segunda-feira, 14 de outubro de 2019

10 dicas para acabar com o mau humor

Sabe aqueles dias em que você acorda querendo brigar com a sombra, gritar com o filho porque ele derramou uma gota de leite na toalha da mesa e responder “bom dia, por quê?” quando alguém simplesmente o cumprimentou? Você com certeza despertou sob o domínio do mau humor, esse sentimento tão familiar a todos e infelizmente cada vez mais comum. 

A própria medicina considera o mau humor crônico uma enfermidade. Ela se chama distimia e pode ser definida como “a falta de prazer ou divertimento na vida, seguida por um constante sentimento de negatividade”. 

O que te deixa de mau humor? Mentiras, atrasos, desorganização, bagunça, música alta, arrogância, indolência, falta de planejamento, irresponsabilidade, traição, calor?  

Embora para muitos possa parecer algo banal – sem repercussões além da própria cara feia e do incômodo sentido por quem está por perto –, esse estado de espírito traz muito mais prejuízos à saúde e à vida espiritual em geral do que se imagina. O mau humor se instala em sua mente, de forma que você fica remoendo todas as formas em que foi injustiçado. Você se torna irritável e impaciente. Você explode com os outros e se justifica. Há uma categoria de ira justa (“Irai-vos, mas não pequeis”, diz Efésios 4:26), mas nunca há um mal humor justo. 

Vejamos alguns conselhos de Ellen G. White e da Bíblia para combater esse mau humor: 

1. Devemos olhar o lado brilhante das coisas 
Não permitais que as perplexidades e tristezas da vida diária aflijam vosso espírito e vos entristeçam o semblante. Se o permitirdes, tereis sempre alguma coisa que vos atormente e aborreça. A vida é o que dela fazemos, e encontraremos o que buscarmos. Se olharmos as tristezas e perplexidades, se estamos de mau humor de molde a ampliar pequenas dificuldades, encontraremos quantidades delas para nos absorver os pensamentos e a conversação. Mas se olhamos o lado brilhante das coisas, encontraremos o suficiente para nos fazer alegres e felizes. Se dermos sorrisos, eles nos serão devolvidos; se falarmos palavras prazerosas e alegres, assim nos falarão. (LA, 430) 

“Não se associe com quem vive de mau humor, nem ande em companhia de quem facilmente se ira; do contrário você acabará imitando essa conduta e cairá em armadilha mortal” (Provérbios 22:24-25 NVI).

2. Devemos carregar a alegria do Céu 
Quando os cristãos se mostram sombrios e deprimidos, como se sentissem sem amigos, dão uma impressão errônea da religião. Em alguns casos tem sido nutrida a ideia de que a alegria não é condizente com a dignidade do caráter cristão, mas isto é um erro. O Céu é todo alegria; e se carregamos para nossa alma a alegria do Céu e, tanto quanto possível o expressamos em palavras e no comportamento, seremos mais agradáveis a nosso Pai celestial do que nos mostrando deprimidos e tristes. (LA, 430) 

“O coração alegre aformoseia o rosto, mas com a tristeza do coração o espírito se abate” (Provérbios 15:13). 

3. Devemos cultivar a alegria e cuidar da alimentação 
É dever de cada um cultivar a alegria em vez de ruminar tristezas e pesares. Muitos não somente se fazem muito infelizes por este procedimento, mas sacrificam a saúde e felicidade por uma imaginação mórbida. Há ao seu redor coisas que não apreciam, e sua fisionomia mostra uma sombra contínua que, mais que palavras, expressam seu descontentamento. Essas emoções depressivas causam-lhes grande dano à saúde, pois embaraçando o processo digestivo, interferem com a nutrição. Ao passo que a preocupação e ansiedade não remediam um simples mal, podem produzir grande dano; mas alegria e esperança, ao mesmo tempo que iluminam o caminho de outros, 'são vida para os que as acham e saúde, para o seu corpo' (Provérbios 4:22). (LA, 431) 

Açúcar não é bom para o estômago. Causa fermentação, e isto obscurece o cérebro e ocasiona mau humor. (CSRA, 327) 

Podemos ter variedade de comida boa e saudável, preparada de maneira saudável, de maneira que seja aprazível a todos. É de importância vital saber cozinhar bem. A cozinha deficiente causa doenças e mau humor; o organismo fica desarranjado, e não se podem perceber as coisas celestiais. Há mais religião na boa cozinha do que podeis imaginar. (CSRA, 256) 

4. Devemos praticar a paciência 
Jesus não nos abandonou dando-nos razão para ficarmos espantados diante das provações e dificuldades. A respeito delas Ele tudo nos falou, e também nos disse que não ficássemos acabrunhados nem abatidos quando sobreviessem as provações. Olhemos para Jesus, nosso Redentor, alegremo-nos e nos regozijemos. As provações mais difíceis de suportar são as causadas por nossos irmãos, nossos próprios amigos íntimos; mas até essas provas podem ser suportadas com paciência. (CI, 55) 

Precisa-se de homens nesta obra que não murmurem nem se queixem por causa de dificuldades ou provações, sabendo que isso é parte do legado que Jesus lhes deixou. Devem estar dispostos a sair do acampamento e sofrer afronta e carregar fardos como bons soldados de Cristo. A paciência é uma virtude que deves praticar. Carregarão a cruz de Cristo sem queixas, sem murmuração ou mau humor e serão “pacientes na tribulação. (TI3, 423) 

5. Devemos ter cuidado com as palavras e atos 
Não permitais que escape de vossos lábios nenhuma palavra de mau humor, aspereza ou ira. A graça de Cristo espera vosso pedido. Seu Espírito dominar-vos-á o coração e a consciência, presidindo vossas palavras e atos. (OC, 219) 

Tornem os seguidores de Cristo a Palavra de Deus atrativa para os jovens. Não manifesteis um espírito de murmuração; mas conquistai-os para santidade de vida e obediência a Deus. Alguns crentes professos, com seu mau humor, repelem os jovens. (FEC, 51) 

Lembremo-nos de que quando estamos de mau humor e pensamos ser nosso dever chamar à ordem toda pessoa que de nós se aproxima, jamais estamos em terreno vantajoso. Se cedermos à tentação de criticar os demais, apontar-lhes as faltas e demolir o que fazem, podemos estar certos de que não estamos fazendo a nossa parte de forma nobre e correta. (TI9, 184) 

“Livre-se do mau humor e suas manifestações: “Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade” (Ef 4:31). 

