sexta-feira, 29 de novembro de 2024

INDIFERENTE

Outro dia li um trecho interessante do diário de salomão: "O que tapa o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido" (Provérbios 21:13). Não sei porque, mas me veio à mente a palavra indiferença. Para mim, tapar o ouvido ao grito de quem precisa de alguma coisa é uma descrição muito boa para indiferença. E como nós estamos familiarizados com ela. Quem nunca foi tratado ou nunca tratou alguém com indiferença que atire a primeira pedra...

E como são comuns as situações em que as pessoas se afastam umas das outras por mal-entendidos, diferenças de opinião, inveja, receio, etc. e começam a se ver de maneira indiferente. Indiferença... essa para mim é a pior espécie. Viver como se a existência de outrem não fizesse a mínima diferença para você. Isso é muito perigoso. Amanhã você pode estar gritando por ajuda. Para dizer bem a verdade, eu creio que a própria indiferença já seja um grito. A indiferença é o comentário mais desesperado de todos. É o grito de quem quer convencer que pode fazer falta na vida do outro e que a ausência desse outro não dói. É o grito de quem quer atrair a atenção. É o grito de quem se sente inseguro. É um grito covarde. Mas é um grito silente.

Talvez olhando para sua vida você encontre algum grito assim. Se existe algo mal resolvido entre você e alguém - um amigo, um vizinho, um parente ou até mesmo um estranho - não se esconda atrás da indiferença. Procure a tal pessoa e simplesmente converse. Seja sincero. A indiferença é uma doença que corrói o coração.

Amanhã é sábado e esse é um dia diferente. É um dia certo para repensar as relações e clarear os cantos escuros da vida. O sábado é o dia do perdão. Ande pela vida de bem com Deus e com as pessoas a sua volta.

E descanse.

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

DORES

É como se meus olhos pudessem ver os territórios da minha alma sendo invadidos pela dor.

Sinto dores que há muito não sentia. Daquelas que ameaçam o orgulho, a verdade e o plano. Dores que desmantelam a lógica, o tempo e a regra.

Eu que ergui muros altos, que cerquei de cuidados os limites encantados da emoção. Eu que conheço os danos da invasão, o drama e o estrago da rendição. Eu que sou forte, sinto dores. Eu que calei o coro dos valentes, silencio diante do sussurro das dores.

Eu que inventei a analgia, sinto. Eu que entreguei os remédios em troca de vacina, experimento a sina de quem inevitavelmente sente.

Sinto dores.

E sentindo entendi que nessa vida não há beleza livre da dor. Não há sentido inviolável, nem sentimento invariável. É sentindo que se lembra que é com dores o nascimento, com dores o crescimento. É com dores que se ganha e que se perde. É com dores que se paga. É com dores que se espera.

Dor é a herança confusa de quem ainda vive essa vida pequena. É o sintoma da doença. É a sentença da escolha. É algoz e é vigia. Em vez de atestar a ausência do bem, é a prova do efeito do mal. Sem dor não haveria salvação.

Sinto, logo dói.


"Que maravilhoso pensamento este, de que Jesus tudo sabe acerca das dores e aflições que sofremos! Em todas as nossas aflições foi Ele aflito. [...] Quem pode compreender a dor que sofro senão Aquele que é angustiado em todas as nossas angústias? A quem poderei falar senão Àquele que Se compadece de nossas enfermidades, e que sabe socorrer os que são tentados? Meu coração se dilata para Jesus, em amorosa confiança. Ele sabe o que é melhor para mim" (Ellen G. White - Mensagens Escolhidas 2, p. 237-239).

"Cada alma é tão perfeitamente conhecida a Jesus, como se fora ela a única por quem o Salvador houvesse morrido. As dores de cada uma Lhe tocam o coração. O grito de socorro chega-Lhe ao ouvido" (O Desejado de Todas as Nações, p. 339).

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

OS EVANGELHOS EM ORDEM CRONOLÓGICA

Se os quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) fossem um livro só, em ordem cronológica dos 179 eventos, seria assim:

