sexta-feira, 8 de setembro de 2023

QUEM É O ANTICRISTO?

A palavra “anticristo” vem de um termo grego formado pela preposição anti (“contra”, “no lugar de”) e do substantivo christos (“Cristo”, “o Ungido”). Anticristo é, em primeiro lugar, alguém que pretende usurpar a posição de Jesus, apropriando-se ilegalmente de Suas funções. Essa palavra também pode significar os sistemas usados por essa pessoa para trabalhar implícita e explicitamente “contra” Cristo. Esse título revela as duas características essenciais do anticristo: ele engana ao ocupar o lugar de Cristo e oprime ou persegue o povo de Deus em seu conflito contra Cristo.

1. O uso do termo
O título “o anticristo” (em grego, ho antichristos) é encontrado no Novo Testamento apenas nas cartas de João. Primeiro, de acordo com João, o espírito do anticristo está em atividade através dos falsos mestres (1 João 2:18 e 22), o que mostra que o anticristo agiria dentro do cristianismo. O próprio título pressupõe que estamos lidando com a corrupção da fé cristã. O anticristo é contra a verdade revelada em Jesus, substituindo-a com sua própria compreensão de Jesus (1 João 2:22; 2 João 7). Segundo, a vinda do anticristo foi prevista nos ensinos apostólicos. João escreveu: “Como ouvistes que vem o anticristo…” (1 João 2:18). Os cristãos foram alertados sobre essa importante ameaça ao seu compromisso com Jesus. Terceiro, o anticristo poderia se manifestar por meio de sistemas ou instrumentos humanos: “também agora muitos se têm feito anticristos” (1 João 2:18). Esses indivíduos não são “o anticristo” propriamente dito, mas eles têm o “espírito do anticristo”, ou seja, possuem as mesmas intenções. Eles são instrumento dele (1 João 4:3). São a expressão histórica do anticristo dentro da igreja e, como tal, poderiam ser descritos como manifestações do “anticristo” (1 João 2:22; 2 João 7).

"O espírito do anticristo está se desenvolvendo rapidamente. Em breve haverá um tempo em que aqueles que seguem sua natureza humana, que manifestam paixão por supremacia, serão achados do lado errado" (Olhando para o Alto, p. 324).

2. O anticristo original
O indivíduo a quem João chama de “anticristo” é mencionado em outros textos bíblicos. Originalmente ele era um ser celestial que se rebelou contra Deus e iniciou um conflito cósmico (Ezequiel 28:14-16; Apocalipse 12:7). Certamente ele era um poder antiDeus, portanto o anticristo que pretendia ser “semelhante ao Altíssimo” (Isaías 14:14). Seu objetivo final era ocupar a posição que pertence exclusivamente a Deus. Ele questionou e atacou o caráter de Deus para justificar suas ações. Ele foi expulso do Céu e, após a queda de Adão e Eva, fez deste planeta sua base de operações. Daniel se referiu ao anticristo usando símbolos que representam um poder histórico que, após a queda do Império Romano, uniu a igreja ao Estado, mudou a lei de Deus (Daniel 7:25) e usurpou a atividade sacerdotal de Cristo (Daniel 8:11). Isso descreve claramente o espírito e trabalho do anticristo na história.

"Cristo é nosso exemplo. A determinação do anticristo de levar a cabo a rebelião que ele começou no Céu continuará a operar nos filhos da desobediência. Sua inveja e ódio contra os que obedecem ao quarto mandamento tornar-se-ão cada vez mais intensos" (Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 401).

3. Aparições pessoais do anticristo
O Novo Testamento prediz a apostasia dentro da igreja cristã (2 Tessalonicenses 2:3-4) e a considera como a manifestação do espírito do anticristo. 

"Cristo é a única verdadeira norma de caráter, e aquele que se põe como padrão para os outros, está-se colocando no lugar de Cristo. E visto haver o Pai dado 'ao Filho todo o juízo' (João 5:22), quem quer que presuma julgar os motivos dos outros está outra vez usurpando a prerrogativa do Filho de Deus. Esses supostos juízes e críticos estão-se colocando do lado do anticristo, 'o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus' (2 Tessalonicenses 2:4)" (O Maior Discurso de Cristo, p. 125).

