terça-feira, 11 de junho de 2019

A parábola do juíz injusto

"Então Jesus contou aos seus discípulos uma parábola, para mostrar-lhes que eles deviam orar sempre e nunca desanimar. Ele disse: Em certa cidade havia um juiz que não temia a Deus nem se importava com os homens. E havia naquela cidade uma viúva que se dirigia continuamente a ele, suplicando-lhe: ‘Faze-me justiça contra o meu adversário’. Por algum tempo ele se recusou. Mas finalmente disse a si mesmo: ‘Embora eu não tema a Deus e nem me importe com os homens, esta viúva está me aborrecendo; vou fazer-lhe justiça para que ela não venha me importunar’. E o Senhor continuou: Ouçam o que diz o juiz injusto. Acaso Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele dia e noite? Continuará fazendo-os esperar? Eu lhes digo: ele lhes fará justiça, e depressa. Contudo, quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra?" (Lucas 18:1-8).

Resumo da parábola 
Duas pessoas fazem parte desta parábola de Jesus: um juiz que não temia a Deus e nem respeitava os homens e uma viúva que implorava por justiça. Essa mulher tinha uma causa justa contra uma pessoa, e ia até aquele juiz para clamar que ele julgasse o seu processo, porém, o homem da lei a ignorava totalmente. No entanto, por causa da insistência daquela viúva e pelo incômodo que esta estava lhe causando, o juiz decidiu que atenderia o seu caso. 

Ellen G. White assim descreve: 

"O juiz que nos é descrito, não tinha respeito ao direito, nem piedade pelos sofredores. A viúva que lhe apresentou sua causa com insistência, foi repelida pertinazmente. Repetidas vezes a ele apelara, porém, só para ser tratada com desprezo e expulsa do tribunal. O juiz sabia que a causa era justa, e poderia havê-la auxiliado imediatamente, mas não o quis. Desejava mostrar seu poder arbitrário, e comprazia-se em deixá-la suplicar e pedir em vão. Todavia ela não quis deixar-se desanimar. Apesar da indiferença e dureza de coração dele, tanto insistiu em sua petição, que o juiz enfim consentiu em atender sua causa. Para preservar sua reputação e evitar tornar pública sua sentença arbitrária e parcial, fez justiça à perseverante mulher" (Parábolas de Jesus, pp. 164-165).

O que podemos aprender? 

1) A importância da oração 
Ao contar essa parábola, Jesus não quis falar propriamente da oração, mas sim sobre um dos mais importantes aspectos da oração: a perseverança. A Bíblia nos fala algumas vezes sobre o poder da perseverança na oração. Veja: "Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração" (Romanos 12:12); "Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos" (Efésios 6:18); "Perseverem na oração, estejam alertas e sempre agradecidos" (Colossenses 4:2). Vejamos o que Ellen White afirma:

"O Senhor diz: 'Invoca-Me no dia da angústia' (Salmos 50:15). Convida-nos a Lhe expormos nossas perplexidades e carências, e nossa necessidade de auxílio divino. Exorta-nos a perseverar na oração. Logo que surjam dificuldades, devemos apresentar-Lhe nossas petições sinceras e francas. Pelas orações insistentes evidenciamos nossa forte confiança em Deus. O senso de nossa necessidade nos induz a orar com fervor, e nosso Pai celestial é movido por nossas súplicas. Não há perigo de que o Senhor despreze as orações de Seu povo. O perigo está em que desanimem na tentação e prova e deixem de perseverar em oração" (Idem, p.172).

Ellen White também aborda outro aspecto interessante:

"A petição da viúva: 'Faze-me justiça contra o meu adversário' (Lucas 18:3), representa a oração dos filhos de Deus. Satanás é o grande adversário. É 'o acusador de nossos irmãos', que os acusa de dia e de noite perante Deus (Apocalipse 12:10). Instantemente trabalha para mal representar e acusar, para enganar e destruir o povo de Deus. Nesta parábola, Cristo ensina os discípulos a pedirem salvação do poder de Satanás e de seus instrumentos" (Idem, p. 166).

2) O rancor não vale a pena 
Por mais que aquela mulher pudesse sentir raiva ou mágoa daquele homem que ela havia processado, em nenhum momento da parábola a viúva pede vingança contra seu adversário, muito menos que aquele juiz o prejudique de alguma forma. Ela somente quer que a justiça seja feita. Isso mostra que nós podemos usar a nossa fé e perseverança para buscar em Deus a solução das nossas causas, mas não podemos pedir que Deus “pese a mão” sobre tal pessoa e a faça pagar por tudo que ela fez de ruim. A Bíblia diz: "Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: "Minha é a vingança; eu retribuirei", diz o Senhor" (Romanos 12:19). Vejamos o que diz Ellen White:

"Na parábola do juiz injusto, mostrou Cristo o que devemos fazer. Cristo, nosso exemplo, nada fez para Se justificar e livrar. Confiou Sua causa a Deus. Assim Seus seguidores não devem acusar nem condenar, ou recorrer à violência, para se livrarem. Se surgem provações que parecem inexplicáveis, não devemos permitir que nossa paz nos seja roubada. Conquanto sejamos tratados injustamente, não demonstremos raiva. Alimentando o espírito de represália, prejudicamo-nos a nós mesmos. Destruímos nossa confiança em Deus e entristecemos o Espírito Santo" (Idem, pp. 171-172).