001. Lucas 1:1-4
002. João 1:1-18
003. Mateus 1:1-17 / Lucas 3:23-38
004. Lucas 1:5-25
005. Lucas 1:26-38
006. Lucas 1:39-56
007. Lucas 1:57-80
008. Mateus 1:18-25
009. Lucas 2:1-7
010. Lucas 2:8-20
011. Lucas 2:21
012. Lucas 2:22-38
013. Mateus 2:1-12
014. Mateus 2:13-18
015. Mateus 2:19-23 / Lucas 2:39-40
016. Lucas 2:41-50
017. Lucas 2:51-52
018. Mateus 3:1-12 / Marcos 1:1-8 / Lucas 3:1-18
019. Mateus 3:13-17 / Marcos 1:9-11 / Lucas 3:21-22
020. Mateus 4:1-11 / Marcos 1:12-13 / Lucas 4:1-13
021. João 1:19-34
022. João 1:35-51
023. João 2:1-12
024. João 2:13-25
025. João 3:1-21
026. João 3:22-36
027. João 4:1-42
028. João 4:43-54
029. Mateus 14:3-5 / Lucas 3:19-20
030. João 5:1-15
031. João 5:16-47
032. Mateus 4:12 / Marcos 1:14-15 / Lucas 4:14-15
033. Lucas 4:16-30
034. Mateus 4:13-17 / Lucas 4:31
035. Mateus 4:18-22 / Marcos 1:16-20 / Lucas 5:1-11
036. Marcos 1:21-28 / Lucas 4:32-37
037. Mateus 8:14-17 / Marcos 1:29-34 / Lucas 4:38-41
038. Mateus 4:23-25 / Marcos 1:35-39 / Lucas 4:42-44
039. Mateus 8:1-4 / Marcos 1:40-45 / Lucas 5:12-16
040. Mateus 9:2-8 / Marcos 2:1-12 / Lucas 5:17-26
041. Mateus 9:9 / Marcos 2:13-14 / Lucas 5:27-28
042. Mateus 12:1-8 / Marcos 2:23-28 / Lucas 6:1-5
043. Mateus 12:9-14 / Marcos 3:1-6 / Lucas 6:6-11
044. Mateus 12:15-21 / Marcos 3:7-12
045. Marcos 3:13-19 / Lucas 6:12-16
046. Mateus 5:1-48 + 6:1-34 + 7:1-29 / Lucas 6:17-49
047. Mateus 8:5-13 / Lucas 7:1-10
048. Mateus 9:27-31
049. Mateus 9:32-34
050. Mateus 9:35 / Lucas 8:1-3
051. Lucas 7:11-17
052. Mateus 12:22-45 / Marcos 3:20-30 / Lucas 11:14-32
053. Mateus 12:46-50 / Marcos 3:31-35 / Lucas 8:19-21
054. Mateus 13:1-52 / Marcos 4:1-34 / Lucas 8:4-18
055. Mateus 8:19-22
056. Mateus 8:18 e 23-27 / Marcos 4:35-41 / Lucas 8:22-25
057. Mateus 8:28-34 + 9:1 / Marcos 5:1-20 / Lucas 8:26-39
058. Mateus 9:10-13 / Marcos 2:15-17 / Lucas 5:29-32
059. Mateus 9:14-17 / Marcos 2:18-22 / Lucas 5:33-39
060. Mateus 9:18-26 / Marcos 5:21-43 / Lucas 8:40-56
061. Mateus 11:2-6 / Lucas 7:18-23
062. Mateus 11:7-30 / Lucas 7:24-35
063. Mateus 9:36-38 + 10:1-42 + 11:1 / Marcos 6:7-13 / Lucas 9:1-6
064. Mateus 13:53-58 / Marcos 6:1-6
065. Mateus 14:1-12 / Marcos 6:14-29 / Lucas 9:7-9
066. Mateus 14:13-21 / Marcos 6:30-44 / Lucas 9:10-17 / João 6:1-14
067. Mateus 14:22-36 / Marcos 6:45-56 / João 6:15-24
068. João 6:25-71 + 7:1
069. Mateus 15:1-20 / Marcos 7:1-23
070. Mateus 15:21-28 / Marcos 7:24-30
071. Mateus 15:29-31 / Marcos 7:31-37
072. Mateus 15:32-39 / Marcos 8:1-10
073. Mateus 16:1-12 / Marcos 8:11-21
074. Marcos 8:22-26
075. Mateus 16:13-28 / Marcos 8:27-38 + 9:1 / Lucas 9:18-27
076. Mateus 17:22-23 / Marcos 9:30-32 / Lucas 9:43b-45
077. Mateus 18:1-35 / Marcos 9:33-50 / Lucas 9:46-50
078. Mateus 17:1-13 / Marcos 9:2-13 / Lucas 9:28-36
079. Mateus 17:14-21 / Marcos 9:14-29 / Lucas 9:37-43a
080. Mateus 17:24-27
081. João 7:2-13
082. João 7:14-52
083. João 7:53 + 8:1-11
084. João 8:12-30
085. João 8:31-59
086. João 9:1-41
087. João 10:1-21
088. Mateus 19:1-2 / Marcos 10:1 / Lucas 9:51-56
089. Lucas 9:57-62
090. Lucas 10:1-24
091. Lucas 10:25-37
092. Lucas 10:38-42
093. João 10:22-42
094. Lucas 11:1-13
095. Lucas 11:33-36
096. Lucas 11:37-54
097. Lucas 12:1-12
098. Lucas 12:13-34
099. Lucas 12:35-59
100. Lucas 13:1-9
101. Lucas 13:10-17
102. Lucas 13:18-30
103. Lucas 13:31-35
104. Lucas 14:1-15
105. Lucas 14:16-24
106. Lucas 14:25-35
107. Lucas 15:1-7
108. Lucas 15:8-10
109. Lucas 15:11-32
110. Lucas 16:1-17
111. Lucas 16:19-31
112. Lucas 17:1-10
113. João 11:1-45
114. João 11:46-57
115. Lucas 17:11-19
116. Lucas 17:20-37
117. Lucas 18:1-8
118. Lucas 18:9-14
119. Mateus 19:3-12 / Marcos 10:2-12 / Lucas 16:18
120. Mateus 19:13-15 / Marcos 10:13-16 / Lucas 18:15-17
121. Mateus 19:16-30 / Marcos 10:17-31 / Lucas 18:18-30
122. Mateus 20:1-16
123. Mateus 20:17-19 / Marcos 10:32-34 / Lucas 18:31-34
124. Mateus 20:20-28 / Marcos 10:35-45
125. Mateus 20:29-34 / Marcos 10:46-52 / Lucas 18:35-43
126. Lucas 19:1-10
127. Lucas 19:11-28
128. Mateus 26:6-13 / Marcos 14:3-9 / Lucas 7:36-50 / João 12:1-8
129. Mateus 26:1-5 + 26:14-16 / Marcos 14:1-2 + 14:10-11 / Lucas 22:1-6 / João 12:9-11
130. Mateus 21:1-11 / Marcos 11:1-11 / Lucas 19:29-44 / João 12:12-19
131. Mateus 21:18-22 / Marcos 11:12-14 + 11:20-26
132. Mateus 21:12-17 / Marcos 11:15-19 / Lucas 19:45-48
133. Mateus 21:23-27 / Marcos 11:27-33 / Lucas 20:1-8
134. Mateus 21:28-32
135. Mateus 21:33-46 / Marcos 12:1-12 / Lucas 20:9-19
136. Mateus 22:1-14
137. Mateus 22:15-22 / Marcos 12:13-17 / Lucas 20:20-26
138. Mateus 22:23-33 / Marcos 12:18-27 / Lucas 20:27-40
139. Mateus 22:34-40 / Marcos 12:28-34
140. Mateus 22:41-46 / Marcos 12:35-37 / Lucas 20:41-44
141. Mateus 23:1-39 / Marcos 12:38-40 / Lucas 20:45-47
142. Marcos 12:41-44 / Lucas 21:1-4
143. João 12:20-36
144. João 12:37-50
145. Mateus 24:1-51 / Marcos 13:1-37 / Lucas 21:5-38
146. Mateus 25:1-13
147. Mateus 25:14-30
148. Mateus 25:31-46
149. Mateus 26:17-19 / Marcos 14:12-16 / Lucas 22:7-13
150. Mateus 26:20 / Marcos 14:17-18a / Lucas 22:14-16
151. Lucas 22:24-30 / João 13:1-20
152. Mateus 26:26-29 / Marcos 14:22-25 / Lucas 22:17-20
153. Mateus 26:21-25 / Marcos 14:18b-21 / Lucas 22:21-23 / João 13:21-30
154. João 13:31-38 + 14:1-31
155. Mateus 26:30 / Marcos 14:26 / Lucas 22:39
156. Mateus 26:31-35 / Marcos 14:27-31 / Lucas 22:31-38 / João 13:38
157. João 15:1-17
158. João 15:18-27 + 16:1-4
159. João 16:5-33
160. João 17:1-26
161. Mateus 26:36-56 / Marcos 14:32-52 / Lucas 22:40-53 / João 18:1-12
162. João 18:13-14 + 18:19-24
163. Mateus 26:57-75 / Marcos 14:53-72 / Lucas 22:54-65 / João 18:15-18 + 18:25-27
164. Mateus 27:1 / Marcos 15:1 / Lucas 22:66-71
165. Mateus 27:3-10
166. Mateus 27:2 + 27:11-14 / Marcos 15:2-5 / Lucas 23:1-7 / João 18:28-38
167. Lucas 23:8-12
168. Mateus 27:15-30 / Marcos 15:6-19 / Lucas 23:13-25 / João 18:39-40 + 19:1-16
169. Mateus 27:31-56 / Marcos 15:20-41 / Lucas 23:26-49 / João 19:17-37
170. Mateus 27:57-61 / Marcos 15:42-47 / Lucas 23:50-56 / João 19:38-42
171. Mateus 27:62-66
172. Mateus 28:1-15 / Marcos 16:1-11 / Lucas 24:1-12 / João 20:1-18
173. Marcos 16:12-13 / Lucas 24:13-35
174. Lucas 24:36-43 / João 20:19-23
175. Marcos 16:14 / João 20:24-29
176. João 21:1-23
177. Mateus 28:16-20 / Marcos 16:15-18 / Lucas 24:44-49
178. Marcos 16:19-20 / Lucas 24:50-53
179. João 20:30-31 + 21:24-25