De acordo com o livro do Apocalipse, a apostasia alcançará dimensões universais e será acompanhada pela vinda do anticristo em pessoa. O Apocalipse declara que será formada uma coalizão mundial sob a liderança das forças do mal (Apocalipse 16:13-14), acompanhada de milagres e sinais que alcançará seu clímax com a vinda do anticristo, descrito por João como produzindo “grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens” (Apocalipse 13:13; conforme 1 Reis 18:20-39).

"O último grande engano deve logo patentear-se diante de nós. O anticristo vai operar suas obras maravilhosas à nossa vista. Tão meticulosamente a contrafação se parecerá com o verdadeiro, que será impossível distinguir entre ambos sem o auxílio das Escrituras Sagradas. Pelo testemunho destas, toda declaração e todo prodígio deverão ser provados" (O Grande Conflito, p. 593).

Paulo escreveu que “será, de fato, revelado [parousia] o iníquo”, usando o mesmo termo que empregou quando referiu-se à “manifestação [parousia]” de Cristo (2 Tessalonicenses 2:8-9). O anticristo tentará imitar a segunda vinda de Cristo. Essa aparição poderosa do anticristo enganará os habitantes da Terra. Eles irão adorar Satanás (o anticristo) e os sistemas político-religiosos que o apoiam (Apocalipse 13:4). 

"Nessa época aparecerá o anticristo, como o Cristo verdadeiro, e então a lei de Deus será anulada completamente entre as nações do mundo. Sazonará a rebelião contra a santa lei de Deus. Mas o verdadeiro chefe de toda essa rebelião é Satanás disfarçado em anjo de luz. Os homens serão iludidos e o exaltarão ao lugar de Deus, deificando-o. Mas a Onipotência intervirá" (Eventos Finais, p. 168).

O anticristo iniciará uma guerra para exterminar o povo de Deus (Apocalipse 13:15-17), mas este encontrará segurança no Senhor (Apocalipse 17:6), e não em armamentos humanos. Sua missão é proclamar o evangelho eterno de salvação e desmascarar o anticristo (Apocalipse 14:6-12). Finalmente Cristo vai libertar Seu povo e destruir o anticristo.

"O anticristo, representando todos os que se exaltam contra a vontade e a obra de Deus, no tempo designado sentirá a ira dAquele que a Si mesmo Se deu para que não pereçam, mas tenham a vida eterna" (Manuscrito 9, 1900).

Angel Manuel Rodríguez (via Revista Adventist World)

Inserção de textos de Ellen G. White foram feitas pelo blog.

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

O DIA QUE O SOL PAROU

Existem momentos na história da humanidade, relatados na Bíblia, que nos deixam perplexos, nos fazem questionar os limites do possível e nos lembram da grandiosidade de Deus. Um desses momentos está escrito no livro de Josué, capítulo 10, quando o Sol, em seu trajeto pelo céu, simplesmente parou por ordem divina. Esta é uma história que transcende o entendimento humano e nos convida a refletir sobre a magnitude do poder de Deus e Sua dedicação aos Seus filhos.

No contexto desse evento, Josué, o líder escolhido por Deus para suceder Moisés, estava liderando os israelitas na conquista da Terra Prometida. Eles enfrentaram várias batalhas, e a notícia de sua chegada havia se espalhado rapidamente entre os povos. Os amorreus, uma coalizão de reinos locais, se uniram para resistir à invasão israelita. Foi nesse cenário que ocorreu o evento descrito em Josué 10.

A Oração de Josué
Josué e seu exército estavam envolvidos em uma batalha feroz contra os amorreus. A luta estava prestes a se estender até a noite, o que teria colocado os israelitas em grande desvantagem. Nesse momento crítico, Josué fez algo que é um exemplo de fé. Ele orou a Deus e fez um pedido: “Sol, pare sobre Gibeom; e tu, lua, sobre o vale de Aijalom” (Josué 10:12). Esse pedido pode parecer impossível e extraordinário, mas Josué estava confiante na fidelidade de Deus e na Sua capacidade de intervir de maneira sobrenatural.

