quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

NOSSA ALMA É IMORTAL?

“Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente” (Gênesis 2:7).

A aritmética bíblica da criação do homem está descrita no verso acima. Pó da Terra + Fôlego de Vida = Alma ou ser vivente. Observe que o homem passou a “ser uma alma vivente” e não “ter” uma alma vivente. Essa compreensão faz toda a diferença. Em outras palavras, o homem é uma alma vivente (ou ser vivente), e não possui uma alma, pois ele é “alma vivente”.

A ideia de que existe uma entidade independente do corpo, chamada de alma, que sobrevive à morte do corpo, provém do paganismo e do platonismo. Ao contrário disso a Bíblia apresenta o conceito de que o ser humano é um todo indivisível (corpo, alma, espírito). Portanto, na morte ocorre o processo inverso da vida. Após perder o fôlego de vida (espírito), o coração deixa de bater e ocorre a morte cerebral. Não há uma entidade independente do corpo que resiste à morte. O ser como um todo deixa de viver, pois morreu.

Note que a Bíblia diz que o homem foi feito do pó da terra (Gênesis 2:7) e para lá ele volta quanto morre (Gênesis 3:19). O corpo é matéria que é composto de vários elementos químicos que encontramos na terra. O espírito não é outra coisa senão o fôlego de vida que volta para Deus que o deu (Eclesiastes 12:7). Quando morremos o fôlego volta para Deus que é o doador da vida e na ressurreição ele nos dará de volta igual da primeira vez quando nos criou. Não se deve confundir esse fôlego como uma entidade espiritual e imaterial que volta para Deus. É tão somente o poder vital que Deus possui e usa para nos conceder vida.

Em nenhum lugar a Bíblia se refere à alma como uma entidade imortal, capaz de viver independentemente de nosso corpo. Nem fala do espírito como uma entidade que possa existir à parte de nossa natureza física. Não fomos criados com partes independentes temporariamente interligadas, mas com um corpo, alma e espírito em um todo indivisível.

No Antigo Testamento, a palavra hebraica ruach aparece 377 vezes e é traduzida como “vento”, fôlego” ou “espírito” (Gênesis 8:1), “princípio vital” (Gênesis 6:17; 7:22), “coragem” (Josué 2:11), “vitalidade’ ou ‘força’ (Juízes 15:19), ‘disposição” (Isaías 54:6) e ‘caráter moral’ (Ezequiel 11:19).

O ‘espírito’ ou ‘fôlego’ de uma pessoa é o mesmo que o ‘espírito’ ou fôlego’ dos animais (Eclesiastes 3:19 e 20). Esse fôlego volta para Deus por ocasião da morte, e o corpo retorna ao pó, de onde veio (Jó 34:14; Eclesiastes 12:7). No Novo Testamento a palavra grega pneuma é igualmente traduzida como ‘espírito’ ou ‘respiração’.

Nem no Antigo nem no Novo Testamento ruach ou pneuma referem-se a alguma entidade inteligente capaz de existir independentemente do corpo. Na Bíblia, a palavra alma significa literalmente o “ser” por inteiro, como quando Adão passou a viver, ou quando Jesus disse que Sua alma ou Ser por inteiro estava triste.

Portanto é importante ressaltar que no estado de morte não existe mais consciência de nada, nem recordação de Deus, conforme nos ensina a Bíblia (veja Eclesiastes 9:5, 6, 10; Salmos 6:5). Contrário à ideia de que ao morrer alma vai para Deus, Jesus ensina explicitamente que a alma é mortal e que a recompensa para os mortos só ocorrerá quando Ele voltar e ressuscitá-los: “…a tua recompensa, porém, tu a receberás na ressurreição dos justos.” (Lucas 14:14). Dessa forma, temos em Cristo e em Sua segunda vinda a nossa grande esperança de vida eterna.

Antes continuarmos o estudo deste tão sensível tema, cabe esta advertência de Ellen G. White: "O problema da não imortalidade da alma precisa ser tratado com grande cuidado, para que, ao ser introduzido o tema, não surja profunda e excitadora disputa que feche a porta para posterior investigação da verdade. Requer-se grande sabedoria para tratar com a mente humana, mesmo ao apresentar a razão da esperança que há em nós. Qual é a esperança de que temos de dar uma razão? A esperança da vida eterna por meio de Jesus Cristo. Detendes-vos demais sobre determinadas ideias e doutrinas, e o coração dos incrédulos não é abrandado. O tratar de impressioná-lo equivale a malhar em ferro frio" (Evangelismo, 247).

O pernicioso ensino de que o homem é naturalmente "imortal" teve início com Satanás no Éden quando ele declarou que a desobediência a Deus não acarretaria em morte.

Adão e Eva tinham recebido do Criador a seguinte advertência: "De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás" (Gênesis 2:16-17 RA). Posteriormente, Satanás contradisse este alerta afirmando: "É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal" (Gênesis 3:4-5 RA). Esta insinuação de Satanás foi a primeira declaração de que o ser humano, independente das circunstâncias, era imortal. E essa mentira tem sido considerada como verdade absoluta até os dias de hoje.

Declara Ellen White: "Satanás começou com seu engano no Éden. Disse a Eva: "Certamente não morrereis" (Gn 3:4). Essa foi a primeira lição de Satanás sobre a imortalidade da alma, e ele tem prosseguido com este engano desde aquele tempo até o presente, e o conservará até que termine o cativeiro dos filhos de Deus" (Primeiros Escritos, p. 218).

O relato em Gênesis capítulo 3 não centraliza-se na questão de comer ou não um respectivo fruto, mas envolve lealdade a Deus. Afirma Ellen White: "Apanhar o fruto da árvore proibida pareceu a Eva uma questão insignificante; o fruto era agradável à vista e o sabor parecia desejável para tornar alguém sábio. Mas que terríveis resultados! Não era assunto insignificante perder assim sua lealdade a Deus" (Olhando para o Alto, p. 21). Por meio da incredulidade e desobediência, Adão e Eva aprovaram as palavras de Satanás e caracterizaram o Criador como sendo omisso e mentiroso; demonstraram incontestável violação aos mandamentos da lei de Deus, e para este comportamento a sentença divina é a morte:

"Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei" (1 João 3:4 RA cf. Romanos 5:13).

"A alma que pecar, essa morrerá (...)" (Ezequiel 20:20 RA). "Porque o salário do pecado é a morte (...)" (Romanos 6:23 RA).

"Portanto (...) a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram" (Romanos 5:12 RA).

"Pois tu és pó e ao pó tornarás" (Gênesis 3:19 BJ); este é o destino pronunciado a toda alma pecadora (Ezequiel 18:4), e diversas referências bíblicas apontam a condição pecaminosa da humanidade:

"Ao ver como a Terra se corrompera, pois toda a humanidade havia corrompido a sua conduta, Deus disse a Noé: 'Darei fim a todos os seres humanos, porque a Terra encheu-se de violência por causa deles. Eu os destruirei com a Terra'" (Gênesis 6:12-13 NVI).

"Hei de punir o mundo por causa da sua maldade e os ímpios por causa da sua iniquidade; hei de pôr fim à arrogância dos soberbos, humilharei a altivez dos tiranos. Farei com que os homens sejam mais raros do que o ouro fino, os mortais, mais raros do que o ouro de Ofir" (Isaías 13:11-12 BJ).

"Na verdade, a Terra está contaminada por causa dos seus moradores, porquanto transgridem as leis, violam os estatutos e quebram a aliança eterna. Por isso, a maldição consome a Terra, e os que habitam nela se tornam culpados; por isso, serão queimados os moradores da Terra, e poucos homens restarão" (Isaías 24:5-6 RA).