6. Devemos praticar a gratidão e cortesia 
Muitos anseiam intensamente por amizade e simpatia. Devemos ser abnegados, procurando sempre oportunidades, mesmo nas pequenas coisas, para mostrar gratidão pelos favores que temos recebido de outros e procurando ocasião de alegrar a outros e aliviar-lhes as tristezas e as cargas por atos de amável bondade e pequenos atos de amor. Esses atenciosos atos de cortesia que, começando na família se estendem fora de seu círculo, ajudam na soma do que faz feliz a vida; e a negligência dessas pequenas coisas ajudam na soma do que torna a vida amarga e triste. (TI3, 539, 540) 

7. Devemos servir com alegria 
Que todos quantos professam haver encontrado a Cristo, sirvam, como Ele fez ao bem dos homens. Nunca deveríamos dar ao mundo a falsa impressão de que os cristãos são uma gente triste, descontente. (DTN, 152) 

8. Devemos possuir o amor da pureza e simplicidade 
Guarda-te da irritabilidade e do mau humor, e de um espírito atormentador. Busca a piedade de coração. Sê cristão coerente. Possui o amor da pureza e humilde simplicidade, e sejam estas inseridas em tua vida. (TI2, 314) 

“Não retribuam mal com mal, nem insulto com insulto; ao contrário, bendigam” (1Pe 3:9). 

“Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se” (Tg 1:19). 

9. Devemos ter mais de Cristo e menos do mundo 
Um serviço a meio, amando o mundo, amando o eu, amando divertimentos frívolos, faz um servo tímido, covarde; segue a Jesus de longe. O serviço feito de boa vontade e de coração a Jesus, produz uma religião radiante. Os que seguem a Cristo bem de perto não se mostram sombrios. Em Cristo há luz, paz e alegria permanentes. Necessitamos mais de Cristo e menos do mundo, mais de Cristo e menos do próprio eu. (Manuscrito 1, 1867) 

10. Devemos viver um cristianismo genuíno 
Viu-me alguma vez triste, acabrunhada, queixosa? Eu tenho uma crença que me impede isto. É uma concepção errônea do verdadeiro ideal do caráter e do serviço cristãos que leva a essa conclusão. É a falta de genuína religião que produz acabrunhamento, desalento, tristeza. O cristão fervoroso procura imitar a Jesus, pois ser cristão é ser semelhante a Cristo. É realmente essencial ter correta compreensão da vida de Cristo, dos hábitos de Cristo, para que Seus princípios possam ser reproduzidos em nós que desejamos ser semelhantes a Cristo. (LA, 431) 

Conclusão 
Jesus convida os cansados, mau humorados e acabrunhados filhos e filhas de Adão a virem ter com Ele, e a lançarem sobre Ele os seus pesados fardos. Muitos, porém, que ouvem esse convite, embora anseiem por descanso, prosseguem no áspero caminho, aconchegando os seus fardos ao coração. Jesus os ama e almeja levar-lhes os fardos e a eles mesmos em Seus fortes braços. Quer remover os temores e as incertezas que lhes arrebatam a paz e o descanso; mas primeiro precisam ir ter com Ele, e contar-Lhe os secretos dissabores do coração. Solicita a confiança de Seu povo como prova de seu amor por Ele. 

Que não vivamos e nem fiquemos mau humorados, se bem que muitas vezes fatigados, tristes, cheios de pesar; o inverno não há de perdurar para sempre. O estio da paz, da alegria e do prazer eterno está prestes a vir. Então Cristo habitará conosco e nos guiará às fontes de águas vivas, e enxugará toda lágrima de nossos olhos. 

Que possamos guardar as palavras de Jesus, pois elas são fonte de alegria: “Tenho lhes dito estas palavras para que a minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa” (Jo 15:11).

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Dia das Crianças - Qual é o melhor presente?

Roupas, calçados ou brinquedos podem até ser boas opções para presentear os filhos neste Dia das Crianças, mas, em geral, esses mimos, por mais úteis e interessantes que sejam, não impactam de forma profunda a vida deles. Repartir a fé é o melhor presente que podemos dar a nossos filhos.

Estudos indicam que a espiritualidade tem uma relação direta com o desenvolvimento humano. Pesquisas feitas por estudiosos como James W. Fowler, Donna Habenicht, Anne Bell e Alice Lowe, por exemplo, ajudam a compreender como os pequenos lidam com a fé e a encaram, e como é possível, em cada faixa etária, ajudar a criança a desenvolver a vida espiritual. No entanto, é importante considerar que alguns aspectos de cada fase podem se manifestar antes ou depois na vida da criança, dependendo dos estímulos que ela tem.

0-3 anos
Este é um período muito importante para o desenvolvimento da fé. Segundo Ellen White: “As impressões feitas no coração, no princípio da vida, são vistas em anos posteriores. Podem estar sepultadas, mas raras vezes serão removidas” (Manuscrito 57, 1897).

É nesse estágio que a criança tem pré-imagens de Deus, a partir de uma relação de confiança com seu cuidador. Ela entende o amor por meio do cuidado que recebe e desenvolve confiança em Deus ao confiar nos pais.

Nessa etapa, o desenvolvimento físico da criança está a pleno vapor. Como ela está aprendendo a controlar o corpo, suas necessidades físicas interferem no humor e no comportamento. Por isso, um ambiente calmo e uma rotina bem estabelecida contribuem para que a criança aprenda e se desenvolva, inclusive espiritualmente.

Nessa fase, o uso de materiais concretos para ilustrar o ensino é muito importante para a assimilação do conteúdo. Em termos práticos, uma criança de dois anos, por exemplo, terá um aproveitamento mais significativo se o pai utilizar objetos ou imagens para ilustrar a história. Quanto mais os sentidos forem explorados, mais a criança se sentirá motivada a prestar atenção, interagir e aprender.

Nesse estágio, a criança tem um período de atenção curto. Por isso, os momentos de ensino das verdades bíblicas devem ser breves e planejados. As orientações devem ser simples e sem abstrações. Pais que desejam ensinar os filhos a orar, por exemplo, devem mostrar como é a posição de oração (e não apenas explicar como orar), usar ilustrações variadas, sem se cansarem de reforçar o ensino com repetições.

Em geral, as crianças têm certa dificuldade de controlar as emoções nessa fase. Então, é preciso que a educação seja pautada pela busca da obediência e pelo controle emocional. Ellen White escreveu: “Uma das primeiras lições que a criança precisa aprender é a lição da obediência. Antes que fique bastante idosa para raciocinar pode ser ensinada a obedecer” (Educação, p. 287).

Crianças que não obedecem aos pais terão dificuldades para obedecer a Deus.

Entre zero e três anos, a criança tem uma forte tendência a ser egocêntrica. É por isso que os pais não podem perder a oportunidade de estimular a solidariedade e o amor ao próximo. Isso é básico para um bom desenvolvimento cristão. O encorajamento de atitudes de simpatia pelos menos favorecidos e a vivência do evangelho prático são muito importantes.