O Sol parou no céu
Em resposta à oração de Josué, a Bíblia nos diz que “o Sol se deteve no meio do céu e por quase um dia inteiro não se apressou a pôr-se” (Josué 10:13). Isso significa que o ciclo natural do dia foi suspenso. O Sol ficou parado no céu, proporcionando aos israelitas a luz e o tempo adicionais de que precisavam para alcançar a vitória na batalha.

Este milagre é uma prova vívida do poder de Deus e de Sua vontade de intervir em favor de Seu povo. Mostra-nos que, quando confiamos em Deus e O buscamos com sinceridade, Ele pode realizar o impossível em nosso favor. Deus estava disposto a deter o movimento do Sol para proteger e abençoar Seus filhos.

Confiança em Deus
A história de Josué 10 não é apenas um relato antigo, mas uma lição atemporal sobre a confiança em Deus. Ela nos lembra que, independentemente dos desafios que enfrentamos, podemos confiar no poder e na fidelidade de Deus. Ele está disposto a fazer o que for necessário para cumprir Seus propósitos em nossas vidas.

Quando nos encontrarmos diante de circunstâncias aparentemente impossíveis, devemos lembrar que o mesmo Deus que parou o Sol por Seus filhos no passado ainda está no controle hoje. Nossa fé e oração podem abrir caminhos onde não há caminhos visíveis, e Deus pode realizar milagres em nossa jornada.

Deus é capaz de parar o Sol por Seus filhos quando eles confiam n’Ele. Experimente pedir para que Ele realize o extraordinário em sua vida.

[via blog do Rodrigo Silva]

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

JA RAIOU A LIBERDADE

Poucas palavras evocam sentimentos tão positivos como “liberdade”. De poetas a publicitários, de filósofos a políticos, de escravos a libertários, todos apelam para o conceito, embora nem sempre entendam ou vivam a verdadeira liberdade. Dependendo do momento histórico, esse tema ganha ainda mais relevância. Hoje se fala muito em liberdade, mas ela corre risco.

A Bíblia menciona frequentemente esse tópico. Por exemplo, ela diz que devemos escolher os caminhos da vida e não da morte (Dt 30:19); o Espírito do Senhor ungiu Jesus para proclamar a liberdade (Lc 4:18); a verdade e o Filho libertam (Jo 8:32, 36); onde está o Espírito está a liberdade (2Co 3:17); “tudo” é permitido, mas nem tudo convém (1Co 6:12); devemos viver como pessoas livres, mas não podemos abusar da liberdade e usá-la para o mal (Gl 5:13; 1Pe 2:16).

A ideia bíblica de liberdade, portanto, não é no sentido de uma licença para agir como quiser. Como ensina uma antiga ilustração, o trem é livre enquanto permanece no trilho. Se ele sair do trilho, ganha certa “liberdade” superficial, mas perde a verdadeira liberdade para ir, vir e cumprir seu propósito. O mesmo acontece com as pessoas que saem dos “trilhos”. Liberdade não é o direito de fazer o que é errado, mas ter a opção de fazer o que é certo.

Ellen G. White diz: "Verdadeira liberdade e independência são encontradas no serviço de Deus. Este serviço não imporá sobre vós nenhuma restrição que não aumente a vossa felicidade. Acedendo aos Seus reclamos, encontrareis tal paz, contentamento e prazer que nunca poderíeis desfrutar na vereda de desenfreada licenciosidade e pecado. Estudai então devidamente a natureza da liberdade que desejais. É ela a liberdade dos filhos de Deus, para serem livres em Cristo Jesus? Ou chamais liberdade à condescendência egoísta com paixões baixas? Tal liberdade conduz ao mais penoso remorso; é a escravidão mais cruel" (Fundamentos da Educação Cristã, p. 88).

Muitas pessoas querem ser livres, mas não aceitam se submeter a Deus. Não existe liberdade sem estar ligado a Cristo. Só existem dois senhores, e temos que decidir a qual deles serviremos. As escolhas do dia a dia determinam se de fato somos livres ou não. 