3) Deus é bom e nos ama 
Para mostrar como o poder de Deus é grande, Jesus ilustrou essa parábola com um representante do cargo mais importante e respeitado pela sociedade e, do outro, uma mulher viúva que, naquela época, era marginalizada e sobrevivia graças às boas ações de algumas pessoas de bom coração. Como aquele homem da lei era cheio de si mesmo, não temia ao Senhor e não respeitava ninguém, ele atendeu a viúva apenas para que ela não o incomodasse mais. Já Deus nos atende por amor! Jesus quer que nós entendamos que, se aquele juiz injusto atendeu o pedido de uma pessoa humilde e sofredora, o Deus Todo-Poderoso, o nosso justo juiz, fará muito mais por nós todos, com o maior prazer do mundo, pois Ele nos ama! Ellen White nos diz:

"Cristo traça aqui um vivo contraste entre o juiz injusto e Deus. O juiz cedeu ao pedido da viúva só por egoísmo e para esquivar-se à contínua importunação. Não sentia por ela compaixão nem piedade; sua indigência lhe era indiferente. Que diversa é a atitude de Deus para com os que O procuram! Os apelos dos necessitados e aflitos são atendidos com infinita misericórdia. O injusto juiz não tinha interesse particular na viúva que o importunava pelo veredicto; porém, para subtrair-se a suas súplicas comoventes, ouviu a petição, e fez-lhe justiça contra o adversário. Deus, porém, ama Seus filhos com infinito amor" (Idem, p. 165).

4. Não confiar em juízes terrestres
Ellen White nos deixa aqui um importante alerta: 

"O caráter do juiz, na parábola, que não temia a Deus nem respeitava os homens, foi apresentado por Cristo para mostrar a espécie de justiça então exercida, e que seria brevemente testemunhada em Seu julgamento. Deseja que, em todo o tempo, os Seus reconheçam quão pouco, no dia da adversidade, podem confiar em governantes e juízes terrestres. Frequentemente o povo eleito de Deus precisa comparecer perante homens que desempenham funções oficiais, e não fazem da Palavra de Deus seu guia e conselheiro, antes seguem seus próprios impulsos não consagrados nem disciplinados" (Idem, p. 167).

5. A perseverança da fé 
No último versículo da parábola, Jesus faz um questionamento que deveria nos deixar envergonhados: "Contudo, quando o Filho do homem vier, encontrará fé na terra?" (Lucas 18:8). Ao fazer essa pergunta, Jesus afirma que muitos de nós deixamos de lado a nossa fé por causa do imediatismo. Queremos tudo “para ontem” e nos esquecemos que temos um Deus que é dono do tempo e de todas as coisas. Nada foge do controle e da soberania dEle. Muitas pessoas perguntam: "Até quando devo ficar orando por uma situação?" E a resposta é: "Até Deus atender!" Quase sempre não entendemos o porquê da "demora" de Deus, mas se perseverarmos até o final, veremos que Ele age no tempo perfeito! Por isso eu te pergunto: "Será que temos a mesma perseverança que aquela viúva teve? Ou será que, ao ouvir o primeiro "não" durante uma provação, abandonaremos a nossa fé e decidiremos resolver as situações com as nossas próprias forças?" 

"Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão. Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Porque, ainda dentro de pouco tempo, Aquele que vem virá e não tardará" (Hebreus 10:35-37). 

"Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba a chuva temporã e serôdia. Sede vós também pacientes, fortalecei o vosso coração; porque já a vinda do Senhor está próxima" (Tiago 5:7 e 8).

Concluo com este texto de Ellen White:

"O mundo tornou-se ousado na transgressão da lei de Deus. Por causa de Sua longa clemência os homens Lhe espezinharam a autoridade. Fortaleceram-se na opressão e crueldade contra Sua herança, dizendo: 'Como o sabe Deus? Ou: Há conhecimento no Altíssimo?' (Salmos 73:11). Há, porém, um limite além do qual não podem passar. Próximo está o tempo em que atingirão o limite prescrito. Mesmo agora quase excederam os termos da longanimidade de Deus, e a medida de Sua graça e misericórdia. O Senhor Se interporá para vindicar Sua própria honra, para livrar Seu povo e reprimir os excessos da injustiça" (Idem, p. 178).

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Você tem algum segredo?

Todos nós possuímos detalhes pessoais que não são revelados a todos, somente algumas pessoas mais íntimas os conhecem. Mas existem outros que somente nós e Deus sabemos. Guardar um segredo não é pecado. O que não podemos é nos aproveitar desta possibilidade para fazer coisas “escondidas” só porque ninguém está vendo. Cuidado com isso! É quando não tem ninguém por perto que somos quem realmente somos. 

Ser um bom cristão enquanto todos estão te olhando é fácil. No trabalho, quando o chefe não está; em casa, quando os seus pais saírem e te deixarem sozinho; ou na escola, quando o professor se distrair na hora da prova. É nessas horas que somos tentados a fazer coisas que desagradam a Deus.

“Ninguém está vendo, não há nenhum problema!” Tolo é quem pensa assim. Não há lugar onde Deus não esteja, nem pensamento que Ele não conheça. Se é Ele a quem mais devemos respeitar, como podemos não nos preocupar? E se tem um medo que todos tem em comum é esse: ser descoberto. Quanto mais permanecemos escondidos em nossos segredos, mais nos aproximamos do mal e de sermos desmascarados.

“Não há nada escondido que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a se tornar reconhecido” (Mateus 10:26).

Precisamos abandonar a falsidade, falar sempre a verdade, arrancar de nossas vidas toda e qualquer hipocrisia. Não é apenas pelo respeito às pessoas ou pelos motivos que os levam a confiar em nós, que seja por amor a Cristo! Sábio é quem teme a Deus e vive no caminho da verdade, pois no dia do juízo todo segredo será revelado e toda hipocrisia será desmascarada. 