Nesse período, a criança está desenvolvendo o senso do sagrado, que é base para a futura reverência com as coisas de Deus. Por isso, os pais devem mostrar que a Bíblia é importante e deve ser cuidada e respeitada. O nome de Deus não pode ser pronunciado em vão pela criança ou por seus cuidadores. Os locais de culto, principalmente a igreja, são especiais. Levar a criança com uma roupa adequada para a igreja, não permitir que ela coma dentro do templo ou que brinque com brinquedos da rotina semanal, ajudam-na a adquirir o senso de reverência. A presença nos cultos também é extremamente importante. A criança só vai saber como se comportar na igreja se ela vivenciar essa realidade sempre. Além disso, é importante que a família faça o culto em casa e que as coisas de Deus sejam vistas como sagradas.

4-6 anos
Nessa fase, ocorre uma ampliação entre a comunicação da criança e o adulto, e isso também é sentido no relacionamento com Deus. É nesse estágio que a criança começa a ter suas próprias experiências espirituais, passa a entender por ela mesma que Deus existe e aprende a desenvolver uma comunicação mais direta com Deus por meio da oração. Por isso, um ambiente familiar espiritual é fundamental.

Apesar de gostar de movimento, ela já consegue permanecer sentada por mais tempo na igreja. Porém, ainda precisa de recursos que possam ajudá-la no processo de reverência. Levar uma bolsa para o culto com materiais bíblicos, como livros, revistas e desenhos para colorir, pode ajudar nesse sentido.

Entre quatro e seis anos, em geral, a criança é falante e gosta de aprender novas palavras. Contudo, pode confundir termos e conceitos. Então, os pais devem ficar atentos e corrigir os usos incorretos de expressões que envolvam o vocabulário bíblico. Elas necessitam aprender as verdades dentro do seu próprio nível de ensino e não meias-verdades.

Além disso, nesse período as crianças são curiosas e fazem muitas perguntas. Dessa forma, aproveitar os questionamentos infantis para ter conversas espirituais, fazer comparações entre a vida dos filhos e dos profetas, mostrar como Deus trabalha na vida de outras pessoas e contar pequenas histórias sobre o cuidado de Deus na vida dos pais pode contribuir para que a criança entenda melhor o plano divino para a humanidade.

Em geral, a criança é ciumenta, geniosa e medrosa nessa etapa do desenvolvimento. É preciso ter cuidado para não potencializar medos que são comuns nessa fase. Salientar o cuidado de Deus e não enfatizar o poder do mal é muito importante.

7-10 anos
Este estágio é caracterizado pela avaliação constante entre as palavras e as atitudes dos adultos. Coerência é a palavra-chave. A criança precisa ver atitudes coerentes dos pais em relação ao discurso e prática da fé. É a partir dessa fase que a criança começa a desenvolver uma fé mais abstrata.

Os pais precisam aproveitar todas as oportunidades para estimular o estabelecimento de compromissos com as coisas espirituais. Entretanto, isso só ocorrerá se houver um envolvimento e motivação da família. Esse é o período de estimulação do desenvolvimento dos dons e habilidades a serviço de Deus e do próximo.

Nessa fase, a criança é ainda um pouco literalista. Contudo, consegue, com ajuda, fazer associações mais abstratas, distinguindo o fato da fantasia. Esse é o momento de introduzir ensinamentos doutrinários mais sólidos. Porém, o ensino deve sempre estar adequado à realidade do pensamento infantil. As palavras também devem ser de fácil compreensão.

Nesse período, a criança entende que as histórias da Bíblia são reais e que é possível aplicar os ensinamentos cristãos na vida prática. Esse é o momento de incentivar a leitura de bons livros. A autonomia em relação à devoção pessoal também precisa ser trabalhada.

11-16 anos
Nessa fase, o indivíduo duvida de si, dos pais, da religião e de tudo o que já lhe foi transmitido. Passa por muitas transformações no corpo que evidenciam a chegada da puberdade. Precisa sentir-se amado e acolhido, pois, nesse estágio, vivencia muitos problemas, como baixa autoestima e insegurança.

É fundamental uma religião realista e prática nesse estágio. A atmosfera do lar precisa estar envolvida em assuntos religiosos. Os adultos precisam ajudar os juvenis e adolescentes a encontrar respostas bíblicas para os dilemas da vida. Estudos proféticos ligados aos acontecimentos atuais despertam o interesse desse grupo.

Às vezes, faltam-lhe vocabulário para expressar seus sentimentos. O diálogo e amizade com os pais são fundamentais para amenizar essa dificuldade. Porém, eles não gostam de receber ordens e são sensíveis a críticas. Por isso, precisam ser liderados com amor e firmeza.

Deus entregou a atual geração de crianças e adolescentes em nossas mãos. Seremos capazes de fazer nossa parte? A tarefa dos pais, da comunidade e da igreja não é fácil. Porém, Ellen White escreveu: "Ao procurardes tornar claras as verdades concernentes à salvação, e encaminhar as crianças a Cristo como Salvador pessoal, os anjos estarão ao vosso lado” (O Desejado de Todas as Nações, p. 385).

Que Deus nos capacite a ajudar as crianças a desenvolver os hábitos que nortearão toda a sua experiência religiosa! Um legado de fé é o melhor presente que podemos dar a nossos filhos.

Ariane M. Oliveira (via Revista Adventista)

"Conhecer a Deus é vida eterna. Estais ensinando isto aos vossos filhos, ou lhes estais ensinando a seguir as normas do mundo? Estais vos aprontando para o lar que Deus vos está preparando? Ensinai aos vossos filhos acerca da vida, da morte, e da ressurreição do Salvador. Ensinai-os a estudar a Bíblia. Ensinai-os a formar caráter que viverá pelos séculos eternos. Devemos orar como nunca dantes, para que Deus guarde e abençoe nossos filhos." (Ellen G White - Manuscrito 16, 1895)

O professor Leandro Quadros também tem uma mensagem especial para este dia:

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Sem especulação

Nascido do sonho de ver Jesus voltar nas nuvens, o adventismo tem a escatologia em seu DNA. Contudo, essa ênfase não significa especulação a respeito do fim nem marcação de datas, e sim uma firme esperança com base nas promessas do livro sagrado. Pelo menos deveria ser assim. Veja sete regras úteis para entender melhor a mensagem bíblica sobre o futuro.

1. Preste atenção na intertextualidade. Os autores do Novo Testamento fizeram intenso uso das profecias do Antigo Testamento. Por exemplo, o Apocalipse é um mosaico de citações, alusões e ecos de Daniel, Ezequiel, Isaías, Zacarias e outros profetas. Por isso, tente descobrir de onde vêm as ideias, as imagens e os ­símbolos do livro.

2. Examine o tipo de profecia. Como regra, as profecias clássicas são condicionais e locais, enquanto as profecias apocalípticas são incondicionais e universais. Se o foco dos profetas clássicos (como Isaías e Jeremias) era a transformação da realidade de sua época, a ênfase dos profetas apocalípticos (como Daniel e João) estava no cronograma divino para o mundo no tempo do fim.

3. Fique de olho na reinterpretação. Muitas promessas feitas a Israel são reinterpretadas no Novo Testamento e aplicadas ao povo de Deus reunido em torno do Messias. Em certos aspectos, o que era local passa a ser universal e o que era literal se torna espiritual. Essa universalização inclui o próprio conceito de Israel e da “terra” como herança do povo de Deus.

