteis, e ele está conseguindo seu objetivo. Está interpondo seus artifícios entre Deus e a pessoa. Ele forjará divertimentos a fim de impedir os homens de pensarem a respeito de Deus. O mundo está de contínuo sedento de alguma novidade; quão pouco tempo e pensamento, no entanto, se dedicam ao Criador dos céus e da Terra! (4)

As horas tantas vezes gastas em divertimentos que não refrigeram nem o corpo e nem a alma devem ser despendidas em visitas aos pobres, enfermos e sofredores, ou em procurar ajudar alguém que esteja em necessidade. (5)

Divertimentos e gasto de meios para satisfação própria, que levam passo a passo à glorificação do eu, bem como o treinamento nesses jogos para obtenção de prazer produzem amor e paixão pelas coisas que não favorecem o aperfeiçoamento do caráter cristão. (6)

Os jovens geralmente se conduzem como se as preciosas horas da graça, enquanto a miséria se estende, fossem um grande feriado e eles tivessem sido postos no mundo meramente para entretenimento próprio, para fruir uma contínua sucessão de incitamento. Satanás tem feito esforços especiais para induzi-los a buscar a felicidade em diversões mundanas, e justificar-se procurando mostrar que esses divertimentos são inofensivos, inocentes, e mesmo importantes para a conservação da saúde. (7) 

Inventa-se tudo o que possa desviar a mente do que é nobre e puro, e quase se atinge a linha divisória em que os habitantes da Terra serão tão corruptos como os habitantes do mundo antes do dilúvio. Muitos parecem não apreciar o fato de que o dinheiro que desnecessariamente gastam em divertimentos que somente perturbam a mente e lançam o fundamento para a corrupção de seus costumes, é dinheiro que pertence ao Senhor. Os que usam o dinheiro para satisfazer o eu estão alegrando e glorificando ao inimigo de toda justiça. Se voltassem o coração para Deus, usariam seu dinheiro para abençoar e elevar aos seus semelhantes, para aliviar a pobreza e o sofrimento. (8)

Há diferença entre recreação e divertimento. A recreação, na verdadeira acepção do termo - recriação - tende a fortalecer e construir. Afastando-nos de nossos cuidados e ocupações usuais, proporciona descanso ao espírito e ao corpo, e assim nos habilita a voltar com novo vigor ao sério trabalho da vida. O divertimento, por outro lado, é procurado com o fim de proporcionar prazer, e é muitas vezes levado ao excesso; absorve as energias que são necessárias para o trabalho útil, e desta maneira se revela um estorvo ao verdadeiro êxito da vida. (9)

O caráter e o controle de vida de um cristão acham-se em significativo contraste com o dos mundanos. O cristão não pode encontrar prazer nos divertimentos e nas várias cenas de vulgar alegria do mundo. Mais altas e santas atrações lhe prendem o afeto. Os cristãos mostrarão que são amigos de Deus mediante sua obediência. (10)

Um serviço a meio, amando o mundo, amando o eu, amando divertimentos frívolos, faz um servo tímido, covarde; segue a Jesus de longe. O serviço feito de boa vontade e de coração a Jesus, produz uma religião radiante. Os que seguem a Cristo bem de perto não se mostram sombrios. Em Cristo há luz, paz e alegria permanentes. Necessitamos mais de Cristo e menos do mundo, mais de Cristo e menos do próprio eu. (11)

A vida de Jesus foi cheia de atividade, e Ele Se exercitou na prática de variadas tarefas, em harmonia com Sua força física e desenvolvimento. Realizando a obra que Lhe estava indicada, não tinha Ele tempo para participar de divertimentos estimulantes e inúteis. Não tomava parte naquilo que pudesse envenenar a moral e rebaixar o tono físico, mas foi educado no trabalho útil e até para resistir a durezas. (12)

Muitos dos divertimentos populares no mundo hoje, mesmo entre aqueles que pretendem ser cristãos, propendem para os mesmos fins que os dos gentios, outrora. Poucos há na verdade entre eles que Satanás não torne responsáveis pela destruição de almas. (13)

Nesta fase do mundo há uma busca de prazeres sem precedentes. Dissipação e absurda extravagância prevalecem por toda parte. As multidões estão famintas por divertimentos. A mente torna-se frívola e vulgar por não estar acostumada à meditação nem disciplinada para o estudo. É corrente o sentimentalismo ignorante. Deus exige que cada alma seja disciplinada, refinada, elevada e enobrecida. Mas não raro toda aquisição de valor é negligenciada pelo exibicionismo da moda e os prazeres superficiais. (14)

Os divertimentos emocionantes de nosso tempo mantêm a mente de homens e mulheres, porém mais especialmente da juventude, numa febre de agitação, que lhes consome a reserva de vitalidade numa medida muito maior que o estudo e os trabalhos físicos, e cuja tendência é amesquinhar o intelecto e corromper a moral. (15)

Satanás é um obreiro perseverante, um astucioso e mortal inimigo. Sempre que é proferida uma palavra incauta, seja de lisonja, seja no sentido de fazer um jovem olhar a algum pecado com menos aversão, ele disto se aproveita, nutrindo a má semente, a fim de que se enraíze e venha a dar farta colheita. Ele é, em todos os sentidos da palavra, um enganador, um hábil encantador. Possui muitas redes finamente tecidas, de inocente aparência, mas astutamente preparadas para emaranhar os jovens e os desprevenidos. A mente natural tende ao prazer e à satisfação do próprio eu. É o método de Satanás encher a mente de desejo em torno dos divertimentos mundanos, de modo a não haver tempo para a pergunta: Como vai minha alma? (16)

1. Mensagens aos Jovens, p. 364
2. Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 337
3. O Lar Adventista, p. 512
4. Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 456
5. Beneficência Social, p. 76
6. O Lar Adventista, 499
7. Conselhos para a Igreja, p. 167
8. Conselhos sobre Mordomia, p. 84
9. Educação, 207
10. Nossa Alta Vocação, p. 147
11. Manuscrito 1, 1867
12. O Lar Adventista, p. 506
13. Patriarcas e Profetas, p. 459
14. O Lar Adventista, p. 521
15. The Health Reformer, Dezembro de 1872
16. Mensagens aos Jovens, p. 373

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Os índios, os jesuítas e a chegada do cristianismo no Brasil

Ao pisar no Brasil, a primeira ação tomada pelo navegador Pedro Álvares Cabral e seus tripulantes foi organizar uma missa que comemorava a chegada em novas terras. Nesse simples gesto, percebemos que os europeus não tinham somente um projeto de caráter econômico no Brasil. Sendo nação de forte fervor religioso católico, Portugal trouxe membros da Ordem de Jesus que teriam a incumbência de ampliar o número de fiéis no Novo Mundo. 