Ellen G. White afirma: "Toda pessoa que recusa entregar-se a Deus, acha-se sob o domínio de outro poder. Não pertence a si mesma. Pode falar de liberdade, mas está na mais vil servidão. Não lhe é permitido ver a beleza da verdade, pois sua mente se encontra sob o poder de Satanás. Enquanto se lisonjeia de seguir os ditames de seu próprio discernimento, obedece à vontade do príncipe das trevas. Cristo veio quebrar as algemas da escravidão do pecado para a alma. 'Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.' 'A lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus” nos liberta “da lei do pecado e da morte' (Romanos 8:2)" (O Desejado se Todas as Nações, p. 32).

O pecado cria amarras que só podem ser quebradas pelo poder de Deus. Por meio dEle, recebemos três tipos de liberdade:

1. Liberdade de consciência. Não existe liberdade que não nasça na consciência. E somente Jesus pode oferecer esse tipo de coisa. Nascemos pecadores, inclinados a fazer o que é errado, dignos de condenação e morte eterna. Mas, quando aceitamos que nossa culpa foi paga por Jesus, a sentença condenatória é tirada de nossos ombros. Uma pessoa revestida da graça de Deus é como se nunca tivesse pecado. E, se eventualmente quebramos a lei de Deus e nos arrependemos, Jesus devolve nosso acesso à presença de Deus. Paulo declarou: “Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:1).

2. Liberdade para obedecer. Quem deseja fazer a vontade de Deus com as próprias forças pode ser considerado uma boa pessoa, mas não é livre. Em Romanos 8, encontramos a descrição da luta entre os desejos da natureza humana pecaminosa e os da nova natureza em Cristo. Paulo diz que Jesus veio nos libertar da escravidão do pecado. A graça é o único poder capaz de quebrar o domínio do pecado no coração humano.

Mesmo tendo ainda a natureza pecaminosa, depois da conversão, temos liberdade para obedecer. Por isso, rejeitamos determinadas coisas, embora a Bíblia não seja explícita em proibi-las. Por exemplo: fumar ou não fumar; ir a determinados lugares ou não; assistir a certos filmes ou não; tomar certas bebidas ou não. Fazemos o certo porque somos livres para obedecer.

3. Liberdade de conhecimento. Quanto mais conhecemos Jesus, maior é nossa liberdade (Jo 8:32). O conhecimento da verdade liberta. O conhecimento divino proporciona acesso a uma fonte inesgotável de sabedoria. Quem tem comunhão com Jesus conhece a verdade e o próprio Deus. Quem não conhece a verdade será enganado e escravizado por superstições e preconceitos. Somente aqueles que buscam o conhecimento do Senhor crescem em liberdade. 

Sobre o título do post, retirado do trecho do Hino da Independência, “já raiou a liberdade no horizonte do Brasil”, o compositor Evaristo da Veiga metaforicamente coloca a liberdade com um “sol” que já raiou, ou seja, já é uma realidade. Cristo veio a este mundo “para proclamar liberdade aos cativos e a abertura de prisão aos presos” (Isaías 61:1). O Sol da Justiça nasceu “e salvação trouxe debaixo das suas asas” (Malaquias 4:2). Seja livre hoje conhecendo a verdade!

terça-feira, 5 de setembro de 2023

A VIDA É CURTA

"Os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta" (Salmo 90:10).

Eu e você temos pelo menos uma coisa em comum: Deus nos deu exatamente o mesmo espaço de tempo cada dia. Cada um de nós recebe 24 horas por dia para viver. Isso é igual para todos.

Segundo a Bíblia, nosso tempo médio de vida é de 70 anos. Em alguns casos, pode chegar a 80, ou até mais, dependendo do vigor físico. Moisés, o provável autor do Salmo 90, viveu 120 anos (Dt 34:7), e seu irmão Arão, 123 (Nm 33:39). Mesmo que seja muito, é pouco se comparado com a idade que os patriarcas atingiam: Adão, 930 anos; Sete, 912; Jarede, 962. E o campeão de todos, Matusalém, viveu 969 anos. Quase um milênio! Hoje a nossa vida está reduzida a menos de um décimo disso.

O que o salmista está realmente querendo nos ensinar é que, mesmo que você viva 80 anos ou mais, a vida é curta, se comparada com a eternidade. No fim do verso 10, do Salmo 90, o autor diz: “Porque tudo passa rapidamente, e nós voamos.”