4. Mantenha o foco no fator central. Cristo é o centro de todas as profecias e a personificação do reino de Deus. Por isso, analise de que maneira o conteúdo da profecia se relaciona com a vida e o ministério Dele.

5. Considere o presente e o futuro. O Novo Testamento apresenta o reino de Deus em dois estágios (já e ainda não). O reino já foi inaugurado com a primeira vinda de Jesus, mas a consumação dele está no futuro, com a segunda vinda. É importante manter esse equilíbrio.

6. Evite a “atomização”. As profecias relacionadas com o fim do mundo não estão desconectadas da história da salvação. Portanto, considere o plano completo de Deus para a humanidade. A volta de Jesus não acontecerá num vácuo; ela está ligada a tudo que ocorreu antes.

7. Tire o olhar do calendário. Muitos grupos tentam marcar datas para a volta de Jesus e especulam quanto ao cumprimento dos últimos eventos, o que é um erro. Ao perceber os sinais, olhe para cima e aguarde Aquele que está voltando.

Sonhar com o fim e o novo começo faz parte da essência da nossa fé. O senso de iminência e expectativa é bíblico, mas é preciso fundamentar a esperança na revelação da Palavra de Deus. Embora muitos cristãos sejam movidos pelo sensacionalismo, escatologia de jornal pode ser pior do que ausência de escatologia. Por isso, escatologize da maneira correta.

Marcos de Benedicto (via Revista Adventista)

Nota: Precisamos acompanhar com atenção o que vem acontecendo em nosso planeta – com um olho na Bíblia e outro nos sinais –, mas é preciso, também, evitar alarmismos que apenas criam sensacionalismo e que, no fim das contas, quando tudo passa, deixam um rastro de frustração. Lembremo-nos sempre de que, mais importante do que os sinais em si é a pessoa para a qual os sinais apontam: Jesus Cristo. Devemos amar a vinda dEle, mas sem descuidar da nossa comunhão com Ele agora e da missão de falar do amor e da salvação que Ele ainda oferece. Ele voltará em breve? Sim, eu creio nisso. Mas minha vida pode ser ainda mais breve do que esse grande evento, posto que tão frágil e incerta. Isso é um lembrete de que nosso preparo tem que ser diário; nossa ligação com Deus tem que ser constante, e não dependente de acontecimentos e circunstâncias. 

Assista também a este excelente vídeo do prof. Leandro Quadros:

Irmã Dulce e as canonizações sob a ótica bíblica

A freira baiana Irmã Dulce se tornará a primeira santa nascida no Brasil após ser canonizada no dia 13 de outubro, no Vaticano. Batizada como Maria Rita Lopes Pontes, ela foi uma das religiosas mais populares do Brasil e ficou conhecida pelo trabalho filantrópico e legado que deixou nas obras sociais que levam seu nome. Irmã Dulce nasceu em 26 de maio de 1914, em Salvador e morreu, aos 77 anos, em 13 de maio de 1992, também na capital baiana. A canonização dela será a terceira mais rápida da história, 27 anos após o falecimento dela, atrás apenas da santificação de Madre Teresa de Calcutá (19 anos após o falecimento da religiosa) e do Papa João Paulo II (9 anos após sua morte). A beata será a primeira santa nascida no Brasil por ser conhecida popularmente e com milagres comprovados.

O primeiro santo nascido no Brasil a ser canonizado foi Frei Galvão. A cerimônia ocorreu em 11 de maio de 2007, no Vaticano, e realizada pelo então Papa Bento XVI. Conhecido pelas pílulas milagrosas que, segundo a fé católica, têm poder de cura, Frei Galvão nasceu em 1739, em Guaratinguetá, no interior de São Paulo. Madre Paulina, que morava em Santa Catarina, também foi canonizada e ficou conhecida como a primeira santa do Brasil. Ela, no entanto, nasceu na Itália e só veio morar no país com a família aos 10 anos de idade. (G1)

Leia a seguir, texto de Felipe Lemos que trata das canonizações sob a ótica bíblica.

As canonizações sob a ótica bíblica
Segundo a própria Igreja Católica Apostólica Romana, canonização é o ato de atribuir o estatuto de santo a alguém que já era beato. É a confirmação final da Santa Sé para quem um beato seja santo e somente o papa, líder máximo católico, pode conceder esse estatuto. O Código de Direito Canônico da Igreja Católica, no seu cânon 1186, estabelece que “para fomentar a santificação do povo de Deus, a Igreja recomenda à veneração peculiar e filial dos fiéis a Bem-aventurada sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, que Jesus Cristo constituiu Mãe de todos os homens, e promove o verdadeiro e autêntico culto dos outros Santos, com cujo exemplo os fiéis se edificam e de cuja intercessão se valem.”; e, ainda no artigo 1187 acrescenta que “só é lícito venerar com culto público os servos de Deus, que foram incluídos pela autoridade da Igreja no álbum dos Santos ou Beatos”. [...]

Como o tempo passa e algumas ações religiosas continuam a ser realizadas praticamente sem nenhuma reflexão mais profunda acerca do seu significado e relevância espiritual no contexto bíblico, é importante pontuar se são tradições religiosas repetidas por motivações diversas (especialmente políticas ou econômicas) ou ensinamentos bíblicos embasados por aquilo que Deus revelou. Apesar de parecer, os dois termos não significam a mesma coisa. Joel Peters, estudioso dos assuntos católicos, escreveu 21 razões pelas quais não se pode aceitar a autoridade da Bíblia somente (Sola Scriptura) para assuntos de fé. Ali está a diferença entre tradição e ensino bíblico.

Bem, sem mais rodeios, não consigo encontrar fundamentação bíblica para as canonizações de gente como os antigos papas ou piedosos católicos já mortos há séculos. Muitos deles, diga-se de passagem, que tiveram uma conduta admirável e louvável em vários aspectos. Não entro no mérito da vida dessas pessoas, pois somente Deus pode julgar o ser humano.

Mas entro no mérito do processo e de seu significado. Vamos as minhas principiais considerações:

1. O conceito bíblico de santos não é o mesmo apregoado pelos que defendem a canonização. A palavra grega hagios, normalmente traduzida para santos, tem muito a ver com o conceito de pessoas separadas do pecado, portanto consagradas a Deus. Há muitos textos, mas vamos a alguns deles que evidenciam que os santos são os cristãos vivos de hoje em dia e não apenas quem já morreu. A palavra não denota um grupo de pessoas diferenciada ou em nível acima dos demais que estão militando na fé cristã ainda. O apóstolo Paulo, testemunhando ao rei Agripa, relembra que ele perseguiu muitos santos e os jogou nas prisões (Atos 26:10). Ainda ele, autor da carta aos romanos, destaca na introdução que os destinatários de sua epístola são santos (Romanos 1:7). E vai mais além. Diz que, em determinado momento da história do mundo, os santos hão de julgar o mundo (I Coríntios 6:2). Ele está falando de gente comum que decide se colocar nas mãos de Deus e abandonar o pecado ou de um grupo seleto de gente que, por decisão de homens, passa a exibir esse status de santos? Há outros textos nessa mesma linha e a ideia é a mesma.