O alvo primordial dessa conversão seriam os índios, que desde as primeiras anotações feitas por Pero Vaz de Caminha são descritos como povos inocentes que iriam se converter sem maiores problemas. A relação entre Estado e Igreja nessa época era próxima, na medida em que ambas empreendiam medidas que colaboravam com seus interesses mútuos. Enquanto os jesuítas tinham apoio na catequização dos nativos, o Estado contava com auxílio clerical na exploração do território e na administração. 

Sob tal aspecto, devemos relembrar que o interesse da Igreja em ocupar e evangelizar o Novo Mundo se dava também pelas várias transformações ocorridas na Europa do século XVI. Nessa época, as religiões protestantes surgiam como uma alternativa ao milenar poderio religioso católico. Para reagir à significativa perda de fiéis, a Igreja aprovou a concepção da Ordem de Jesus, criada em 1534 por Inácio de Loyola, com objetivo de pregar o cristianismo nas Américas.
 
Ellen White escreveu no livro O Grande Conflito, pp. 234-235, advertências em relação aos jesuítas: 
"Em toda a cristandade o protestantismo estava ameaçado por temíveis adversários. Passados os primeiros triunfos da Reforma, Roma convocou novas forças, esperando ultimar sua destruição. Nesse tempo fora criada a ordem dos jesuítas - o mais cruel, sem escrúpulos e poderoso de todos os defensores do papado. Separados de laços terrestres e interesses humanos, insensíveis às exigências das afeições naturais, tendo inteiramente silenciadas a razão e a consciência, não conheciam regras nem restrições, além das da própria ordem, e nenhum dever, a não ser o de estender o seu poderio. O evangelho de Cristo havia habilitado seus adeptos a enfrentar o perigo e suportar sem desfalecer o sofrimento, pelo frio, fome, labutas e pobreza, a fim de desfraldar a bandeira da verdade, em face do instrumento de tortura, do calabouço e da fogueira. Para combater estas forças, o jesuitismo inspirou seus seguidores com um fanatismo que os habilitava a suportar semelhantes perigos, e opor ao poder da verdade todas as armas do engano. Não havia para eles crime grande demais para cometer, nenhum engano demasiado vil para praticar, disfarce algum por demais difícil para assumir. Votados à pobreza e humildade perpétuas, era seu estudado objetivo conseguir riqueza e poder para se dedicarem à subversão do protestantismo e restabelecimento da supremacia papal.
Quando apareciam como membros de sua ordem, ostentavam santidade, visitando prisões e hospitais, cuidando dos doentes e pobres, professando haver renunciado ao mundo, e levando o nome sagrado de Jesus, que andou fazendo o bem. Mas sob esse irrepreensível exterior, ocultavam-se frequentemente os mais criminosos e mortais propósitos. Era princípio fundamental da ordem que os fins justificam os meios. Por este código, a mentira, o roubo, o perjúrio, o assassínio, não somente eram perdoáveis, mas recomendáveis, quando serviam aos interesses da igreja. Sob vários disfarces, os jesuítas abriam caminho aos cargos do governo, subindo até conselheiros dos reis e moldando a política das nações. Tornavam-se servos para agirem como espias de seus senhores. Estabeleciam colégios para os filhos dos príncipes e nobres, e escolas para o povo comum; e os filhos de pais protestantes eram impelidos à observância dos ritos papais. Toda a pompa e ostentação exterior do culto romano eram levadas a efeito a fim de confundir a mente e deslumbrar e cativar a imaginação; e assim, a liberdade pela qual os pais tinham labutado e derramado seu sangue, era traída pelos filhos. Os jesuítas rapidamente se espalharam pela Europa e, aonde quer que iam, eram seguidos de uma revivificação do papado."
Seguindo atribuições diretas do rei Dom João III, o governador-geral, Tomé de Sousa, chegou ao Brasil em 1549 trazendo vários padres jesuítas que deveriam propagar a fé católica. Fundando colégios e missões pelo litoral e interior do Brasil, os jesuítas passaram a não só tratar da conversão dos nativos, bem como a administrar as principais instituições de ensino da época e auxiliar os mais importantes órgãos de administração e controle da metrópole.
"Sem qualquer respeito pelas práticas religiosas indígenas, os colonizadores procuraram impor a estes povos a religião católica. Os pajés ou xamãs, que são os líderes espirituais dos povos indígenas, foram discriminados e chamados de "representantes do diabo" pela igreja católica e pelos colonizadores portugueses..." (Extraído do livro 'O Jongo de Tamandaré: Guaratinguetá/SP', obra de autoria coletiva)
Mesmo salientando o apoio oficial, não podemos deixar de falar dos conflitos que envolveram os jesuítas e os colonizadores. Nas primeiras décadas da colonização, a enorme dificuldade para se obter mão de obra escrava africana motivou vários colonos a buscarem a força de trabalho compulsória dos índios. Logo de início, os jesuítas se opuseram a tal prática, já que a transformação dos índios em escravos dificultava imensamente o trabalho de evangelização. 

Na segunda metade do século XVIII, a presença dos jesuítas no Brasil sofreu um duro golpe. Nessa época, o influente ministro Marquês de Pombal decidiu que os jesuítas deveriam ser expulsos do Brasil por conta da grande autonomia política e econômica que conseguiam com a catequese. A justificativa para tal ação adveio da ocorrência das Guerras Guaraníticas, onde os padres das missões do sul armaram os índios contra as autoridades portuguesas em uma sangrenta guerra. 