Davi diz a mesma coisa com outras palavras: “O homem é como um sopro; os seus dias, como a sombra que passa” (Sl 144:4). E o apóstolo Pedro, citando Isaías, diz: “Pois toda carne é como a erva, e toda a sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e cai a sua flor” (1Pe 1:24; ver Is 40:6, 7).

Essas são maneiras diferentes de dizer que a vida humana é transitória e que estamos aqui por pouco tempo. Diante dessa realidade, o grande desafio que temos é o de usar sabiamente o curto espaço de tempo que Deus nos concede. É isso que diz o Salmo 90:12: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.”

E que sabedoria será essa, na qual devemos aplicar nosso coração? Sem dúvida alguma, é aquela que nos leva a utilizar nossa vida como preparativo para a vida eterna. Essa vida deve ser a escola que nos educa para a eternidade. Essa é a mensagem central do Salmo 90. Ao compreendermos que a vida é um sopro que logo se extingue, devemos aplicar cada minuto naquilo que realmente tem valor: o preparo para a eternidade.

O sábio Salomão também desvendou o grande enigma de como devemos viver. De maneira especial, no capítulo 12 do livro de Eclesiastes, fala-se sobre a brevidade da vida e o quanto é necessário priorizarmos Deus em tudo o que fazemos enquanto somos jovens e temos tempo, e aguardamos ansiosos a vinda de Cristo.

Salomão, em sua sabedoria, ensina-nos que devemos viver a vida intensamente (Ec 12:1). Como? Fazermos tudo o que dá vontade? Sim. Desde que a nossa vontade esteja em sintonia com a vontade de Deus. Desfrutar dos prazeres criados por Deus no tempo certo e de maneira correta. Aproveitar o dia. Entregar nossos melhores dias e o nosso vigor a Ele, o quanto antes pudermos. Viver à disposição de Deus.

Salomão também aconselha-nos a viver a vida esperançosamente. Na continuação do capítulo 12, o autor retrata a velhice. E com isso podemos alegrar-nos, pois quem envelhece servindo a Deus e esperando nEle, é estimulado e fortalecido (Is 40:31).

E por último, viver a vida sabiamente, temendo a Deus e obedecendo aos Seus mandamentos. Dessa forma, “pensar na vida” torna-se mais leve, não é? E com certeza acende em nós uma felicidade, na medida em que entendemos que a morte não é o nosso fim se vivermos para recebermos a vida eterna em Cristo Jesus. Ellen G. White declara: "Temos uma alma a ser salva ou perdida, e devemos perguntar com a maior sinceridade: 'Que farei para obter a vida eterna?' No melhor dos casos, a vida é curta, e é necessário que vivamos esta curta vida em harmonia com a lei de Deus, a qual é a lei do Universo" (E Recebereis Poder, p. 362).

Como vimos, a administração sensata do nosso tempo é um assunto muito espiritual. O Senhor nos deu graciosamente o tempo e somos responsáveis ​​pelo sábio uso dele. Concluímos com este maravilhoso pensamento de Ellen G. White:

"Nosso tempo pertence a Deus. Cada momento é Seu, e estamos sob a mais solene obrigação de aproveitá-lo para Sua glória. De nenhum talento que nos concedeu requererá Ele mais estrita conta do que de nosso tempo. Cristo considerava precioso todo momento, e assim devemos considerá-lo. A vida é muito curta para ser esbanjada. Temos somente poucos dias de graça para nos prepararmos para a eternidade. Não temos tempo para dissipar, tempo para devotar aos prazeres egoístas, tempo para contemporizar com o pecado. Agora é que nos devemos formar o caráter para a futura vida imortal. Somos advertidos a remir o tempo. O tempo esbanjado nunca poderá ser recuperado, porém. Não podemos fazer voltar atrás nem sequer um momento. A única maneira de podermos remir nosso tempo consiste em utilizar o melhor possível o que nos resta, tornando-nos coobreiros de Deus em Seu grande plano de redenção. A vida é muito solene para ser absorvida em negócios terrenos e temporais, em um remoinho de cuidados e ansiedades pelas coisas terrenas que são apenas um átomo em comparação com as de interesse eterno" (Parábolas de Jesus, pp. 342-345).