"Assim diz o Senhor: 'Maldito é o homem que confia nos homens, que faz da humanidade mortal a sua força, mas cujo coração se afasta do Senhor'" (Jeremias 17:5 NVI).

"Conforme está escrito: Não há homem justo, não há um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus" (Romanos 3:10-11 BJ).

A Bíblia não ensina em parte alguma que o ser humano contenha em si mesmo a imortalidade (cf. 1 João 3:15), ou que exista dentro dele uma "alma" que vive pela eternidade; nenhuma referência bíblica adjetiva as criaturas de Deus como sendo imortais. Diz Ellen White: "Em parte alguma ensina a Palavra de Deus ser a alma do homem imortal. A imortalidade é atributo unicamente de Deus" (Testemunhos para a Igreja 1, p. 344).

Embora o homem não possua o atributo de ser eterno, ele foi criado para estar sempre ao lado de seu Criador, e não para pecar e sucumbir à morte (cf. Ezequiel 33:11, Ezequiel 18:23). A vida eterna que estava a disposição de Adão e Eva era condicional, dependia da fidelidade e amor pleno para com o seu Criador; pois somente Ele detém em Si mesmo a imortalidade: "Ao Rei eterno, o Deus único, imortal e invisível (...) o Único que é imortal e habita em luz inacessível, a Quem ninguém viu nem pode ver" (1 Timóteo 1:17 NVI; 1 Timóteo 6:16 NVI). Esta imortalidade inerente a Deus será concedida àqueles que conquistarem o Seu perdão e permanecerem fiéis a Ele até o fim (Salmos 37:27-29; Apocalipse 2:10; Apocalipse 14:12 cf. Mateus 19:16-19, Apocalipse 12:17):

"Ele dará vida eterna aos que, persistindo em fazer o bem, buscam glória, honra e imortalidade" (Romanos 2:7 NVI).

"Mas agora, libertos do pecado e postos a serviço de Deus, tendes vosso fruto para a santificação e, como desfecho, a vida eterna" (Romanos 6:22 BJ).

"Combata o bom combate da fé. Tome posse da vida eterna, para a qual você foi chamado (...)" (1 Timóteo 6:12 NVI).

"Ele não só destruiu a morte, mas também fez brilhar a vida e a imortalidade pelo evangelho (...)" (2 Timóteo 1:10 BJ).

"Mantenham-se no amor de Deus, enquanto esperam que a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo os leve para a vida eterna." (Judas 1:21 NVI).

E isto ocorrerá no segundo advento de Jesus, nessa ocasião os redimidos terão seus corpos mortais radicalmente mudados para que possam usufruir a vida eterna prometida por Deus (1 João 2:25):

"Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno" (Daniel 12:2 RA).

"Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória" (1 Coríntios 15:51-54 RA).

"Pois, dada a ordem, com a voz do Arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que estivermos vivos seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre" (1 Tessalonicenses 4:16-17 NVI).

Portanto, a vida eterna é algo que deve ser conquistada pelo pecador, visto que não é algo próprio a ele. Ellen White fala: "Temos de lutar para entrar pela porta estreita. Mas esta porta não gira facilmente em seus gonzos. Não admite caracteres duvidosos. É necessário lutarmos pela vida eterna com uma intensidade proporcional ao valor do prêmio que se acha em frente de nós. Não é dinheiro, nem terras, nem posição, mas a posse de um caráter cristão, o que nos abrirá as portas do Paraíso. Não é a dignidade, não são as realizações intelectuais, que nos conquistarão a coroa da imortalidade. Unicamente os mansos e humildes que fizeram de Deus sua eficiência, hão de receber este dom" (Serviço Cristão, p. 188).

"E o testemunho é este: Deus nos deu a vida eterna e esta vida está em Seu Filho" (1 João 5:11 BJ cf. João 10:28). 

"Pois, da mesma forma que o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, o Filho também dá vida a quem Ele quer" (João 5:21 NVI cf. João 6:40). 

Deste modo, a ilusória crença de que cada indivíduo retém a imortalidade ou que possua a fictícia "alma" imortal alojada no corpo é absurdamente falsa, e está apoiada em mentira satânica. Diz Ellen White: "A doutrina da imortalidade natural da alma é um erro com que o inimigo está enganando o homem. Este erro é quase universal. A menos que estejamos enraizados e fundados na verdade, seremos colhidos pelos ardis enganosos de Satanás. Precisamos apegar-nos à Bíblia. Se Satanás conseguir fazer-vos crer que existem na Palavra de Deus porções não inspiradas, estará ele, então, preparado para enlaçar a vossa alma. Não teremos segurança, nem certeza no momento mesmo de precisarmos saber que é a verdade" (Evangelismo, p. 249).

Estamos vivendo num importante e interessante período da história terrestre. Necessitamos de mais fé do que tivemos até agora; necessitamos de mais firme apego ao alto. Satanás está trabalhando com todo o poder para obter a vitória sobre nós, pois sabe que tem pouco tempo para trabalhar. Toda espécie de engano está sendo agora introduzida. As verdades mais claras da Palavra de Deus são cobertas com uma multidão de teorias de feitura humana. Erros mortais são apresentados como sendo verdade perante os quais todos devam curvar-se. A simplicidade da verdadeira piedade é sepultada debaixo da tradição. 

A doutrina da imortalidade da alma é uma mentira com que o inimigo está enganando o homem. E a melhor maneira de combater a mentira é apresentar a verdade. E a melhor maneira de conhecer a verdade é através da Palavra de Deus. Satanás procurou obliterar o plano da Salvação através do ensino da imortalidade da alma nas palavras "certamente não morrereis". O homem é mortal por natureza e pela Graça de Cristo um dia ele poderá alcançar a vida eterna (João 17:3). Vale a pena aceitá-lo como o nosso Criador, Autor e Salvador de nossa vida para um dia com Ele morarmos para sempre.

[Com informações de bíblia.com.br | IASD On-line]

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

RELÂMPAGO

Da varanda de seu apartamento no bairro do Flamengo, na zona sul do Rio de Janeiro, o desenvolvedor de softwares Fernando Braga tem vista privilegiada. Um dos maiores cartões postais do Brasil, o Cristo Redentor, abrilhanta a visão que ele tem da cidade. O monumento se tornou também a inspiração para que ele desenvolvesse um hobby, a fotografia.

Fernando já havia registrado o Cristo de braços abertos com a lua ao fundo, mas foi nesta semana que conseguiu capturar a imagem mais emblemática de sua trajetória como retratista do monumento: um raio que atingiu a estrutura gigantesca de concreto, amortizado pelo para-raios instalado na cabeça de Jesus. “Estou tentando há um ano, foram 600 fotos para conseguir capturar essa imagem”, contou ele.

As chuvas no Rio de Janeiro marcadas por trovoadas foram a deixa para montar o equipamento e manter o enquadramento por três horas. Foram 600 fotos tiradas para conseguir captar o momento exato em que o raio atinge o Cristo.

O clique foi às 18h55 desta sexta-feira (10) e, em menos de 24 horas, o registro já havia viralizado na internet. Ele usou uma Nikon D800 e a técnica de longa exposição, diminuindo a intensidade da luz para flagrar o percurso exato do raio, a 4km de distância do apartamento dele, que fica no 17º andar.

“Na hora que o raio apareceu eu nem estava ali, eu estava tomando banho. A máquina estava programada. Quando eu virei e olhei eu não acreditei! Caramba, caiu na cabeça do Cristo! Daí você treme e parece que o raio caiu em você”, acrescenta.