Apesar desse episódio, a herança religiosa dos jesuítas ainda se encontra manifesta em vários setores da nossa sociedade. Muitas escolas tradicionais do país, bem como várias instituições de ensino superior espalhadas nos mais diversos pontos do território brasileiro, ainda são administradas por setores dirigentes da Igreja Católica. Somente no século XIX, foi que as escolas laicas passaram a ganhar maior espaço no cenário educacional brasileiro.

[Imagem: A Primeira Missa no Brasil, do pintor Victor Meirelles]

Carta à igreja de Laodiceia - Uma dura mensagem para nós

A mensagem à igreja de Laodiceia é uma impressionante acusação, e é aplicável ao povo de Deus no tempo presente." (Ellen G. White - Testemunhos Seletos, vol. 1, p. 327)
O vale de Lico, na Ásia Menor, tinha três cidades principais: Colossos, conhecida por suas fontes de água fria, Hierápolis, conhecida por suas fontes de águas termais, e Laodiceia, conhecida por sua igreja morna, que causou enjoo no seu Senhor, Jesus Cristo. A igreja em Laodiceia é citada no Apocalipse (aqui em 3:14-22 e em 1:11) e na carta de Paulo aos colossenses (4:13-16).

Laodiceia situava-se no local da cidade moderna de Denizli, Turquia. Era uma cidade muito rica, e a confiança nas riquezas era tanta que seus habitantes não aceitaram ajuda de Roma para reconstruir a cidade depois que um terrível terremoto a destruiu. Sua riqueza vinha principalmente do comércio e dos juros bancários. A região também produzia lã preta e um tipo de colírio para os olhos.

O período relacionado à igreja de Laodiceia vai do ano 1844 d.C. até os dias de hoje. Isso significa que as mensagens de Jesus para este período são para nós que levamos a bandeira das verdades bíblicas; povo cristão que guarda os dez mandamentos e tem o testemunho de Jesus.

Apocalipse 3:14: "E ao anjo da igreja que está em Laodiceia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus."

Jesus traz o verdadeiro testemunho sobre seu Pai e a vontade dEle para com os homens. Ele fala a verdade em cada promessa e cada advertência que vem da sua boca. Jesus Se apresenta como o "princípio da criação de Deus". A palavra usada no original, em grego, é arché, que significa “origem ou agente da criação”.

Apocalipse 3:15 e 16: "Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente. Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da Minha boca." 

Só esses dois versículos dariam um sermão, tamanha a importância do conteúdo. Jesus começa a mensagem com palavras extremamente fortes. Ele diz conhecer o que está em nosso íntimo. Conhece as intenções do nosso coração. Em seguida, diz que se não somos frios nem quentes, somos pessoas mornas. E afirma que preferiria uma das duas condições, menos a mornidão. 

Antigamente, a água da cidade de Laodiceia vinha via aquedutos das fontes termais ao sul da cidade. Até chegar em Laodiceia, a água ficava morna. A qualidade dela não era boa, e a cidade ganhou a reputação de ter água não potável. Ao engolir esta água, muitas pessoas vomitavam. Semelhantemente, Jesus sentiu vontade de vomitar de sua boca a igreja de Laodiceia.

Jesus está falando aqui sobre a mornidão espiritual em que vivemos nos dias de hoje. Estamos dentro da igreja, guardamos os mandamentos, temos o testemunho de Jesus, cremos em Sua volta, mas pelo fato de termos a verdade, achamos que não precisamos mais trabalhar. A mensagem aqui é para todos os cristãos de nome. Àqueles que falam muito bonito, mas que não vivem os ensinos da Palavra. São os cristãos de banco, que ouvem as lindas pregações e os louvores, mas não falam mais de Deus para ninguém. São os cristãos que se tornaram indiferentes espiritualmente.

Jesus usa uma série de adjetivos fortes e negativos para Se referir ao povo morno. É um recado para todos aqueles que se acham bons a ponto de não precisarem de Deus. São aqueles que dizem ser conhecedores da verdade, arrogantes e presunçosos. A mensagem é para as pessoas que têm a pretensão de imaginar ser algo que não são.

Frio – É um estado desconfortável o bastante para saber que há algo errado. São as pessoas que desconhecem as verdades bíblicas, que vivem a vida conforme sua vontade.

Quente – Esta condição representa uma igreja pronta a fazer o bem. Repleta do primeiro amor, do temor, adoração. Cheia de louvor, alegria e sabedoria.

Morno – Mistura de quente e frio. Mistura de mundanismo e religião, o que é nauseante para Cristo. Religiosa o bastante para não desprezar o Seu nome, mas mundana demais para assumir uma posição firme ao lado dEle. O problema não é doutrinário, mas comportamental. 

É uma mensagem de Deus para acordar todo cristão que se encontra nessa condição de mornidão.

Apocalipse 3:17: "Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu." 

O orgulho dos discípulos de Laodiceia os cegou ao ponto de não enxergarem os seus problemas. Eles se achavam fortes e independentes, mas Jesus viu o estado real de uma igreja fraca, cega e infrutífera. A cidade de Laodiceia sofreu um terremoto em 60 d.C. e foi reedificada com recursos próprios, sem auxílio do governo romano. Parece que a igreja sentia a mesma atitude de auto-suficiência, perigosíssima num rebanho de ovelhas que precisa seguir o seu Bom Pastor! Numa cidade conhecida por tratamentos de olhos, a igreja se tornou cega e não procurou o tratamento do Grande Médico. Precisavam da humildade dos publicanos e pecadores (Lucas 5:31-32). Numa cidade que produzia roupas de lã, a igreja andava nua, sem a vestimenta de justiça oferecida por seu Senhor (2 Coríntios 5:3; Colossenses 3:9-10).