2. Os santos, na Bíblia, são os que passam pelo processo de santificação aqui e isso não está associado a meramente se fazer obras em favor dos outros. O apóstolo Pedro destaca que, assim como Deus é santo, Ele espera que Seus filhos se tornem santos ( I Pedro 1:15). Mas não há indicação de que essa busca por santidade deva acontecer somente depois da morte e nem que está baseada apenas em boas obras praticadas. É uma ação divina que acontece obviamente enquanto a pessoa está viva (I Tessalonicenses 5:23) e que vai até a vinda de Jesus Cristo. Logicamente se Deus habitar na vida de uma pessoa e impressionar sua mente, isso resultará em mudança de comportamento e consequente realização de obras dignas (Efésios 2:8-10 e Filipenses 2:12,13).

3. Não há qualquer aprovação divina para que alguém busque pessoas mortas como intercessores perante Ele. Os mortos não possuem consciência do que se passa com os vivos (Eclesiastes 9:5,6 e Jó 7:8-10), portanto, não podem ser intercessores junto a Deus. No livro de Apocalipse, capítulo 5 e verso 8, há menção das orações dos santos, porém não há qualquer base para se pensar que mortos possam fazer preces. Está falando, em realidade, de uma visão profética dada ao apóstolo João em que ele tem um vislumbre do que é o santuário celestial e a comparação de que o incenso, que era usado no santuário terrestre no tempo em que o povo de Israel antigo mantinha essa representação autorizada divinamente, significa justamente a oração dos santos (ou seja, pessoas tementes a Deus). A única intercessão amparada pela Bíblia é a de Jesus Cristo. Apesar da reputação digna e da maneira honrosa de vida que tiveram muitos homens e mulheres fiéis cristãos ao longo dos séculos, isso não os credencia a ser intercessores junto a Deus. Há um só mediador entre Deus e os homens (I Timóteo 2:5) e, desde o tempo do santuário terrestre, fica bem claro que o sangue do cordeiro representava o perdão dos pecados, ou seja, a morte de Cristo (Hebreus 8, 9 e 10 os capítulos inteiros e Apocalipse 19).

Mesmo que cerimônias de canonização reúnam milhares de pessoas, ganhem repercussão midiática mundial e sejam praticadas há séculos, biblicamente não encontro consistência para depositar minha fé nelas. Prefiro me manter ao que dizem os textos bíblicos e espero sinceramente que os interessados em saber mais acerca do tema voltem-se ao livro sagrado para conhecê-lo mais profundamente e encontrar nele as respostas para assuntos religiosos e espirituais.

Espiritualidade e saúde

O tema da mensagem de saúde é um dos assuntos mais controvertidos na Igreja Adventista. Mesmo em uma análise superficial, prontamente se percebe dois grupos: extremistas que vivem como se a reforma de saúde fosse o aspecto mais importante da experiência cristã, e um grupo maior que considera esse importante ponto da mensagem adventista apenas um anexo sem importância para a vida do cristão. 

Nesse conflito, o vegetarianismo está entre os temas mais discutidos. Encontrar a melhor maneira de abordar o assunto não é tarefa simples, especialmente pelas diferenças culturais, sociais e econômicas que existem no mundo. Ellen G. White foi a principal voz no adventismo sobre a mensagem de saúde, e seus livros estabeleceram a base para o estilo de vida adventista. Portanto, compreender e interpretar corretamente o que ela escreveu é o caminho mais coerente e seguro. 

Adventismo e reforma de saúde
O movimento da mensagem de saúde adventista teve como base a grande corrente americana de reformas sanitárias entre os anos 1800 e 1850. Essas reformas criaram as condições necessárias para a compreensão adventista da saúde, conferindo-lhe alto grau de relevância já nos primeiros anos da denominação.1 Em 1848, quatro anos após sua primeira visão, Ellen G. White recebeu as primeiras informações sobre a mensagem de saúde. Ela viu que tabaco, chá e café eram prejudiciais e deveriam ser completamente abandonados.2 

No entanto, sua mais importante visão sobre saúde ocorreu em 6 de junho de 1863, em Otsego, Michigan. Seu conteúdo foi relatado em 16 páginas que descrevem a essência da mensagem adventista de saúde. Entre os muitos princípios apresentados, os mais importantes foram: (1) os que não controlam o apetite tornam-se intemperantes; (2) bolos, tortas e pudins muito substanciosos são prejudiciais; (3) a carne de porco não deve ser consumida em nenhuma circunstância; (4) fumo, chá e café devem ser abandonados; (5) comer entre as refeições prejudica o estômago; (6) cuidar da higiene do corpo e da casa; (7) o consumo de carne é prejudicial ao organismo; e (8) fazer bom uso dos oito remédios da natureza.

Apesar das orientações de Ellen G. White não serem uma completa novidade no contexto das reformas do século 19, a relação da saúde com a espiritualidade constitui o grande diferencial de seus ensinos. A mensagem de saúde estava inserida em um sistema de doutrinas chamado de a verdade presente pelos pioneiros adventistas.4 Em 1900, a autora escreveu: “A verdade presente repousa na obra da reforma de saúde tanto quanto nos outros aspectos do evangelho.”5 Para ela, o cuidado da saúde “não é um apêndice desnecessário à verdade, é uma parte da verdade”.6 

Esse conceito integrado foi fundamental para formar o estilo de vida adventista. Por isso é importante estabelecer uma conexão entre a mensagem de saúde e a espiritualidade. Uma das citações de maior destaque que evidencia essa ligação foi publicada em 1867: “Foi-me mostrado que a reforma de saúde faz parte da mensagem do terceiro anjo, e está tão intimamente ligada a ela como o braço e a mão estão ao corpo.”7 

O vegetarianismo nos escritos de Ellen G. White
O contexto apresentado quanto à reforma de saúde serve como base para compreender a posição de Ellen G. White sobre o uso da carne. Ela nunca tratou desse assunto de forma isolada, ainda que seus pontos de vista a respeito de uma dieta vegetariana sejam vastos. Em seus escritos, o controle do apetite, inclusive a questão de comer carne, está relacionado ao princípio central de “manter nosso corpo na melhor condição de saúde”.8 

O tema da carne foi apresentado pela primeira vez à autora na visão de 1863. Os principais conceitos relacionados ao alimento cárneo também foram recebidos nessa ocasião. A carne de porco foi condenada como imprópria para o consumo.9 Além disso, a visão orientou para a abstinência de outros tipos de carne, dando preferência ao vegetarianismo. É importante esclarecer que o sentido da palavra “carne” usada por Ellen G. White quase sempre se refere à carne vermelha, uma vez que os peixes são tratados como um tema à parte.10 