[via Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 5, pp. 196 a 199 – Índice da Harmonia dos Evangelhos]

terça-feira, 26 de novembro de 2024

O QUE SIGNIFICA ESTAR CHEIO DO ESPÍRITO SANTO?

Vou limitar meus comentários ao uso da frase “cheio do Espírito Santo”, que é usada somente no Evangelho de Lucas e no livro de Atos. O verbo grego é pimplēmi (“encher”, “tornar cheio”), mas também encontramos o adjetivo plērēs (“cheio”) associado com o Espírito. O verbo é usado no sentido literal (Lucas 1:23; 5:7), mas nos concentraremos no uso metafórico do verbo.

1. Cheio de emoções. Os seres humanos são criaturas emocionais e suas emoções podem tomar conta deles. Após ouvir Jesus, as pessoas em Nazaré “ficaram furiosas” (“Todos […] se encheram de ira” [thumos], Lucas 4:28), e tentaram matá-Lo. Jesus havia curado um homem durante o sábado e os líderes judeus “ficaram furiosos” (“eles se encheram de furor” [anoia], Lucas 6:11), e começaram planejar o que iriam fazer com Ele. Eles também viram o trabalho dos discípulos e ficaram “cheios de ciúmes” (“inveja” [zēlos] acompanhado por hostilidade, Atos 5:17 e 13:45) e O prenderam. Em Éfeso eclodiu uma revolta e “a cidade toda estava em tumulto” (“tomada de confusão”, Atos 19:29).

Em outros momentos, as pessoas ficavam cheias de boas emoções. Jesus curou um paralítico e “todos ficaram atônitos” (“possuídos de temor” ou medo reverente [phobos]; Lucas 5:26). Pedro curou um mendigo aleijado e as pessoas “se encheram de admiração” [thamboia] e ficaram impressionadas (“assombradas” [ekstasis], Atos 3:10).

Esses exemplos sugerem que, quando as pessoas estão cheias de emoção, essa as controla e as leva a determinadas ações. O estímulo vem do exterior e modifica seu estado interior e o comportamento externo. Com exceção do tumulto em Éfeso, as diferentes emoções foram provocadas pela proclamação da mensagem de Jesus e Seus discípulos. O evangelho de Cristo tem o poder de preencher a vida interior com o que é bom, mas, ao ser rejeitado, o ser humano revela somente hostilidade e emoções de autodestruição. Reações de grande admiração e perplexidade mantêm a porta aberta para a pessoa ser preenchida (ou cheia) pelo Espírito.

2. Cheios do Espírito. Foi dito a Zacarias que seu filho, João Batista, seria “cheio do Espírito Santo, já do ventre materno”(Lucas 1:15), expressando ideias de eleição, direção e serviço. Isabel viu Maria, e, “cheia do Espírito Santo” (Lucas 1:41), reconheceu que era o Messias que estava em seu ventre. Zacarias e Paulo profetizaram quando eles ficaram cheios do Espírito (Lucas 1:67; Atos 13:9). No Pentecostes, os discípulos foram capacitados a falar em diferentes línguas (Atos 2:4); e, daquele momento em diante, cheios do Espírito, eles falavam de Jesus com ousadia (Atos 4:8; 4:31; 9:17-22). A igreja era um local espiritual no qual o Espírito estava ativo, enchendo o lugar com Sua presença.