Os presunçosos e arrogantes, Jesus coloca nas condições de:

Desgraçados - dignos da misericórdia de Deus.
Miseráveis - dignos de pena.
Pobres - pobreza espiritual, falta de dedicação, trabalho, oração.
Cegos - cegos para as necessidades alheias e para a necessidade da pregação do evangelho.
Nus - despidos, desprovidos das vestes de glória e beleza que devem adornar a igreja de Deus.

Apocalipse 3:18: "Aconselho-te que de Mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas."

Através do Seu inexplicável amor, Jesus dá a receita para os que necessitam de cura. Chama Seu povo para comprar (de graça) dEle ouro e roupas brancas. 

Jó 23:10: "Porém Ele sabe o meu caminho; provando-me Ele, sairei como o ouro." Jesus nos convida a nos purificarmos e a refinarmos a fé. A verdadeira riqueza é espiritual, e vem exclusivamente de Deus. Ele oferece o ouro puro, refinado pelo fogo.

Apocalipse 19:8: "E foi-lhe dado que se vestisse de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos santos." Os fiéis herdarão a justiça de Cristo. Jesus nos chama para nos despirmos de nossa própria justiça e vestirmos a dEle. É Deus quem lava os nossos pecados e nos veste de pureza e de atos de justiça.

Atos 10:38: "Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele." O colírio é o Espírito Santo. Somente Jesus pode curar a cegueira espiritual que aflige os orgulhosos e auto-suficientes. Foi exatamente o mesmo problema que Jesus criticou nos fariseus (Mateus 15:14; 23:25-26). É o mesmo problema de qualquer um que esquece da importância do sacrifício de Jesus e começa a confiar em si mesmo (2 Pedro 1:9).

Efésios 1:18: "Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos." O trabalho do Espírito Santo é iluminar nossa mente, abrir nossos olhos para que enxergamos o que Deus tem para nos mostrar. 

Apocalipse 3:19: "Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te." 

A correção que vem de Deus é uma manifestação do seu amor (Hebreus 12:4-11). Quando Deus nos corrige, devemos aceitar a disciplina como Ele deseja, para o nosso próprio bem. Ele quer nos conduzir ao arrependimento e à plena comunhão com Ele. A disciplina aplicada pelos servos de Deus deve, também, ser motivada pelo amor (Hebreus 12:12-13). Esta atitude deve guiar os pais que corrigem os seus filhos (Provérbios 13:24), e os cristãos que corrigem os seus irmãos na fé (Tiago 5:19-20; 2 Coríntios 2:5-8).

Apocalipse 3:20: "Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a Minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo." 

Um dos mais lindos versículos da Bíblia. É interessante notar que anteriormente Jesus também fala de uma porta. Mas Ele tinha a chave para abri-la. Aqui Jesus afirma que Ele está à porta e precisa bater, logo, entende-se que Ele está do lado de fora. Esta porta representa o seu e o meu coração. Jesus está ali, a todo o momento, batendo para que possamos abrir. Jesus não força a entrada pela porta do nosso coração. Ele valoriza nossa liberdade de escolha. Respeita nosso livre-arbítrio. Ele entra na casa e habita naqueles que obedecem a palavra dEle (João 14:23). Cear com alguém sugere uma relação especial de estar de acordo ou em comunhão (1 Coríntios 10:21; 5:11). É um privilégio especial comer à mesa do rei (2 Samuel 19:28). Não há privilégio maior do que a bênção de cear com o Rei dos reis!

Apocalipse 3:21: "Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no Meu trono; assim como Eu venci, e Me assentei com Meu Pai no Seu trono." 

Os vencedores terão o privilégio de reinar com Cristo. Tal honra não seria para os orgulhosos e auto-suficientes, mas para os humildes e obedientes. Jesus foi obediente ao Pai aqui na terra para ser exaltado ao lado dEle no céu (Filipenses 2:8-9). Somente os obedientes serão exaltados com Cristo. 

Apocalipse 3:22: "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas."

Cabe ao homem ouvir e atender a Sua voz!

Na carta à igreja em Laodiceia, Jesus não citou nenhuma doutrina errada e pecado de imoralidade. Não condenou a igreja por práticas idólatras. Esta igreja, que se achava rica e forte, foi criticada por seu orgulho e auto-suficiência. Exaltou-se, ao invés de se humilhar diante do Senhor dos senhores.
"Vivemos num importante, soleníssimo tempo da história terrestre. Achamo-nos entre os perigos dos últimos dias. Importantes e tremendos acontecimentos se acham diante de nós. Quão necessário é que todos os que temem a Deus e amam Sua lei, se humilhem diante dEle, e se aflijam e pranteiem, e confessem os pecados que têm separado Deus de Seu povo! O que deve suscitar o maior alarme, é que não sentimos nem compreendemos nossa condição, nosso baixo estado, e satisfazemo-nos de permanecer como estamos. Devemos refugiar-nos na Palavra de Deus e na oração, buscando individual e fervorosamente ao Senhor, para que O possamos achar. Cumpre-nos fazer disto nossa primeira ocupação." (Ellen G. White - Testimonies, vol. 3, p. 53, 1872)

terça-feira, 18 de abril de 2017

Geração Miojo - Para ser lido em 3 minutos

Costuma ficar impaciente quando percebe que alguém está fazendo você perder tempo? Fica indignado quando a velocidade do 3G/4G ou Wifi está lenta? Não consegue assistir um vídeo na Internet por mais de 3 minutos sem avançar? Sempre sente que está perdendo tempo? Gostaria que tudo fosse resolvido de maneira rápida e sem complicações?

Se respondeu sim à maioria das perguntas acima, parabéns! Você faz parte da Geração Miojo.

Obviamente, isso é uma brincadeira, mas recentemente especialistas em comportamento vêm observando que as novas gerações estão cada vez mais ansiosas, sem paciência e querem que os resultados apareçam de forma instantânea. Para alguns, isso pode ter relação com o uso da tecnologia e/ou com a forma como estão sendo educados.

Algumas características da Geração Miojo são:

- Ansiedade.
- Insatisfação constante.
- Tudo tem de ser resolvido imediatamente e sem esforço.
- Sempre sente que está perdendo tempo.
- Tudo agora, já, ao mesmo tempo, junto.