Deus sabe e tem um registro de tudo. Ellen White afirmou:

"Deus conhece o fim desde o princípio. Conhece de perto o coração de todos os homens. Lê todo segredo da alma." (A Ciência do Bom Viver, p. 230) 

"Toda má palavra, todo ato egoísta, todo dever não cumprido, e todo pecado secreto, juntamente com toda artificiosa hipocrisia estão escritos nos livros do céu com terrível exatidão." (O Grande Conflito, p. 481)

"Deus tem que ver com todos os nossos atos, pensamentos e sentimentos. Segue-nos, e nos alcança em cada secreto intento. Pela condescendência com o pecado os homens são levados a considerar levianamente a lei de Deus. Muitos escondem dos homens sua transgressão, e se vangloriam de que Deus não será estrito em assinalar a iniquidade. Mas Sua lei é a grande norma de direito, e cada ato da vida deve ser com ela comparado no dia em que Deus trouxer a juízo toda obra, toda coisa secreta, a ver se é boa ou má. Pureza de coração conduzirá a pureza de vida. Toda desculpa para o pecado é inútil. Quem pode pleitear pelo pecador quando Deus testifica contra ele?" (Comentário Bíblico Adventista, vol. 2, p. 1099)

Deus sabe tudo o que fazemos e quais os caminhos que andamos. Não há nada que possamos esconder de Deus ou que Ele não saiba sobre a nossa vida.

“Ó Senhor Deus, Tu me examinas e me conheces. Sabes tudo o que eu faço e, de longe, conheces todos os meus pensamentos. ... Estás em volta de mim, por todos os lados, e me proteges com o Teu poder. ... Para onde posso fugir da Tua presença? ... Eu poderia pedir que a escuridão me escondesse e que em volta de mim a luz virasse noite; mas isso não adiantaria nada porque para Ti a escuridão não é escura, e a noite é tão clara como o dia" (Salmos 139:1-12).

“Deus sabe por onde você anda e vê tudo o que você faz” (Provérbios 5:21).

Nestes versos, vemos os atributos divinos, “onipresença” e “onisciência”. Isso é, Deus está em todo lugar e sabe de todas as coisas. Ninguém pode enganar a Deus, nada escapa ao Seu olhar infinito.

"Não há nada que se possa esconder de Deus. Em toda a criação, tudo está descoberto e aberto diante dos Seus olhos, e é a Ele que todos nós teremos de prestar contas" (Hebreus 4:13).

Vejamos o que Ellen White nos diz a cerca deste santo Vigia:

"Em todo lugar, a toda hora do dia, há um santo Vigia, que fecha todas as contas, cujos olhos vêem toda situação, quer demonstre fidelidade, quer deslealdade e engano. Nunca estamos sós. Temos um Companheiro, quer O escolhamos quer não. Lembrai-vos de que aonde quer que vos acheis, o que quer que estejais fazendo, Deus ali está. Para cada uma de vossas palavras ou atos, tendes uma testemunha — o Deus santo, que aborrece o pecado. Coisa alguma do que se diga ou faça ou pense escapa ao Seu olhar infinito. Vossas palavras podem não ser ouvidas por ouvidos humanos, mas são ouvidas pelo Dominador do Universo. Ele vê a ira íntima do coração quando a vontade é contrariada. Ouve a expressão profana. Na mais profunda treva ou solidão, ali está Ele. Ninguém pode enganar a Deus; ninguém escapa de sua responsabilidade para com Ele" (Para Conhecê-Lo, p. 230).

Deus sabe tudo de mim, e mesmo assim me ama. Mesmo eu sendo desobediente, mesmo quando penso o que não devo, mesmo quando me esqueço dEle, Ele me cerca por todos os lados com Seu amor, Sua misericórdia (não me tratando como eu realmente merecia), Sua graça e Sua bondade infinita. E isso é maravilhoso, porque com Deus eu posso ser eu mesmo, não preciso fingir, posso ser sincero, posso abrir o meu coração para Ele e falar com toda liberdade. Mesmo dos meu sentimentos mais sórdidos, Ele já sabe.

Que esta seja nossa oração: "Senhor, há tantas coisas em mim que precisam ser mudadas, e às vezes eu mesmo não consigo compreender o meu coração. Preciso da Tua ajuda, e oro para que tu sondes o meu caráter e as minhas intenções, que tragas à minha consciência tudo o que precisa ser corrigido em mim, e que Tu me guies pelo caminho bom, agradável e perfeito, para que eu possa habitar contigo na eternidade."

"Todo o Céu está interessado em nossa salvação. Os anjos de Deus... estão anotando as ações dos homens. Registram, nos livros memoriais de Deus, as palavras de fé, os atos de amor, a humildade de espírito; e naquele dia em que as obras de cada um hão de ser provadas, a fim de ver de que espécie são, a obra do humilde seguidor de Cristo resistirá à prova, recebendo o louvor do Céu. 'Então, os justos resplandecerão como o Sol, no reino de seu Pai.' (Mateus 13:43)" (The Review and Herald, 16 de Setembro de 1890).

sexta-feira, 7 de junho de 2019

O dia em que Satanás tentou matar Ellen White

Foi em Ohio, num funeral realizado numa tarde de domingo, em março de 1858, na escola pública de Lovett’s Grove (agora Bowling Green), que foi dada à Ellen G. White a visão do grande conflito entre Cristo e seus anjos e Satanás e seus anjos, desde seu início até ao fim. Dois dias mais tarde, o grande adversário tentou tirar-lhe a vida, para que ela não pudesse apresentar aos outros o que lhe fora revelado. 

Mantida contudo por Deus, na realização da obra que lhe fora confiada, descreveu as cenas que lhe haviam sido apresentadas, sendo publicadas no verão de 1858 o livro de 209 páginas Spiritual Gifts, v. 1, The Great Controversy Between Christ and His Angels, and Satan and His Angels. O volume foi bem recebido e grandemente apreciado devido à sua clara descrição das forças contendoras no grande conflito, tocando em pontos árduos da luta, mas tratando mais completamente das cenas finais da história da Terra (Primeiros Escritos, pp. 133-295).

Leia a seguir, um relato mais detalhado sobre o assunto neste texto extraído da História do Livro “O Grande Conflito”.

Tiago e Ellen White estavam envolvidos em visitar grupos de adventistas que se formavam no estado de Ohio. De carruagem, passaram por Green Spring (26/02/1858), Gilboa (06 e 07/03), chegando a Lovett’s Grove (hoje Bowling Green - 150 milhas de Battle Creek) para o próximo fim de semana (13-14 de março). Os encontros foram realizados numa escola pública da pequena cidade.