3. Significado de estar cheio do Espírito. Resumindo: Primeiro, os seres humanos são seres emocionais, de modo que Satanás está predisposto a lhes encher o coração com más emoções (Atos 5:3; 13:9). Essas emoções governam os seres humanos e os induzem a praticar maldade e obras opostas às do Senhor. Por meio de suas ações, seu caráter e disposição são revelados. Segundo, o Senhor quer encher nosso ser interior com a presença e o poder do Espírito que é concedido àqueles que conhecem a Cristo como seu Salvador. Terceiro, a presença do Espírito Santo em nós nos transforma, nos torna pessoas melhores e fortalece nossa fé (Atos 11:24). Com Ele, obtemos sabedoria divina e discernimento espiritual que nos permite reconhecer a atividade de Deus (Atos 6:3; 7:57). Quarto, a presença do Espírito em nossa vida é visível por meio de vidas transformadas e de serviço para Deus e pelos outros. Quinto, o Espírito Santo capacita os seguidores de Cristo a testemunhar e a fazer algo para o Senhor. Nem todos são profetas, porque a unção do Espírito é de acordo com Sua vontade para cada um. Sexto, estar cheio do Espírito não implica necessariamente milagres. Esse elemento está presente, mas é subserviente à missão da igreja. Paulo foi um homem cheio do Espírito, no entanto o seu testemunho não foi acompanhado por manifestação sobrenatural. O Espírito Santo o preparou e capacitou para pregar com poder o evangelho (Atos 9:17-22). Curas e sinais acrescentaram alguma eficácia ao que foi a manifestação mais importante de ser cheio do Espírito – ser guiado pelo Espírito e cumprir a missão da igreja (Atos 4:29-31).

Ángel Manuel Rodríguez (Adventist World)

"Toda a vossa mente e coração devem ficar imbuídos da verdade, para que possais ser representantes vivos de Cristo. Deus quer que estejais cheios do Espírito Santo, revestidos do poder celestial. Trabalhai, não para tornar-vos grandes homens; mas, antes, para tornar-vos homens bons e perfeitos, para que anuncieis as virtudes dAquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz" (Ellen G. White - The Review and Herald, 3 de Dezembro de 1889).

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

O QUE É O REINO DE DEUS?

"Muitos virão do Leste e do Oeste, do Norte e do Sul e vão sentar-se à mesa no Reino de Deus" (Lucas 13:29).

O reino de Deus é um tema importante e uma prioridade significativa nos ensinos de Jesus. A frase ocorre quase 50 vezes em Mateus, 16 vezes em Marcos, cerca de 40 vezes em Lucas, e três vezes em João. Onde quer que apareça – seja na oração do Senhor, no Sermão do Monte ou nos outros ensinos e parábolas de Cristo – o reino de Deus é uma expressão do que Deus fez pela raça humana na História ao lidar com o problema do pecado e dar uma conclusão decisiva ao grande conflito com Satanás.

O reino de Deus é diferente de qualquer reino que o mundo já tenha conhecido, e é por isso que ele não é um reino terreno. Diz Ellen G. White: “O reino de Deus não vem com aparência exterior. Vem mediante a suavidade da inspiração de Sua Palavra, pela operação interior de Seu Espírito, a comunhão da alma com Aquele que é sua vida. A maior manifestação de Seu poder se observa na natureza humana levada à perfeição do caráter de Cristo” (A Ciência do Bom Viver, p. 36).

Características do reino de Deus
Os evangelhos estão repletos de referências ao reino de Deus, sendo que todas elas atestam, cumulativamente, que foi inaugurada uma nova ordem em Jesus e por meio dEle.

"Então, Ele os ensinou: Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o Teu nome; venha o Teu reino" (Lucas 11:2). 

Esta passagem ensina que devemos desejar a vinda do reino de Deus e por ela orar. O reino é de Deus, o que significa que ele está acima de ações morais humanas, ou seja, ele não é um sistema ético, mas um reino centralizado na ação do próprio Deus em favor dos seres humanos. Não é um evangelho social que proclama pão e água para os famintos ou igualdade e justiça para os politicamente oprimidos. Ele transcende toda bondade e ação moral humana, e se centraliza na atividade soberana de Deus no Filho encarnado, que veio pregar as boas-novas do reino (Lc 4:42-44; Mt 4:23-25).

"Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, Seu pai; Ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o Seu reinado não terá fim" (Lucas 1:32, 33).

Esta passagem é de máxima importância por duas razões: primeira, o Messias esperando no Antigo Testamento não é outro senão Jesus, "o Filho do Altíssimo"; segunda, "Seu reinado não terá fim". Isso significa que, pela Sua encarnação, morte e ressurreição, Jesus venceu o desafio de Satanás à soberania divina e estabeleceu eternamente o reino de Deus. 

“O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do Seu Cristo, e Ele reinará pelos séculos dos séculos” (Ap 11:15). 

No conflito entre Cristo e Satanás, o inimigo reivindicou vitória após a queda de Adão e Eva. Mas a missão de Jesus provou a falsidade das reivindicações dele; Cristo o derrotou em todas as batalhas, e com Sua morte e ressurreição assegurou a todo o universo que o reino de Deus chegou.

"Então Jesus chamou as crianças para perto de si e disse: Deixem que as crianças venham a mim e não proíbam que elas façam isso, pois o Reino de Deus é das pessoas que são como estas crianças" (Lucas 18:16). 

A entrada no reino de Deus não depende do status nem da posição da pessoa, ou do fato de alguém possuir riquezas ou não. Lucas, juntamente com outros evangelistas, enfatiza que a pessoa deve ir a Jesus com uma atitude de entrega decidida, de dependência absoluta e de confiança infantil; esses são traços daqueles que entraram no reino de Deus. Eles devem estar dispostos a renunciar a tudo, se necessário; pois alguma coisa à qual não desejassem renunciar seria algo que, em certo sentido, não só competiria com Jesus mas, na realidade, venceria. Jesus e Seus reclamos sobre nossa vida – sobre todos os aspectos de nossa vida – têm prioridade máxima. Afinal, é somente por meio dEle que existimos. Portanto, Ele deve ter nossa total lealdade. 