Consequentemente essa geração começa a enxergar o mundo de outra maneira.

Estudo miojo – “Quero prática e não teoria. Se não gostar, mudo de curso, antes de terminar”.
Trabalho miojo – “Quero ser chefe em pouco tempo, se não mudo de empresa”.
Namoro miojo – “Nada de compromisso. Prefiro ficar x namorar”.
Casamento miojo – “Se não der certo, cada um vai pro seu lado”.
Religião miojo – “Amo a Deus, mas não quero ficar preso a uma igreja”.

Geração Miojo na antiguidade
Ao que parece, a ansiedade por resultados instantâneos é bem antiga. Em Gênesis 25:24-34 vemos a história dos gêmeos Esaú e Jacó. Esaú preferiu vender seu direito e responsabilidade de filho mais velho por um prato de comida pronta. Satisfazer seus desejos momentâneos era mais importante que esperar pelo futuro. Esse é um pensamento que ainda permanece na mente de muitos.

A Bíblia registra em vários momentos as terríveis consequências do pensamento miojo. Jacó não querendo esperar o desenvolvimento dos planos de Deus, enganou seu irmão para roubar a bênção e precisou fugir de casa. Moisés quis fazer justiça imediata matando um egípico e precisou fugir para não ser morto. Saul não teve paciência, realizou um sacrifício destinado apenas aos sacerdotes e foi rejeitado como rei.

Miojização da igreja
Em nossos dias, essa busca pelo instantâneo tem pressionado o sistema tradicional das igrejas. As pessoas hoje querem cultos menores, mais rápidos e em horários flexíveis, querem sermões mais curtos e diretos ao ponto, louvores com poucas estrofes e respostas instantâneas para as orações. Mas, isso pode gerar problemas.

Uma pesquisa realizada por Harvard[1] descobriu que usar miojo mais de duas vezes por semana pode ser prejudicial, especialmente para as mulheres. Semelhantemente, o sentimento exagerado de instantaneidade religiosa e que anseia por resultados imediatos, pode levar à morte espiritual.

A Bíblia diz que “… a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Provérbios 4:18). A vida cristã é uma caminhada construída por muitos passos. Por isso, é preciso ter paciência e perseverança. Nosso caráter precisa se tornar semelhante a Cristo e isso exige comunhão diária e permanente através do estudo da Bíblia e oração. A verdadeira santificação é obra diária, continuando por tanto tempo quanto dure a vida. “Olhando para Jesus adquirimos visão mais brilhante e distinta de Deus, e pela contemplação somos transformados”[2]. Essas coisas não se fazem na pressa e não acontece de uma hora para outra.

Conclusão instantânea
De alguma forma a tecnologia acelera o processo de ansiedade da geração miojo e cria a expectativa de que tudo precisa ser tão rápido quanto um bit processado. Cabe a nós decidir usar essa velocidade tecnológica para potencializar nossos relacionamentos, nos aproximar de quem está distante e intensificar nossa comunhão com de Deus. Permita que a tecnologia te ajude a sentir e a compartilhar o amor de Deus.

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu..." Ec 3:1

Carlos Magalhães (via Igreja Conectada)

[1] http://jn.nutrition.org/content/144/8/1247.abstract
[2] http://ellenwhite.cpb.com.br/livro/index/10/331/340/influencia-da-percepcao

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Ellen White, dramatizações e filmes

Nesse ano, a Igreja Adventista do Sétimo Dia lançou um filme intitulado O Resgate para apresentar às pessoas uma parábola moderna sobre o significado da vida e da morte de Jesus. O filme ultrapassou 400 mil visualizações em português e espanhol no Youtube, e os números não param de crescer. Os testemunhos são inúmeros de como as pessoas foram impactadas pela mensagem central, que nos leva a refletir no maior resgate da história, quando Jesus tornou-se um de nós.

Para dirimir qualquer dúvida, o departamento de Comunicação da Divisão Sul-Americana apresenta o seguinte texto que esclarece as bases para usar esse tipo de mídia para pregar.

Um dos temas de preocupação de Ellen White em seus escritos foram o teatro e as dramatizações ou encenações teatrais. Os principais estudos que sistematizaram o pensamento de White a respeito dessa questão são dois: Representações dramáticas em instituições adventistas, de Arthur White, publicado originalmente em 1963, e o recente verbete Drama and theather, de Liliane Doukhan, publicado na The Ellen G. White Encyclopedia, livro de 2013 ainda não traduzido para o português.

Em um breve panorama desses estudos, fica claro que Ellen White escreveu sobre o tema a partir de duas perspectivas: (1) o teatro como meio de entretenimento e (2) a inserção de atitudes teatrais por pregadores e evangelistas.

A respeito do primeiro foco, o do teatro como meio de entretenimento, ela critica essa forma de diversão pelo seu conteúdo vulgar e pelo seu ambiente estar associado à vida boêmia (jogos de azar, bebida e fumo), o que era realidade na época. Geralmente as declarações de Ellen White sobre o perigo da influência do teatro estão ligadas ao contexto institucional adventista a partir da década de 1880: o problema da formação de sociedades literárias adventistas, que levavam muitos jovens a frequentarem o teatro, e das encenações teatrais “mundanas” feitas em instituições adventistas como colégios e hospitais, embora até hoje não se saiba ao certo que tipo de peças e entretenimento eram apresentados no Sanatório de Battle Creek, por exemplo. Sabe-se apenas que eles não tinha caráter religioso ou evangelístico, mas de entretenimento somente.

Sobre o segundo foco, que é o uso de posturas teatrais por ministros e pregadores, White condena essa prática. Para ela, era inaceitável que pregadores e ministros agissem de forma sensacionalista ou vulgar para atrair os ouvintes.