"A luz veio ao mundo" (João 3:19).

A história da foto do relâmpago no Cristo é impressionante, mas Jesus é que é de fato o relâmpago da história. É a luz enviada ao mundo para revelar o verdadeiro caráter de Deus e iluminar os cantos escuros do coração humano. Ele que veio trazer perdão, esperança e cura, traz consigo também a visão necessária para a caminhada de fé. Visão que nos permite enxergar certos gostos, hábitos, estilos de vida que de outra forma não perceberíamos. Claridade que invade a sala de nossa consciência e nos faz ver as coisas como Deus as vê.

Nascemos num planeta escuro. E a escuridão ainda teima em manchar sonhos, relacionamentos, sentimentos... Vivemos ameaçados pelos cativeiros gris do pecado, afetados pelas trevas. Mas quando a noite parecer inviolável, lembre-se: Jesus é o relâmpago da história. Depois que Ele cruza nosso caminho, a escuridão de nossa vida nunca mais será a mesma.

Que você experimente a luz desse encontro.

Diz Ellen G. White: "É privilégio e dever de todo cristão ter uma experiência rica e abundante nas coisas de Deus. 'Eu sou a luz do mundo', disse Jesus. 'Aquele que Me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida' (João 8:12). 'A vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais, até ser dia perfeito' (Provérbios 4:18). Cada passo de fé e obediência leva a alma em relação mais íntima com a Luz do mundo, em quem não há trevas nenhuma. Os brilhantes raios do Sol da justiça resplandecem sobre os servos de Deus, e devem estes refletir os Seus raios. Assim como as estrelas nos falam de uma grande luz no céu, com cuja glória refulgem, assim também os cristãos devem tornar manifesto que há no trono do Universo um Deus, cujo caráter é digno de louvor e imitação. As graças de Seu Espírito, a pureza e santidade de Seu caráter, manifestar-se-ão em Suas testemunhas" (O Grande Conflito, p. 475).

* Inspirado em texto de Cândido Gomes

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

A VERDADE ESTÁ LÁ FORA

OVNIs. Não é que o tema voltou à moda no fim de semana? 
Uma série de objetos voadores foi vista, e uma parte deles foi derrubada nos últimos dias na América do Norte. Quatro desses objetos voadores incomuns foram avistados e derrubados por caças dos Estados Unidos. Nos quatro casos, houve violação de espaço aéreo dos EUA e do Canadá. Os seguintes objetos voadores foram abatidos: um balão chinês supostamente usado para espionagem; o objeto do tamanho de um carro enquanto voava sobre o Alasca; um objeto cilíndrico no Canadá; um objeto em forma octagonal em um lago na fronteira entre EUA e Canadá.

A repetição dos casos obrigou integrantes do governo Biden a negar qualquer evidência envolvendo atividade extraterrestre. A informação é do jornal The New York Times. Mas as autoridades também reconhecem, em particular, o aumento desse tipo de especulação, em meio à incapacidade de explicar a proveniência dos objetos.

Há a suspeita de que outros objetos voadores estejam circulando pelo continente. Segundo o “Washington Post”, dirigentes do governo dos EUA afirmaram que há indícios de que um balão espião chinês teria sido avistado na América Latina e que, provavelmente, um terceiro estivesse operando em algum outro lugar.

Além disso, no domingo (12), autoridades da província de Shandong, no leste da China, anunciaram que avistaram um objeto não identificado sobrevoando o mar perto da cidade costeira de Rizhao. Nesta segunda, Pequim informou que também foi espionada por ao menos dez balões norte-americanos ao longo de 2022.

No Uruguai, o governo recebeu denúncias de que objetos voadores foram vistos na região de Paysandú, na fronteira com a Argentina, no sábado (11) Um comissão foi enviada para averiguação. Os relatos falavam em luzes intermitentes no céu em Termas de Almirón, uma região de termas de águas salgadas. As luzes seriam vermelhas e teriam voado baixo no céu.

Eis que surge novamente a pergunta: “Estamos sozinhos no Universo?” Como Carl Sagan muito bem disse certa vez, cogitar a possibilidade da existência de vida em outros planetas é algo tão assombroso quanto imaginar que ela não é possível.

O que diz a Bíblia sobre este tema?
Várias teorias têm sido propostas para explicar a natureza dos supostos OVNIs. Enquanto alguns acreditam serem mero fruto da imaginação humana, outros defendem a idéia de que são veículos espaciais conduzidos por seres extraterrestres. Mesmo não usando a expressão moderna OVNI, a Bíblia apresenta alguns princípios básicos que podem nos ajudar na compreensão desse tema intrigante.

As Escrituras deixam claro que todas as manifestações sobrenaturais e sobre-humanas, neste mundo de pecado, procedem de um dos dois grandes poderes conflitantes do Universo: a Trindade e os anjos leais, de um lado, e Satanás e outros seres demoníacos (Ap 12:7-9). Isto nos leva à conclusão de que, se os OVNIs existem, devem se enquadrar em uma das duas alternativas acima mencionadas.

Uma análise detida da Bíblia revela o fato de que grande parte das manifestações satânicas são confusas, indefinidas e enganosas. A ênfase repousa, frequentemente, mais no fascínio das emoções do que em um conteúdo proposicional concreto. Dentro desta categoria se enquadram as encarnações demoníacas na forma de animais (Gn 3:1-5; Ap 12:9), de pessoas já mortas (1Sm 28) e de seres angelicais (2Co 11:14).

Somos advertidos de que os poderes demoníacos haveriam de operar nos últimos dias “grandes sinais e prodígios” (Mt 24:24; Mc 13:22), de realizar “coisas espantosas e também grandes sinais do céu” (Lc 21:11), de se transformar em anjos de luz (2Co 11:14), e de fazer descer fogo do céu “à terra diante dos homens” (Ap 13:13). Esses sinais e maravilhas teriam por objetivo “enganar, se possível, os próprios eleitos” (Mt 24:24; Mc 13:22; ver Jo 8:44; 2Ts 2:9 e 10).

Comparando-se os testemunhos sobre aparições de OVNIs com o relato bíblico, percebe-se nitidamente que tais aparições jamais podem ser consideradas, nem em forma nem em conteúdo, como manifestações divinas, ou de anjos bons, ou ainda de possíveis habitantes de outros mundos nãocaídos do Universo. Resta, portanto, a inevitável conclusão de que elas só podem ser consideradas como parte dos “grandes sinais e prodígios” que haveriam de acompanhar as fascinantes manifestações demoníacas dos últimos dias (ver Ap 16:14).

Os escritores americanos Myron Widmer e Sidney Reiners divisam, por trás das aparições de OVNIs, um plano mestre de engano satânico. Widmer declara que o “constante aumento de fé no sobrenatural continua preparando o cenário para os eventos finais, quando a mente do povo terá visto e ouvido tanto do sobrenatural que as ilusões e os enganos de Satanás parecerão muito naturais e acreditáveis”.

Já Sidney Reiners sugere que as aparições de “ufonautas” (supostos tripulantes dos discos voadores) hostis à vida na Terra poderiam precipitar “uma corrida rumo a um governo mundial, com a perda, num estado de pânico, dos princípios democráticos”. Ufonautas amigos, por outro lado, poderiam persuadir facilmente os seres humanos a “solucionar” os problemas da humanidade com seus planos enganosos.