No domingo à tarde, houve uma cerimônia fúnebre no mesmo local onde o grupo de adventistas haviam se reunido. O pastor Tiago White foi convidado para fazer o sermão. Quando ele terminou, suas palavras de consolo, Ellen sentiu o desejo de também falar sobre a breve volta de Jesus e a ressurreição, a esperança do cristão. Enquanto falava, ela foi tomada em visão. Esta visão durou 2 horas. Cena inusitada: ali estava o caixão fúnebre com uma multidão expectante do que iria acontecer. Ao voltar da visão, um grupo foi para o cemitério e outro permaneceu para ouvir um resumo do que havia sido revelado.

Em visão, vários assuntos foram mostrados a Ellen White: conselhos práticos aos irmãos de Ohio, a atitude própria que deveríamos ter com parentes que não criam na mensagem, a filosofia correta quanto ao plano de benevolência sistemática, etc. E o principal tema: a visão sobre o tema do grande conflito, que já tinha sido apresentado a Ellen White cerca de 10 anos antes, foi naquele momento repetido, e mostrado o que ela deveria escrever. O que se conclui é que Ellen White já havia tido outras visões mais curtas que exploravam o mesmo tema, mas que agora ela tivera uma exposição mais plena e com a recomendação de que deveria escrever. Ela foi também advertida de que Satanás faria de tudo para impedir, mas que os anjos do Senhor haveriam de sustê-la.

Os planos para a publicação de um livro sobre o tema do Grande Conflito era o assunto da conversa do casal White no seu retorno para Battle Creek (agora de trem). Quando chegaram em Jackson, foram para a casa do irmão Palmer para um breve descanso. Enquanto conversava com a irmã Palmer, Ellen teve um “derrame” ou “isquemia” (AVC). Ellen White assim descreve:

“Minha língua se recusava a falar o que desejava dizer, e parecia grande e amortecida. Uma sensação estranha e gelada passou por meu coração, por minha cabeça, e no meu lado direito. Fiquei insensível, mas fui erguida por fervorosa oração. ... Por um curto período de tempo eu não esperava viver. Era o terceiro derrame que tinha com paralisia, e embora estivesse à 22 km de casa, eu não tinha esperança de rever as crianças. Lembrei-me do triunfo que havia experimentado em Lovett’s Grove, e pensei que tinha sido meu último testemunho, e me senti reconciliada para morrer” (Life Sketches, p. 271).

Por meio de orações, pouco a pouco ela voltou ao seu estado normal. Por semanas não teve forças nas mãos e não podia sentir até mesmo a água gelada colocada sobre sua cabeça. Três meses mais tarde, ela teve uma visão que lhe mostrou o que realmente havia ocorrido na casa da família Palmer: Satanás havia tentado tirar a sua vida, mas os anjos do Senhor vieram ao seu socorro. A princípio, não podia escrever mais do que uma página por dia e, então, descansar três. Mas logo as forças foram voltando.

Com o poder de Deus, ela contou à Assembleia da Conferência Geral (21-24 de maio de 1858 - cerca de 400 adventistas estavam presentes) a visão que havia recebido (tarde e noite do dia 23 - a reunião foi até às 23h) e que estava se empenhando para publicar em breve. Em meados de agosto, o livro foi completado e publicado: O Grande Conflito Entre Cristo e Seus Anjos, e Satanás e seus Anjos. Esta obra apareceu como o primeiro volume do Spiritual Gifts. Em 1882, o conteúdo deste pequeno livreto foi reimpresso como a segunda parte do livro Primeiros Escritos.

Assista também este episódio contado por Jim Nix, diretor do White State, Silver Spring, EUA: 

quinta-feira, 6 de junho de 2019

75 anos do Dia D e a segunda vinda de Jesus

A expressão “Dia D” na linguagem militar é um termo utilizado para designar com exatidão o dia de início de uma ofensiva ou uma operação de guerra. Examinando a história, vamos encontrar o dia 6 de Junho de 1944, um dos dias D mais famosos. 175 mil soldados aproximadamente (americanos, ingleses, franceses e canadenses), com o apoio de 6 mil navios e 5 mil aviões, desembarcaram nas praias da Normandia para libertar a França da ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

O presidente norte-americano Franklin Roosevelt convidou o general Dwight Eisenhower para comandar esta operação que recebeu o nome de Overlord. Veja na sequência as palavras do general em resposta ao convite: “Senhor presidente, compreendo que tal designação implica decisões difíceis (...) Espero que o senhor não se decepcione."

E Roosevelt não se decepcionou. O fator surpresa auxiliou a operação. Os alemães achavam que seria impossível qualquer ataque através do canal enquanto as ondas estivessem altas e que muito provavelmente as manobras aconteceriam na época de lua nova e maré alta. O final da história você conhece – derrota alemã na Segunda Guerra Mundial.

Contudo, examinando a Bíblia, vamos encontrar impresso o "Dia do Senhor", que poderíamos resumir como sendo o “Dia D”. O dia da intervenção de Deus na história da humanidade, envolvendo salvação e julgamento do homem, referindo-se também à Segunda Vinda do Senhor Jesus Cristo. 

A frase “Dia do Senhor” é usada dezessete vezes no Velho Testamento (Isaías 2:12; 13:6,9; Ezequiel 13:5, 30:3; Joel 1:15, 2:1,11,31; 3:14; Amós 5:18,20; Obadias 15; Sofonias 1:7,14; Zacarias 14:1; Malaquias 4:5) e quatro vezes no Novo Testamento (Atos 2:20; 1 Tessalonicenses 5:2,3; 2 Tessalonicenses 2:2; 2 Pedro 3:10). O Novo Testamento também alude a tal frase em outras passagens (Apocalipse 6:17; 16:14).