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

ESTILO DE VIDA SAUDÁVEL ADVENTISTA NA NETFLIX

Uma nova minissérie da plataforma de streaming Netflix, lançada em agosto de 2023, apresenta em quatro episódios os hábitos nas comunidades experimentados pelas pessoas consideradas mais longevas do mundo. O documentário chamado Como viver até os 100: os segredos das zonais azuis é baseado no livro The Blue Zone: 9 lessons of living longer from the people who’ve live the longest, de autoria do escritor Dan Buettner.

O norte-americano é autor de uma pesquisa que, por mais de duas décadas, averiguou em detalhes quais as razões pelas quais homens e mulheres de pelo menos cinco regiões do planeta alcançam uma vida mais longa. Sua análise se concentrou em Okinawa (Japão), Sardenha (Itália), Icária (Grécia), Nicoya (Costa Rica) e Loma Linda (Estados Unidos).

Em Loma Linda, na Califórnia, a produção audiovisual destacou, no episódio chamado Uma descoberta inesperada (número 2), o estilo de vida saudável de adventistas do sétimo dia. A minissérie mostra entrevistas com idosos que adotam alimentação vegetariana, uma prática regular de exercícios, valorização da família e o descanso sabático semanal. Nas falas, os entrevistados evidenciam um estilo de vida saudável completo que a Igreja costuma chamar de oito remédios naturais.

Sobre adventistas
Em 2017, Buettner, em entrevista ao Portal Adventista, afirmou que “os adventistas estão vivendo uma vida incrível, vendo a saúde como fundamental para sua fé. Eles vivem até uma década a mais do que o resto de nós, e muito de sua longevidade pode ser atribuída ao vegetarianismo e aos exercícios regulares”. E acrescentou, falando das razões para tal longevidade, que “encontrar um santuário no tempo, por exemplo, é uma delas. Uma quebra semanal nos rigores da vida diária, o sábado de 24 horas, provê um tempo para se concentrar na família, em Deus, na amizade e na natureza”.

Em outubro de 2022, a revista Forbes tratou do assunto das blue zones e do estudo de Buettner em uma reportagem. Ao abordar sobre a comunidade adventista em Loma Linda, a matéria jornalística afirmava que “eles têm muito a ensinar em termos de fé e espiritualidade, um dos componentes-chave da longevidade”.

Ministério relevante
A diretora mundial associada do departamento de Saúde da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Kátia Reinert, observa que “a Igreja Adventista do Sétimo Dia, desde a sua formação, foi privilegiada em entender que o plano de restauração de Deus para com o ser humano não é só na área espiritual, mas abrange também o aspecto físico, social, emocional e mental, pois todos estão interligados”.

Na sua avaliação, documentários como esse são importantes por “divulgar esses benefícios juntamente com os princípios bíblicos de vida plena traz relevância à sociedade de hoje quando as pessoas carecem de conhecimento sofrendo muitas vezes desnecessariamente como resultado de doenças físicas e emocionais”.

O diretor sul-americano adventista do departamento de Saúde, pastor Bruno Raso, acrescenta, ainda, que mesmo cientistas admitem que os adventistas alcançam esses índices porque se trata de “uma comunidade onde a religião tem grande influência. Aos sábados, dedicam-se por completo à igreja e ao serviço. E enfatizam uma vida saudável, atividade física moderada, níveis baixos de estresse, dietas e uma comunidade rica em laços familiares”.

Veja o trailer. O episódio com adventistas é o segundo e se chama Uma descoberta inesperada:

 

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

NAS GARRAS DO IMPOSSÍVEL

A vida é cheia de impossíveis. Amores impossíveis. Curas impossíveis. Sonhos impossíveis. Companhias impossíveis. Empregos impossíveis. Vidas impossíveis. A impossibilidade nos cerca, nos esmaga, nos devasta. Esticamos a mão, mas não alcançamos. Queremos mas não temos. Pois esse animal leproso chamado “o impossível” nos açoita com azogues diários. Só você e Deus sabem qual e como é o teu impossível, mas tenha ele a cara que tiver, certamente é horripilante, assustador. Todo impossível é venenoso e tem ferrões que furam a alma e abatem o espírito.