Quer as hipóteses de Reiners se cumpram literalmente ou não, o verdadeiro cristão deve alicerçar sua fé sobre a Palavra de Deus, para não sucumbir aos enganos satânicos. Como Cristo enfrentou as tentações demoníacas no deserto com a autoridade das Escrituras (ver Mt 4:1-11), o verdadeiro cristão jamais se deixará seduzir por qualquer experiência visual, auditiva ou emocional que não esteja em perfeita harmonia com o claro ensino bíblico (ver Is 8:19 e 20; Gl 1:8).

Outros mundos
Sobre a existência de outros mundos habitados, encontramos algumas diretas evidências na Palavra de Deus. Há, porém, um número maior ainda de evidências indiretas, que no contexto geral das Escrituras nos levam a crer na existência de outros mundos.

Em 1 Coríntios 4:9 encontramos umas das evidências mais contundentes em favor do nosso ponto de vista. Temos que analisar em primeiro lugar, o contexto no original grego para descobrirmos o que estava na mente de Paulo e qual era para ele o significado das palavras “mundo”, ou “universo”.

Observe que na parte final do verso 9, lemos que “nos tornamos espetáculo ao “mundo”, aos anjos e aos homens”. A palavra “mundo” traduzida da palavra grega kosmos, tem o significado usual de “a terra habitada”, mas também significa “universo”. Por exemplo, W. C. Taylor, em seu “Dicionário do Novo Testamento Grego”, assim define a palavra kosmos: “O universo, o mundo, (a soma das coisas criadas); a Terra habitada, os habitantes da Terra toda, etc.” Está aí uma ideia muito interessante, perfeitamente cabível no texto analisado.

Também o autorizado “The Analytical Greek Lexicon”, analisando o sentido da palavra kosmos, conclui: “também significa universo material, e em 1 Coríntios 4:9, o agregado da existência sensitiva”.

Temos também a favor dessa tese, a confirmação de algumas versões bíblicas que traduzem kosmos como “universo” nessa passagem. Entre elas podemos citar a Bíblia espanhola Version Moderna, editada pelas Sociedades Bíblicas Unidas, e a New English Bible. Ambas dizem: “somos espetáculo a todo o Universo”. Diz Ellen G. White: "Cada olho no universo não caído está voltado para aqueles que manifestam ser seguidores de Cristo. Em nosso minúsculo mundo trava-se uma guerra intensa" (RH, 29 de setembro de 1891).

Entre as evidências indiretas podemos citar Jó 2:1, 2 e Romanos 8:19. Contudo, temos que cuidar para não sermos enganados com a onda de misticismo atual e a crença popular que seres de outros mundos estão nos “visitando”. Esses outros mundos criados por Deus são mundos que não caíram em pecado, portanto, eles não poderiam entrar em contato conosco. Os ovnis, extraterrestres, ou qualquer aparição alardeada, são brinquedos de Satanás, operando maravilhas entre os homens para desviá-los da verdade da Palavra de Deus, a qual é a nossa única fonte segura de informação, de salvação e de orientação em relação aos últimos acontecimentos da história desse mundo. Mais do que nunca devemos fundamentar nossa confiança na revelação inspirada de Deus.

Espírito de Profecia
E o que Ellen G. White fala sobre outros mundos e seus habitantes?

"Satanás era grandemente amado pelos seres celestiais, era forte sua influência sobre eles. Alguma atitude deveria ser tomada para afastá-lo da simpatia dos seres celestiais. O governo de Deus incluía não somente os habitantes do Céu, mas de todos os mundos que Ele havia criado; e Satanás pensou que se ele pôde levar consigo os anjos do Céu à rebelião, poderia também levar os outros mundos" (RH, 9 de março de 1886).

"Cristo veio em forma humana para mostrar aos habitantes dos mundos não caídos e do mundo caído, que amplas providências foram tomadas para habilitar os seres humanos a viverem em lealdade com seu Criador" (ME1, p. 227).

“Deus tem mundos inumeráveis que são obedientes a Suas leis, e que se conduzem de acordo com Sua glória” (The Faith I Live By, p. 61).

"Este mundo não é mais do que um pequenino átomo no vasto domínio sobre o qual Deus preside" (TM, p. 324).

"Todos os tesouros do Universo estarão abertos aos remidos de Deus. Livres da mortalidade, alçarão voo incansável para os mundos distantes. Os filhos da Terra entram de posse da alegria e sabedoria dos seres não caídos e compartilham de tesouros de entendimento adquiridos durante séculos e séculos. Com visão clara, olham para a glória da criação — sóis e estrelas e sistemas, todos na sua indicada ordem, a circular em torno do trono da Divindade" (GCC, p. 293).

Para concluir, confira também esta espetacular visão dada a Ellen White:

“O Céu é um lugar agradável. Anseio ali estar, e contemplar meu amorável Jesus, que por mim deu Sua vida, e achar-me transformada a Sua imagem gloriosa. Oh! quem me dera possuir linguagem para exprimir as glórias do resplandecente mundo vindouro! Estou sedenta das águas vivas que alegram a cidade de nosso Deus. O Senhor me proporcionou uma vista de outros mundos. Foram-me dadas asas, e um anjo me acompanhou da cidade a um lugar fulgurante e glorioso. A relva era de um verde vivo, e os pássaros gorjeavam ali cânticos suaves. Os habitantes do lugar eram de todas as estaturas; nobres, majestosos e formosos. Ostentavam a expressa imagem de Jesus, e seu semblante irradiava santa alegria, que era uma expressão da liberdade e felicidade do lugar. Perguntei a um deles por que eram muito mais formosos que os da Terra. A resposta foi: 'Vivemos em estrita obediência aos mandamentos de Deus, e não caímos em desobediência, como os habitantes da Terra.' Vi então duas árvores. Uma se assemelhava muito à árvore da vida, existente na cidade. O fruto de ambas tinha belo aspecto, mas o de uma delas não era permitido comer. Tinham a faculdade de comer de ambas, mas era-lhes vedado comer de uma. Então meu anjo assistente me disse: 'Ninguém aqui provou da árvore proibida; se, porém, comessem, cairiam.' Então fui levada a um mundo que tinha sete luas. Vi ali o bom e velho Enoque, que tinha sido trasladado. Em sua destra tinha uma palma resplendente, e em cada folha estava escrito: 'Vitória.' Pendia-lhe da cabeça uma grinalda branca, deslumbrante, com folhas, e no meio de cada folha estava escrito: 'Pureza', e em redor da grinalda havia pedras de várias cores que resplandeciam mais do que as estrelas, e lançavam um reflexo sobre as letras, aumentando-lhes o volume. Na parte posterior da cabeça havia um arco em que rematava a grinalda, e nele estava escrito: 'Santidade.' Sobre a grinalda havia uma linda coroa que brilhava mais do que o Sol. Perguntei-lhe se este era o lugar para onde fora transportado da Terra. Ele disse: 'Não é; minha morada é na cidade, e eu vim visitar este lugar.' Ele percorria o lugar como se realmente estivesse em sua casa. Pedi ao meu anjo assistente que me deixasse ficar ali. Não podia suportar o pensamento de voltar a este mundo tenebroso. Disse então o anjo: 'Deves voltar e, se fores fiel, juntamente com os 144 mil terás o privilégio de visitar todos os mundos e ver a obra das mãos de Deus'" (PE, pp. 39 e 40).

* A frase do título da postagem abria os capítulos de um seriado de muito sucesso que foi exibido de 1993 a 2002, "O Arquivo X". Apresentada em um tom neutro, despertava naqueles que a acompanhavam curiosidade e apreensão. Criava o necessário clima para as aventuras dos agentes Fox Mulder e Dana Scully, que geralmente envolvia conspirações, muito mistério e alienígenas.