Abaixo seguem trechos do texto de Doukhan, o estudo mais recente a respeito da temática feito pela igreja, já mencionado anteriormente:
“Outra das preocupações de Ellen White tem a ver com o comportamento teatral em contextos religiosos. Com frequência ela usa a palavra teatral para se referir a um conjunto de atitudes e comportamentos no contexto de reuniões públicas, como o púlpito, reuniões de temperança, reuniões evangelísticas, Escola Sabatina e reuniões de angariação de fundos. Muitas de suas referências a atitudes teatrais tratam do comportamento do pregador no púlpito. White condena especialmente as ‘atitudes e expressões calculadas a causar efeito’, ‘gestos indignos, impetuosos’ e ‘vulgaridade’, durante as quais os pregadores ‘atacam, gritam, saltam para cima e para baixo, esmurram o púlpito’. (Evangelismo, p. 640, Obreiros Evangélicos, p. 172 e Review and Herald, 8 de agosto de 1878)
"Em vez de usar anedotas para divertir a congregação, o pregador deve buscar qualidades como dignidade, simplicidade, bondade e beleza. Além disso, ela fala contra o uso da ‘habilidade no palco’ com o propósito de se exibir, ou o desejo de obter sucesso mediante o cultivo do sensacionalismo e da exibição externa, e usando a tolice vulgar para tornar as reuniões atrativas e interessantes." (Testemunhos para a Igreja 5, p. 127)
“O que é condenado em todas essas atitudes teatrais é uma abordagem ‘superficial’ que confunde os sentidos e ofusca a verdade. White encoraja o uso de métodos sensíveis e racionais caracterizados por profunda experiência religiosa, verdadeira piedade e humilde espiritualidade. Por meio do cultivo de expressões que elevam e enobrecem, o intelecto será fortalecido e a moral será confirmada. Simplicidade, humildade, graciosa dignidade e sabedoria devem ser as qualidades que governam a apresentação da verdade de maneira que os ouvintes possam ser impressionados favoravelmente.” (Lilianne Doukhan, Drama and theater, em The Ellen G. White Encyclopedia, ed. Denis Fortin e Jerry Moon [Review and Herald, 2014], pp. 783-784 [a ser lançada pela CPB])
Diante disso, os textos usados para desqualificar a criação de produções audiovisuais de ficção pela organização adventista, encontrados em livros como Evangelismo, por exemplo, referem-se a “posturas teatrais“ e “exibições teatrais” apresentadas por ministros e pregadores. Tais textos não se referem a encenações e dramatizações produzidas por adventistas, seja dentro ou fora do ambiente de culto. Não é possível considerar os textos de White sobre o ambiente e o conteúdo do teatro, e muito menos as críticas que ela faz à teatralidade de pregadores, como argumento para tornar as produções evangelísticas da igreja como estando contra os testemunhos.

A Igreja Adventista jamais buscará meios de produção audiovisual ou comunicação que entrem em conflito com os princípios bíblicos e conceitos dos escritos de Ellen White e cujo objetivo seja meramente entreter uma plateia ou exibir a performance de alguém. Nossa intenção é a de termos relevância junto aos públicos da atualidade, mas sempre mantendo uma coerência com nossa identidade histórica fundamentada em sólida base bíblico-teológica.
"Crede no Senhor vosso Deus e estareis seguros." (2 Crônicas 20:20)
Pr. Rafael Rossi (via Em dia com o nosso tempo)

Nota: Grupos de dramatização têm participado frequentemente em vários programas de TV mantidos pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, ao redor do mundo. Elencos especiais de dramatização foram necessários também para a produção dos filmes e/ou vídeos “Um em Vinte Mil” (EUA), “O Grande Conflito” (Argentina), “Heróis da Fé” (Austrália), “O Barquinho Azul” (Brasil) e muitos outros [como “Tell the World”, “Opostos” e “O Resgate”]. Evangelistas adventistas usam um número significativo de filmes em suas séries de conferências públicas. Dramatizações fazem parte ainda da vida da grande maioria dos internatos mantidos pela denominação. Elas são usadas também em nível de igrejas locais, tanto em programas alusivos ao Dia das Mães e ao Natal, quanto nos departamentos infantis da Escola Sabatina. Várias dessas dramatizações têm elevado espiritualmente tanto os apresentadores quanto os que a elas assistem. 

[Leia mais sobre o assunto em O uso de dramatizações na Igreja Adventista]

Campanha nacional de vacinação contra a gripe começa hoje - Como fortalecer o sistema imunológico?

Começa nesta segunda-feira (17) a Campanha Nacional de Vacinação Contra a Influenza. A campanha vai até 26 de maio, e o dia de mobilização nacional está marcado para o dia 13. A meta é vacinar 54,2 milhões de pessoas em todo o país. Este ano, a novidade da campanha é a inclusão dos professores da rede pública e privada no público alvo, com direito a receber a imunização gratuitamente no SUS. A contraindicação é para quem tem alergia severa a ovo.

Veja quem recebe a vacina pelo SUS:

- Crianças de 6 meses a menores que 5 anos (quatro anos, 11 meses e 29 dias)
- Gestantes
- Puérperas (mulheres que estão no período de até 45 dias após o parto)
- Idosos (a partir de 60 anos)
- Profissionais da saúde
- Povos indígenas
- Pessoas privadas de liberdade e funcionários do sistema prisional
- Portadores de doenças crônicas e outras doenças que comprometam a imunidade
- Professores de escolas públicas ou privadas

A vacina disponível no SUS protege contra os três subtipos do vírus da gripe que mais circularam no país: A/H1N1; A/H3N2 e influenza B. Segundo o ministério da Saúde, 60 milhões de doses de vacinas foram adquiridas, das quais 21,1 milhões de doses já foram distribuídas aos estados. Os grupos prioritários devem se vacinar todos os anos, já que a imunidade contra os vírus cai progressivamente. Além disso, o vírus da gripe passa por mutações frequentes. (G1)

Como fortalecer o sistema imunológico
Vacinar ou não é uma decisão individual. Uma coisa é certa: a prevenção da doença por meio de um estilo de vida adequado, que fortalece as defesas do corpo, é a melhor solução. Vamos ver algumas recomendações simples para fortalecer o sistema imunológico: 

Nutrição: obesidade, dieta rica em gorduras e açúcar enfraquecem o sistema imunológico e diminuem a produção de anticorpos. Por outro lado, uma dieta rica em frutas e verduras frescas, fontes de antioxidantes e vitaminas (como C e E) aumenta a resistência contra doenças respiratórias. 