No ano seguinte, com a publicação do quarto volume de Spiritual Gifts, a autora passou a insistir na adoção de uma dieta sem carne. Ela declarou que: (1) o alimento ideal de Deus para Suas criaturas está no Éden; (2) o Senhor permitiu que se comesse carne após o dilúvio para diminuir a vida do homem; (3) na peregrinação do deserto, Ele não proibiu a carne, mas proveu um alimento melhor; (4) a carne condimentada produz um estado febril e contamina o sangue; (5) quem consome muita carne não apreciará uma alimentação saudável de imediato; (6) crianças que comem carne favorecem as tendências animais; e (7) a carne de muitos animais está enferma devido às condições precárias em que eles são mantidos antes de serem abatidos.11 

Anos mais tarde, Ellen G. White continuou a escrever sobre os malefícios do regime cárneo, e apontou que ele: (1) afeta a atividade intelectual (1890);12 (2) prejudica a capacidade mental para entender a Deus e a verdade (1897);13 (3) debilita as faculdades físicas, mentais e morais (1901);14 (4) desperta o desejo de consumir bebidas alcoólicas (1901);15 e (5) aumenta a possibilidade de contrair enfermidades (1905).16 Em um dos seus mais importantes livros sobre saúde, ela também alertou sobre outro aspecto que raras vezes é mencionado. O regime cárneo “envolve crueldade para com os animais [...] criaturas de Deus”17 e, também por isso, seu consumo é objetável. 

Ao longo de seu ministério, as advertências de Ellen G. White sobre a carne se tornaram mais enfáticas. Ela reconheceu que a qualidade da carne estava cada vez pior. Em 1905, escreveu que “a carne nunca foi o melhor alimento; seu uso agora é duplamente objetável, visto as doenças nos animais estar crescendo com tanta rapidez”.18 

No entanto, por mais que Ellen G. White advogasse fortemente em favor da dieta vegetariana, ela não insistia nisso para todas as pessoas em todos os lugares.19 É importante admitir que havia exceções que ela mesma experimentou em sua vida pessoal. No fim de 1868, a autora escreveu ao esposo de uma senhora muito doente que teria sido melhor comer uma pequena porção de carne que sentir um profundo desejo por ela.20 Ela também recomendou cautela quanto ao deixar a carne: “Ninguém deve ser solicitado a fazer abruptamente a mudança.”21 Para Ellen G. White, o vegetarianismo jamais seria uma prova de comunhão entre os membros da igreja.22 

Já no fim da vida, em 1909, a escritora registrou o que pode ser entendido como o resumo de sua ideia em relação ao consumo de carne: “Não estabelecemos regra alguma para ser seguida no regime alimentar, mas dizemos que nos países em que há muita fruta, cereais e nozes, os alimentos cárneos não constituem alimentação própria para o povo de Deus.”23 Assim, por mais que não exista uma regra fixa quanto a uma dieta particular, está claro que onde e quando for possível, o povo de Deus deve preferir comer “frutas, cereais e verduras, preparados de forma simples”.24 

A experiência pessoal de Ellen G. White 
Alguns criticam Ellen G. White por não ter vivido a mensagem de saúde como ela mesma propôs em seus escritos quanto ao comer carne. No entanto, um estudo cuidadoso de sua biografia aponta que a autora foi fiel e coerente às instruções que recebeu. Ela afirmou que, depois da visão de 1863, eliminou de imediato a carne de seu menu diário, mas isso não significaria que ela não comeria mais carne.25 Em 1933, William White escreveu a George Starr que a família White havia sido vegetariana, mas não totalmente abstêmia de carne.26 Apesar de seu vegetarianismo, o consumo esporádico de carne podia acontecer devido a uma viagem longa ou quando a cozinheira não sabia preparar comida vegetariana.27 

Foi somente em 1894 que Ellen G. White decidiu que não comeria mais carne, nem mesmo ocasionalmente. Ela relatou: “Desde a reunião campal de Brighton (janeiro de 1894) bani absolutamente a carne da minha mesa.”28 A autora sempre demonstrou bom senso quanto ao consumo de alimento cárneo e foi tolerante a seu uso ocasional até quando entendeu que comê-lo seria demasiado prejudicial. Foi a partir desse período que suas advertências mais sérias contra a carne foram escritas. 

Conclusão 
Em resumo, pode-se afirmar que os escritos de Ellen G. White nos ensinam que a carne deve ser evitada nos lugares em que há abundância de frutas, cereais e verduras. No entanto, é preciso cautela, pois não se pode descartar o alimento cárneo abruptamente, sem prover adequada substituição nutricional. A carne não é um alimento saudável e pode trazer prejuízos em nossa relação espiritual com Deus. 

Ellen G. White foi fiel a esses princípios e sempre advogou bom senso e cuidado com extremismos. Em 1904, ela afirmou: “Tenho melhor saúde, não obstante achar-me com setenta e seis anos de idade, do que tinha em meus tempos juvenis. Dou graças a Deus pelos princípios da reforma de saúde.”29 

Alberto Tasso Barros (via Revista Ministério

Referências 
1 George W. Reid, A Sound of Trumpets (Washington, D.C: Review and Herald, 1982), p. 22. 
2 James White, “Western tour: Kansas camp meetting”, Review and Herald, 8/11/1870, p. 165. 
3 Herbert Douglass, Mensageira do Senhor (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2003), p. 283, 284. 
4 Alberto R. Timm, O Santuário e as Três Mensagens Angélicas, 6ª ed. (Engenheiro Coelho, SP: Unaspress, 2016), p. 123-131.
5 Ellen G. White, Testemunhos para a Igreja, v. 6 (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2012), p. 327. 
6 Ellen G. White, Testemunhos para a Igreja, v. 1 (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2012), p. 546. 
7 Ibid., p. 486. 
8 Ellen G. White, Testemunhos para a Igreja, v. 2 (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2012), p. 65. 
9 Ron Graybill, “The development of adventist thinking on clean and unclean meats”, < https://goo.gl/FecV4K>. 
10 Andrés Afonso Tovar Galarcio, “Análisis de citas controversiales sobre el consumo de la carne en escritos de Ellen G. White: un estudio históricocontextual” (dissertação de mestrado, Universidade Peruana União, 2016), p. 56. 
11 Ellen G. White, Spiritual Gifts, v. 4, p. 120-150. 
12 Ellen G. White, Conselhos Sobre o Regime Alimentar (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2007), p. 388. 
13 Ibid., p. 383. 
14 Ibid., p. 268. 
15 Ibid. 
16 Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2004), p. 313. 
17 Ibid., p. 315. 
18 Ibid., p. 313. 
19 Denis Fortin, Jerry Moon, Michael W. Campbell e George R. Knight, eds. The Ellen G. White Encyclopedia (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2013), p. 1247. 
20 Ellen G. White, Testemunhos para a Igreja, v. 2 (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2015), p. 384. 
21 Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 317. 
22 Ellen G. White, Conselhos Para a Igreja, p. 240. 
23 Ellen G. White, Testemunhos para a Igreja, v. 9 (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2015), p. 159. 
24 Ellen G. White, Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 355. 
25 Ibid., p. 482. 
26 Herbert Douglass, Mensageira do Senhor, p. 316. 
27 Denis Fortin, Jerry Moon, Michael W. Campbell e George R. Knight, eds. The Ellen G. White Encyclopedia, p. 1247. 
28 Ellen G. White, Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 488. 
29 Ibid., p. 482.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Falta de leitura e o prejuízo religioso individual