[Com informações de G1 |CNNCentro White | bíblia.com.br]

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

SINAIS

Sinais cósmicos e o grande terremoto antes da segunda vinda de Jesus ainda estão para se cumprir?

O texto bíblico declara que a segunda vinda de Cristo seria precedida por um grande terremoto, bem como por sinais cósmicos no Sol, na Lua e nas estrelas (ver Jl 2:31; Mt 24:29; Mc 13:24, 25; Lc 21:25; Ap 6:12, 13). Os adventistas creem que estes sinais se cumpriram respectivamente com o terremoto de Lisboa, no dia 1º de novembro de 1755; o escurecimento do Sol e a Lua em cor de sangue, em 19 de maio de 1780; e a queda das estrelas, na noite de 13 de novembro de 1833. Mas pelos menos três argumentos básicos têm sido usados contra tais identificações.

Um dos argumentos é que esses acontecimentos não passariam de fenômenos naturais, reincidentes e explicáveis cientificamente, que não poderiam ser considerados cumprimentos proféticos. Devemos reconhecer, no entanto, que esses fenômenos são “sinais” (Lc 21:25) mais importantes pelo seu significado do que pela sua própria natureza. Além disso, em várias outras ocasiões, Deus usou meios naturais com propósitos espirituais. Por exemplo, o dilúvio envolveu água e uma arca (Gn 6-8); e entre as pragas do Egito haviam rãs, piolhos, moscas, pestes, úlceras, saraiva, gafanhotos e trevas (Êx 7-12). De modo semelhante, os sinais cósmicos, mesmo podendo ser explicados cientificamente, apontavam para importantes realidades espirituais.

Outro argumento usado contra as identificações acima mencionadas é que elas já estão demasiadamente distantes da segunda vinda de Cristo para ainda ser consideradas sinais desse evento. Mas Cristo deixou claro que esses sinais deveriam ocorrer “logo em seguida à tribulação daqueles dias” (Mt 24:29), ou seja, próximo ao término dos 1.260 anos de supremacia papal (Dn 7:25). Apocalipse 6:12-14 esclarece que a sequência terremoto/sol/lua/estrelas ocorreria no contexto da abertura do sexto selo, e não do sétimo selo, que é a segunda vinda de Cristo. William H. Shea, em seu artigo “A marcha dos sinais”, Ministério, maio-junho de 1999, pp. 12-13, identifica a seguinte sequência profética:

(1) o grande terremoto de 1755; (2) o dia escuro de 1780; (3) o juízo sobre a besta em 1798; (4) a queda das estrelas em 1833; e (5) o início do juízo investigativo pré advento em 1844.

Assim como o grande terremoto e o dia escuro precederam o juízo sobre a besta, a queda das estrelas antecedeu o início do juízo investigativo.

Um terceiro argumento contra tais identificações é que o terremoto de Lisboa em 1755 não foi o mais intenso abalo sísmico já registrado. Independentemente de sua intensidade, o terremoto de Lisboa foi o mais significativo, em temos proféticos. Como prenúncio do término dos 1.260 anos de supremacia papal, o terremoto ocorreu em um domingo, Dia de Todos os Santos, quando os devotos católicos estavam reunidos em suas igrejas, e nenhum dos supostos santos os conseguiu proteger. Otto Friedrich, em sua obra O fim do mundo (Rio de Janeiro: Record, 2000), pp. 227-271, afirma que alguns padres e freiras anteviram em sonhos e visões que Lisboa seria destruída.

A posição tradicional adventista é confirmada em Nisto Cremos: as 28 Crenças Fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia, 8ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2008), pp. 417-419; e Tratado de Teología Adventista del Séptimo Día (Buenos Aires: Asociación Casa Editora Sudamericana, 2009), p. 1015-1017.

Ellen G. White, em O Grande Conflito, pp. 636-637, reconhece que, por ocasião da segunda vinda de Cristo, “o Sol aparecerá resplandecendo” à meia-noite e um “grande terremoto” abalará a Terra (Ap 16:18). Mas na mesma obra (pp. 304-308, 333-334), ela assegura que os sinais cósmicos mencionados especificamente pelo profeta Joel (Jl 2:31), por Cristo (Mt 24:29; Mc 13:24, 25; Lc 21:25) e pelo apóstolo João (Ap 6:12, 13) se cumpriram respectivamente em 1755, 1780 e 1833. Ellen White assim descreve esses sinais:

Terremoto - "Em cumprimento dessa profecia, em 1755 ocorreu o mais terrível terremoto que já se registrou. Conhecido como terremoto de Lisboa, estendeu-se pela Europa, África e América. Foi sentido na Groenlândia, nas Antilhas, na Ilha da Madeira, na Noruega e na Suécia, na Grã-Bretanha e na Irlanda, numa extensão de mais de dez milhões de quilômetros quadrados. Na África o choque foi quase tão violento quanto na Europa. Grande parte da Argélia foi destruída. Uma vasta onda varreu a costa da Espanha e da África, submergindo cidades."

O dia escuro - "Vinte e cinco anos mais tarde apareceu o sinal seguinte mencionado na profecia — o escurecimento do Sol e da Lua. O tempo de seu cumprimento fora definidamente indicado na conversa do Salvador com os discípulos, no Olivete. 'Naqueles dias, após a referida tribulação, o Sol escurecerá, a Lua não dará a sua claridade' (Marcos 13:24). Os 1.260 dias, ou anos, terminaram em 1798. Um quarto de século antes, a perseguição cessara quase completamente. Em seguida à perseguição, o Sol deveria escurecer-se. Em 19 de maio de 1780 cumpriu-se esta profecia. Esse dia figura na história como 'o Dia Escuro'. Desde o tempo de Moisés, nenhum período de trevas de igual densidade, extensão e duração, fora registrado. Se todos os corpos luminosos do Universo tivessem sido envoltos em sombras impenetráveis, ou arrancados da existência, as trevas não teriam sido mais completas. Depois da meia-noite as trevas se desvaneceram, e a Lua, ao tornar-se visível, tinha a aparência de sangue.

A queda das estrelas - "Em 1833, dois anos depois que Guilherme Miller começou a apresentar em público as provas da próxima vinda de Cristo, apareceu o último dos sinais que foram prometidos pelo Salvador como indícios de Seu segundo advento. Disse Jesus: 'As estrelas cairão do céu' (Mateus 24:29). E João, no Apocalipse, declarou, ao contemplar em visão as cenas que deveriam anunciar o dia de Deus: 'E as estrelas do céu caíram sobre a Terra, como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte' (Apocalipse 6:13). Esta profecia teve cumprimento surpreendente e impressionante na grande chuva meteórica de 13 de novembro de 1833. Aquela foi a mais extensa e maravilhosa exibição de estrelas cadentes que já se tem registrado."

Portanto, a Igreja Adventista do Sétimo Dia aceita os eventos ocorridos nessas datas como sendo os sinais preditos em Mateus 24:29.

Lembremo-nos sempre de que, mais importante do que os sinais em si é a pessoa para a qual os sinais apontam: Jesus Cristo. Devemos amar a vinda dEle, mas sem descuidar da nossa comunhão com Ele agora e da missão de falar do amor e da salvação que Ele ainda oferece. Ele voltará em breve? Sim, eu creio nisso. Mas minha vida pode ser ainda mais breve do que esse grande evento, posto que tão frágil e incerta. Isso é um lembrete de que nosso preparo tem que ser diário; nossa ligação com Deus tem que ser constante, e não dependente de acontecimentos e circunstâncias.