"Aí ele disse para outro homem: Venha comigo. Mas ele respondeu: Senhor, primeiro deixe que eu volte e sepulte o meu pai" (Lucas 9:59).

Também medite nas palavras de Jesus sobre deixar que os mortos sepultem os mortos. Que verdade importante Ele está expressando sobre não darmos desculpas que nos impeçam de segui-Lo quando vier o chamado, independentemente de quão válidas essas desculpas pareçam ser?

"Jesus respondeu: Eu afirmo a vocês que isto é verdade: aquele que, por causa do Reino de Deus, deixar casa, esposa, irmãos, parentes ou filhos receberá ainda nesta vida muito mais e, no futuro, receberá a vida eterna" (Lucas 18:29, 30).

Ter que deixar os pais, o cônjuge, ou mesmo os filhos pelo reino de Deus? Esse é um compromisso que exige muito! Jesus não está dizendo que esses atos são exigidos de todos, mas que se alguém for chamado a deixar essas coisas por amor ao reino de Deus, vale a pena fazer isso.

O reino de Deus: já, mas ainda não
Jesus veio proclamando o reino de Deus. Em Sua primeira proclamação pública em Nazaré (Lc 4:16-21), Jesus afirmou que, por meio dEle, naquele dia, haviam sido inaugurados o reino e seu ministério de redenção conforme preditos na profecia messiânica de Isaías.

Lucas registrou outra afirmação que atesta a realidade presente do reino. Indagado pelos fariseus quanto ao tempo em que viria o reino de Deus, Jesus respondeu: “O reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17:21). Outras traduções sugerem: “O reino de Deus está entre vocês” (NVI). Quer dizer, com a chegada de Jesus, já chegou o reino com seus componentes, que incluem: cura dos doentes (Lc 9:11), pregação do evangelho (Lc 4:16-19), perdão dos pecados (Lc 7:48-50; 19:9, 10) e subjugação das forças do mal (Lc 11:20). Assim, Jesus fez do reino uma realidade presente dentro da pessoa, transformando-a em alguém semelhante a Ele. 

O reino de Deus também é visto entre a comunidade de cristãos, como uma revelação de justiça e salvação. Esse aspecto presente é também conhecido como “o reino da graça de Deus [que] está sendo agora estabelecido, à medida que corações que têm estado sobrecarregados de pecado e rebelião se rendem à soberania de Seu amor” (O Maior Discurso de Cristo, p. 108).

Enquanto o aspecto do “já” estabeleceu o caráter irreversível do reino, isto é, a derrota do pecado e de Satanás e a vitória de Jesus no grande conflito, o aspecto do “ainda não” está aguardando o fim do mal e o estabelecimento da Nova Terra: “O completo estabelecimento do reino de Sua glória, porém, não ocorrerá senão na segunda vinda de Cristo ao mundo” (Ibid., p. 108).

"Alguns vão dizer a vocês: 'Olhem aqui' ou 'Olhem ali'; porém não saiam para procurá-lo. Porque, assim como o relâmpago brilha de uma ponta do céu até a outra, assim será no dia em que o Filho do Homem vier" (Lucas 17:23, 24). Leia também Lucas 21:5-36.

Esses textos ensinam que o reino de Deus será plenamente estabelecido com a vinda literal, visível e em glória do Filho do Homem. Haverá muitos sinais que anunciarão a proximidade de Sua vinda (falsos cristos, guerras, terremotos, epidemias, fome, perseguição aos cristãos, sinais nos corpos celestes, angústia entre as nações), e devemos perseverar e vigiar a fim de estarmos prontos para esse dia, para que ele não venha sobre nós repentinamente, como um laço.

Nosso mundo, e as condições nele reinantes – tumulto, tristeza e angústia – certamente refletem as palavras que Jesus proferiu aqui. Embora alguns argumentem que a dor e o sofrimento que há neste mundo significam que Deus não existe, poderíamos responder que, em vista da advertência de Jesus cerca de 2 mil anos atrás, a condição de nosso mundo ajuda a provar não só a existência de Deus, mas a veracidade da própria Bíblia. Somente no fim é que o reino de Deus, em toda a sua plenitude, será estabelecido. Até então, temos que perseverar.

O Reino e a segunda vinda de Cristo
Quando Jesus falou sobre o reino de Deus, mencionou duas certezas: (1) a atividade de Deus na História, por meio de Cristo, para salvar do pecado a humanidade, e (2) o fim que Deus dará à História, restaurando os salvos a Seu plano original: que eles vivam com Ele para sempre na Nova Terra (Ap 21:1-3). A primeira, como já dissemos, chegou por meio da missão e do ministério de Cristo. Nele, já estamos no reino da graça (Ef 1:4-9). A segunda parte, a reunião dos santos no reino da glória, é a esperança futura aguardada pelos que estão em Cristo (Ef 1:10; Tt 2:13). Jesus e o restante do Novo Testamento associam esse momento histórico em que os fiéis herdarão o reino da glória à segunda vinda de Cristo.

A segunda vinda de Cristo é a culminação final das boas-novas que Jesus veio proclamar em Sua primeira vinda. O mesmo Jesus que derrotou o pecado e Satanás no Calvário voltará em breve para iniciar o processo que erradicará o mal e purificará a Terra da tragédia que o inimigo infligiu à criação de Deus.

"E Jesus terminou, dizendo: Fiquem alertas! Não deixem que as festas, ou as bebedeiras, ou os problemas desta vida façam vocês ficarem tão ocupados, que aquele dia pegue vocês de surpresa, como se fosse uma armadilha. Pois ele cairá sobre todos no mundo inteiro. Portanto, fiquem vigiando e orem sempre, a fim de poderem escapar de tudo o que vai acontecer e poderem estar de pé na presença do Filho do Homem, quando ele vier" (Lucas 21:34-36).