No Antigo Testamento, vejamos o que os profetas Isaías e Sofonias escrevem sobre o "Dia D": 

“Uivai, porque o Dia do Senhor está perto; virá do Todo-Poderoso como assolação.” (Isaías 13:6)

“O grande Dia do Senhor está perto; sim, está perto, e se apressa muito; hei-la, amarga é a voz do Dia do Senhor; clama ali o homem poderoso. Aquele dia é dia de indignação, dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas, dia de trombeta e de alarido contra as cidades fortificadas e contra as torres altas.” (Sofonias 1:14-16)

Estes versos não deixam dúvidas sobre o julgamento de Deus que acontecerá no “Dia do Senhor”. Este dia será marcado por acontecimentos indescritíveis, ou seja, agonia, alvoroço, densas trevas e outros sinais narrados na Bíblia. Já no Novo Testamento, Lucas, Mateus e Paulo escrevem: 

“Pois, assim como o relâmpago, fuzilando em uma extremidade do céu, ilumina até a outra extremidade, assim será também o Filho do homem no seu dia.” (Lucas 17:24)

"Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E Ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus." (Mateus 24:30,31)

"Porque vós mesmos sabeis muito bem que o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite; Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão." (1 Tessalonicenses 5:2,3)

Quando Jesus estava no monte das Oliveiras, ministrando sobre escatologia, chegaram-se a Ele os seus discípulos em particular dizendo: Quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda, e do fim do mundo? Jesus respondendo disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane. Fiquem atentos sobre os fatos que antecederão a minha vinda. Vou citá-los alguns: falsos cristos, guerras, rumores de guerras, nação se levantará contra nação, reino contra reino, haverá fomes, pestes, terremotos em vários lugares, os cristãos serão perseguidos, alguns serão mortos, muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, haverá ódio, surgirão falsos profetas e enganarão a muitos, o amor se esfriará, não obstante, o evangelho será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim [O Dia D] – (Mateus 24:1-14).

Não seja você surpreendido como foram os alemães na Segunda Guerra, achando que Jesus não voltará nesta época. Não subestime a influência que o inimigo do homem exerce nesta batalha travada entre o bem e o mal, neste grande conflito que cessará somente no Dia do Senhor. Creia que o homem que está em Cristo não tem porque temer o Dia do Senhor. Por quê?

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.” (1 Tessalonicenses 4:16,17)

A segunda vinda de Cristo é a bendita esperança da Igreja, o grande ponto culminante do evangelho. A vinda do Salvador será literal, pessoal, visível e universal. Quando Ele voltar, os justos falecidos serão ressuscitados e, juntamente com os justos que estiverem vivos, serão glorificados e levados para o Céu, mas os ímpios irão morrer. O cumprimento quase completo da maioria dos aspectos da profecia, bem como a condição atual do mundo, indica que a vinda de Cristo é iminente. O tempo exato não foi revelado, e somos portanto exortados a estar preparados em todo o tempo. 

Na segunda vinda de Cristo, finalmente teremos a completa realidade da nossa salvação: 

“De maneira que nenhum dom vos falte, enquanto aguardais a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual também vos confirmará até o fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo.” (1 Coríntios 1:7-8) 

“Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.” (Hebreus 9:28)

Concluindo, vejamos esta importante mensagem que Ellen G. White nos deixa:

"Fazei ressoar um alarme. Dizei às pessoas que o Dia do Senhor está perto, e apressa-se grandemente... Não temos tempo a perder." (Evangelismo, p. 218)

Uma das principais evidências de que estamos perceptivos à breve volta de Jesus é a intencionalidade que demonstramos ao falarmos aos outros de Jesus. Testemunhe!

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Dia dos Namorados: Amor verdadeiro ou paixão cega?

“Como posso saber se estou realmente amando?”, perguntou um leitor ao colunista de um jornal. E a resposta foi: “Se precisa perguntar, então não está amando.” A inadequação da resposta é aterradora, ainda assim muitos continuam pensando que quando o amor os acertar, ele será percebido! Na verdade, a coisa não é bem assim.

Estudos mostram que a maioria das pessoas tende a considerar os relacionamentos passados como paixões e o atual como amor verdadeiro. Outra pesquisa descobriu que a média das experiências de pessoas que vivem paixões é de seis a sete vezes, ao passo que as do amor verdadeiro é de uma a duas vezes. Você pode ter vivenciado muitos romances, mas o ponto é: Como pode afirmar se seu amor é verdadeiro ou apenas uma paixão efêmera?

Amor e paixão possuem algo em comum – sentimentos fortes de afeição por alguém – o que complica a questão de perceber as diferenças, porquanto muitos dos sintomas se sobrepõem uns aos outros. A maioria das paixões arrebatadas e cegas pode conter uma porção de amor verdadeiro e o amor verdadeiro pode incluir muitos dos sintomas encontrados na paixão. Então, as diferenças entre amor e paixão são frequentemente verificadas em grau, mais do que em definição. Portanto, devem-se examinar todas as evidências com extrema cautela. 

Amor e paixão compartilham três sintomas: atração sexual, desejo de estar próximo e emoções fortes. Os textos são de autoria de Ellen G. White.

1. Atração sexual. A atração sexual pode estar presente sem o amor verdadeiro. É inteiramente possível, particularmente para o homem, ter um forte desejo sexual por uma mulher que ele antes não conhecia. Abraçar e acariciar aumenta a urgência dos sentimentos eróticos até que o sexo domine a relação. A paixão, por si só, não é indicação de amor verdadeiro. A atração sexual pode ser tão importante na paixão quanto no amor verdadeiro, e às vezes pode ser até dominante. O amor deve estar baseado em mais do que atração sexual ou paixão cega. 

Além disso, ninguém pode manter uma paixão por muito tempo e com tamanha intensidade, mesmo que jurem fazê-lo. Se todos os casais vão à procura de paixão, o relacionamento possivelmente terminará em poucos meses. Se um casal pretende chegar ao matrimônio baseando-se no ímpeto inicial da atração sexual, aprenderá que quando a paixão acabar, nada haverá que os mantenha unidos. 