[Com informações de Centro White]

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

PREGAÇÃO EM CRISE

A pregação sempre foi, é e será o ponto alto do culto, a intersecção entre o Céu e a Terra, o momento em que Deus toca mentes e transforma corações. O ministério ganha e transmite vida (ou morte) a partir do púlpito. No entanto, para quem transita por igrejas diversas, já está se tornando lugar-comum a reclamação de que existe uma crise na qualidade da pregação. Onde estão os grandes oradores da atualidade? Por que os nomes associados com a pregação poderosa estão no passado? Qual seria a solução para o suposto declínio do púlpito cristão e adventista?

Sem dúvida, a pregação é um fator essencial na conversão dos pecadores, no sucesso da igreja e na espiritualidade dos membros. As pessoas buscam sermões de qualidade. Se a pregação realmente passa por uma crise, quais são as principais causas? Sem ser exaustivo nem apontar o dedo para ninguém, vou enumerar alguns fatores. Primeiro, nota-se uma superficialidade no conhecimento bíblico. Todavia, ninguém consegue pregar com excelência se não tiver base teológica sólida e familiaridade com a Bíblia. Para pregar bem, não basta inspiração momentânea. Alguns temem que a letra mate o espírito, mas o espírito também pode matar a letra. Sem o conteúdo, o pregador se torna um mensageiro sem mensagem. E não ter nada para dizer no púlpito, mais do que escândalo, é uma traição ao legado do evangelho.

Outro aspecto é a mudança no contexto cultural. Vivemos em uma época de ceticismo, entretenimento, consumismo, distração, superficialidade e cinismo. O império do imediato exige tudo para agora. A fragmentação é real em muitas esferas. Essas transformações acabam afetando muitos pregadores, que, buscando agradar o público, nutrem o desejo por popularidade fácil, transformam a plataforma num tablado e pregam a si mesmos. O púlpito se torna um grande cenário para selfies em que Cristo jamais aparece.

Em terceiro lugar, existe a pressão do pluralismo e do relativismo. O nível de incerteza aumenta a cada dia. Nesse contexto, o pregador pode ser tentado a não confiar totalmente na relevância da Bíblia. Passa também a relativizar os aspectos distintivos da teologia e dilui a mensagem. Com isso, ele não prega com convicção. Porém, em uma sociedade instável, a Palavra de Deus deve ser o fator de estabilidade. Para quem crê, Deus é a grande âncora existencial.

Há também a perda de autoridade, potencializada pela facilidade no “preparo” dos sermões. Muitas pregações são entediantes, irrelevantes e dispensáveis. A oferta de materiais na internet tornou-se uma bênção e uma maldição. O pregador que apenas recorta sermões e os apresenta como se fossem seus tem um problema ético. Mas há outra implicação: o corta-e-cola mina a sua autoridade, pois é o processo de preparo que ajuda a solidificar o conhecimento e a espiritualidade do pregador.

Por fim, vem a incoerência entre o discurso e a vida. Na sociedade, falta integridade, sobra hipocrisia. Pregador e audiência podem ser contaminados por esses vícios. O estilo de vida de muitos pregadores nem sempre transmite confiança. Quando o público percebe o orador como aproveitador, demagogo, egoísta, manipulador, oportunista ou simulador, temos um problema sério. Pior ainda é quando ele leva uma vida incompatível com a ética do evangelho, pois o descompasso entre pregação e vida é um desastre para a autoestima do pregador e o poder da pregação.

Muitos pregadores estão dando uma sopa rala para o povo. E ovelha faminta é ovelha suscetível aos lobos. Perdemos a centralidade das Escrituras. Por isso estamos deixando de expor as Escrituras no púlpito. Precisamos desesperadamente de um reavivamento no púlpito: um reavivamento da pregação bíblica, expositiva. Se a igreja se voltar para uma pregação centralizada na Bíblia, feita no poder do Espírito Santo, teremos um reavivamento e um crescimento saudável da igreja.

Concluímos com algumas considerações de Ellen G. White sobre o assunto:

"Deus pede um reavivamento e uma reforma. As palavras da Bíblia, e a Bíblia somente, deviam ser ouvidas do púlpito. Mas a Bíblia tem sido roubada em seu poder, e o resultado é visto no rebaixamento do tono da vida espiritual. Em muitos sermões de hoje, não existe aquela divina manifestação que desperta a consciência e leva vida à alma. Os ouvintes não podem dizer: 'Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras?' (Lc 24:32). Há muitos que estão clamando pelo Deus vivo, ansiando pela divina presença. Permiti que a Palavra de Deus lhes fale ao coração. Deixai que os que têm ouvido apenas tradição e teorias e máximas humanas ouçam a voz dAquele que pode renovar a alma para a vida eterna" (Profetas e Reis, p. 626).

“Há homens que ficam nos púlpitos como pastores, professando alimentar o rebanho, enquanto as ovelhas estão morrendo por falta do pão da vida. Há longos e arrastados discursos grandemente compostos de narrativas de anedotas; mas o coração dos ouvintes não é tocado. Pode ser que os sentimentos de alguns sejam tocados, podem derramar algumas lágrimas, mas seu coração não foi quebrantado. […] O Senhor, Deus do Céu, não pode aprovar muito do que é trazido ao púlpito pelos que professam estar falando a Palavra do Senhor. Não inculcam ideias que sejam uma bênção para os que o ouvem. Alimento barato, muito barato é colocado diante do povo. [...] Esteja o pregador cheio da Palavra do Senhor. Saiba cada homem que vai ao púlpito que tem anjos do Céu em seu auditório. [...] A Bíblia, a Palavra de Deus, é o pão da vida. Aquele que alimenta o rebanho de Deus deve ele próprio comer primeiro do pão que desceu do Céu. Verá a verdade a cada lado. Não se aventurará a chegar diante do povo enquanto não tiver primeiro comungado com Deus. Então é levado a trabalhar como Cristo trabalhou. Respeita as mentes variadas que lhe compõem o auditório. Tem uma palavra que toca o caso de todos, não ideias mundanas que confundem. Não tem ele direito de introduzir as perplexidades mundanas. O pão da vida satisfará toda fome da alma" (Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, pp. 336-339).

(Com informações de Revista Adventista)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

CRISTIANISMO ABSTRATO

Abstrato: adjetivo; que não se prende à representação da realidade tangível. Em outras palavras: abstrato é aquilo que não se pega, não se vê, e não tem cheiro nem gosto.

1. Cristianismo abstrato é aquele de quem acredita nas realidades espirituais mas não interage com elas. Por exemplo, acreditar em Deus pode ser o mesmo que acreditar na existência de Barak Obama sem nunca ter apertado sua mão, ou na existência da Austrália e no Amazonas sem nunca ter visitado o país ou navegado as águas do rio. Isto é, “acreditar na existência de” é diferente de “se relacionar com”. Quem acredita na existência de Deus, mas não se deixa afetar por Ele, não tem vantagem alguma sobre o diabo, que também acredita que Deus existe (Tiago 2.19).

2. Cristianismo abstrato é aquele baseado em ritualismo litúrgico, sem afeto: “Esse povo faz um grande show, dizendo as coisas certas, mas o coração deles não está nem aí para o que dizem. Fazem de conta que me adoram, mas é tudo encenação”, reclama Deus pela boca do profeta Isaías (29.13, A Mensagem) – espiritualidade sem lágrimas, culto sem paixão, devoção mecânica, rituais automatizados e bailado de bonecos.