Um relatório do Banco Mundial, divulgado recentemente, traz um dado curioso. Aliás, preocupante. Diz o relatório World Development Report que o Brasil vai demorar 260 anos para alcançar o nível educacional de países desenvolvidos em leitura. Em Matemática, a estimativa é que demoremos (os brasileiros) até 75 anos. A avaliação aqui foi feita com dados relacionados ao Brasil, mas serve tranquilamente para qualquer outro país que tenha índices tão ruins quanto.

Bem, o relatório obviamente não trata apenas de leitura, mas dos rumos da educação em geral. Os dados que compõem esse cálculo foram apresentados com base no desempenho dos estudantes brasileiros nas edições do Pisa, uma avaliação internacional de nível educacional.

Mas e o que isso tem a ver com a vida religiosa das pessoas? Bem, pode ter muita relação. Se olharmos por um determinado ângulo a questão, poderemos compreender que a falta de leitura ou leitura de má qualidade (típica do analfabetismo funcional) é um fator altamente prejudicial à religiosidade individual em certos aspectos. Cria, na minha concepção, preguiçosos mentais e cristãos superficiais. Vamos a alguns problemas, ao diagnóstico:

Pouca leitura em geral pode significar pouca leitura da Bíblia
A baixa leitura dos brasileiros é um indicativo de que possa haver, também, pouca leitura da Bíblia, um livro com dezenas de autores diferentes, centenas de temas e uma linguagem por vezes difícil para alguns. Além disso, a Bíblia, que é uma verdadeira coleção de livros inspirados, exige uma leitura mais cuidadosa, minuciosa, detalhada, de onde seja possível extrair aplicações espirituais práticas para a vida. Se não há leitura do livro, ou se ocorre a leitura superficial, as conclusões e as aplicações, ou não vão acontecer, ou serão igualmente superficiais. Para refletir sobre a mensagem da Bíblia, Deus indica a leitura do livro, a assimilação dos conceitos, não apenas o hábito de ouvir outros falando acerca da Bíblia. Há pessoas que, por um hábito preguiçoso, optam por tentar aprender apenas ouvindo o que outros falam acerca de um tema bíblico. Seria muito mais proveitoso se fizessem elas mesmas a leitura e a meditação no texto (Josué 1:8).

Pouca leitura, em média, pode significar pouca compreensão do texto lido
A falta de hábito de leitura, ou a falta de estímulo à leitura, em países como o Brasil (segundo essa e outras pesquisas), pode levar, também, a um comportamento em que as pessoas passam a ler e não compreender o pouco que leem. E isso tem reflexos na leitura da Bíblia. Profecias dos livros como Apocalipse e Daniel, por exemplo, são interpretadas especialmente, também, a partir do entendimento de textos de outros livros da Bíblia, sobretudo no Antigo Testamento. É preciso fazer comparação, análise dos textos lidos, relação entre um contexto e outro, enfim, estudo, para se compreender melhor o que a Bíblia quer ensinar. E isso definitivamente não vai acontecer com leitura rasa, superficial, onde as pessoas pouco conseguem explicar o que acabaram de ler (ou passar os olhos). Essa prática de se ler muito mal a Bíblia ocasiona esdrúxulas interpretações totalmente descontextualizadas e que dão margem a opiniões pessoais, especulações ou mera reprodução do que sempre ouviram e nunca checaram.

O que fazer?
Desenvolva o hábito da leitura de um trecho curto da Bíblia por dia. Evite ler vários capítulos se você não está acostumado a sequer ler um livro de 80 a 100 páginas regularmente. Comece com um capítulo de um livro que lhe chame mais a atenção na Palavra de Deus. E gaste tempo para refletir sobre o que acabou de ler.

Experimente escrever um pequeno resumo sobre o que você acabou de ler. Faça uma aplicação prática para sua vida. Isso fortalece a ideia de leitura um pouco mais profunda. E conecta a leitura com o seu cotidiano.

Adquira bons comentários e livros de apoio ao estudo da Bíblia. Isso sempre contribui para aumentar o nível de informação acerca do tema estudado.

E o mais importante: ore enquanto lê e estuda. A Bíblia declara que as palavras de Cristo “são a verdade” (João 17:17) e que, portanto, quem dá o entendimento não é o homem, mas o Espírito Santo que sempre nos conduz pela verdade (João 16:13).

Que Deus nos permita ser bons leitores, ávidos e humildes estudantes da Bíblia e menos preguiçosos mentais.

Felipe Lemos (via Realidade em Foco)

Assista também o vídeo abaixo do prof. Leandro Quadros:

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Você vai se casar?

"Seja todo passo em direção ao casamento caracterizado pela modéstia, simplicidade, e sincero propósito de agradar e honrar a Deus." (Ellen G. White - A Ciência do Bom Viver, p. 359)

Parabéns pela decisão! Para a Igreja Adventista do Sétimo Dia, será um prazer ajudar você a preparar-se para este que é um dos momentos mais importantes na vida de um ser humano.

Planejar um culto a Deus para marcar seu casamento com a pessoa amada indica o desejo de incluí-Lo em todas as coisas da vida e de colocá-Lo em primeiro lugar (Mateus 6:33). Dessa forma, você busca Sua bênção antes da união emocional, espiritual e física (Mateus 19:5), e faz dEle uma testemunha dos votos mútuos (Malaquias 2:14), que serão feitos durante o culto. E Deus promete que então “todas as outras coisas vos serão acrescentadas!” (Mateus 6:33). Seguem abaixo algumas orientações.

Curso de Noivos
Participar de um curso de noivos ministrado pela Igreja Adventista é imprescindível para o casal, caso estejam planejando casar na Igreja Adventista. Procure o departamento de Ministério da Família de sua Associação/Missão ou pergunte ao seu pastor a respeito da data do próximo curso. Algumas orientações sobre estes cursos são divulgadas aqui: www.adventistas.org/pt/familia/projeto/curso-de-noivos/

Antecedência
Para manter a ordem e respeitando a programação da igreja, todo casal deve solicitar a cerimônia de casamento com um mínimo de três meses de antecedência. É essencial que o comportamento do casal esteja em harmonia com os princípios bíblicos.