Aqueles que já experimentaram o reino da graça precisam esperar, vigiar e orar pelo reino da glória. Entre um e outro, entre o “já” e o “ainda não”, os cristãos devem se ocupar com o ministério e a missão, com o viver e o esperar, com seu crescimento e o testemunho. A espera pela segunda vinda de Jesus exige a santificação de nossa vida aqui e agora.

Testemunhas
O reino de Deus era o pensamento principal de Lucas enquanto ele escrevia a continuação de seu evangelho, na forma de uma breve história da igreja primitiva. Nas primeiras linhas desse relato histórico, o livro de Atos, Lucas declara três verdades fundamentais com respeito ao reino de Deus (Leia Atos 1:1-8).

Primeira: tenha a certeza de que Jesus voltará. Durante 40 dias entre Sua ressurreição e Sua ascensão, o Senhor continuou a reforçar o que já havia ensinado aos discípulos antes de Sua crucifixão: as “coisas concernentes ao reino de Deus” (At 1:3). Os grandiosos eventos da cruz e da ressurreição não haviam mudado nada no ensino de Jesus com respeito ao reino; ao contrário, por 40 dias o Cristo ressuscitado continuou a gravar na mente dos discípulos a realidade do reino.

Segunda: esteja esperando que Jesus volte no tempo que Deus julgar apropriado. Após a ressurreição, os discípulos de Jesus fizeram uma pergunta séria e ansiosa: “Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” (At 1:6). Jesus não respondeu à pergunta, mas corrigiu a perspectiva dos discípulos: Deus sempre será Deus; sondar Sua mente, predizer Seus planos com precisão, penetrar Seus segredos não é tarefa para seres de carne e sangue. Ele sabe quando deve vir o reino da glória, e fará com que isso se realize em Seu próprio tempo (At 1:7; Mt 24:36), assim como, na “plenitude do tempo” (Gl 4:4), Ele enviou Seu Filho para inaugurar o reino da graça.

Terceira: seja uma testemunha do evangelho de Jesus. Cristo fez com que os discípulos volvessem da especulação sobre o desconhecido (o momento em que virá o reino da glória) para aquilo que é conhecido e precisa ser feito. O tempo da segunda vinda de Jesus não é revelado, mas somos chamados a aguardar aquele glorioso dia e a estarmos ativos até então (Lc 19:13). Isso significa que devemos estar envolvidos em levar o evangelho de Jesus Cristo “até aos confins da Terra” (At 1:8). Essa é nossa responsabilidade – não em nossa própria força, mas pelo poder do Espírito Santo, que Jesus prometeu que seria derramado sobre todos os que quisessem ser testemunhas daquilo que viram e ouviram (v. 4-8).

Esses fiéis seguidores de Jesus ainda tinham concepções muito errôneas sobre a natureza da obra de Cristo. Contudo, mesmo assim o Senhor os estava usando. Que mensagem pode haver aqui para nós sobre o fato de não precisarmos compreender tudo plenamente antes de sermos usados por Deus?

Concluimos com estes dois pensamentos de Ellen G. White:

“A insígnia do reino do Messias distingue-se pela imagem do Filho do Homem. Seus súditos são os humildes de espírito, os mansos, os perseguidos por causa da justiça. Deles é o reino dos Céus” (O Maior Discurso de Cristo, p. 8).

“Achamo-nos agora na oficina de Deus. Muitos de nós somos pedras rústicas da pedreira. Ao apoderar-nos, porém, da verdade de Deus, sua influência nos afeta, eleva-nos e tira de nós toda imperfeição e pecado, seja de que natureza for. Assim estamos preparados para ver o Rei em Sua beleza, e unir-nos afinal com os puros anjos celestes no reino da glória. É aqui que essa obra tem que ser efetuada por nós; é aqui que nosso corpo e espírito devem ser habilitados para a imortalidade” (Testemunhos Para a Igreja, v. 2, p. 355, 356).

Ilustração: Tal é o Reino de Deus é uma pintura de Daniel Bonnell que foi publicada em 27 de abril de 2020.

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

O MODO BÍBLICO DE ESCOLHER OS PRESENTES DE NATAL

Que título estranho tem este post. Existe mesmo um “modo bíblico de escolher os presentes que daremos de Natal”? A meu ver, sim. Mas, antes de ir direto ao ponto, deixe-me contar como cheguei a essa conclusão. No final de outubro, fui almoçar no shopping e fiquei impressionado: já havia uma gigantesca árvore de Natal montada no vão central do prédio, que ia do chão ao teto, cercada por montes de robozinhos animados, renas, esquilos, vegetação de plástico, muitas luzes piscantes e bolas coloridas. Não havia dúvida: o Natal estava chegando. Bem… mais ou menos, né? Afinal, ainda era outubro e faltavam dois meses para à época de festas. Mas o comércio já tinha decidido: estava dada a largada para a temporada de compras de presentes. 

Eu me senti inclinado a escrever um texto falando mal do consumismo, da exploração materialista e das deturpações que a sociedade faz da celebração do nascimento de nosso Senhor. Mas pensei um pouco e lembrei que anualmente batemos nessa tecla, sem que nada mude: cristãos e não cristãos continuam gastando uma fortuna em compras natalinas. Então resolvi compartilhar outra reflexão: já que vamos dar presentes de qualquer maneira, o melhor é pensar como decidir que presentes dar.

O hábito de se presentear no Natal tem influências variadas, dependendo do lugar do mundo em que se está. Mas a origem vem do relato bíblico dos magos que presentearam Jesus com ouro, incenso e mirra. Se formos pensar por esse ângulo, fugirmos da sanha consumista e tratarmos a troca de presentes como algo que remete ao nascimento de Cristo, de modo que não tire o foco das verdadeiras razões da celebração, não vejo mal nessa prática. E como devemos fazê-lo? Aqui segue uma sugestão.