3. Cristianismo abstrato é aquele onde as convicções doutrinais têm primazia sobre a prática da generosidade. A experiência de fé dogmática arrebata o fiel para o mundo das ideias, onde não existe corpo, carne e sangue, não existem pessoas, apenas grandes cérebros sem qualquer capacidade de amar. Gasta-se muito tempo discutindo se o teísmo é aberto ou fechado, e, conclusões feitas, surgem os julgamentos e as agressões pessoais que negligenciam a generosidade, a fraternidade, e a mínima educação e o respeito que devemos uns aos outros, todos esquecidos de que “o conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica”, ou que “o coração humilde pode nos ajudar muito mais do que a mente orgulhosa” (1 Coríntios 8.1, A Mensagem).

4. Cristianismo abstrato é aquele que supervaloriza o moralismo em detrimento do engajamento social. O conceito de vida piedosa fica restrito aos pecados íntimos, notadamente relacionados com sexo, considerando os pecados estruturais e sociais, como a pobreza, a injustiça e a corrupção, coisa de menor importância. Os moralistas se escandalizam mais facilmente com homossexuais andando de mãos dadas na Avenida Paulista do que com mendigos embriagados estirados nas calçadas.

5. Cristianismo abstrato é aquele que proclama a expectativa do céu sem a consequente convocação para a responsabilidade histórica. A utopia do reino de Deus, que deveria ser inspiração para o cuidado da criação de Deus, é transformada em argumento de fuga escatológica: “Já que o mundo vai acabar mesmo, e vamos para o novo céu e a nova terra, que se dane o leontopithecus rosalia [mico-leão-dourado]”.

6. Cristianismo abstrato é aquele que se relaciona com o mundo dos espíritos sem a contrapartida da participação no mundo dos homens. Meu amigo tinha uma carranca do folclore peruano em seu gabinete pastoral. Alguém entrou na sala e disse que aquilo era coisa do diabo e deveria ser destruída. O pastor perguntou: “Em quem você votou na última eleição?”. Após a resposta, meu amigo concluiu: “Não adianta nada amarrar o diabo nas religiões celestiais e deixá-lo solto aqui em baixo”. Risos.

7. Cristianismo abstrato é aquele onde a religião está separada da vida. O mundo é dividido entre religioso e secular: de um lado ficam os santos redimidos pelo sangue do Cordeiro e do outro os pagãos que marcham céleres para o inferno. A igreja deixa de ser sal da terra e passa a ser “sal no saleiro”.

8. Cristianismo abstrato é aquele que se sustenta em clichês a respeito de como a vida deve ser sem a coragem para encarar a vida como ela é. O elevado padrão ético do evangelho não pode desconsiderar a realidade concreta das pessoas e das comunidades cristãs, que convivem com pedófilos, corruptos, abusadores, gente dissimulada e mau caráter de todo tipo e práticas imorais de toda sorte. Quem proclama o evangelho não pode brincar de “tapar o sol com a peneira”.

9. Cristianismo abstrato é aquele fundamentado no “eu” sem “nós”. Tem gente que confunde pessoalidade (“O Senhor é o meu pastor”) com individualismo (“O pão é nosso, não apenas meu”). O privatismo egocêntrico prevalece sobre a comunhão solidária, e todo mundo tenta se relacionar com Deus enquanto olha apenas para o próprio umbigo.

10. Cristianismo abstrato é aquele onde a religião é à la carte, sem sujeição à autoridade da revelação de Deus, que conhecemos como Bíblia. Quando cada um escolhe o que crer, de acordo com sua própria lógica e suposto bom senso, a mensagem cristã acaba sendo transformada num mix barato de folclore popular, filosofia em gotas, misticismo pagão e autoajuda espiritualista.

11. Cristianismo abstrato é aquele onde prevalecem as questões de foro íntimo sem satisfações comunitárias. Uma fé sem dimensões públicas, com ênfase exagerada em privacidade e preservação da intimidade, negligencia o fato de que “somos membros uns dos outros, e quando um membro do corpo sofre, todos os outros sofrem com ele; quando um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele” (1 Coríntios 12.26).

12. Cristianismo abstrato é aquele onde existe carisma sem caráter. Muita profecia, muito exorcismo em nome de Jesus, sem submissão à vontade de Deus. Muita língua estranha que nem mesmo o Espírito Santo entende. No dia do juízo, muita gente cheia de carismas vai se espantar quando ouvir Jesus dizer: “Tudo o que vocês fizeram foi me usar para virar celebridades. Fora daqui” (Mateus 7.23, A Mensagem).

13. Cristianismo abstrato é aquele que tem um Deus de invocação e outros muitos de devoção. Tem muita gente que invoca o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo em suas orações, mas toma decisões no dia a dia e organiza a vida ao redor do dinheiro, da família, de um romance, da carreira profissional ou de qualquer outra pseudo sutil divindade idolátrica.

14. Cristianismo abstrato é aquele de quem ora: “Vem nós tudo, ao vosso reino nada” (ser servido versus servir). As pessoas ouviram que “Jesus Cristo é o Senhor” e acreditaram que nesse caso Ele pode fazer tudo por elas, em vez de concluírem o óbvio, a saber, que elas devem fazer tudo por Jesus.

15. Cristianismo abstrato é aquele que se contenta com “amor” a Deus sem amor ao próximo, esquecido de que “ver a face do irmão é como contemplar a face de Deus” (Gênesis 33.10), ou quem sabe, que a única maneira de contemplar a face de Deus é contemplando a face do irmão, pois para enxergar o Deus que não se vê, é preciso enxergar o irmão que está bem diante dos olhos (1 João 4.20).

Ed René Kivitz (via Missão Pós-Moderna)

Confira também esses pensamentos de Ellen G. White:

"Cristianismo é a revelação do mais terno afeto de uns pelos outros. ... Cristo deve receber supremo amor dos seres que criou. E Ele requer também que o homem nutra sagrada consideração por seus semelhantes. Toda alma salva salvar-se-á por amor, o qual começa em Deus. A genuína conversão é uma mudança do egoísmo para santificada afeição para com Deus e uns pelos outros" (Mensagens Escolhidas 1:114-115).

"Muitos pensam que é impossível amar ao próximo como a nós mesmos, mas este é o único fruto genuíno do cristianismo. Amar a outros é revestir-se do Senhor Jesus Cristo; é andar e obrar tendo em vista o mundo invisível. Devemos assim conservar-nos olhando para Jesus, o Autor e Consumador de nossa fé" (The Review and Herald, 26 de Junho de 1894).

"Deus pede nossa cooperação. O que Ele espera de nós é justo e razoável. ... Quando tomamos o nome de Cristo, comprometemo-nos a representá-Lo. A fim de sermos fiéis ao nosso compromisso, Cristo, a esperança da glória, tem de ser formado em nós. A vida diária tem de tornar-se mais e mais semelhante à vida de Cristo. Temos de ser cristãos em atos e de verdade. Cristo não quer ter nada que ver com a presunção. Ele acolherá nas cortes celestiais unicamente aqueles cujo cristianismo seja genuíno. A vida dos professos cristãos, que não vivem a vida de Cristo, é um escárnio à religião" (The Review and Herald, 14 de Janeiro de 1904).

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

9 MITOS SOBRE A SALVAÇÃO

O homem põe vários obstáculos para conquistar aquilo que Cristo oferece de graça.