Trajes
O casal de noivos e todos os que participam na cerimônia, assim como também os convidados, devem apresentar-se à igreja corretamente trajados, respeitando os princípios bíblicos da modéstia cristã (sem exageros, ostentação, extravagâncias ou mesmo adornos) e da decência (tendo o corpo devidamente coberto). Como o culto é oferecido a Deus, é para Ele que deve ir a principal atenção, e não para roupas, penteados, adornos ou exposição indevida do corpo. Toda a honra só pertence a Ele, e só Ele deve ser exaltado.

Foto e Vídeo
Os profissionais também devem vestir traje social e respeitar os princípios bíblicos quanto à vestimenta como expostos acima, bem como restringir a locomoção ao mínimo necessário para que não haja interferência no culto. Especialmente durante as orações, as fotos devem ser evitadas. Explique que na Igreja Adventista o casamento é um culto a Deus, e nada deve desviar a atenção desta atividade.

Música
Durante o culto deverá ser sacra ou clássica e jamais popular, romântica, ou incluir trilhas de filmes, por exemplo. Deve elevar o ser humano a Deus, a fonte do amor, e não apenas criar um clima romântico.

Músicos
Apenas membros da igreja (ou da Escola Sabatina, ou Sociedade de Jovens), que representem corretamente os princípios da igreja devem ser convidados para apresentar as músicas na igreja, sejam elas instrumentais ou vocais. Devem utilizar traje social, respeitando inclusive os princípios quanto à vestimenta expostos acima.

Taxas
A Igreja Adventista do Sétimo Dia não cobra absolutamente nada pela cerimônia nem pelo serviço do pastor. Algumas igrejas adventistas, onde os casamentos são muito frequentes, cobram apenas uma taxa de manutenção que visa cobrir algumas despesas.

Pontualidade
É uma questão muito importante em um culto a Deus – o mais importante compromisso que você pode ter. E como diz a etiqueta, sempre O mais importante (Deus) deve ser esperado pelos demais (noivos, testemunhas e convidados), e nunca o contrário. Portanto, avise a padrinhos e convidados que a cerimonia começará no horário combinado, e faça planos para que todos cheguem com antecedência.

Ornamentação
Não é requisito para um casamento adventista. Mas, se utilizada, toda e qualquer ornamentação extra geralmente fica por conta dos noivos que podem contratar serviços profissionais ou não. Em qualquer caso, devem ser respeitados os princípios cristãos da simplicidade, economia e modéstia, evitando-se qualquer esforço para rivalizar com as cerimônias não cristãs em gastos, pompa e ostentação. Podem existir orientações específicas quanto à ornamentação, e que podem variar de igreja para igreja, mas como princípio geral, prefira a simplicidade. O maior destaque deve ser dado ao Criador, nunca à criatura.

Carta de Recomendação
Se você é adventista do sétimo dia, vai se casar, e pretende realizar este culto a Deus em uma igreja diferente daquela em que é membro, entregue com antecedência ao pastor desta igreja uma carta de recomendação assinada pelo pastor de sua igreja onde consta o voto da igreja com tal recomendação.

Entrevista
O casal deve marcar uma entrevista com o pastor da igreja que realizará o casamento. Além das últimas verificações e conselhos, este pastor preencherá uma ficha de casamento religioso ou pedirá ao seu pastor que a preencha. Esta ficha será preenchida antes de ser feita a carta de recomendação.

O Oficiante
Segundo recomendação da Igreja Adventista na América do Sul, tanto os votos nupciais quanto a oração de consagração (bênção), devem ser realizados por um pastor adventista ordenado e devidamente credenciado. Se os noivos desejarem convidar algum outro pastor, que não o distrital, devem procurá-lo, fazer os acertos e combinar todo o programa, que sempre é de responsabilidade do pastor. Os detalhes do programa sempre devem ser feitos em coordenação com o pastor distrital.

O Programa
O programa é de responsabilidade do pastor oficiante, que poderá combinar alguns detalhes com os noivos. Será marcado mais pela concisão, simplicidade, espiritualidade e busca de Deus e Sua Palavra, que pelo desejo de inovar, ostentar ou chamar a atenção para os noivos. Geralmente, o programa todo deve durar ao redor de uma hora.

Casamento Entre Pessoas de Fé Religiosa Diferentes
A Igreja Adventista, assim como a maioria das outras igrejas, realiza casamentos de seus membros com outros membros adventistas, ou de outras duas pessoas, em harmonia com os princípios bíblicos, que sejam da mesma religião, conforme recomendado pela Bíblia (2Co 6:14 a 7:1; Gn 24:3; 28:1; Êx 34:12-16; Nm 25:1-3; Dt 7:1-4; 1Rs. 3:1 e 2; 11:1-6; Am 3:7; 1Co 7:39). Nenhum pastor adventista ou ancião de igreja poderá liderar ou participar de uma cerimônia em condições diferentes destas. Respeitando este princípio divino de proteção, certamente você estará investindo na própria felicidade.

Ensaio
Você poderá combinar com o pastor da igreja a possibilidade de um dia e horário para o ensaio da cerimônia.

Casamentos aos Finais de Semana
Considerando todos os preparativos necessários a um casamento, e como um modo de garantir a melhor observância do sábado, dia separado por Deus para a adoração, a Igreja Adventista realiza casamentos apenas no período que vai do início da manhã do domingo até ao meio dia da sexta-feira.

Outros Participantes
O culto será conduzido apenas por membros da Igreja Adventista em plena comunhão com a igreja.

Respeito à Área da Igreja
Oriente aos convidados para que nas dependências da igreja, não façam uso do cigarro ou assemelhados, bem como se abstenham do uso de bebidas alcoólicas.

Efeito Civil
Em alguns países, o casamento pode ter efeito civil e religioso, desde que isso tenha sido combinado anteriormente com a igreja e com o pastor oficiante, e tenha sido dada entrada no cartório solicitando autorização para o efeito civil.

Condições Para a Realização da Cerimônia
- Se antes da cerimônia os noivos apresentarem a Certidão de Casamento à igreja (se o casamento tiver efeito religioso somente).

- Para os adventistas que já foram casados, apenas se a separação e o correspondente divórcio legal ocorreu em virtude de adultério do cônjuge, ou se é de conhecimento público que o ex-cônjuge já convive com outra pessoa (Mt 19:6 e 9; 1Co 7:39).

- Qualquer outra situação não contemplada neste documento deve ser submetida à consulta pastoral, que quando for pertinente, levará o respectivo assunto a Associação/Missão para ser avaliada e considerada.

- Se o casal de noivos não convive fisicamente.

Que Deus esteja com você em todos os passos em direção ao casamento – presente de Deus para a humanidade!

Para maiores informações, favor consultar o Manual da Igreja (baixar aqui) à página 77 (Cerimônia de casamento) e às páginas 155 a 165 (Casamento, divórcio e novo casamento).

[via adventistas.org]