Penso que não devemos entregar os presentes na noite de Natal. Esquisito? Acredite, é totalmente possível fazê-lo um ou mais dias antes ou depois. Com isso, removemos a ideia de que festas natalinas têm a ver com consumismo – em especial no ensino das nossas crianças. Se fizermos assim, elas não crescerão associando Natal a presentes e à figura do Papai Noel, mas também não ficarão de fora do hábito da cultura em que vivem e poderão receber preciosas lições sobre a alegria que é dar. Isto é fundamental: cada presente deve sempre vir acompanhado de instrução e lições de vida. Dependendo da forma como tratarmos esse hábito, ele será visto e compreendido de modo mais cristão ou menos cristão pelos nossos filhos e as demais pessoas. A noite de Natal deve ser momento de orações, de louvores e da comunhão que celebra o nascimento de Jesus (seja num culto, seja numa ceia em família ou entre amigos). O foco não pode estar nos presentes. Tampouco na comida. Muito menos na festa: o foco do Natal é a encarnação do Verbo e tudo deve ser feito com isso em mente. A celebração do Natal deve ser inquestionavelmente cristocêntrica.

E, finalmente, chegamos ao ponto: há algum tipo de pensamento bíblico que devemos ter quanto ao que comprar para dar de presente a nossos amigos e parentes? Sim, há. Se vamos presentear alguém, deve ser por amor a ela; e gestos de amor contêm em si essencialmente a preocupação com o que é melhor para o outro. Em outras palavras, entendo que você não deve presentear alguém com algo de que ela goste, como costumamos fazer. O presente ideal e mais bíblico possível é, isto sim, algo de que a pessoa precisa.

Repare: Deus não entregou Jesus ao mundo de presente porque gostássemos dEle. Pelo contrário, Jesus foi presenteado a uma humanidade que estava morta em seus delitos e pecados e, por isso, amava os prazeres e a maldade. Mas era uma humanidade que precisava desesperadamente do Cordeiro de Deus, que viesse para o que cada ser humano mais precisa: o perdão dos pecados. Assim, o Pai não nos presenteou com algo que satisfizesse nossas concupiscências ou nossos desejos carnais: Ele nos deu aquilo que Ele sabia que nos faria bem.

Na hora de escolher os presentes que você vai comprar para determinada pessoa, imite o Pai: não pense “o que será que ela vai gostar de ganhar?”, mas, sim, “o que será que ela precisa ganhar?”. Se você tiver esse pensamento em mente, estará presenteando como o Pai nos presenteou. E fará do ato de dar presentes algo muito mais cristão.

Paz a todos vocês que estão em Cristo,

Maurício Zágari (via Apenas)

"As festas estão chegando rapidamente com sua troca de presentes, e jovens e idosos estão estudando intensamente o que poderão dar a seus amigos como sinal de afetuosa lembrança. É agradável receber um presente, mesmo simples, daqueles a quem amamos. É uma afirmação de que não estamos esquecidos, e parece ligar-nos a eles mais intimamente. Está certo concedermos a outros demonstrações de amor e afeto, se em assim fazendo não esquecemos a Deus, nosso melhor amigo. Devemos dar nossos presentes de tal maneira que se provem um real benefício ao que recebe. Eu recomendaria determinados livros que fossem um auxílio na compreensão da Palavra de Deus ou que aumentem nosso amor por seus preceitos" (Ellen G. White - O Lar Adventista, p. 479).

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

LIÇÕES DE APOLO

Ele foi um apóstolo da segunda geração, um homem bem-educado, um intelectual de seu tempo. Ele é mencionado poucas vezes no Novo Testamento, mas sua influência foi notável na igreja primitiva.

Conheça Apolo. Atos 18:24-28[1] apresenta esse jovem judeu como um cidadão de Alexandria, a segunda maior cidade do Império Romano da época, em homenagem à Alexandre, o Grande. Um lar para muitos refugiados judeus, a cidade foi responsável pela tradução e produção da Septuaginta da Bíblia. Alexandria abrigou as competitivas prioridades do judaísmo, helenismo e da filosofia grega, e finalmente se tornou um grande centro educacional, com uma extensa biblioteca que possuía 900 mil volumes.

Apolo foi um “homem eloquente” (v. 24), que também pode significar um homem culto e bem-educado. Ele, obviamente, foi instruído em ciências helenísticas, na filosofia, e especialmente na retórica, como a palavra eloquente assinala. A retórica, que era a principal disciplina de filosofia, naqueles dias, habilitava uma pessoa a argumentar de forma convincente, e a defender a sua opinião com clareza.

Apolo também era “poderoso nas Escrituras” (v. 24), o que significa que ele conhecia o Velho Testamento e podia interpretá-lo bem. Ele não era um leitor superficial, mas estudou as Escrituras em profundidade e, portanto, tinha obtido um conhecimento profundo da Bíblia.

Ele foi contemporâneo de Filo, um famoso filósofo e teólogo judeu. Filo de Alexandria escreveu comentários sobre os livros do Antigo Testamento, desenvolveu diferentes métodos de interpretação da Escritura e tentou harmonizar a sabedoria da filosofia helenística com a revelação nas Escrituras. Ele acreditava que todas as verdades dos filósofos gregos poderiam, finalmente, ser ras treadas até Moisés.

Apolo, que provavelmente foi um aluno de Filo, conhecia bem a filosofia helenística, assim como o Antigo Testamento. Ele tinha recebido educação, tanto acadêmica quanto religiosa. Do pouco que sabemos dele no livro de Atos, ele era um polêmico de sucesso, confirmando acima de qualquer dúvida a veracidade das Escrituras. O seu método provavelmente incluía o raciocínio lógico e a apresentação racional.