MITO 1: Antes de ir a Jesus devo primeiro me arrepender
Não pense que você só pode ir a Cristo após o arrependimento, e que o arrependimento prepara você para o perdão dos pecados. É verdade que o arrependimento antecede o perdão. Contudo, somente o coração quebrantado e contrito sente necessidade de um Salvador. Mas será que é preciso esperar por isso, para depois ir a Cristo? Não. A Bíblia não ensina assim. Ela simplesmente diz: “Vinde a Mim” (Mateus 11:28). Cristo dá o poder que leva ao arrependimento. É tão impossível se arrepender sem Cristo como é impossível ser perdoado sem Ele. É a bondade de Deus que cria o desejo de mudar.

MITO 2: Estou bem do jeito que sou
Muitas vezes, bajulamos a nós mesmos com o pensamento de que realmente estamos muito bem, levamos uma boa vida moral e somos decentes. Não nos vemos como impuros e cheios de pecado, e assim não vemos a real necessidade de uma humilde renovação. Errado. Mesmo o profeta Daniel, a pessoa mais honesta, pura e fiel pelos padrões humanos, disse de si mesmo a Deus: “Temos pecado e cometido iniquidade” (Daniel 9:5). Ele se sentia oprimido pelo senso de sua própria fraqueza e imperfeição. Sem esquecer nosso valor perante Cristo que morreu por nós, quando nos aproximamos dEle, vemos como realmente somos: cheios de pensamentos, palavras e ações corrompidas.

Com respeito aos atos exteriores perante a lei de Deus, Paulo se considerava “irrepreensível” (Filipenses 3:6), mas, com relação ao caráter espiritual da lei, ele via a si mesmo como um pecador igual a qualquer um de nós.

MITO 3: Há pecados piores do que outros - e os meus não são tão ruins
A avaliação de Deus é diferente. Ele não considera todos os pecados de igual magnitude. Ele vê diferentes graus de culpa (embora nenhum pecado seja pequeno a Seus olhos). Nós olhamos para o bêbado na sarjeta ou para o viciado em drogas, por exemplo, e dizemos: “Coitado, com isso que está fazendo nunca conseguirá chegar ao Céu.” Cuidado: Deus julga as pessoas de forma diferente. A maneira como Cristo tratou os líderes religiosos de Seus dias, que eram aparentemente justos e moralistas, demonstra essa diferença.

Pecados como o orgulho, egoísmo e ganância, que geralmente não são vistos e, portanto, nunca censurados, são os que Deus realmente odeia. Por isso, Cristo não hesitou em chamar os fariseus e saduceus de hipócritas. Eles aparentavam uma vida de santidade, mas eram completamente cheios de justiça própria. Mas isso gera um problema. Pelo fato de alguns pecados serem auto-evidentes, a pessoa sentirá vergonha e necessidade de graça. Mas o orgulhoso – pela própria natureza do seu pecado – não sente nenhuma necessidade e por isso não busca o perdão.

A história do publicano e do fariseu (ver Lucas 18:13) ilustra isso. “Deus, tem misericórdia de mim, pecador”, disse o publicano, que considerava a si mesmo como um homem mau e grande pecador. Mas ele sentia uma necessidade, e foi buscar o perdão de Deus. Por outro lado, o aparentemente justo, mas orgulhoso fariseu, com uma oração carregada da justiça própria, mostrou que seu coração estava fechado ao poder do Espírito Santo. Ele não sentia necessidade. Ele não esperava e não recebia nada.

MITO 4: Eu tenho que me purificar primeiro, antes de Deus me aceitar
Se você se considera um pecador, não espere se tornar melhor antes de ir a Cristo. Isso nunca acontecerá. Os leopardos não podem mudar suas manchas. A única ajuda que você pode ter, vem de Deus. Você não pode fazer nada por si mesmo. Você tem que ir a Cristo do jeito que está. Não fique esperando por fortes apelos, um momento mais conveniente, ou mesmo um estado mental mais “santo”.

MITO 5: Deus, em Seu infinito amor, vai salvar até os que rejeitarem Sua graça
Se você pensa assim, olhe para a morte de Cristo na cruz. Isso mostra como Deus considera o pecado. A verdadeira natureza do pecado pode ser vista na intensidade do sofrimento de Cristo. Cada pecado conduz à morte. O amor e o sofrimento de Cristo ao agonizar por nossos pecados revelam que qualquer ato pecaminoso se opõe à salvação. É essencial aceitar a graça de Deus.

MITO 6: Em comparação com os outros, estou muito bem
Uma pessoa que pensa assim diz: “Olhe para outros que são chamados de cristãos, sou tão bom quanto eles.” Às vezes, as pessoas apresentam essa justificativa como uma desculpa para o próprio comportamento. Mas isso não faz o menor sentido. Os pecados e defeitos dos outros não são uma desculpa para os nossos. Cristo é nosso único exemplo.

De fato, parece lógico pensar que aqueles que reclamam do comportamento dos outros possuem um senso de moralidade e decência mais elevado, e têm maior obrigação de viver uma vida melhor. Mas, se eles possuem um conceito tão alto do que constitui uma vida nobre, então cada erro deles não teria também uma dimensão muito maior?

MITO 7: Sempre há uma nova chance
Em todos os aspectos da vida, cuidado com a procrastinação. Nunca se acomode em uma vida pecaminosa, deixando de buscar a graça e o perdão de Jesus. A vida é curta e incerta. Mas há outro perigo a que todo mundo está sujeito: se você abafa a voz da consciência, e escolhe conviver com uma vida de pecado, você está se arriscando a ser dominado pelo pecado.

Cada vez que você satisfaz a si mesmo e acalma a consciência com o pensamento de que pode mudar amanhã, você corre o risco de neutralizar o poder do evangelho para operar em sua vida. A vontade de mudar vai diminuindo com o tempo. “Agora é o dia da salvação” (2 Coríntios 6:2).

MITO 8: Se eu conheço e acredito, estou salvo
Uma religião intelectual, sem que haja mudança de coração, é apenas uma formalidade sem substância. Alguns creem em Cristo (e até os demônios creem), e concordam mentalmente com os aspectos técnicos e legais do evangelho, mas falta um desejo sincero de participar desse evangelho. Essas pessoas precisam pronunciar a oração de Davi: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro…” (Salmo 51: 10). Aplique isso com sinceridade a você mesmo.

MITO 9: A salvação é muito difícil
Ao olhar para você mesmo e ver a verdadeira natureza de sua vida cheia de pecado, você pode sentir-se tentado a entrar em desespero. Não faça isso. Cristo veio salvar você. E para Ele, isso é muito fácil. Afinal de contas, não somos nós que temos que reconciliar Deus conosco, mas Deus é quem nos reconcilia com Ele (2 Coríntios 5:19).

Deus chama a Si mesmo de nosso Pai. Nem mesmo o melhor dos pais terrestres poderia ser tão paciente com os erros e culpas dos filhos como Deus o faz com Suas criaturas, isto é, conosco a quem Ele deseja salvar. E se você pensa que sua vida é tão má que a salvação está muito além do seu alcance (exatamente como Satanás deseja que você acredite), pense na história de Maria Madalena, (ver Lucas 7). Simão, referindo-se ao passado dela, questionou sua aceitação por parte de Cristo.

Por isso, Cristo contou uma história a Simão, o acusador. “Havia dois devedores” (pecadores), começou Cristo. Um deles devia uma pequena quantia e o outro devia uma enorme e incalculável fortuna. Mas os dois foram absolvidos, e a dívida foi cancelada pelo credor. “Quem você acha que ficou mais agradecido?”, Cristo perguntou. A resposta é óbvia.

O que Cristo oferece a você é o mesmo que ofereceu a Maria e oferece a qualquer pessoa que se sente acusada: “Vinde a Mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei” (Mt 11:28).

Adaptado de Ellen G. White, Caminho a Cristo