Água: beba dois litros de água por dia e, de preferência, entre as refeições. Manter o corpo hidratado é fundamental para combater as infecções. 

Vitamina D: produzida pelo corpo após a incidência na pele da radiação ultravioleta proveniente do sol, a vitamina D diminui a incidência de infecções respiratórias. Tome pelo menos 20 minutos de sol por dia. 

Ar puro: respire ar puro profundamente e deixe sua casa bem arejada. Ambientes fechados e úmidos são repletos de germes circulantes. 

Exercício físico: o moderado ajuda na prevenção da gripe. Entretanto, exercício físico intenso e extenuante diminui a resistência contra infecções respiratórias. Sugiro uma caminhada diária de 30 minutos ao ar livre. 

Evite álcool, cigarro ou outras drogas: elas diminuem a eficiência do sistema imunológico. Fumar resseca as narinas e paralisa os cílios respiratórios (delicados fios encontrados nas vias respiratórias que ajudam a retirar germes e outras partículas de dentro do corpo). Fumar um cigarro paralisa esses cílios por 30-40 minutos. 

Sono: privação de sono, mesmo parcial, reduz a atividade das células de defesa em 30%, e também reduz a eficiência das vacinas. Procure dormir antes das 22h, durante 7-8 horas por noite. 

Você é o que você pensa: fatores psicológicos influenciam a resposta imunológica e alteram a susceptibilidade a infecções. Estresse crônico está relacionado com diminuição dos anticorpos, ao passo que otimismo e boas relações interpessoais estão associados com melhora do status imunológico. Mágoas, ansiedade, descontentamento, remorso, culpa e desconfiança em Deus e nas pessoas tendem a quebrar nossas forças vitais e nos deixar enfraquecidos. 

Um remédio esquecido: cante uma música ou hinos de louvor a Deus. Cantar não somente melhora nosso humor como também pode ser terapêutico. Estudos mostram que cantar aumenta a quantidade de Imunoglobulina A (IgA) na saliva, uma classe de anticorpos que protegem as mucosas.

Alimentos importantes
Alho - aumenta a imunidade e tem propriedades antibacterianas, antifúngicas e antivirais. Se você foi exposto ao vírus da gripe, tente beber este coquetel: 1 litro de água, 1 dente de alho sem casca e 1 limão. Bata no liquidificador e beba. 

Acerola - fruta riquíssima em vitamina C de ação antioxidante que estimula a resistência, sendo responsável pelo aumento da atividade imunológica do corpo. A vitamina C age na reconstituição dos leucócitos em períodos de queda de resistência. Pode ser consumida in natura, na forma de sucos ou em cápsulas.

Chá verde e branco - ricos em catequina e epicatequina, poderosos antioxidantes que atuam no combate aos radicais livres. Possui ação imunoestimulante, fortalecendo o sistema imunológico. Pode ser consumido na forma de chá ou cápsulas.

Cogumelo Shiitake - esse cogumelo possui lentinan, uma substância que aumenta a produção das células de defesa do organismo. Acrescente o shiitake em receitas como arroz integral, molhos para massas e saladas.

Geléia Real - estimula o sistema imunológico e combate as infecções de vírus e bactérias. Encontrada in natura e em cápsulas.

Gengibre - é imunoestimulante, possui ação expectorante, reduz a inflamação e a dor. Com a raiz, faz-se os chás e em pó, pode ser adicionado em sucos e receitas diversas.

Mel - ação bactericida e anti-séptica. É um bom coadjuvante no tratamento de problemas pulmonares e da garganta. Contém substâncias, que agem como antibióticos naturais. Não deve ser fervido para que não perca suas propriedades. Pode ser consumido puro, em sucos, vitaminas, frutas.

Óleo de coco - rico em ácidos láurico e caprílico, o óleo de coco possui atividade antiviral e antibacteriana. Diversos estudos mostram seu efeito imunomodulador. Use em sucos, shakes, vitaminas ou como substituto da manteiga em pães.

Probióticos - possuem microorganismos vivos que recuperam a microbiota intestinal e fortalecem o sistema imunológico. Encontrado em pó ou cápsulas.

Suco verde - fonte de zinco, ferro e vitamina C, nutrientes antioxidantes que reforçam o sistema imunológico. Pode ser feito com polpa de clorofila ou com folhas de couve.

Própolis - fonte de flavonóides que auxiliam no combate às doenças que atacam o homem. Atua como “Antibiótico Natural”. Eficaz em casos de inflamação e infecção na garganta, além de ajudar no combate a tosses.

Pólen - rico em proteínas, vitaminas e minerais que ajudam na formação de anticorpos, fortalecendo o sistema imunológico. Alimento versátil, pode ser consumido puro ou adicionado em diversos alimentos, como sucos, iogurtes, vitaminas, frutas, saladas, no preparo de pães, bolos e cookies.

domingo, 16 de abril de 2017

Os muçulmanos irão superar os cristãos como o maior grupo religioso do planeta, prevê pesquisa

Até o fim do século, os muçulmanos irão superar os cristãos como o maior grupo religioso do planeta. É o que mostra uma pesquisa conduzida pelo Pew Research Center, centro de pesquisas norte-americano. Atualmente os cristãos formam o maior grupo religioso da Terra, com aproximadamente 31% dos 7,3 bilhões da população mundial. Os muçulmanos constituem o segundo maior grupo, com 1,8 bilhão de pessoas, ou 24% da população.

Já na segunda metade deste século, os muçulmanos deverão ultrapassar os cristãos como o maior grupo religioso do mundo – serão aproximadamente 3 bilhões de fiéis. O relatório projeta que, entre 2015 e 2060, o número de muçulmanos deve crescer 73% em todo o mundo, enquanto a média do crescimento populacional deve ser de 35%.