"O amor que não se baseia senão em mera satisfação sensual, será obstinado, cego, incontrolável. A honra, a verdade, toda nobre e elevada faculdade do espírito são levadas cativas das paixões. O homem preso nas cadeias dessa insensatez fica muitas vezes surdo à voz da razão e da consciência; nem argumentos nem súplicas o podem levar a ver a loucura de sua conduta" (Signs of the Times, 1º de julho de 1903). 

2. Desejo de proximidade. O desejo de proximidade pode tornar-se imprescindível tanto na paixão como no amor verdadeiro. Você pode desejar estar junto à pessoa amada o tempo todo, temendo o momento em que se apartará dela. Você pode sentir-se vazio e sozinho quando seu(sua) amado(a) não está com você, mas isso não é necessariamente uma indicação de amor verdadeiro. O desejo de estar próximo pode ser tão forte na paixão quanto no amor verdadeiro. 

"O amor verdadeiro não é uma paixão forte, ardente, impetuosa. Ao contrário, é calmo e profundo em sua natureza. Olha para além das coisas meramente exteriores, sendo atraído unicamente pelas qualidades. É sábio e apto a discriminar, e sua dedicação é real e permanente" (Testemunhos Seletos, vol. 1, p. 208). 

3. Emoções fortes. As pesquisas confirmam que experimentamos diferentes sintomas físicos no princípio da paixão. Sensações como caminhar nas nuvens quando tudo vai bem e sentir-se doente quando tudo vai mal; arrepios subindo e descendo pela coluna vertebral, incapacidade de concentração, dores no estômago ou dificuldade de comer, são sintomas muito comuns, mas as emoções fortes ocorrem tão frequentemente na paixão quanto no amor verdadeiro, embora sentimentos inexplicáveis e emoções fortes indiquem mais a paixão. O amor verdadeiro abriga mais que uma mistura de sentimentos inexplicáveis, e se mantém após a diminuição das emoções fortes.

Se você está sozinho(a), entediado(a) ou tentando superar o rompimento de um romance, mostra-se mais vulnerável a interpretar um novo romance como amor verdadeiro, ainda que esse seja pouco mais que paixão. Se você é inseguro(a) ou possui baixa auto-estima, deve ficar alerta. Pessoas maduras, bem como aquelas que possuem elevada auto-estima, podem ser enganadas por uma paixão, mas têm mais chances de reconhecer a diferença entre o amor verdadeiro e a paixão. 

"É o amor um dom precioso, que recebemos de Jesus. A afeição pura e santa não é sentimento, mas princípio. Os que são movidos pelo amor verdadeiro, não são irrazoáveis nem cegos" (A Ciência do Bom Viver, p. 358 e 359).

Não fique com a impressão de que a paixão seja de todo ruim. Pode ser uma agradável e divertida experiência se reconhecê-la como tal – um curto interlúdio de uma fantasia romântica. Dando-se tempo suficiente, ela irá passar ou se desenvolverá num relacionamento verdadeiro que envolverá mais que um ímpeto de emoções. Lembre-se de que alguns relacionamentos que começam como paixão, desenvolvem-se em amor verdadeiro com o passar do tempo, enquanto são postos à prova. 

"O verdadeiro amor é um princípio elevado e santo, inteiramente diferente em seu caráter daquele amor que se desperta por um impulso e que subitamente morre quando severamente provado" (Patriarcas e Profetas, p. 176).

O amor verdadeiro difere da paixão na medida em que provê tempo e espaço para reconhecer as boas qualidades bem como as falhas do amigo(a) especial. Comprometer-se com, ter relações sexuais com, viver com, ou casar-se com alguém baseado nesses sentimentos precoces, é pura tolice e irá resultar em consequências previsíveis e negativas. 

Como diz a psicopedagoga Ana Macarini: 

"O amor é a paixão que aprendeu a conversar com os olhos. O amor é a paixão que nos torna mais sensível para todo o resto. O amor nos ensina que é possível rir, chorar e rir de novo, tudo num mesmo encontro. O amor nos faz melhores, mais disponíveis para o afeto universal. E… se estar apaixonado é bom, amar é o nirvana. Se a paixão é deliciosa, amar é uma experiência gastronômica na Tailândia. Se a paixão é explosiva, o amor é ser invadido por um exército de anjos de luz. Se a paixão é transformadora, o amor é a revelação da nossa versão mais essencial e intensa. O amor não exaure. O amor restaura. E… 'por ser amor, invade e fim!'."