E o impossível, como uma fera que arrasta atrás de si sua longa cauda, traz consigo dor. A dor do impossível. É uma das dores mais insuportáveis que há, pois é uma dor que não depende de nós para ser superada. Nada podemos fazer. Somos impotentes, manietados, presos em nossas limitações. O impossível é um animal feroz que devora nossas entranhas e nos joga na cara quem nós somos: pó. Limitados. Impotentes. Meros humanos. O impossível dá lições de humildade, pois mostra ao autossuficiente que ele é dependente. Nós olhamos nos olhos do impossível e ele nos encara com seu olhar injetado, suas garras sujas e afiadas e seu hálito de morte.

E o que fazer quando o impossível surge em nossas vidas? Sinceramente? Nada. Não há nada a fazer. Perdoem-me os triunfalistas, os que falam que dizem que tendo fé se resolve qualquer parada, os que declaram, decretam e “tomam posse” da vitória. Pois por vezes isso não adianta nada. Somos encurralados pelo impossível e só nos resta chorar de horror e esperar um milagre para subverter o curso das coisas. Quando o impossível nos encurrala contra uma parede, não há para onde correr, não há! Senão o impossível não se chamaria im…possível.

A única esperança é um milagre. E o único que pode fazer esse milagre se chama Jesus de Nazaré.

“Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as Suas promessas” (Lucas 1:37).

“Mas Ele respondeu: Os impossíveis dos homens são possíveis para Deus” (Lucas 18:27).

Há uma única escapatória das presas sanguinolentas do impossível: o milagre de Deus. O grande problema é que não sabemos qual é a vontade absoluta dEle.

Nós ali, de costas contra a parede, encurralados pelo impossível, que como uma besta-fera sadicamente caminha de um lado ao outro esperando a hora da devora. E, de repente, pode acontecer que apenas ouviremos a voz distante do Nazareno dizer “a minha graça te basta”. E aí teremos de conviver com a realidade da fúria do impossível. Mas pode acontecer que, diante de nossas lágrimas e de nosso clamor, o Mestre chegue. E com apenas uma única palavra, o impossível caia fulminado e inerte no chão.

Como vencer a angústia dessa espera? O Mestre virá? Nunca sabemos. Pode ser que Ele queira que nos fortaleçamos ao encarar o impossível. Pois “o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Se alguém descobrir o segredo me avise. Não tenho respostas para tudo e vivo os meus impossíveis do meu modo: oro ao Senhor e, se o impossível dá botes, dentadas e unhadas, procuro esmurrá-lo com quaisquer tocos de madeira que haja ao alcance da minha mão, esperando retardar sua ação. Esforçando-me, enquanto isso, para acreditar que o socorro virá.

Encurralado. Com medo. O hálito fétido do impossível se entranha em minhas narinas. Nessa hora elevo os meus olhos para os montes, buscando desesperadamente ver de onde me virá o socorro. E então me lembro que o meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra… E que Ele não permitirá que os meus pés vacilem.

"Às vezes, deixamos de orar em certas circunstâncias porque, a nosso ver, a situação é sem esperança. Mas nada é impossível com Deus. Nada é tão emaranhado que não possa ser te mediado, nenhuma relação humana é tão tensa que Deus não possa trazê-la à reconciliação e à compreensão; nenhum hábito é tão profundamente enraizado que não possa ser vencido; ninguém é tão fraco que Ele não possa tornar forte. Ninguém é tão doente que Ele não possa curar. Nenhuma mente é tão obscura que Ele não possa tornar brilhante. Se alguma coisa nos causa preocupação ou ansiedade, paremos de propagá-la e confiemos em Deus por restauração, amor e poder" (Ellen White - Review and Herald, 7 de Outubro de 1865).

O impossível está aí, Pai. Espero de ti os teus possíveis. É tudo o que posso fazer.

[via Apenas]

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

NÃO CONHEÇO VOCÊS

Uma das histórias mais famosas da Bíblia está retratada na Parábola das Dez Virgens (Mt 25:1-13). A passagem termina com o noivo abordando as virgens imprudentes com uma resposta que em muitos aspectos capta o espírito do texto bíblico: “Se vocês são minhas amigas, por que não vieram quando fui anunciado? Sinto muito, não conheço vocês.” 

A seguir, destacarei algumas nuances linguísticas do texto grego de Mateus 25:11 e 12, mais especificamente o significado contido na expressão: “Eu não conheço vocês”. 