O aumento de muçulmanos não se deve somente ao número de pessoas que se convertem ao islã. A principal causa é atribuída à demografia - os muçulmanos têm mais filhos. Em todas as regiões de maioria muçulmana, a taxa de fecundidade é superior se comparada a famílias de outros credos. E a tendência é que os filhos sigam a religião dos pais.

O crescimento da população muçulmana também é impulsionado pelo fato de que ela tem a média de idade mais jovem dos grupos religiosos - 24 anos. Mais de um terço dos muçulmanos vive na África e no Oriente Médio, regiões com as maiores taxas de crescimento populacional. As projeções indicam que os muçulmanos crescerão em todas as partes do globo, incluindo a América do Norte, Europa e Ásia. O intenso fluxo migratório de pessoas oriundas de países onde a maioria segue o islamismo também deve impulsionar o aumento de muçulmanos na América do Norte e na Europa.

Em 2010, havia 13 milhões de imigrantes muçulmanos nos países da União Europeia. Na Rússia, 14 milhões de pessoas seguem o Islã, o maior grupo do continente. Apenas em duas regiões o Islã não cresce: na América Latina e no Caribe. Nesses lugares, o fenômeno religioso mais marcante ocorre dentro do cristianismo, com católicos se convertendo em evangélicos.

No Brasil, o censo de 2010 do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) contabilizou apenas 35 mil muçulmanos em todo o país. Um terço deles estaria morando na região metropolitana de São Paulo, que possui diversas comunidades de imigrantes do Oriente Médio. (UOL

Nota: Há apenas um parágrafo nos escritos de Ellen G. White, uma referência histórica no apêndice de O Grande Conflito, em que ela menciona o que hoje chamamos de Islamismo.
"O Salvador disse: 'Quem crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece' (Jo 3:36). E outra vez ele disse: 'E a vida eterna é esta: que te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste' (Jo 17:3). O Islamismo tem seus conversos em muitos países, e seus defensores negam a divindade de Cristo. Será esta crença propagada, sem que os defensores da verdade consigam demonstrar intenso zelo pela derrota do erro, ensinando aos homens sobre a preexistência do único Salvador do mundo? Oh, como precisamos de homens que esquadrinhem e creiam na Palavra de Deus, que apresentem Jesus ao mundo em Sua natureza divina e humana, declarando com poder na demonstração do Espírito que 'debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devemos ser salvos' (At 4:12). Oh, como precisamos de crentes que apresentem Cristo na vida e no caráter, que O representem diante do mundo como o resplendor da glória do Pai, proclamando que Deus é amor!" (The Home Missionary, setembro de 1892)
O Islamismo é um sistema religioso fundado no início do século 7 por um homem chamado Maomé, que clamou ter recebido uma visita do anjo Gabriel. Durante essas visitas do anjo, as quais continuaram por cerca de 23 anos até a morte de Maomé, o anjo aparentemente revelou a ele as palavras de Alá (a palavra árabe usada pelos muçulmanos para “Deus”). Essas revelações ditadas formam o que hoje conhecemos de Corão ou Alcorão, o livro sagrado do Islamismo. Islã significa "submissão", derivando de uma raiz que significa "paz". A palavra muçulmano significa "aquele que se submete a Alá". Os muçulmanos aceitam certas partes da Bíblia, como a Torá (se refere basicamente ao Pentateuco, ou seja, os cinco primeiros livros da Bíblia) e parte dos Evangelhos. Eles acreditam que o Alcorão seja a perfeita e preexistente palavra de Deus.

Jesus Cristo não é uma figura completamente desconhecida aos muçulmanos. Isa (nome árabe de Jesus), considerado um profeta do Islamismo, é citado em 15 capítulos e 93 versos do Alcorão.

Em relação ao Cristianismo, o Islamismo tem algumas semelhanças, mas também diferenças significantes. Assim como o Cristianismo, o Islamismo é monoteísta. No entanto, os muçulmanos rejeitam o conceito da Trindade – ou seja, que Deus se revelou como um em três pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo. O Islamismo clama que Jesus era apenas um profeta – não o Filho de Deus. Os muçulmanos acreditam que Jesus, embora nascido de uma virgem, foi criado como Adão.

Os muçulmanos não acreditam que Jesus tenha morrido na cruz, mas sim, que Deus o levou ao céu para que Ele seja uma testemunha contra os judeus. Para a tradição islâmica, o homem que morreu no seu lugar foi Judas ou Simão de Cirene. Eles não entendem por que Alá permitiria que o Seu profeta Isa sofresse uma morte torturante. Contudo, a Bíblia mostra como a morte do Filho de Deus foi fundamental para pagar pelos pecados dos crentes (Isaías 53:5-6, João 3:16, 14:6, 1 Pedro 2:24).

O Islamismo ensina que se pode ganhar o paraíso através de boas obras e obediência aos Cinco Pilares. A Bíblia, pelo contrário, revela que o homem não pode se comparar com um Deus santo (Romanos 3:23; 6:23). Apenas por causa da misericórdia e amor de Deus os pecadores podem ser salvos através da fé em Cristo (Atos 20:21; Efésios 2:8-9).

Embora o Islamismo seja a segunda maior religião depois do cristianismo, e os muçulmanos sejam o grupo religioso que mais cresce no mundo, poucos tiveram a oportunidade de conversar com um cristão. Oito em cada dez muçulmanos nunca conheceram um verdadeiro cristão, apontou o site Mission Network News. Apenas uma pequena parcela de muçulmanos no Oriente Médio estão familiarizados com o cristianismo, de acordo com a CBN News.

Devido a estas diferenças e contradições essenciais, o Islamismo e o Cristianismo não podem ser ambos verdadeiros. A Bíblia e o Alcorão não podem ambos ser a Palavra de Deus. Mas apesar disso, é importante desenvolver amizades com a comunidade muçulmana para construir uma confiança que vá permitir que os cristãos possam compartilhar o Evangelho, e assim, esse grupo poderá atender ao chamado “sai dela, povo meu” para se juntar ao povo da aliança eterna.