terça-feira, 4 de junho de 2019

Impureza sexual e a decadência moral da humanidade

Do ponto de vista bíblico, a impureza sexual é apresentada como um terrível obstáculo para que nosso caráter se torne semelhante ao de Cristo. Chamamos isso de santificação, a qual pode ser definida como processo em que nossa mente é moldada diariamente pela contemplação do caráter de Jesus. Quanto mais olhamos para Cristo, mais parecidos com Ele nos tornamos. Como diz Ellen White: “Olhando para Jesus adquirimos visão mais brilhante e distinta de Deus, e pela contemplação somos transformados” (Mente Caráter e Personalidade, v. 1, p. 331).
A Bíblia não usa meias-palavras para tratar do assunto da impureza sexual. Paulo afirmou: “A vontade de Deus é que vocês sejam santificados: abstenham-se da imoralidade sexual” (1Ts 4:3). Claramente, ele estabelece uma íntima relação entre santificação e abstinência da impureza sexual. É importante notar como ele introduz o assunto: “… já os instruímos acerca de como viver a fim de agradar a Deus e, de fato, assim vocês estão procedendo. Agora pedimos e exortamos a vocês no Senhor Jesus que cresçam nisso cada vez mais” (v. 1). Tão grande é a preocupação de Paulo com esse tema, que ele enfatiza: “Cada um saiba controlar o seu próprio corpo de maneira santa e honrosa, não dominado pela paixão de desejos desenfreados…” (v. 4). E finaliza: “Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade” (v. 7). Em outras palavras, Paulo estava tentando dizer que impureza sexual e santificação são opostos quanto a água e o óleo. Não há espaço para meio-termo.
Porém, isso não é tudo. A Bíblia vê a questão da impureza sexual com tanta seriedade que essa prática é comparada à adoração aos ídolos (At 15:20, 28-29; Ap 2:14, 20). Em Romanos 1:18, encontramos uma séria denúncia contra a humanidade: “A ira de Deus é revelada dos Céus contra toda impiedade e injustiça dos homens”. Que objeto de denúncia deveríamos esperar aqui? Assassinato? Furto? Poderia ser. Porém, apesar de graves, esses pecados não estão em pauta nessa passagem. Em vez disso, a denúncia de Paulo alterna entre a adoração aos ídolos (Rm 1:23, 25) e a impureza sexual (v. 24, 26 e 27). A partir daí, segue-se uma torrente impetuosa de vícios: “Injustiça, maldade, ganância e depravação. Estão cheios de inveja, homicídio, rivalidades, engano e malícia. São bisbilhoteiros, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, arrogantes e presunçosos; inventam maneiras de praticar o mal; desobedecem a seus pais; são insensatos, desleais, sem amor pela família, implacáveis” (v. 29-31). Quanto mais os homens se aprofundam em seus pecados, mais perdem o senso de que pecado é pecado.
A Bíblia poderia parar por aqui, mas há uma série de outras advertências. Na primeira carta aos coríntios, Paulo também diz que Deus não fez o corpo para a impureza sexual (1Co 6:13). Uma vez que nosso corpo é templo do Espírito Santo, a recomendação é: “Fujam da imoralidade sexual” (v. 18); literalmente, foi isso o que José fez (Gn 39:12). Idolatria associada à impureza sexual é também o alvo da exortação de Paulo em 1 Coríntios 10:7-8. Nesse capítulo, ele tem em mente o episódio relatado em Números 25, em que o povo de Israel foi atraído para a idolatria (Nm 25:2) por influência das mulheres moabitas (v. 1). Em 2 Coríntios 12, a impureza sexual (v. 21) está associada a outros pecados: “brigas, invejas, manifestações de ira, divisões, calúnias, intrigas, arrogância e desordem” (v. 20). Distante do Espírito Santo, o indivíduo fica vulnerável diante de todas essas tentações.
Ao recomendar que a impureza sexual não deve existir na igreja, Paulo comentou novamente que ela é contrária à santificação do crente: “Entre vocês não deve haver nem sequer menção de imoralidade sexual como também de nenhuma espécie de impureza e de cobiça; pois essas coisas não são próprias para os santos” (Ef 5:3). Afinal de contas, ela é uma aberta violação da lei de Deus (Êx 20:14; Mt 5:27-28; 1Tm 1:9-10). A propósito, a Bíblia apresenta a impureza sexual como o motivo que atraiu o juízo divino sobre as cidades de Sodoma e Gomorra (Jd 7). E seguramente trará também o juízo divino contra o mundo contemporâneo. Daí a solene exortação: “Assim, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês: imoralidade sexual, impureza, paixão, desejos maus e a ganância, que é idolatria” (Cl 3:5). A aversão que Deus tem pela impureza sexual pode ser facilmente percebida no modo como ela é revelada no livro do Apocalipse. Um falso sistema de adoração é simbolizado pela meretriz do capítulo 17, a qual embebedou os habitantes da Terra com o vinho de sua devassidão (Ap 17:2).
No catálogo de vícios apresentado em Gálatas 5:19-21, a impureza sexual aparece no topo da lista: “imoralidade sexual, impureza e libertinagem; idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes”.
Alguém pode se perguntar como a imoralidade sexual abre as portas para tantos outros pecados. O seguinte comentário de Ellen White nos ajuda a entender: “Bondade, pureza e verdade, reverência para com Deus e amor pelas coisas sagradas – e tudo isso são afeições santas e nobres desejos que ligam os homens ao mundo celestial – são consumidos nos fogos da lascívia” (Patriarcas e Profetas, p. 335). Portanto, a lista de Paulo não deve causar surpresa. Muito menos deve nos surpreender seu comentário: “Eu os advirto, como antes já os adverti: Aqueles que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus” (Gl 5:21). Esse é o verdadeiro problema da impureza sexual.
Como vencer
Em seu livro O Jesus que eu nunca conheci, o escritor Phillip Yancey comenta que a obra de um escritor católico francês chamado François Muriac o ajudou em sua luta contra a tentação sexual. Muriac também travou a mesma luta. Os seus livros mostraram a Yancey que “a autodisciplina, a repressão e os argumentos racionais são armas inadequadas para lutar contra o impulso da impureza”. Muriac compreendeu que “a impureza nos separa de Deus”. Ele concluiu que “a pureza é a condição para um amor mais elevado – para a posse acima de todas as outras posses: a de Deus. Sim, isso é o que está em jogo, e nada menos”.
Para esses dois autores, o desejo de estar na presença de Deus e o esforço para permanecer em Sua presença são a única forma de superar o problema da impureza sexual. Em consonância com esse pensamento, Ellen White afirmou: “O coração deve ser renovado pela graça divina, ou será inútil procurar pureza de vida” (p. 336).
A Bíblia deixa claro que a prática sexual ilícita tirará pessoas do Céu (Gl 5:19-21; Ef 5:5; Ap 21:8; 22:14). Portanto, nosso desejo de ir para lá deve ser uma constante motivação para que não nos envolvamos com a impureza sexual em suas variadas formas. Afinal, vimos acima que ela é uma inimiga do processo de santificação. Conforme a Bíblia enfatiza em Hebreus 12:14, “sem santidade ninguém verá o Senhor”. Não é possível experimentar profunda intimidade com Deus e ao mesmo tempo alimentar pensamentos impuros. Além disso, Deus está atento a tudo que fazemos e ao que pensamos. Consciente disso, Jó, um dos grandes campeões da fé, asseverou: “Fiz aliança com meus olhos; como, pois, os fixaria eu numa donzela? Que porção, pois, teria eu do Deus lá de cima e que herança, do Todo-Poderoso desde as alturas? […] Não vê Ele os meus caminhos e não considera cada um de meus passos?” (Jó 31:1, 2 e 4).
Finalmente, para aqueles que, de alguma forma, já se envolveram com impureza sexual, não é preciso entrar em desespero. A Bíblia diz: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1:19). A purificação da nossa vida é uma obra que somente Cristo pode realizar. Porém, existe algo que podemos fazer; algo que está no campo da decisão, e que pode ser resumido nas seguintes palavras: “Aqueles que não querem ser presa dos ardis de Satanás devem bem guardar as entradas da almadevem evitar ler, ver, ou ouvir aquilo que sugira pensamentos impuros” (Patriarcas e Profetas, p. 337). Esse conceito está profundamente enraizado na Bíblia e é sintetizado pelo apóstolo Paulo da seguinte forma: “Tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas” (Fp 4:8).
Nilton Aguiar (via Revista Adventista)