OS PORMENORES SÃO IMPORTANTES 
A cena descrita na parábola de Jesus é caracterizada por uma solenidade profunda. No idioma original, o fato pode ser observado quando o verbo no presente é usado na narração de um fato do passado. Os estudiosos chamam essa particularidade linguística de “presente histórico”, uma mudança no tempo do verbo que adiciona um sentido vivo à cena. Alguns até argumentam que Mateus usa o “presente histórico” para destacar momentos importantes da narrativa (por exemplo, veja S. Wolfgang, “Das Präsens Historicum als makrosyntaktisches Gliederungssignal im Matthäusevangelium”, New Testament Studies 22/4 [1976], p. 475). Quando os leitores percebem a ênfase, perguntam a si mesmos o que está acontecendo e prestam mais atenção. Além disso, o verso 11 menciona duas vezes a palavra “Senhor” como parte do pedido das cinco virgens que perderam a chegada do noivo: “Senhor, Senhor, abra a porta para nós!” 

A tradução literal do início do verso 12 é: “Mas Ele respondeu”. A forma tradicional de traduzir o início do verbo 12 é: “Em verdade vos digo: Não vos conheço”. Essa forma de se expressar é como o povo hebreu falava. Não reflete a linguagem típica usada pelos gregos helenistas. A resposta do noivo usa uma fórmula solene, “Em verdade vos digo”, seguida pela forma do verbo grego oida (“saber”), que, nesse contexto, atesta a ausência de uma relação próxima entre o noivo e as cinco virgens imprudentes (W. Bauer, W. F. Arndt, F. W. Gingrich e F. W. Danker, Greek English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature, 3ª ed. [Chicago: Chicago University Press, 2000], p. 693). O verbo enfatiza a perplexidade que parece dominar o noivo. 

PEGAR O TOM 
A expressão “eu não conheço vocês”, encontrada na maioria das traduções modernas da Bíblia, é apropriada. No entanto, como às vezes é o caso, essa tradução não reflete na totalidade a força do sentimento na linguagem original. Algumas traduções modernas oferecem alternativas úteis. A forma “Eu não conheço vocês [não temos nenhum relacionamento]” pode ser lida, por exemplo, na versão A Bíblia Amplificada. Por sua vez, a tradução mais recente da The Passion Translation sugere o seguinte equivalente: “Será que as conheço? Não, tenho certeza de que não conheço vocês.” Ambas as versões oferecem um melhor retrato da formulação enfática do texto original de Mateus 25:12 no grego. 

O comentário de Ellen White sobre essa parábola ecoa a declaração contundente contida no texto original: “Não conhecem a Deus; não estudaram Seu caráter; não tiveram comunhão com Ele; por isso não sabem como confiar, como ver e viver. [...] Nesta vida não tiveram comunhão com Cristo; por isso não conhecem a linguagem do Céu, são estranhos às suas alegrias” (Parábolas de Jesus, p. 411, 412). Mais adiante, no mesmo capítulo, ela acrescenta: “Não podemos viver apartados de Cristo aqui, e ainda assim estar aptos para Sua companhia no Céu” (p. 413). 

Portanto, o tom da declaração do noivo não repousa sobre uma indiferença teimosa do próprio noivo ou sobre sua suposta incapacidade de identificar as virgens desaparecidas em meio à escuridão da noite. As virgens imprudentes não são vítimas das circunstâncias, mas de suas próprias decisões. Elas são arquitetas de sua triste realidade por não manter uma conexão íntima e carinhosa com Aquele que deve ser a essência de qualquer comemoração. 

A linguagem utilizada na descrição bíblica oferece um veredito inapelável, dada a ausência completa de um vínculo íntimo com o noivo que justifique sua presença no casamento: “Se vocês são minhas amigas, por que não vieram quando eu fui anunciado? [...] Sinto muito, mas não conheço vocês.” 

Entre a indiferença profética e o frenesi de última hora, está a necessidade de aprofundarmos o vínculo com nosso querido Mestre. Mateus 25:12 é uma lembrança atemporal da importância vital e do significado eterno de nossa caminhada diária com Jesus.

Leandro J. Velardo (via Revista Adventista)