Cristão apaixonado
Não sabemos exatamente quando, mas em algum momento durante a propagação do evangelho após o Pentecostes, Apolo se tornou um cristão e foi “instruído no caminho do Senhor” (v. 25). Depois que ele aprendeu o tremendo significado dos eventos de Cristo, Apolo não pode permanecer em silêncio. Ele se tornou um apaixonado missionário e pregou o evangelho onde quer que fosse, “fervoroso de espírito, falava e ensinava com precisão a respeito de Jesus” (v. 25). Apolo usou os seus conhecimentos e a sua formação para o serviço do Senhor. Ele se beneficiou de seu conhecimento das Escrituras e também de seus estudos de filosofia e de retórica, quando “convencia publicamente os judeus” (v. 28). Ele se envolveu completamente no ministério cristão e deixou marcas de seu entusiasmo na história – em Acaia, Éfeso e Corinto. Especialmente em Corinto. Naquela cidade ele deve ter causado um grande impacto, porque alguns dos cristãos de lá adotaram o seu nome (1 Coríntios 1:12).

Um ponto importante sobre Apolo não deve escapar à nossa atenção: sua humildade e o desejo de aprender mais. Mesmo sendo um estudioso hábil com muita instrução formal, ele estava pronto para aprender mais sobre Jesus – Sua morte e ressurreição – de simples crentes como Áquila e Priscila, “que, percebendo não ter ele ainda recebido toda a luz do evangelho, o levaram consigo, e lhe declararam mais pontualmente o caminho de Deus. Por meio de seus ensinos, ele obteve mais clara compreensão das Escrituras, e tornou-se um dos mais hábeis advogados da fé cristã”.[2]

Aprendendo com Apolo
O que podemos aprender com a vida desse grande homem, cuja influência nos primórdios da igreja cristã só o Céu pode revelar completamente?

Em primeiro lugar, na busca por conhecimento e excelência acadêmica, não devemos hesitar em aspirar ao melhor em educação. Ao mesmo tempo, precisamos ter em mente que o conhecimento humano não é o objetivo final. Em vez disso, nosso objetivo deve ser o de obter a sabedoria divina revelada nas Escrituras. Precisamos deixar que os dois venham juntos, em uma síntese, como aconteceu no ministério de Apolo. Cedo, os educadores adventistas promoveram esses dois aspectos. Ellen White escreveu: “O propósito de Deus foi dado a conhecer – que nosso povo tenha a oportunidade de estudar as matérias correntes de estudo, aprendendo ao mesmo tempo os reclamos de Sua palavra.”[3]

A educação não é um fim em si mesmo, é um meio para chegar ao fim. Para os pioneiros adventistas a educação estava a serviço da missão. As primeiras instituições educacionais da igreja eram escolas missionárias. Eram centros de treinamento para a missão.

Afinal, um dos objetivos da mais antiga instituição de ensino adventista, a Escola Sabatina, é a preparação para a missão. O engajamento na Escola Sabatina nos oferece importantes vantagens. Temos a chance de continuarmos sendo educados na Bíblia e na religião. Isso irá aumentar nosso conhecimento, ampliar nossas habilidades, e nos ajudará a crescer espiritualmente. Também adquirimos a oportunidade de ensinar o que aprendemos e, assim, contribuir para a educação e o desenvolvimento de outros.

Como Apolo, precisamos estar abertos a novas aprendizagens. No processo de aprendizagem, nunca chega um momento em que podemos dizer que estamos prontos. A aprendizagem é uma viagem, e até mesmo na eternidade sempre estaremos aprendendo. Apolo, talentoso e dedicado como ele era, tinha uma grande deficiência: “conhecendo somente o batismo de João” (v. 25). Quando Priscila e Áquila notaram isso, viram a necessidade de instruí-lo e “com mais exatidão, lhe expuseram o caminho de Deus” (v. 26). Apolo foi humilde o suficiente para aceitar os novos ensinamentos deles. Ele estava aberto a novas experiências de aprendizagem.

Hoje, frequentemente ouvimos sobre a necessidade de aprendizagem ao longo da vida. Isso é obrigatório em muitas profissões e, mais ainda, em matéria de fé e religião. Para os adventistas, a ideia de aprendizagem contínua tem raízes profundas em nossa história. Ellen White prevê: “À frente do estudante existe aberta a senda de um contínuo progresso... Ele progredirá tão depressa, e tanto, quanto for possível em cada ramo do verdadeiro conhecimento.”[4] A procura por “nova luz” motivou os pioneiros a continuar estudando e aprendendo. Então, precisamos estar abertos a novas ideias e experiências, estar prontos para aprender e nos aprofundar em estudos acadêmicos e na Palavra de Deus. Precisamos confiar no Espírito que “guiará a toda a verdade” (João 16:13).

Toda a aprendizagem deve levar à proclamação “que o Cristo é Jesus” (v. 28). Apolo conhecia a filosofia grega; era bem versado na interpretação da Escritura; conhecia os rigores da lógica e as regras da retórica. Mas ele concentrou tudo isso para ensinar a verdade “de Jesus” (v. 25). Apolo mostrou o verdadeiro conhecimento de Jesus Cristo.

A nossa educação, o conhecimento acadêmico, e até mesmo a compreensão das Escrituras são em vão, a menos que apontem para Jesus Cristo. O conhecimento acadêmico ou mesmo o conhecimento das Escrituras não é o objetivo final, mas, sim, o conhecimento de Jesus Cristo. Isso, Apolo compreendeu muito bem. Ellen White observou: “Para se obter uma educação digna deste nome, devemos receber um conhecimento de Deus, o Criador, e de Cristo, o Redentor.”[5] Por isso, vamos direcionar toda a nossa educação para um relacionamento mais íntimo com Cristo, para que aquilo que Paulo, um bom companheiro de Apolo, previu, se torne realidade: “Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Efésios 4:13).

Roland E. Fischer (via Diálogo)

Referências
1. Salvo indicação contrária, todas as passagens das Escrituras deste artigo foram citadas na versão Almeida Revista e Atualizada (ARA).
2. Ellen G. White. Atos dos Apóstolos, p. 270.
3. ________. Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 86.
4. ________. Educação, p. 18.
5. Ibid., p. 17.