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Sobre as "panelinhas na igreja"

Imagine algo que não combine com a igreja cristã: "panelinha". Conforme o dicionário Aurélio, é conluio para fins pouco sérios; grupo de políticos que, no poder, procuram obter vantagens individuais; qualquer grupo muito fechado.

Somos seres sociais, necessitamos do convívio em grupo. A formação de um grupo se dá pelas afinidades, gostos, idade, condições socioeconômicas, enfim, pelo compartilhamento de algo em comum. Na igreja, como um agrupamento de pessoas, nada mais normal que haja grupos, mas o problema está quando grupos demasiadamente coesos, as "panelinhas", criam condições para exclusão de outros irmãos.

Na igreja, embora todos tenham suas particularidades e diferenças, devemos pensar como uma unidade, como Paulo exorta aos Gálatas: "Não pode haver judeu nem grego; escravo nem liberto; nem homem nem mulher, porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3:28). 

A relação de Cristo com Sua igreja pode ser ilustrada pelo eixo e os raios de uma roda de bicicleta: quanto mais perto de Jesus estiverem, mais unidos serão os cristãos. Quando as "panelinhas" surgem na igreja, causam problemas porque não condizem com ela. A "panelinha" em si já é uma anomalia, um indicador de que Jesus não está por perto.

A cada momento, devemos convidar Jesus para estar perto de nós, de modo que Sua presença desaconselhe expressões seletivas ou sectaristas, e promova no ambiente de nosso convívio uma atmosfera afetuosa e convidativa. 

Toda atitude exclusivista destoa da atmosfera que deve reinar no ambiente da igreja. A acepção de pessoas é filha do preconceito, que “tem mais raízes do que os princípios”, de acordo com Maquiavel. Ainda existem raízes de preconceito em nossos relacionamentos. Em quase todos os níveis da igreja, há pessoas exclusivistas e preconceituosas. Por essa razão, nossa influência sobre os de fora não é tão forte quanto deveria.

Algumas pessoas são “excluídas” da música, da liderança e das atividades da igreja. O lobby das “panelinhas” é poderoso, mas sabemos que ele é fruto de orgulho e inveja. Ele inibe talentos, sufoca vocações e afugenta os que gostariam de cooperar. E o pior: essa atitude escorraça pessoas que ainda não conhecem o amor de Deus.

Ellen White advertiu: "Muitos há que olham para vocês, para ver o que a religião pode fazer por vocês." (Filhos e Filhas de Deus, MM 1956, p. 262). E diz mais: "O apóstolo exorta seus irmãos a manifestar em sua vida o poder da verdade que ele lhes apresentara. Por sua mansidão e bondade, paciência e amor, deviam exemplificar o caráter de Cristo e as bênçãos de Sua salvação. Divisões na igreja desonram a religião de Cristo ante o mundo, e dão ocasião aos inimigos da verdade para justificar seu procedimento". (Testemunhos Seletos, v. 2, p. 80)

Jesus deixou belíssimos exemplos de inclusão. A mulher pecadora foi acolhida por Ele num momento extremamente delicado. Zaqueu teve a alegria de receber o Mestre em sua casa. A mulher que tinha fluxo de sangue não foi ignorada pelo Médico dos médicos. Jesus comeu com pecadores para atraí-los a Si.

Ellen White afirma que Jesus “procurava derribar as barreiras que separavam as diversas classes sociais, a fim de unir os homens como filhos de uma só família” (O Desejado de Todas as Nações, p. 150). “Não menosprezava ser humano algum, mas buscava aplicar o bálsamo de cura a toda e qualquer alma. Em qualquer companhia que estivesse, apresentava uma lição apropriada ao tempo e às circunstâncias. […] Buscava incutir esperança no mais rústico e menos prometedor dos homens, assegurando-lhes de que poderiam tornar-se irrepreensíveis e inofensivos, e adquirir caráter que deles faria filhos de Deus” (Testemunhos Seletos, v. 3, p. 387).

Como igreja e como indivíduos, precisamos desenvolver uma atitude mais acolhedora. “Não deve haver nenhuma parcialidade, nem hipocrisia. Não deve haver favoritos, cujos pecados sejam considerados como menos pecaminosos que os dos outros” (Evangelismo, p. 369).

Graças a Deus, cresce entre nós o número de igrejas que praticam a inclusão cristã. Já outras precisam permitir que o amor de Cristo as transforme em centros de paz, acolhimento e ternura.

Que essa transformação seja operada em mim e você, para que saibamos conviver fraternalmente com os que são “diferentes”!

"Se vós, contudo, observais a lei régia segundo a Escritura: Amarás o teu próximo como a ti mesmo, fazeis bem; se, todavia, fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, sendo arguidos pela lei como transgressores. Pois qualquer que guarda toda a lei, mas tropeça em um só ponto, se torna culpado de todos" (Tiago 2:8-10)

Assista também este delicioso vídeo da jornalista, escritora, palestrante e youtuber Fabiana Bertotti sobre esse assunto: